{"id":2384,"date":"2019-09-13T05:50:07","date_gmt":"2019-09-13T05:50:07","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2384"},"modified":"2019-09-13T05:50:09","modified_gmt":"2019-09-13T05:50:09","slug":"buraco-negro-de-massa-intermedia-lanca-estrela-pela-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/09\/13\/buraco-negro-de-massa-intermedia-lanca-estrela-pela-via-lactea\/","title":{"rendered":"Buraco negro de massa interm\u00e9dia lan\u00e7a estrela pela Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos identificou a origem de uma estrela em fuga a alta velocidade de nome PG 1610+062 e determinou que foi provavelmente ejetada do seu enxame onde nasceu com a ajuda de um buraco negro de massa interm\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados foram publicados na revista Astronomy &amp; Astrophysics.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fim de restringir a velocidade de rota\u00e7\u00e3o projetada de PG 1610+062, a sua velocidade radial, bem como medir com precis\u00e3o a sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, a equipa precisou de dados espectrais da estrela, mas a sua dist\u00e2ncia e posi\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o tornaram o instrumento ESI (Echellette Spectrograph and Imager) do Observat\u00f3rio W. M. Keck a \u00fanica ferramenta para o trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;No hemisf\u00e9rio norte, apenas a combina\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio Keck e do ESI nos deu o que precis\u00e1vamos. A \u00e1rea de recolha do Keck permitiu-nos reunir fot\u00f5es suficientes para o nosso objeto e o ESI tem exatamente a resolu\u00e7\u00e3o correta, que \u00e9 alta o suficiente para resolver todas as caracter\u00edsticas espectrais,&#8221; diz o coautor Thomas Kupfer, p\u00f3s-doutorado do Instituto Kavli para F\u00edsica Te\u00f3rica na Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa Barbara.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"360\" height=\"270\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/blender_milkyway.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-2385\"\/><figcaption>Estrelas jovens e massivas como PG1610+062, no halo gal\u00e1ctico da Via L\u00e1ctea, vivem longe das regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar da nossa Gal\u00e1xia. Os astr\u00f3nomos est\u00e3o a tentar entender como \u00e9 que estas &#8220;estrelas fugitivas&#8221; foram for\u00e7adas a sair do seu local de nascimento. Novas observa\u00e7\u00f5es de PG1610+062 sugerem que um buraco negro de massa interm\u00e9dia, na Via L\u00e1ctea, pode ser respons\u00e1vel por expulsar a estrela do seu enxame natal.\nCr\u00e9dito: A. Irrgang, FAU<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora anteriormente considerada uma estrela antiga com metade da massa do Sol, t\u00edpica do halo gal\u00e1ctico, os dados do Observat\u00f3rio Keck revelaram que PG 1610+062 \u00e9 na verdade uma estrela surpreendentemente jovem, dez vezes mais massiva, expelida do Disco Gal\u00e1ctico a quase \u00e0 velocidade de escape da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m existem estrelas ainda mais velozes, chamadas estrelas de hipervelocidade &#8211; as primeiras tr\u00eas foram descobertas em 2005. Entre elas est\u00e1 a estrela \u00edmpar US 708, encontrada em observa\u00e7\u00f5es com o LRIS (Low Resolution Imaging Spectrometer) do telesc\u00f3pio Keck I; estava a viajar t\u00e3o depressa que escapou \u00e0 atra\u00e7\u00e3o gravitacional da Via L\u00e1ctea. Para atingir estas velocidades, \u00e9 necess\u00e1rio um evento de expuls\u00e3o extremamente dram\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Simula\u00e7\u00f5es realizadas em 1988 sugeriram que um buraco negro gigante com 4 milh\u00f5es de vezes a massa do Sol era capaz de o fazer. Ao interromper um sistema estelar bin\u00e1rio, ou seja, engolindo uma estrela e deixando a sua parceira estelar com toda a energia do sistema, ejetando-a muito al\u00e9m da velocidade de escape da Via L\u00e1ctea. \u00c0 falta de outras explica\u00e7\u00f5es plaus\u00edveis para a forma\u00e7\u00e3o das estrelas de hipervelocidade, este cen\u00e1rio foi prontamente aceite como o mecanismo padr\u00e3o de expuls\u00e3o, em particular depois que as evid\u00eancias observacionais da exist\u00eancia de um buraco negro supermassivo no Centro Gal\u00e1ctico se tornaram avassaladoras no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando as medi\u00e7\u00f5es de precis\u00e3o astrom\u00e9trica da miss\u00e3o Gaia da ESA, PG1610+062 foi rastreada, n\u00e3o para perto do Centro Gal\u00e1ctico, mas para o bra\u00e7o espiral de Sagit\u00e1rio da nossa Gal\u00e1xia, descartando a ideia de que o buraco negro supermassivo do Centro Gal\u00e1ctico tivesse expelido a estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda mais interessante \u00e9 a extrema acelera\u00e7\u00e3o derivada para PG1610+062, que exclui provavelmente todos os outros cen\u00e1rios alternativos, exceto a intera\u00e7\u00e3o com um buraco negro de massa interm\u00e9dia. Prev\u00ea-se que tais objetos existam em enxames estelares jovens nos bra\u00e7os espirais da Via L\u00e1ctea, mas nenhum foi efetivamente confirmado at\u00e9 ao momento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;PG1610+062 pode fornecer evid\u00eancias de que os buracos negros de massa interm\u00e9dia realmente existem na nossa Gal\u00e1xia. A &#8216;corrida&#8217; para os encontrar est\u00e1 em andamento,&#8221; diz o autor principal Andreas Irrgang da Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nuremberga, Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muito mais para aprender sobre esta estrela e sobre o seu local de origem. \u00c0 medida que a miss\u00e3o Gaia prossegue, a precis\u00e3o vai melhorar e o local de origem ser\u00e1 reduzido ainda mais, possivelmente permitindo que os astr\u00f3nomos procurem o enxame estelar e, finalmente, o buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa, que inclui Felix F\u00fcrst do Centro Europeu de Astronomia Espacial na Espanha, Stephan Geier do Instituto de F\u00edsica e Astronomia da Universidade de Potsdam, na Alemanha, e Ulrich Heber da Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nuremberga, est\u00e1 atualmente a pesquisar candidatas adicionais semelhantes a PG1610+062 usando o Gaia e outros telesc\u00f3pios. As mais brilhantes e mais pr\u00f3ximas podem ser adequadas para rastrear os n\u00facleos dos enxames estelares, o que poder\u00e1 fornecer evid\u00eancias de buracos negros de massa interm\u00e9dia nos seus centros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/blackhole-slingshot\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio W. M. Keck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/abs\/2019\/08\/aa35429-19\/aa35429-19.html\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1907.06375\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas de hipervelocidade:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_kinematics#Hypervelocity_stars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buracos negros:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Intermediate-mass_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Buraco negro de massa interm\u00e9dia (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Buraco negro supermassivo (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio W. M. Keck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Keck_telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"http:\/\/gea.esac.esa.int\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/guide-to-scientists\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Como usar os dados do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/60036-gaia-data-release-2-virtual-reality-resources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Recursos VR<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.spaceflight101.com\/gaia-spacecraft-overview.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACEFLIGHT101<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos identificou a origem de uma estrela em fuga a alta velocidade de nome PG 1610+062 e determinou que foi provavelmente ejetada do seu enxame onde nasceu com a ajuda de um buraco negro de massa interm\u00e9dia. 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