{"id":2354,"date":"2019-09-03T05:33:57","date_gmt":"2019-09-03T05:33:57","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2354"},"modified":"2019-09-03T05:33:59","modified_gmt":"2019-09-03T05:33:59","slug":"pela-primeira-vez-os-astronomos-apanham-um-asteroide-a-mudar-de-cor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/09\/03\/pela-primeira-vez-os-astronomos-apanham-um-asteroide-a-mudar-de-cor\/","title":{"rendered":"Pela primeira vez, os astr\u00f3nomos apanham um asteroide a mudar de cor"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/news.mit.edu\/sites\/mit.edu.newsoffice\/files\/styles\/news_article_image_top_slideshow\/public\/images\/2019\/MIT-Active-Asteroid_0.jpg?itok=jOdFVyCX\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"639\" height=\"426\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/MIT-Active-Asteroid_0.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2355\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/MIT-Active-Asteroid_0.jpg 639w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/MIT-Active-Asteroid_0-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 639px) 100vw, 639px\" \/><\/a><figcaption>O asteroide 6478 Gault, visto pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA, mostra duas caudas parecidas \u00e0s de um cometa, detritos que nos dizem que o asteroide est\u00e1 lentamente a auto-destruir-se. Os riscos brilhantes que rodeiam o asteroide s\u00e3o estrelas de fundo. O asteroide Gault est\u00e1 localizado entre as \u00f3rbitas de Marte e J\u00fapiter.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, K. Meech e J. Kleyna, O. Hainaut<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No passado m\u00eas de dezembro, os cientistas descobriram um asteroide &#8220;ativo&#8221; dentro da cintura de asteroides, situada entre as \u00f3rbitas de Marte e J\u00fapiter. A rocha espacial, designada pelos astr\u00f3nomos como 6478 Gault, parecia estar a deixar duas trilhas de poeira no seu rasto &#8211; comportamento ativo que est\u00e1 associado a cometas, mas raramente visto em asteroides.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto os astr\u00f3nomos ainda est\u00e3o intrigados com a causa da atividade &#8220;comet\u00e1ria&#8221; de Gault, uma equipa do MIT (Massachusetts Institute of Technology) agora relata que apanhou o asteroide no ato de mudar de cor, no espetro infravermelho pr\u00f3ximo, de vermelho para azul. \u00c9 a primeira vez que os cientistas observam um asteroide a mudar de cor em tempo real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Foi uma surpresa muito grande,&#8221; disse Michael Marsset, p\u00f3s-doutorado do Departamento de Ci\u00eancias da Terra, Atmosf\u00e9ricas e Planet\u00e1rias do MIT. &#8220;Pensamos que testemunh\u00e1mos o asteroide a perder a sua poeira avermelhada no espa\u00e7o e que estamos a ver as novas camadas azuis subjacentes dos asteroides.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marsset e colegas tamb\u00e9m confirmaram que o asteroide \u00e9 rochoso &#8211; prova de que a cauda do asteroide, embora pare\u00e7a a de um cometa, \u00e9 provocada por um mecanismo completamente diferente, pois os cometas n\u00e3o s\u00e3o rochosos, mas mais como bolas de neve solta de gelo e poeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 a primeira vez, tanto quanto sei, que vemos um corpo rochoso a emitir poeira, um pouco como um cometa,&#8221; disse Marsset. &#8220;Isto significa que provavelmente algum mecanismo respons\u00e1vel pela emiss\u00e3o de poeira \u00e9 diferente do dos cometas, e diferente da maioria dos outros asteroides ativos da cintura principal.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marsset e colegas, incluindo a investigadora Francesca DeMeo e o professor Richard Binzel, do mesmo departamento, publicaram os seus resultados na revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma rocha com caudas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos descobriram pela primeira vez 6478 Gault em 1988 e deram este nome em honra ao ge\u00f3logo planet\u00e1rio Donald Gault. At\u00e9 recentemente, a rocha espacial era vista como relativamente mediana, medindo cerca de 4 km em largura e orbitando juntamente com milh\u00f5es de outros objetos de rocha e poeira na regi\u00e3o interior da cintura de asteroides, a 344 milh\u00f5es de quil\u00f3metros do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em janeiro, imagens de v\u00e1rios observat\u00f3rios, incluindo do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA, capturaram duas caudas estreitas, semelhantes \u00e0s dos cometas, seguindo o asteroide. Os astr\u00f3nomos estimam que a cauda mais longa se estenda por 800 mil quil\u00f3metros, enquanto a cauda mais curta tem aproximadamente um-quarto desse comprimento. As caudas, conclu\u00edram, devem consistir de dezenas de milh\u00f5es de quilogramas de poeira, ativamente lan\u00e7ada pelo asteroide para o espa\u00e7o. Mas como? A quest\u00e3o reacendeu o interesse em Gault e os estudos desde ent\u00e3o descobriram casos passados de atividade semelhante do asteroide.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s conhecemos cerca de um milh\u00e3o de corpos entre Marte e J\u00fapiter, e talvez cerca de 20 que est\u00e3o ativos na cintura de asteroides,&#8221; disse Marsset. &#8220;De modo que isto \u00e9 muito raro.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele e colegas juntaram-se \u00e0 busca de respostas para a atividade de Gault em mar\u00e7o, quando garantiram tempo de observa\u00e7\u00e3o com o IRTF (Infrared Telescope Facility) da NASA em Mauna Kea, Hawaii. Durante duas noites, observaram o asteroide e usaram um espectr\u00f3grafo de alta precis\u00e3o para dividir a luz do asteroide em v\u00e1rias frequ\u00eancias ou cores, cujas intensidades relativas podem dar aos cientistas uma ideia da composi\u00e7\u00e3o de um objeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da sua an\u00e1lise, a equipa determinou que a superf\u00edcie do asteroide \u00e9 composta principalmente de silicato, um material seco e rochoso, semelhante \u00e0 maioria dos outros asteroides e, mais importante, nada parecido com a maioria dos cometas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cometas geralmente v\u00eam das orlas muito mais frias do Sistema Solar. Quando se aproximam do Sol, qualquer gelo \u00e0 superf\u00edcie sublima instantaneamente, ou vaporiza em g\u00e1s, criando a cauda caracter\u00edstica do cometa. Dado que a equipa de Marsset descobriu que 6478 Gault \u00e9 um corpo seco e rochoso, isso significa que provavelmente est\u00e1 a produzir caudas de poeira atrav\u00e9s de algum outro mecanismo ativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma nova mudan\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que a equipa observava o asteroide, descobriram, para sua surpresa, que a rocha estava a mudar de cor no infravermelho pr\u00f3ximo, de vermelho para azul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Nunca vimos uma mudan\u00e7a t\u00e3o dram\u00e1tica como esta ao longo de um per\u00edodo t\u00e3o curto de tempo,&#8221; disse a coautora DeMeo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas dizem que provavelmente est\u00e3o a ver a poeira da superf\u00edcie do asteroide, que ficou vermelho ao longo de milh\u00f5es de anos de exposi\u00e7\u00e3o ao Sol, a ser expelida para o espa\u00e7o, revelando uma superf\u00edcie nova e menos irradiada por baixo, que parece azul em comprimentos de onda do infravermelho pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Curiosamente, \u00e9 s\u00f3 necess\u00e1rio remover uma camada muito fina para ver uma mudan\u00e7a no espectro,&#8221; diz DeMeo. &#8220;Pode ser t\u00e3o fina quanto uma \u00fanica camada de gr\u00e3os de poeira com apenas alguns micr\u00f3metros de profundidade.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que poder\u00e1, ent\u00e3o, estar a causar esta mudan\u00e7a de cor do asteroide? A equipa e outros grupos que estudam 6478 Gault pensam que o motivo da mudan\u00e7a de cor, e da &#8220;atividade comet\u00e1ria&#8221; do asteroide, provavelmente se deve ao mesmo mecanismo: uma r\u00e1pida rota\u00e7\u00e3o. O asteroide pode estar a girar depressa o suficiente para retirar camadas de poeira da sua superf\u00edcie, atrav\u00e9s de pura for\u00e7a centr\u00edfuga. Os investigadores estimam que seria necess\u00e1rio um per\u00edodo de rota\u00e7\u00e3o de aproximadamente duas horas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Cerca de 10% dos asteroides giram muito depressa, ou seja, t\u00eam um per\u00edodo de rota\u00e7\u00e3o de duas a tr\u00eas horas, e o Sol \u00e9 provavelmente o culpado desta acelera\u00e7\u00e3o,&#8221; disse Marsset.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este fen\u00f3meno de acelera\u00e7\u00e3o \u00e9 conhecido como efeito YORP (efeito Yarkovsky-O\u2019Keefe-Radzievskii-Paddack, em honra aos cientistas que o descobriram), que se refere ao efeito da radia\u00e7\u00e3o solar, ou fot\u00f5es, em corpos pequenos e pr\u00f3ximos como asteroides. Apesar dos asteroides refletirem a maior parte desta radia\u00e7\u00e3o para o espa\u00e7o, uma fra\u00e7\u00e3o destes fot\u00f5es \u00e9 absorvida e depois reemitida como calor e tamb\u00e9m como momento. Isto cria uma pequena for\u00e7a que, ao longo de milh\u00f5es de anos, pode fazer com que o asteroide gire mais depressa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos j\u00e1 observaram, no passado, o efeito YORP num punhado de asteroides. Para confirmar que um efeito semelhante est\u00e1 a agir sobre 6478 Gault, os cientistas v\u00e3o ter que detetar a sua rota\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de curvas de luz &#8211; medi\u00e7\u00f5es do brilho do asteroide ao longo do tempo. O desafio ser\u00e1 ver atrav\u00e9s da consider\u00e1vel cauda de poeira do asteroide, que pode obscurecer partes importantes da luz do asteroide.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de Marsset, juntamente com outros grupos, planeia estudar o asteroide em busca de mais pistas da sua atividade, quando se tornar novamente vis\u00edvel no c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Acho que [o estudo do grupo] refor\u00e7a o facto de que a cintura de asteroides \u00e9 um lugar realmente din\u00e2mico,&#8221; diz DeMeo. &#8220;Apesar dos campos de asteroides que vemos nos filmes, todos chocando uns com os outros, serem exagerados, h\u00e1 muita coisa a acontecer l\u00e1 a cada momento.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/news.mit.edu\/2019\/asteroid-changing-color-first-0830\" target=\"_blank\">\/\/ MIT News (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ab32ee\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1907.10077\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-08-astronomers-asteroid.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Asteroide (6487) Gault:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/minorplanetcenter.net\/\/iau\/lists\/NumberedMPs005001.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro de Planetas Menores da UAI<\/a><br><a href=\"https:\/\/ssd.jpl.nasa.gov\/sbdb.cgi?sstr=2006478#content\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JPL\/NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/hamilton.dm.unipi.it\/astdys\/index.php?n=6478&amp;pc=1.1.0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AstDyS<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/6478_Gault\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Asteroides:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nineplanets.org\/asteroids.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/asteroids\/main\/#.Uut94Pl_t8E\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Asteroid\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Efeito YORP:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Yarkovsky%E2%80%93O%27Keefe%E2%80%93Radzievskii%E2%80%93Paddack_effect\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NASA IRTF:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/irtfweb.ifa.hawaii.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NASA_Infrared_Telescope_Facility\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/resources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O asteroide 6478 Gault, visto pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA, mostra duas caudas parecidas \u00e0s de um cometa, detritos que nos dizem que o asteroide est\u00e1 lentamente a auto-destruir-se. 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