{"id":2338,"date":"2019-08-27T05:36:44","date_gmt":"2019-08-27T05:36:44","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2338"},"modified":"2019-08-27T05:36:58","modified_gmt":"2019-08-27T05:36:58","slug":"alma-mostra-o-interior-das-tempestades-de-jupiter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/08\/27\/alma-mostra-o-interior-das-tempestades-de-jupiter\/","title":{"rendered":"ALMA mostra o interior das tempestades de J\u00fapiter"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nuvens rodopiantes, grandes cinturas coloridas, tempestades gigantes. A atmosfera linda e incrivelmente turbulenta de J\u00fapiter tem sido exibida muitas vezes. Mas o que est\u00e1 a acontecer por baixo das nuvens? O que provoca tantas tempestades e erup\u00e7\u00f5es que vemos \u00e0 &#8220;superf\u00edcie&#8221; do planeta? Para estudar isto, a luz vis\u00edvel n\u00e3o \u00e9 suficiente. Precisamos de estudar J\u00fapiter usando ondas de r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Novas imagens feitas com o ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array) fornecem uma vis\u00e3o \u00fanica da atmosfera de J\u00fapiter at\u00e9 cinquenta quil\u00f3metros abaixo da camada vis\u00edvel de nuvens (de am\u00f3nia) do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O ALMA permitiu-nos fazer um mapa tridimensional da distribui\u00e7\u00e3o de am\u00f3nia abaixo das nuvens. E, pela primeira vez, fomos capazes de estudar a atmosfera por baixo das camadas de nuvens de am\u00f3nia depois de uma erup\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica em J\u00fapiter,&#8221; disse Imke de Pater da Universidade da Calif\u00f3rnia, em Berkeley, EUA.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/jupiter_ALMA_redfig2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"680\" height=\"453\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/jupiter_ALMA_redfig2-680x453.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2339\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/jupiter_ALMA_redfig2-680x453.jpg 680w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/jupiter_ALMA_redfig2-680x453-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><\/a><figcaption>Imagem r\u00e1dio de J\u00fapiter obtida com o ALMA. As bandas brilhantes indicam temperaturas altas e as bandas escuras temperaturas baixas. As bandas escuras correspondem a zonas em J\u00fapiter normalmente brancas no vis\u00edvel. As bandas brilhantes correspondem \u00e0s cinturas acastanhadas no planeta. Esta imagem cont\u00e9m mais de 10 horas de dados, de modo que os detalhes s\u00e3o difusos devido \u00e0 rota\u00e7\u00e3o do planeta.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO), I. de Pater et al.; NRAO\/AUI\/NSF, S. Dagnello<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atmosfera do planeta gigante J\u00fapiter \u00e9 composta principalmente de hidrog\u00e9nio e h\u00e9lio, juntamente com os gases residuais metano, am\u00f3nia, hidrossulfeto e \u00e1gua. A camada mais alta de nuvens \u00e9 composta por am\u00f3nia gelada. Por baixo, h\u00e1 uma camada de part\u00edculas s\u00f3lidas de hidrossulfeto de am\u00f3nia e, ainda mais profundamente, a cerca de 80 quil\u00f3metros por baixo do topo das nuvens, existe provavelmente uma camada de \u00e1gua l\u00edquida. As nuvens superiores formam as distintivas zonas acastanhadas e brancas vistas da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas das tempestades em J\u00fapiter ocorrem dentro destas cinturas. Podem ser comparadas a tempestades na Terra e s\u00e3o frequentemente associadas com eventos de rel\u00e2mpagos. As tempestades revelam-se no vis\u00edvel como pequenas nuvens brilhantes, chamadas de plumas. Estas erup\u00e7\u00f5es de plumas podem provocar uma grande perturba\u00e7\u00e3o na cintura, que pode permanecer vis\u00edvel durante meses ou anos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/jupiterFig4_ALMA-HST.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/jupiterFig4_ALMA-HST-680x653.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Primeiro mapa de J\u00fapiter no r\u00e1dio pelo ALMA (topo) e luz vis\u00edvel pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble (baixo). A erup\u00e7\u00e3o na Cintura Equatorial Sul \u00e9 vis\u00edvel em ambas as imagens.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO), I. de Pater et al.; NRAO\/AUI\/NSF, S. Dagnello; NASA\/Hubble <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As imagens do ALMA foram obtidas alguns dias depois dos astr\u00f3nomos amadores terem observado uma erup\u00e7\u00e3o na Cintura Equatorial Sul de J\u00fapiter em janeiro de 2017. Ao in\u00edcio foi vista uma pequena pluma brilhante, e depois uma rutura em grande escala na cintura que durou semanas ap\u00f3s a erup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De Pater e colegas usaram o ALMA para estudar a atmosfera por baixo da pluma e a cintura perturbada no r\u00e1dio e compararam estas imagens com imagens no UV-vis\u00edvel e no infravermelho, obtidas com outros telesc\u00f3pios aproximadamente ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As nossas observa\u00e7\u00f5es do ALMA s\u00e3o as primeiras a mostrar que altas concentra\u00e7\u00f5es de am\u00f3nia sobem pela atmosfera durante uma erup\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, disse de Pater. &#8220;A combina\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas em v\u00e1rios comprimentos de onda diferentes permitiu-nos examinar a erup\u00e7\u00e3o em detalhes. O que nos levou a confirmar a teoria atual de que as plumas energ\u00e9ticas s\u00e3o desencadeadas pela convec\u00e7\u00e3o h\u00famida na base das nuvens de \u00e1gua, localizadas no fundo da atmosfera. As plumas trazem o g\u00e1s am\u00f3nia das profundezas da atmosfera at\u00e9 grandes altitudes, bem acima da camada principal superior de am\u00f3nia,&#8221; acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/jupiter_still_V2_08202019_SD.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/jupiter_still_V2_08202019_SD-680x383.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Mapa esf\u00e9rico de J\u00fapiter, pelo ALMA, que mostra a distribui\u00e7\u00e3o do g\u00e1s am\u00f3nia por baixo do topo das nuvens de J\u00fapiter.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO), I. de Pater et al.; NRAO\/AUI\/NSF, S. Dagnello <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estes mapas ALMA, em comprimentos de onda milim\u00e9tricos, complementam os mapas feitos com o VLA (Very Large Array) da NSF nos comprimentos de onda centim\u00e9tricos,&#8221; disse Bryan Butler, do NRAO (National Radio Astronomy Observatory). &#8220;Ambos os mapas sondam abaixo do topo das nuvens vistas em comprimentos de onda vis\u00edveis e mostram gases ricos em am\u00f3nia a subir para e a formar camadas superiores (zonas), e o ar pobre em am\u00f3nia a descer (cinturas).&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os resultados atuais mostram soberbamente o que pode ser alcan\u00e7ado na ci\u00eancia planet\u00e1ria quando um objeto \u00e9 estudado com v\u00e1rios observat\u00f3rios e em v\u00e1rios comprimentos de onda,&#8221; explica Eric Villard, astr\u00f3nomo do ALMA e parte da equipa de investiga\u00e7\u00e3o. &#8220;O ALMA, com a sua sensibilidade sem precedentes e resolu\u00e7\u00e3o espectral no r\u00e1dio, trabalhou com sucesso em conjunto com outros observat\u00f3rios em todo o mundo para fornecer os dados que permitiram uma melhor compreens\u00e3o da atmosfera de J\u00fapiter.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/news.berkeley.edu\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/convection1000px.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/Mi8H190.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Ilustra\u00e7\u00e3o da &#8220;convec\u00e7\u00e3o h\u00famida&#8221; na atmosfera de J\u00fapiter que mostra uma pluma que tem origem 80 quil\u00f3metros abaixo do topo das nuvens, onde a press\u00e3o \u00e9 cinco vezes a da Terra (5 bares), subindo pelas regi\u00f5es onde a \u00e1gua condensa-se, hidrossulfeto de am\u00f3nia se forma e a am\u00f3nia solidifica-se como gelo, logo abaixo da regi\u00e3o mais fria da atmosfera, a tropopausa.<br>Cr\u00e9dito: adaptado de ilustra\u00e7\u00e3o de Leigh Fletcher, Universidade de Leicester <br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-vimeo wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Artists&#039; animation showing Jupiter in radio waves with ALMA\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/355339553?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"618\" height=\"348\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/en\/audiences\/alma-shows-whats-inside-jupiters-storms\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio ALMA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/image-release-alma-shows-whats-inside-jupiters-storms\/\" target=\"_blank\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.berkeley.edu\/2019\/08\/22\/storms-on-jupiter-are-disturbing-the-planets-colorful-belts\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Berkeley (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1907.11820\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/jupiter-storms-messing-up-cloud-stripes.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/eurekalert.org\/pub_releases\/2019-08\/nrao-asw082219.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2019\/08\/190822130438.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.spacedaily.com\/reports\/ALMA_shows_whats_inside_Jupiters_storms_999.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Space Daily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-08-storms-jupiter-disturbing-planet-belts.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/intense-radio-images-of-jupiter-are-revealing-the-dynamics-of-its-turbulent-storms\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2019\/08\/23\/world\/jupiter-storms-scn\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CNN<\/a><br><a href=\"https:\/\/metro.co.uk\/2019\/08\/23\/massive-storms-radically-changing-face-jupiter-nasa-pictures-reveal-10619606\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">METRO<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>J\u00fapiter:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Jupiter\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/alma.mtk.nao.ac.jp\/e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nuvens rodopiantes, grandes cinturas coloridas, tempestades gigantes. 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