{"id":2402,"date":"2019-09-17T05:52:11","date_gmt":"2019-09-17T05:52:11","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2402"},"modified":"2019-09-17T05:52:13","modified_gmt":"2019-09-17T05:52:13","slug":"hubble-explora-a-formacao-e-evolucao-dos-enxames-estelares-na-grande-nuvem-de-magalhaes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/09\/17\/hubble-explora-a-formacao-e-evolucao-dos-enxames-estelares-na-grande-nuvem-de-magalhaes\/","title":{"rendered":"Hubble explora a forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o dos enxames estelares na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim como as pessoas da mesma idade podem variar muito em apar\u00eancia e forma, o mesmo acontece com cole\u00e7\u00f5es de estrelas ou enxames estelares. Novas observa\u00e7\u00f5es com o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA sugerem que a idade cronol\u00f3gica, por si s\u00f3, n\u00e3o conta a hist\u00f3ria completa quando se trata da evolu\u00e7\u00e3o dos aglomerados de estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Investiga\u00e7\u00f5es anteriores sobre a forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o de enxames estelares sugeriram que estes sistemas tendem a ser compactos e densos quando se formam, antes de expandirem com o tempo para se tornarem tanto aglomerados grandes como pequenos. Novas observa\u00e7\u00f5es do Hubble, na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es (GNM), aumentaram a nossa compreens\u00e3o de como o tamanho dos enxames de estrelas na GNM muda com o tempo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/cdn.spacetelescope.org\/archives\/images\/large\/potw1852a.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"693\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/potw1852a.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2403\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/potw1852a.jpg 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/potw1852a-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/potw1852a-300x297.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption>Imagem de NGC 1466, uma &#8220;bola&#8221; antiga e brilhante de estrelas, pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA. \u00c9 um enxame globular &#8211; uma cole\u00e7\u00e3o de estrelas todas mantidas juntas pela gravidade &#8211; que est\u00e1 a mover-se lentamente pelo espa\u00e7o na orla da Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, um dos nossos vizinhos gal\u00e1cticos mais pr\u00f3ximos. NGC 1466 \u00e9 certamente um objeto extremo. Tem uma massa equivalente a 140.000 s\u00f3is e uma idade de mais ou menos 13,1 mil milh\u00f5es de anos, o que o torna quase t\u00e3o velho quanto o pr\u00f3prio Universo. Esta rel\u00edquia f\u00f3ssil do Universo primitivo est\u00e1 a cerca de 160.000 anos-luz de dist\u00e2ncia. NGC 1466 \u00e9 um dos cinco enxames na GNM no qual foi medido o n\u00edvel de evolu\u00e7\u00e3o din\u00e2mica (ou &#8220;idade din\u00e2mica&#8221;).<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Hubble e NASA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os enxames s\u00e3o agregados de muitas (at\u00e9 um milh\u00e3o) estrelas. S\u00e3o sistemas ativos nos quais as intera\u00e7\u00f5es gravitacionais m\u00fatuas entre as estrelas mudam a sua estrutura ao longo do tempo (mudan\u00e7a conhecida pelos astr\u00f3nomos como &#8220;evolu\u00e7\u00e3o din\u00e2mica&#8221;). Devido a estas intera\u00e7\u00f5es, as estrelas mais massivas tendem a &#8220;afundar&#8221; progressivamente em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o central de um enxame, enquanto as estrelas mais leves podem escapar do sistema. Isto provoca uma contra\u00e7\u00e3o progressiva do n\u00facleo do enxame ao longo de diferentes escalas de tempo e significa que os aglomerados estelares com a mesma idade cronol\u00f3gica podem variar muito em apar\u00eancia e forma devido \u00e0s diferentes &#8220;idades din\u00e2micas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Localizada a quase 160.000 anos-luz da Terra, a GNM \u00e9 uma gal\u00e1xia sat\u00e9lite da Via L\u00e1ctea, que hospeda enxames de estrelas que abrangem uma ampla faixa de idades. Isto difere da nossa pr\u00f3pria Via L\u00e1ctea, que cont\u00e9m principalmente enxames de estrelas mais antigos. A distribui\u00e7\u00e3o de tamanhos em fun\u00e7\u00e3o da idade observada para enxames de estrelas na GNM \u00e9 muito intrigante, pois os aglomerados jovens s\u00e3o compactos, enquanto os sistemas mais antigos t\u00eam tamanhos pequenos e grandes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/cdn.spacetelescope.org\/archives\/images\/large\/heic1915b.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.spacetelescope.org\/archives\/images\/thumb700x\/heic1915b.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> As estrelas retardat\u00e1rias azuis s\u00e3o, obviamente, azuis e brilhantes, com uma massa superior \u00e0 m\u00e9dia para um enxame, e espera-se que &#8220;afundem&#8221; na dire\u00e7\u00e3o do centro de um enxame com o passar do tempo. Aquelas mais pr\u00f3ximas do n\u00facleo do aglomerado s\u00e3o as primeiras a migrar para dentro, enquanto as retardat\u00e1rias azuis mais distantes movem-se progressivamente para dentro.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Hubble &amp; NASA, L. Cal\u00e7ada <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Verificou-se que todos os enxames, incluindo os da GNM, hospedam um tipo especial de estrelas revigoradas chamadas retardat\u00e1rias azuis (&#8220;blue stragglers&#8221; em ingl\u00eas, assim denominadas devido \u00e0 sua cor e ao facto da sua evolu\u00e7\u00e3o &#8220;atrasar-se&#8221; em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 das suas vizinhas). Sob certas circunst\u00e2ncias, as estrelas recebem combust\u00edvel extra que as faz subir de massa e que as faz aumentar substancialmente de brilho. Isto pode acontecer se uma estrela retira mat\u00e9ria de uma vizinha, ou se colidem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como resultado do envelhecimento din\u00e2mico, as estrelas mais massivas &#8220;afundam&#8221; em dire\u00e7\u00e3o ao centro do enxame \u00e0 medida que fica mais velho, num processo semelhante \u00e0 sedimenta\u00e7\u00e3o, chamado &#8220;segrega\u00e7\u00e3o central&#8221;. As retardat\u00e1rias azuis s\u00e3o brilhantes, o que as torna relativamente f\u00e1ceis de observar, e possuem massas elevadas, o que significa que s\u00e3o afetadas pela segrega\u00e7\u00e3o central e que podem ser usadas para estimar a idade din\u00e2mica de um aglomerado estelar (isto n\u00e3o quer dizer que todas as estrelas mais massivas e brilhantes dos enxames s\u00e3o retardat\u00e1rias azuis).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Francesco Ferraro da Universidade de Bolonha, na It\u00e1lia, e a sua equipa usaram o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble para observar retardat\u00e1rias azuis em cinco velhos enxames de estrelas na GNM, com tamanhos diferentes, e conseguiram classific\u00e1-los em termos da sua idade din\u00e2mica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/cdn.spacetelescope.org\/archives\/images\/large\/heic1915c.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.spacetelescope.org\/archives\/images\/thumb700x\/heic1915c.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Esta ilustra\u00e7\u00e3o demonstra os dois cen\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o das retardat\u00e1rias azuis.<br>A imagem da esquerda mostra o modelo de colis\u00e3o onde duas estrelas de baixa massa, num ambiente lotado, sofrem uma colis\u00e3o frontal, combinando o seu combust\u00edvel e massa para formar uma \u00fanica estrela quente.<br>A imagem da direita ilustra o modelo &#8220;vampiro&#8221; que consiste num par de estrelas que sofre uma transforma\u00e7\u00e3o, em que a estrela de massa mais baixa &#8220;suga&#8221; hidrog\u00e9nio \u00e0 companheira mais massiva, alimentando o seu renascimento.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Hubble, M. Kornmesser <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Demonstr\u00e1mos que diferentes estruturas de enxames estelares s\u00e3o devidas a diferentes n\u00edveis de envelhecimento din\u00e2mico: t\u00eam formas diferentes f\u00edsicas, apesar de terem nascido no mesmo tempo c\u00f3smico. \u00c9 a primeira vez que o efeito do envelhecimento din\u00e2mico \u00e9 medido nos enxames da GNM,&#8221; diz Ferraro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estes achados apresentam \u00e1reas intrigantes para investiga\u00e7\u00f5es adicionais, pois revelam uma nova e valiosa maneira de ler os padr\u00f5es observados de aglomerados estelares na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, fornecendo novas pistas sobre a hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o de enxames nessa gal\u00e1xia,&#8221; acrescenta a coautora Barbara Lanzoni.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Animation of Blue Stragglers\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mtNZi-yAuTY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.spacetelescope.org\/news\/heic1915\" target=\"_blank\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2019\/news-2019-42.html\" target=\"_blank\">\/\/ Hubblesite (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-019-0865-1\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1909.02049\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/blue-stragglers-star-cluster-evolution.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"http:\/\/blogs.discovermagazine.com\/d-brief\/2019\/09\/13\/large-magellanic-cloud-hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Discover<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-09-hubble-explores-formation-evolution-star.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enxames estelares:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Globular_cluster\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enxame globular (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&#8220;Blue stragglers&#8221; (estrelas retardat\u00e1rias azuis):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Blue_straggler\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Grande Nuvem de Magalh\u00e3es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large_Magellanic_Cloud\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/xtra\/ngc\/lmc.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/resources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assim como as pessoas da mesma idade podem variar muito em apar\u00eancia e forma, o mesmo acontece com cole\u00e7\u00f5es de estrelas ou enxames estelares. 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