{"id":2342,"date":"2019-08-30T05:42:09","date_gmt":"2019-08-30T05:42:09","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2342"},"modified":"2019-08-30T05:42:11","modified_gmt":"2019-08-30T05:42:11","slug":"astronomos-encontram-brilho-dourado-de-colisao-estelar-distante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/08\/30\/astronomos-encontram-brilho-dourado-de-colisao-estelar-distante\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos encontram brilho dourado de colis\u00e3o estelar distante"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/rTdHl4a.gif\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/rTdHl4a.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-2343\"\/><\/a><figcaption>Nesta s\u00e9rie de imagens capturadas pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA, uma rec\u00e9m-confirmada quilonova (seta vermelha) &#8211; uma explos\u00e3o c\u00f3smica que cria enormes quantidades de ouro e platina &#8211; desvanece rapidamente de vista \u00e0 medida que o brilho da explos\u00e3o diminui ao longo de 10 dias. A quilonova foi originalmente identificada como uma explos\u00e3o de raios-gama, mas uma equipa de astr\u00f3nomos reexaminou recentemente os dados e descobriu evid\u00eancias de uma quilonova.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/ESA\/E. Troja<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia 17 de agosto de 2017, os cientistas fizeram hist\u00f3ria com a primeira observa\u00e7\u00e3o direta de uma fus\u00e3o entre duas estrelas de neutr\u00f5es. Foi o primeiro evento c\u00f3smico detetado com ondas gravitacionais e no espetro eletromagn\u00e9tico, desde raios-gama ao r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O impacto tamb\u00e9m criou uma quilonova &#8211; uma explos\u00e3o &#8220;turbinada&#8221; que forjou instantaneamente o equivalente a centenas de planetas em ouro e platina. As observa\u00e7\u00f5es forneceram a primeira evid\u00eancia convincente de que as quilonovas produzem grandes quantidades de metais pesados, uma descoberta h\u00e1 muito prevista pela teoria. Os astr\u00f3nomos suspeitam que todo o ouro e toda a platina da Terra se formaram como resultado de antigas quilonovas criadas durante colis\u00f5es entre estrelas de neutr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base nos dados do evento de 2017, descoberto pela primeira vez pelo LIGO (Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory), os astr\u00f3nomos come\u00e7aram a ajustar as suas suposi\u00e7\u00f5es de como uma quilonova deveria aparecer para os observadores terrestres. Uma equipa liderada por Eleonora Troja, investigadora associada do Departamento de Astronomia da Universidade de Maryland, EUA, reexaminou dados de uma explos\u00e3o de raios-gama detetada em agosto de 2016 e encontrou novas evid\u00eancias de uma quilonova que passou despercebida durante as observa\u00e7\u00f5es iniciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Observat\u00f3rio Neil Gehrels Swift da NASA come\u00e7ou a rastrear o evento de 2016, com o nome GRB160821B, minutos depois de ter sido detetado. A captura antecipada permitiu \u00e0 equipa de investiga\u00e7\u00e3o reunir novas informa\u00e7\u00f5es que faltavam \u00e0s observa\u00e7\u00f5es da quilonova detetada pelo LIGO, que s\u00f3 come\u00e7aram 12 horas ap\u00f3s a colis\u00e3o inicial. Troja e colegas relataram estas novas descobertas na edi\u00e7\u00e3o de 27 de agosto da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O evento de 2016 foi, ao in\u00edcio, muito emocionante. Estava pr\u00f3ximo e foi vis\u00edvel a todos os principais telesc\u00f3pios, incluindo o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA. Mas n\u00e3o correspondia \u00e0s nossas previs\u00f5es &#8211; esper\u00e1vamos ver a emiss\u00e3o infravermelha tornar-se cada vez mais brilhante ao longo de v\u00e1rias semanas,&#8221; explicou Troja, tamb\u00e9m do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. &#8220;Dez dias ap\u00f3s o evento, quase nenhum sinal permanecia. Fic\u00e1mos todos muito desapontados. Ent\u00e3o, um ano mais tarde, aconteceu o evento LIGO. Analis\u00e1mos os nossos dados antigos com novos olhos e percebemos que, de facto, hav\u00edamos capturado uma quilonova em 2016. Os dados infravermelhos dos dois eventos t\u00eam luminosidades semelhantes e exatamente a mesma escala de tempo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As semelhan\u00e7as entre os dois eventos sugerem que a quilonova de 2016 tamb\u00e9m resultou da fus\u00e3o de duas estrelas de neutr\u00f5es. As quilonovas podem tamb\u00e9m resultar da fus\u00e3o de um buraco negro e de uma estrela de neutr\u00f5es, mas n\u00e3o se sabe se tal evento produziria uma assinatura diferente em observa\u00e7\u00f5es de raios-X, infravermelho, r\u00e1dio e no vis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Troja, as informa\u00e7\u00f5es recolhidas durante o evento de 2016 n\u00e3o cont\u00eam tantos detalhes quanto as observa\u00e7\u00f5es do evento LIGO. Mas a cobertura dessas primeiras horas &#8211; ausentes do registo do evento LIGO &#8211; revelou novas informa\u00e7\u00f5es importantes sobre os est\u00e1gios iniciais de uma quilonova. Por exemplo, a equipa observou pela primeira vez o novo objeto que permaneceu ap\u00f3s a colis\u00e3o, que n\u00e3o foi vis\u00edvel nos dados do evento LIGO.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O remanescente pode ser uma estrela de neutr\u00f5es hipermassiva e altamente magnetizada, conhecida como magnetar, que sobreviveu \u00e0 colis\u00e3o e depois colapsou para um buraco negro,&#8221; disse Geoffrey Ryan, do Departamento de Astronomia da Universidade de Maryland e coautor do artigo cient\u00edfico. &#8220;Isto \u00e9 interessante, porque a teoria sugere que um magnetar devia retardar ou at\u00e9 interromper a produ\u00e7\u00e3o de metais pesados, que \u00e9 a principal fonte da assinatura de radia\u00e7\u00e3o infravermelha de uma quilonova. A nossa an\u00e1lise sugere que os metais pesados s\u00e3o, de alguma forma, capazes de escapar \u00e0 influ\u00eancia da mitiga\u00e7\u00e3o do objeto remanescente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Troja e colegas planeiam aplicar as li\u00e7\u00f5es aprendidas para reavaliar eventos passados, al\u00e9m de melhorar a sua abordagem para observa\u00e7\u00f5es futuras. V\u00e1rios eventos candidatos foram identificados com observa\u00e7\u00f5es no vis\u00edvel, mas Troja est\u00e1 mais interessada em eventos com uma forte assinatura infravermelha &#8211; o indicador revelador da produ\u00e7\u00e3o de metais pesados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O sinal infravermelho, muito brilhante, deste evento, provavelmente torna-o na quilonova mais evidente j\u00e1 observada no Universo distante,&#8221; acrescentou Troja. &#8220;Estou muito interessada em saber como as propriedades da quilonova mudam com progenitores e remanescentes finais diferentes. \u00c0 medida que observamos mais destes eventos, podemos aprender que existem muitos tipos diferentes de quilonovas na mesma fam\u00edlia, como \u00e9 o caso dos muitos tipos diferentes de supernovas. \u00c9 muito empolgante moldar o nosso conhecimento em tempo real.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/cmns.umd.edu\/news-events\/features\/4485\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.iac.es\/divulgacion.php?op1=16&amp;id=1603\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto de Astrof\u00edsica das Can\u00e1rias (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/advance-article\/doi\/10.1093\/mnras\/stz2255\/5554752\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1905.01290\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2019\/08\/190827123524.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-08-astronomers-golden-distant-stellar-collision.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quilonova:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Kilonova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas de neutr\u00f5es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astro.umd.edu\/~miller\/nstar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Maryland<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GW170817 (evento de 2017):<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/GW170817\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Swift:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/swift.gsfc.nasa.gov\/docs\/swift\/swiftsc.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Swift_Gamma-Ray_Burst_Mission\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/resources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LIGO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/ligo.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ligo.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.advancedligo.mit.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Advanced LIGO<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/LIGO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta s\u00e9rie de imagens capturadas pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA, uma rec\u00e9m-confirmada quilonova (seta vermelha) &#8211; uma explos\u00e3o c\u00f3smica que cria enormes quantidades de ouro e platina &#8211; desvanece rapidamente de vista \u00e0 medida que o brilho da explos\u00e3o diminui ao longo de 10 dias. A quilonova foi originalmente identificada como uma explos\u00e3o de &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2343,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62,50,16,1],"tags":[313,150,443,255,542],"class_list":["post-2342","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-cosmologia","category-estrelas","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-estrelas-de-neutroes","tag-hubble","tag-ligo","tag-swift","tag-quilonova"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2342","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2342"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2342\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2344,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2342\/revisions\/2344"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2343"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2342"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2342"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2342"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}