{"id":2381,"date":"2019-09-10T05:45:03","date_gmt":"2019-09-10T05:45:03","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2381"},"modified":"2019-09-13T05:47:24","modified_gmt":"2019-09-13T05:47:24","slug":"investigacao-da-nasa-fornece-novas-informacoes-sobre-a-perda-atmosferica-de-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/09\/10\/investigacao-da-nasa-fornece-novas-informacoes-sobre-a-perda-atmosferica-de-marte\/","title":{"rendered":"Investiga\u00e7\u00e3o da NASA fornece novas informa\u00e7\u00f5es sobre a perda atmosf\u00e9rica de Marte"},"content":{"rendered":"\n<p>De acordo com novas observa\u00e7\u00f5es de cientistas financiados pela NASA, um importante rastreador usado para estimar a quantidade de atmosfera perdida por Marte pode mudar dependendo da hora do dia e da temperatura da superf\u00edcie do Planeta Vermelho. As medi\u00e7\u00f5es anteriores deste rastreador &#8211; is\u00f3topos de oxig\u00e9nio &#8211; discordam significativamente. Uma medi\u00e7\u00e3o precisa deste rastreador \u00e9 importante para estimar quanta atmosfera Marte j\u00e1 teve antes de se perder, o que revela se pode ter sido habit\u00e1vel e como teriam sido as condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Marte \u00e9 hoje um deserto frio e in\u00f3spito, mas caracter\u00edsticas como leitos secos de rio e minerais que s\u00f3 se formam na presen\u00e7a de \u00e1gua l\u00edquida indicam que, h\u00e1 muito tempo atr\u00e1s, teve uma atmosfera espessa que retinha calor suficiente para que a \u00e1gua l\u00edquida &#8211; um ingrediente necess\u00e1rio para a vida &#8211; corresse \u00e0 superf\u00edcie. Segundo resultados de miss\u00f5es da NASA como a MAVEN e o rover Curiosity, indo at\u00e9 \u00e0s miss\u00f5es Viking em 1976, parece que Marte perdeu grande parte da sua atmosfera ao longo de milhares de milh\u00f5es de anos, transformando o seu clima de um que pode ter sustentado vida para o ambiente seco e frio do presente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/mars_landscape_dry_wet_0.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"554\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/M8V0JlQ.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2382\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/M8V0JlQ.png 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/M8V0JlQ-300x169.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/M8V0JlQ-768x432.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>Esta impress\u00e3o de artista ilustra o passado ambiente de Marte (direita) &#8211; que se pensa ter tido \u00e1gua l\u00edquida e uma atmosfera mais espessa &#8211; vs. o ambiente frio e seco visto em Marte hoje (esquerda).<br>Cr\u00e9dito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No entanto, permanecem muitos mist\u00e9rios sobre a antiga atmosfera do Planeta Vermelho. &#8220;Sabemos que Marte tinha mais atmosfera. Sabemos que tinha \u00e1gua corrente. Al\u00e9m disso, n\u00e3o temos uma boa estimativa das condi\u00e7\u00f5es &#8211; qu\u00e3o parecido com a Terra era o ambiente marciano? Durante quanto tempo?&#8221;, disse Timothy Livengood da Universidade de Maryland em College Park, EUA, e do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no mesmo estado norte-americano. Livengood \u00e9 o autor principal de um artigo sobre esta investiga\u00e7\u00e3o publicado dia 1 de agosto na revista Icarus.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma maneira de estimar a espessura da atmosfera original de Marte \u00e9 observando os is\u00f3topos de oxig\u00e9nio. Os is\u00f3topos s\u00e3o vers\u00f5es de um elemento com massa diferente devido ao n\u00famero de neutr\u00f5es no n\u00facleo at\u00f3mico. Os is\u00f3topos mais leves escapam para o espa\u00e7o mais rapidamente do que os is\u00f3topos mais pesados, de modo que a atmosfera que permanece no planeta \u00e9 gradualmente enriquecida com is\u00f3topos mais pesados. Neste caso, Marte \u00e9 enriquecido em compara\u00e7\u00e3o com a Terra no que toca ao is\u00f3topo mais pesado de oxig\u00e9nio,&nbsp;<sup>18<\/sup>O, vs. o mais leve e muito mais comum&nbsp;<sup>16<\/sup>O. A quantidade relativa medida de cada is\u00f3topo pode ser usada para estimar quanto mais atmosfera havia no passado de Marte, em combina\u00e7\u00e3o com uma estimativa de qu\u00e3o mais depressa o is\u00f3topo&nbsp;<sup>16<\/sup>O escapa, e assumindo que a quantidade relativa de cada is\u00f3topo na Terra e Marte j\u00e1 foi semelhante.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que as medi\u00e7\u00f5es da quantidade do is\u00f3topo&nbsp;<sup>18<\/sup>O em compara\u00e7\u00e3o com o&nbsp;<sup>16<\/sup>O em Marte, a propor\u00e7\u00e3o&nbsp;<sup>18<\/sup>O\/<sup>16<\/sup>O, n\u00e3o t\u00eam sido consistentes. Diferentes miss\u00f5es mediram diferentes propor\u00e7\u00f5es, o que resulta em diferentes entendimentos da antiga atmosfera marciana. O novo resultado fornece uma poss\u00edvel maneira de resolver esta discrep\u00e2ncia, mostrando que a propor\u00e7\u00e3o pode mudar durante o dia marciano. &#8220;Medi\u00e7\u00f5es anteriores em Marte ou na Terra obtiveram uma variedade de valores diferentes para o r\u00e1cio isot\u00f3pico,&#8221; disse Livengood. &#8220;As nossas s\u00e3o as primeiras medi\u00e7\u00f5es a usar um \u00fanico m\u00e9todo, de maneira que mostram que a propor\u00e7\u00e3o realmente varia num \u00fanico dia, em vez de compara\u00e7\u00f5es entre elementos independentes. Nas nossas medi\u00e7\u00f5es, a propor\u00e7\u00e3o de is\u00f3topos varia entre cerca de 9% esgotado em is\u00f3topos pesados ao meio-dia marciano a cerca de 8% enriquecido em is\u00f3topos pesados por volta das 13:30, em compara\u00e7\u00e3o com os r\u00e1cios isot\u00f3picos normais para o oxig\u00e9nio da Terra.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta gama de r\u00e1cios isot\u00f3picos \u00e9 consistente com as outras medi\u00e7\u00f5es relatadas. &#8220;As nossas medi\u00e7\u00f5es sugerem que todo o trabalho anterior pode ter sido feito corretamente, mas discorda porque este aspeto da atmosfera \u00e9 mais complexo do que pens\u00e1vamos,&#8221; explicou Livengood. &#8220;Dependendo da posi\u00e7\u00e3o marciana onde a medi\u00e7\u00e3o foi feita, e da hora do dia em Marte, \u00e9 poss\u00edvel obter valores diferentes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa pensa que a mudan\u00e7a nas propor\u00e7\u00f5es ao longo do dia \u00e9 uma ocorr\u00eancia rotineira devido \u00e0 temperatura do solo, no qual as mol\u00e9culas isotopicamente mais pesadas &#8220;colam-se&#8221; mais aos gr\u00e3os superficiais e frios \u00e0 noite do que os is\u00f3topos mais leves, e depois s\u00e3o libertados (desabsor\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica) \u00e0 medida que a superf\u00edcie aquece durante o dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Dado que a atmosfera marciana \u00e9 principalmente di\u00f3xido de carbono (CO<sub>2<\/sub>), o que a equipa realmente observou foram is\u00f3topos de oxig\u00e9nio ligados a \u00e1tomos de carbono na mol\u00e9cula de CO<sub>2<\/sub>. Eles fizeram as suas observa\u00e7\u00f5es da atmosfera marciana com o IRTF (Infrared Telescope Facility) da NASA em Mauna Kea, Hawaii, usando o HIPWAC (Heterodyne Instrument for Planetary Winds and Composition) desenvolvido em Goddard. &#8220;Ao tentar entender a ampla dispers\u00e3o nas taxas estimadas de is\u00f3topos que recuper\u00e1mos das observa\u00e7\u00f5es, percebemos que estavam correlacionadas com a temperatura da superf\u00edcie que tamb\u00e9m obtivemos,&#8221; acrescentou Livengood. &#8220;Foi este conhecimento que nos colocou neste caminho.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O novo trabalho vai ajudar os cientistas a refinar as suas estimativas da antiga atmosfera marciana. Como as medi\u00e7\u00f5es podem agora ser entendidas como consistentes com os resultados de tais processos nas atmosferas de outros planetas, isto significa que est\u00e3o no caminho certo para entender como o clima marciano mudou. &#8220;Isto mostra que a perda atmosf\u00e9rica ocorreu por processos que mais ou menos entendemos,&#8221; real\u00e7ou Livengood. &#8220;Os detalhes cr\u00edticos ainda precisam de ser trabalhados, mas n\u00f3s n\u00e3o precisamos de invocar processos ex\u00f3ticos que podem resultar na remo\u00e7\u00e3o de CO<sub>2<\/sub>&nbsp;sem alterar as taxas de is\u00f3topos, ou na altera\u00e7\u00e3o de apenas algumas taxas de outros elementos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2019\/mars-lost-atmosphere\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0019103518307097?dgcid=author\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Icarus)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a>\u00a0<br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atmosphere_of_Mars#Atmospheric_evolution\" target=\"_blank\">Evolu\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica de Marte (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>MAVEN:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/maven\/main\/#.UnJoWfm-2G4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/mars.jpl.nasa.gov\/maven\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/MAVEN\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rover Curiosity (MSL):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/msl\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/mars.jpl.nasa.gov\/msl\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MarsCuriosity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/marscuriosity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_Science_Laboratory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Miss\u00e3o Viking:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Viking_program\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/viking\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com novas observa\u00e7\u00f5es de cientistas financiados pela NASA, um importante rastreador usado para estimar a quantidade de atmosfera perdida por Marte pode mudar dependendo da hora do dia e da temperatura da superf\u00edcie do Planeta Vermelho. As medi\u00e7\u00f5es anteriores deste rastreador &#8211; is\u00f3topos de oxig\u00e9nio &#8211; discordam significativamente. 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