{"id":2351,"date":"2019-09-03T05:31:29","date_gmt":"2019-09-03T05:31:29","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2351"},"modified":"2019-09-03T05:34:18","modified_gmt":"2019-09-03T05:34:18","slug":"os-exoplanetas-nao-conseguem-esconder-os-seus-segredos-de-novo-e-inovador-instrumento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/09\/03\/os-exoplanetas-nao-conseguem-esconder-os-seus-segredos-de-novo-e-inovador-instrumento\/","title":{"rendered":"Os exoplanetas n\u00e3o conseguem esconder os seus segredos de novo e inovador instrumento"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.gemini.edu\/images\/pio\/News\/2019\/pr2019_08\/fig1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"663\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/fig1-1024x663.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2352\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/fig1-1024x663.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/fig1-300x194.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/fig1-768x497.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista do sistema bin\u00e1rio Kepler-13AB como revelado por observa\u00e7\u00f5es que incluem novos dados do Observat\u00f3rio Gemini. As duas esterlas (A e B) s\u00e3o estrelas azuis, grandes e massivas (centro) enquanto o planeta em tr\u00e2nsito (Kepler-13b) pode ser visto no plano da frente (canto esquerdo). A estrela B e a sua companheira, uma an\u00e3 vermelha de baixa massa, podem ser vistas no fundo \u00e0 direita.<br>Cr\u00e9dito: Observat\u00f3rio Gemini\/NSF\/AURA\/arte por Joy Pollard<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa fa\u00e7anha sem precedentes, uma equipa norte-americana de investiga\u00e7\u00e3o desvendou segredos ocultos de um exoplaneta elusivo gra\u00e7as a um novo e poderoso instrumento no Telesc\u00f3pio Gemini Norte, de 8 metros, em Mauna Kea, Hawaii. As descobertas n\u00e3o apenas classificam um exoplaneta do tamanho de J\u00fapiter num sistema bin\u00e1rio pr\u00f3ximo, mas tamb\u00e9m demonstram conclusivamente, e pela primeira vez, qual das estrelas o planeta orbita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta ocorreu quando Steve B. Howell do Centro de Pesquisa Ames da NASA e a sua equipa usaram um instrumento de imagem de alta resolu\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria autoria &#8211; de nome &#8216;Alopeke (palavra havaiana contempor\u00e2nea para &#8220;raposa&#8221;). A equipa observou o exoplaneta Kepler-13b enquanto passava em frente (transitava) uma das estrelas do sistema bin\u00e1rio Kepler-13AB a cerca de 2000 anos-luz de dist\u00e2ncia. Antes desta tentativa, a verdadeira natureza do exoplaneta era um mist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Havia confus\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a Kepler-13b: seria uma estrela de baixa massa ou um mundo quente como J\u00fapiter? De modo que cri\u00e1mos uma experi\u00eancia usando o &#8216;Alopeke, disse Howell. A investiga\u00e7\u00e3o foi recentemente publicada na revista The Astronomical Journal. &#8220;N\u00f3s monitoriz\u00e1mos as duas estrelas, Kepler A e Kepler B, simultaneamente, enquanto procur\u00e1vamos mudan\u00e7as de brilho durante o tr\u00e2nsito exoplanet\u00e1rio,&#8221; explicou Howell. &#8220;Para nosso benef\u00edcio, n\u00e3o s\u00f3 resolvemos o mist\u00e9rio, como tamb\u00e9m abrimos uma janela para uma nova era da investiga\u00e7\u00e3o exoplanet\u00e1ria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta vit\u00f3ria a dobrar elevou a import\u00e2ncia de instrumentos como &#8216;Alopeke na pesquisa por exoplanetas,&#8221; disse Chris David da NSF (National Science Foundation), uma das ag\u00eancias patrocinadoras do Gemini. &#8220;As excelentes capacidades de observa\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio Gemini, bem como o inovador &#8216;Alopeke, tornaram esta descoberta poss\u00edvel em apenas quatro horas de observa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8216;Alopeke recolhe mil exposi\u00e7\u00f5es de 60 milissegundos a cada minuto. Depois de processar esta grande quantidade de dados, as imagens finais ficam livres dos efeitos adversos da turbul\u00eancia atmosf\u00e9rica &#8211; que pode desfocar e distorcer as imagens das estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Cerca de metade de todos os exoplanetas orbitam uma estrela que reside num sistema bin\u00e1rio mas, at\u00e9 agora, n\u00e3o consegu\u00edamos determinar com precis\u00e3o qual a estrela que hospeda o planeta,&#8221; disse Howell.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise da equipa revelou uma clara queda na luz de Kepler A, provando que o planeta orbita a mais brilhante das duas estrelas. Al\u00e9m disso, &#8216;Alopeke fornece simultaneamente dados nos comprimentos de onda vermelho e azul, uma capacidade invulgar para c\u00e2maras deste tipo. Ao compararem os dados vermelhos e azuis, os cientistas ficaram surpresos ao descobrir que a queda na luz estelar azul era cerca de duas vezes mais profunda do que a queda vista na luz vermelha. Isto pode ser explicado por um exoplaneta quente com uma atmosfera muito extensa, que bloqueia com mais efic\u00e1cia a luz em comprimentos de onda azuis. Assim, estas observa\u00e7\u00f5es fornecem um vislumbre tentador do aspeto deste mundo distante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Observa\u00e7\u00f5es iniciais haviam apontado que o objeto em tr\u00e2nsito podia ser uma estrela de baixa massa ou uma an\u00e3 castanha (um objeto algures entre os planetas mais pesados e as estrelas mais leves). Mas a investiga\u00e7\u00e3o de Howell e da sua equipa mostram, quase certamente, que o objeto \u00e9 um exoplaneta gigante gasoso, parecido com J\u00fapiter, com uma atmosfera &#8220;inchada&#8221; devido \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 tremenda radia\u00e7\u00e3o da sua estrela hospedeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8216;Alopeke tem um g\u00e9meo id\u00eantico acoplado ao telesc\u00f3pio Gemini Sul no Chile, de nome Zorro, palavra espanhola para raposa. Tal como &#8216;Alopeke, Zorro \u00e9 capaz de gerar imagens em comprimentos de onda azuis e vermelhos. A presen\u00e7a destes instrumentos nos dois hemisf\u00e9rios permite que o Observat\u00f3rio Gemini resolva milhares de exoplanetas que se sabem existirem em sistemas estelares m\u00faltiplos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta tecnologia de capta\u00e7\u00e3o de imagens est\u00e1 a induzir um renascimento com detetores r\u00e1pidos e de baixo ru\u00eddo tornando-se mais facilmente dispon\u00edveis,&#8221; disse o cientista do instrumento &#8216;Alopeke Andrew Stephen, membro da equipa do telesc\u00f3pio Gemini Norte. &#8220;Combinado com o grande espelho principal do Gemini, &#8216;Alopeke tem o potencial para fazer descobertas exoplanet\u00e1rias ainda mais significativas, acrescentando outra dimens\u00e3o \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Proposto pela primeira vez em 1970 pelo astr\u00f3nomo franc\u00eas Antoine Labeyrie, este m\u00e9todo usado pelo &#8216;Alopeke tem por base a ideia de que a turbul\u00eancia atmosf\u00e9rica pode ser &#8220;congelada&#8221; ao obter exposi\u00e7\u00f5es muito curtas. Nestas exposi\u00e7\u00f5es muito curtas, as estrelas parecem cole\u00e7\u00f5es de pontos pequenos, onde cada um destes pontos tem o tamanho do limite ideal de resolu\u00e7\u00e3o do telesc\u00f3pio. Ao obter muitas exposi\u00e7\u00f5es e ao usar uma abordagem matem\u00e1tica inteligente, estes pontos podem ser reconstru\u00eddos para formar a verdadeira imagem da fonte, removendo o efeito da turbul\u00eancia atmosf\u00e9rica. O resultado \u00e9 a imagem com a mais alta qualidade que um telesc\u00f3pio pode produzir, obtendo efetivamente resolu\u00e7\u00e3o espacial a partir do solo &#8211; tornando estes instrumentos excelentes sondas dos ambientes exosolares que podem abrigar planetas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta de planetas que orbitam outras estrelas mudou a vis\u00e3o do nosso lugar no Universo. Miss\u00f5es espaciais como a do Telesc\u00f3pio Espacial Kepler\/K2 e do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA revelaram que h\u00e1 duas vezes mais planetas em \u00f3rbita de estrelas do que estrelas vis\u00edveis a olho nu; at\u00e9 ao momento, a contagem total de descobertas ronda os 4000. Embora estes telesc\u00f3pios detetem exoplanetas procurando quedas min\u00fasculas no brilho de uma estrela quando um planeta passa \u00e0 sua frente, eles t\u00eam os seus limites.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estas miss\u00f5es observam grandes campos de vis\u00e3o contendo centenas de milhares de estrelas, de modo que n\u00e3o t\u00eam a resolu\u00e7\u00e3o espacial necess\u00e1ria para investigar mais profundamente,&#8221; explicou Howell. &#8220;Uma das principais descobertas da investiga\u00e7\u00e3o exoplanet\u00e1ria \u00e9 que cerca de metade de todos os exoplanetas orbitam estrelas que residem em sistemas bin\u00e1rios. A compreens\u00e3o destes sistemas complexos requer tecnologias que possam realizar observa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis ao longo do tempo e a investiga\u00e7\u00e3o dos detalhes mais precisos com excecional nitidez.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso trabalho com Kepler-13b permanece como um modelo para as pesquisas exoplanet\u00e1rias futuras em sistemas m\u00faltiplos,&#8221; continuou Howell. &#8220;As observa\u00e7\u00f5es destacam a capacidade de cria\u00e7\u00e3o de imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o com telesc\u00f3pios poderosos como o Gemini, n\u00e3o apenas para determinar quais as estrelas com planetas que est\u00e3o em bin\u00e1rios, mas tamb\u00e9m para determinar com precis\u00e3o quais das estrelas o exoplaneta orbita.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.gemini.edu\/node\/21236\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio Gemini (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ab2f7b\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-08-exoplanets-secrets-instrument.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Kepler-13 A b:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/kepler-13_a_b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/planet\/Kepler-13%20A%20b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kepler-13\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia (Kepler-13)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"http:\/\/planetquest.jpl.nasa.gov\/index.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PlanetQuest<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio Gemini:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.gemini.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gemini_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista do sistema bin\u00e1rio Kepler-13AB como revelado por observa\u00e7\u00f5es que incluem novos dados do Observat\u00f3rio Gemini. 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