{"id":2312,"date":"2019-08-16T05:36:56","date_gmt":"2019-08-16T05:36:56","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2312"},"modified":"2019-08-16T05:36:58","modified_gmt":"2019-08-16T05:36:58","slug":"uma-nova-linha-temporal-do-passado-cataclismico-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/08\/16\/uma-nova-linha-temporal-do-passado-cataclismico-da-terra\/","title":{"rendered":"Uma nova linha temporal do passado catacl\u00edsmico da Terra"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"562\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/CpJ7JYK.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2313\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/CpJ7JYK.jpg 750w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/CpJ7JYK-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption>Impress\u00e3o de artista da Terra primitiva.<br>Cr\u00e9dito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bem-vindos ao Sistema Solar primitivo. Logo ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o dos planetas h\u00e1 mais de 4,5 mil milh\u00f5es de anos, a nossa vizinhan\u00e7a c\u00f3smica era um lugar ca\u00f3tico. Ondas de cometas, asteroides e at\u00e9 protoplanetas seguiram em dire\u00e7\u00e3o ao Sistema Solar interior, alguns colidindo com a Terra pelo caminho. Estes impactos foram t\u00e3o violentos que derreteram as rochas \u00e0 superf\u00edcie do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, uma equipa liderada pelo ge\u00f3logo Stephen Mojzsis da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, estabeleceu uma nova linha temporal deste per\u00edodo violento da hist\u00f3ria do nosso planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num estudo publicado esta semana, os investigadores debru\u00e7aram-se sobre um fen\u00f3meno chamado &#8220;migra\u00e7\u00e3o dos planetas gigantes&#8221;. Este \u00e9 o nome de um est\u00e1gio na evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar no qual os maiores planetas, por raz\u00f5es que ainda n\u00e3o s\u00e3o claras, come\u00e7aram a afastar-se do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base em registos de asteroides e outras fontes, o grupo estimou que este evento de altera\u00e7\u00e3o do Sistema Solar ocorreu h\u00e1 4,48 mil milh\u00f5es de anos &#8211; muito mais cedo do que alguns cientistas haviam proposto anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As descobertas, disse Mojzsis, podem fornecer aos cientistas pistas valiosas sobre quando a vida pode ter tido origem na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s sabemos que a migra\u00e7\u00e3o dos planetas gigantes dever\u00e1 ter ocorrido para explicar a atual estrutura orbital do Sistema Solar exterior,&#8221; disse Mojzsis, professor no Departamento de Ci\u00eancias Geol\u00f3gicas. &#8220;Mas at\u00e9 estudo, ningu\u00e9m fazia ideia de quando ocorreu.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Bacia Imbrium<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 um debate que, pelo menos em parte, tem as suas origens no programa espacial Apollo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando os astronautas aterraram no lado vis\u00edvel da Lua no final da d\u00e9cada de 1960 e in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, recolheram muitas rochas. Mas estas amostras geol\u00f3gicas tamb\u00e9m eram intrigantes: muitas pareciam ter apenas 3,9 mil milh\u00f5es de anos, centenas de milh\u00f5es de anos mais jovens do que a pr\u00f3pria Lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para explicar as idades aparentemente anacr\u00f3nicas das rochas, alguns investigadores sugeriram que a nossa Lua &#8211; e a Terra &#8211; foram atingidas mais ou menos nessa \u00e9poca por um surto de cometas e asteroides. Chamaram a este aumento nos impactos, apropriadamente, de &#8220;cataclismo lunar tardio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/hYHhkMm.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/hYHhkMm.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/agfDafG.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/agfDafG.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Topo: a Bacia Imbrium da Lua pode ter sido formada por um \u00fanico impacto gigante h\u00e1 cerca de 3,9 mil milh\u00f5es de anos atr\u00e1s; em baixo: a Cratera Hadley em Marte.<br>Cr\u00e9dito. NASA; ESA <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas havia um problema com a teoria, acrescentou Mojzsis. Quando os cientistas inspecionaram os padr\u00f5es de crateras na Lua, em Marte e em Merc\u00fario, n\u00e3o conseguiram encontrar nenhuma evid\u00eancia de tal aumento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Acontece que a parte da Lua onde aterr\u00e1mos \u00e9 muito invulgar,&#8221; explicou Mojzsis. &#8220;\u00c9 fortemente afetada por um grande impacto, a Bacia Imbrium, que tem cerca de 3,9 mil milh\u00f5es de anos e que afeta quase todas as nossas amostras.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para contornar este vi\u00e9s, os investigadores decidiram afastar-se do Sistema Solar interior. Ao inv\u00e9s, compilaram as idades a partir de um banco de dados exaustivo de meteoritos que haviam ca\u00eddo na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As superf\u00edcies dos planetas interiores foram extensivamente retrabalhadas por impactos e eventos nativos at\u00e9 h\u00e1 cerca de 4 mil milh\u00f5es de anos,&#8221; disse Ram Brasser, coautor do estudo e do Instituto Cient\u00edfico da Terra e da Vida em T\u00f3quio. &#8220;O mesmo n\u00e3o \u00e9 verdade para os asteroides. O seu registo \u00e9 muito mais extenso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa descobriu que, independentemente de quando investigassem, n\u00e3o conseguiam encontrar um \u00fanico asteroide ou peda\u00e7o de rocha planet\u00e1ria que registasse um evento de bombardeamento catacl\u00edsmico com idade inferior a aproximadamente 4,5 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A idades de 3,9 mil milh\u00f5es de anos que dominaram as amostras lunares n\u00e3o foram vistas nos meteoritos,&#8221; disse Brasser.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a equipa, isto forneceu-lhes apenas uma possibilidade: o Sistema Solar deve ter passado por um grande bombardeamento antes desta data limite. Impactos muito grandes, acrescentou Mojzsis, podem derreter rochas e redefinir de forma vari\u00e1vel as suas idades radioativas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/5xTY2co.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/5xTY2co.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/dqTicRq.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/dqTicRq.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Ilustra\u00e7\u00f5es de grandes asteroides atingido a Terra que, durante partes da sua hist\u00f3ria inicial, teria uma atmosfera muito mais espessa do que a que tem hoje.<br>Cr\u00e9dito: NASA com modifica\u00e7\u00f5es por Stephen Mojzsis <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Planetas em movimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E a raz\u00e3o de toda esta carnificina? Mojzsis e colegas pensam que \u00e9 por causa de J\u00fapiter, Saturno, \u00darano e Neptuno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele explicou que estes planetas gigantes provavelmente formaram-se muito mais perto do que onde est\u00e3o hoje. No entanto, usando simula\u00e7\u00f5es de computador, o seu grupo demonstrou que estes corpos come\u00e7aram a afastar-se em dire\u00e7\u00e3o aos locais atuais h\u00e1 cerca de 4,48 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No processo, espalharam detritos pelo caminho, enviando alguns deles em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra e \u00e0 sua ent\u00e3o jovem Lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria do bombardeamento do Sistema Solar &#8220;come\u00e7ou com os cometas que vieram gritando at\u00e9 ao Sistema Solar interior. Ao faz\u00ea-lo, redefiniram a idade das crostas da Terra, da Lua e de Marte,&#8221; salientou Mojzsis. &#8220;A pr\u00f3xima onda foi a dos planetesimais que sobraram da forma\u00e7\u00e3o dos planetas interiores. O \u00faltimo grupo a chegar foram os asteroides, que continuam a viajar at\u00e9 \u00e0 nossa vizinhan\u00e7a ainda hoje.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados, acrescentou, abrem uma nova janela para quando a vida pode ter aparecido na Terra. Com base nos resultados da equipa, o nosso planeta poder\u00e1 ter estado calmo o suficiente para suportar organismos vivos h\u00e1 4,4 mil milh\u00f5es de anos. Os mais antigos f\u00f3sseis conhecidos hoje t\u00eam apenas 3,5 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A \u00fanica maneira de esterilizar completamente a Terra \u00e9 derreter a crosta de uma s\u00f3 vez,&#8221; explicou Mojzsis. &#8220;N\u00f3s mostr\u00e1mos que isso n\u00e3o aconteceu desde o in\u00edcio da migra\u00e7\u00e3o dos planetas gigantes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.colorado.edu\/today\/2019\/08\/12\/new-timeline-earths-cataclysmic-past\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade do Colorado em Boulder (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ab2c03\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1903.08825\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Future_solar_system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Migra\u00e7\u00e3o dos planetas gigantes:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nice_model\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Modelo de Nice (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Intenso bombardeamento tardio:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Late_Heavy_Bombardment\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lua:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Moon\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Programa Apollo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/apollo\/missions\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA&nbsp;<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Apollo_program\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista da Terra primitiva.Cr\u00e9dito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA Bem-vindos ao Sistema Solar primitivo. 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