{"id":2378,"date":"2019-09-10T05:41:53","date_gmt":"2019-09-10T05:41:53","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2378"},"modified":"2019-09-13T05:44:46","modified_gmt":"2019-09-13T05:44:46","slug":"csi-marciano-revela-como-os-impactos-de-asteroide-criaram-agua-corrente-no-planeta-vermelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/09\/10\/csi-marciano-revela-como-os-impactos-de-asteroide-criaram-agua-corrente-no-planeta-vermelho\/","title":{"rendered":"&#8220;CSI marciano&#8221; revela como os impactos de asteroide criaram \u00e1gua corrente no Planeta Vermelho"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.gla.ac.uk\/media\/Media_670091_smxx.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"650\" height=\"433\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Media_670091_smxx.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2379\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Media_670091_smxx.jpg 650w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Media_670091_smxx-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/a><figcaption>O Dr. Luke Daly, investigador em Ci\u00eancia do Sistema Solar da Escola de Ci\u00eancias Geogr\u00e1ficas da Terra da Universidade de Glasgow, segurando um peda\u00e7o de um meteorito naklhite marciano.<br>Cr\u00e9dito: Universidade de Glasgow<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>An\u00e1lises modernas de meteoritos marcianos revelaram detalhes sem precedentes sobre como os impactos dos asteroides ajudam a criar fontes tempor\u00e1rias de \u00e1gua corrente no Planeta Vermelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Este estudo ajuda a restringir a potencial localiza\u00e7\u00e3o da cratera de impacto na superf\u00edcie marciana que explodiu algumas dessas rochas marcianas para o espa\u00e7o h\u00e1 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>As descobertas s\u00e3o o resultado de um tipo de &#8220;CSI marciano&#8221; que usa t\u00e9cnicas sofisticadas para reconstruir grandes eventos que moldaram a rocha desde que se formou em Marte, h\u00e1 cerca de 1,4 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p>No novo artigo, publicado na revista Science Advances, os cientistas planet\u00e1rios da Universidade de Glasgow e colegas de Leeds, da It\u00e1lia, Austr\u00e1lia e Su\u00e9cia descrevem como usaram uma t\u00e9cnica conhecida como difra\u00e7\u00e3o de retrodispers\u00e3o de eletr\u00f5es para examinar &#8220;fatias&#8221; de dois meteoritos marcianos diferentes conhecidos como &#8220;nakhlites&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os nakhlites s\u00e3o um grupo de meteoritos marcianos vulc\u00e2nicos em homenagem a El Naklha, no Egipto, onde o primeiro deles caiu na Terra em 1911. Estes meteoritos preservam evid\u00eancias da a\u00e7\u00e3o da \u00e1gua l\u00edquida na superf\u00edcie marciana h\u00e1 aproximadamente 633 milh\u00f5es de anos. No entanto, o processo que gerou estes fluidos tem sido um mist\u00e9rio at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p>O Dr. Luke Daly, associado de pesquisa em Ci\u00eancia do Sistema Solar na Escola de Ci\u00eancias Geogr\u00e1ficas e da Terra da Universidade de Glasgow, \u00e9 o principal autor do artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Dr. Daly disse: &#8220;existem muitas informa\u00e7\u00f5es sobre Marte &#8216;trancadas&#8217; dentro dos pequenos peda\u00e7os do Planeta Vermelho que ca\u00edram na Terra como meteoritos, que novas t\u00e9cnicas anal\u00edticas podem nos permitir aceder.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ao aplicar esta t\u00e9cnica de difra\u00e7\u00e3o de retrodispers\u00e3o de eletr\u00f5es, conseguimos observar muito atentamente a orienta\u00e7\u00e3o e a deforma\u00e7\u00e3o dos minerais em toda a \u00e1rea destas amostras de rocha marciana para procurar padr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que vimos \u00e9 que o padr\u00e3o de deforma\u00e7\u00e3o nos minerais corresponde exatamente \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o das veias de eros\u00e3o formadas a partir dos flu\u00eddos marcianos. Esta coincid\u00eancia fornece-nos dados empolgantes sobre dois grandes eventos da hist\u00f3ria destas rochas. O primeiro \u00e9 que, h\u00e1 aproximadamente 633 milh\u00f5es de anos, foram atingidas por um asteroide que as deformou em parte de uma cratera de impacto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.gla.ac.uk\/media\/Media_670094_smxx.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.gla.ac.uk\/media\/Media_670094_smxx.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> <br>Modelo gr\u00e1fico de como os impactos de asteroides ajudam a criar fontes tempor\u00e1rias de \u00e1gua corrente em Marte. Os meteoritos naklhites s\u00e3o um conjunto de rochas \u00edgneas que se cristalizaram em torno de uma complexa estrutura vulc\u00e2nica em Marte h\u00e1 1,3 a 1,4 mil milh\u00f5es de anos. Uma nova an\u00e1lise quantitativa da textura destes meteoritos revelou evid\u00eancias de um sistema hidrotermal gerado por um impacto &#8211; h\u00e1 633 milh\u00f5es de anos. Estes meteoritos foram ejetados de Marte durante um segundo impacto &#8211; h\u00e1 11 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<br>Cr\u00e9dito: Universidade de Glasgow <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Este impacto foi grande o suficiente e quente o suficiente para derreter o gelo sob a superf\u00edcie marciana e envi\u00e1-lo atrav\u00e9s de fissuras rec\u00e9m-formadas na rocha &#8211; efetivamente formando um sistema hidrotermal tempor\u00e1rio por baixo da superf\u00edcie de Marte, que alterou a composi\u00e7\u00e3o dos minerais nas rochas, perto destas fissuras. Isto sugere que o impacto de um asteroide foi o mecanismo misterioso, para produzir \u00e1gua l\u00edquida, nos naklhites muito tempo depois do vulc\u00e3o que os formou em Marte ter ficado extinto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A segunda coisa excitante que nos diz \u00e9 que as rochas devem ter sido atingidas duas vezes. Um segundo impacto, h\u00e1 cerca de 11 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, teve a combina\u00e7\u00e3o certa de \u00e2ngulo e for\u00e7a para explodir as rochas da superf\u00edcie do planeta e para come\u00e7ar a sua longa jornada pelo espa\u00e7o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa pensa que os seus achados fornecem novas informa\u00e7\u00f5es sobre a forma\u00e7\u00e3o da paisagem marciana. Os bombardeamentos regulares de asteroides podem ter tido efeitos semelhantes no gelo subterr\u00e2neo ao longo da hist\u00f3ria marciana, criando sistemas hidrotermais tempor\u00e1rios por todo o planeta e importantes fontes de \u00e1gua l\u00edquida.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua an\u00e1lise tamb\u00e9m fornece pistas importantes que podem ajudar a identificar exatamente onde os naklhites tiveram origem em Marte.<\/p>\n\n\n\n<p>O Dr. Daly acrescentou: &#8220;Atualmente, estamos a tentar entender a geologia marciana atrav\u00e9s destes meteoritos sem saber de que parte da superf\u00edcie de Marte estes naklhites vieram. As nossas novas descobertas restringem firmemente as poss\u00edveis origens dos naklhites &#8211; sabemos agora que estamos \u00e0 procura de uma complexa estrutura vulc\u00e2nica, com cerca de 1,3 a 1,4 mil milh\u00f5es de anos, com uma cratera com mais ou menos 633 milh\u00f5es de anos e outra com 11 milh\u00f5es de anos. Pouqu\u00edssimos lugares em Marte correspondem a estes elementos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 um trabalho de detetive interplanet\u00e1rio que ainda est\u00e1 em andamento, mas estamos ansiosos por resolver o caso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores, da Universidade de Glasgow, da Universidade de Leeds, da Universidade de Uppsala, Oxford Instruments Nanoanalysis, da Universidade de Pisa, da Universidade de Nova Gales do Sul e da Universidade Curtin, analisaram amostras de dois nakhlites.<\/p>\n\n\n\n<p>Um deles, conhecido como &#8220;Miller Range 03346&#8221;, foi encontrado e recuperado das montanhas da cadeia Miller na Ant\u00e1rtica em 2003 pela expedi\u00e7\u00e3o de pesquisa ANSMET (Antarctic Search for Meteorites). A professora Gretchen Benedix, coautora do estudo, fez parte da expedi\u00e7\u00e3o que recuperou Miller Range 03346. O segundo, &#8220;Lafayette&#8221;, encontrava-se na cole\u00e7\u00e3o de amostras rochosas da Universidade de Purdue em 1931.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.gla.ac.uk\/news\/headline_670005_en.html\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Glasgow (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/5\/9\/eaaw5549\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nakhlites:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nakhlite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Dr. Luke Daly, investigador em Ci\u00eancia do Sistema Solar da Escola de Ci\u00eancias Geogr\u00e1ficas da Terra da Universidade de Glasgow, segurando um peda\u00e7o de um meteorito naklhite marciano.Cr\u00e9dito: Universidade de Glasgow An\u00e1lises modernas de meteoritos marcianos revelaram detalhes sem precedentes sobre como os impactos dos asteroides ajudam a criar fontes tempor\u00e1rias de \u00e1gua corrente &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2379,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[4,554],"class_list":["post-2378","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","tag-marte","tag-nakhlites"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2378","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2378"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2378\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2380,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2378\/revisions\/2380"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2379"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}