{"id":2246,"date":"2019-07-23T05:32:52","date_gmt":"2019-07-23T05:32:52","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2246"},"modified":"2019-07-23T05:32:53","modified_gmt":"2019-07-23T05:32:53","slug":"observacao-de-supernova-a-primeira-do-seu-tipo-usando-um-satelite-da-nasa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/07\/23\/observacao-de-supernova-a-primeira-do-seu-tipo-usando-um-satelite-da-nasa\/","title":{"rendered":"Observa\u00e7\u00e3o de supernova, a primeira do seu tipo, usando um sat\u00e9lite da NASA"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/wJMnqDp.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"325\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/wJMnqDp.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2247\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/wJMnqDp.jpg 960w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/wJMnqDp-300x102.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/wJMnqDp-768x260.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista do brilho resplandecente de uma estrela.<br>Cr\u00e9dito: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA foi lan\u00e7ado para o espa\u00e7o em abril de 2018, o seu objetivo era espec\u00edfico: procurar novos planetas no Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas numa investiga\u00e7\u00e3o publicada recentemente, uma equipa de astr\u00f3nomos da Universidade Estatal do Ohio mostrou que o levantamento, apelidado TESS, tamb\u00e9m pode ser usado para monitorizar um tipo espec\u00edfico de supernova, dando aos cientistas mais pistas sobre o que faz com que as an\u00e3s brancas expludam &#8211; e sobre os elementos que essas explos\u00f5es deixam para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s sabemos h\u00e1 anos que estas estrelas explodem, mas temos ideias terr\u00edveis do porqu\u00ea,&#8221; disse Patrick Vallely, autor principal do estudo e estudante de astronomia da mesma universidade. &#8220;A coisa mais importante aqui \u00e9 que somos capazes de mostrar que esta supernova n\u00e3o \u00e9 consistente com uma an\u00e3 branca que retira massa diretamente de uma companheira estelar &#8211; o tipo de ideia padr\u00e3o que levou as pessoas a tentar encontrar assinaturas de hidrog\u00e9nio em primeiro lugar. Isto porque a curva de luz do TESS n\u00e3o mostra nenhuma evid\u00eancia de uma companheira, e tendo em conta que as assinaturas do hidrog\u00e9nio nos espectros SALT n\u00e3o evoluem como os outros elementos, podemos descartar o modelo padr\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua pesquisa, publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, representa as primeiras descobertas publicadas sobre uma supernova observada com o TESS e acrescenta novas informa\u00e7\u00f5es \u00e0s teorias de longa data sobre os elementos deixados para tr\u00e1s depois que uma estrela an\u00e3 branca explode como supernova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses elementos h\u00e1 muito que incomodam os astr\u00f3nomos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos pensam que uma an\u00e3 branca explode num tipo espec\u00edfico de supernova, Tipo Ia, depois de recolher massa de uma estrela companheira pr\u00f3xima e crescer demasiado para permanecer est\u00e1vel. Mas se isso for verdade, ent\u00e3o os astr\u00f3nomos teorizaram que a explos\u00e3o deixaria para tr\u00e1s tra\u00e7os de hidrog\u00e9nio, um bloco de constru\u00e7\u00e3o crucial das estrelas e do Universo inteiro (as an\u00e3s brancas, pela sua natureza, j\u00e1 queimaram todo o seu hidrog\u00e9nio e, portanto, n\u00e3o seriam uma fonte de hidrog\u00e9nio numa supernova).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas at\u00e9 esta observa\u00e7\u00e3o de uma supernova com o TESS, os astr\u00f3nomos nunca tinham visto estes tra\u00e7os de hidrog\u00e9nio no rescaldo da explos\u00e3o: esta supernova \u00e9 a primeira do seu tipo em que os astr\u00f3nomos mediram o hidrog\u00e9nio. Aquele hidrog\u00e9nio, relatado pela primeira vez por uma equipa dos Observat\u00f3rios do Instituto Carnegie para Ci\u00eancia, poder\u00e1 mudar a natureza do que os astr\u00f3nomos sabem sobre as supernovas das an\u00e3s brancas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A coisa mais interessante sobre esta supernova em particular \u00e9 o hidrog\u00e9nio que vimos nos seus espectros (os elementos que a explos\u00e3o deixa para tr\u00e1s),&#8221; disse Vallely. &#8220;H\u00e1 anos que procuramos hidrog\u00e9nio e h\u00e9lio nos espectros deste tipo de supernova &#8211; esses elementos ajudam-nos a compreender o que provocou a supernova.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O hidrog\u00e9nio poderia significar que a an\u00e3 branca consumiu uma estrela pr\u00f3xima. Nesse cen\u00e1rio, a segunda estrela seria uma estrela normal no meio da sua vida \u00fatil &#8211; n\u00e3o uma segunda an\u00e3 branca. Mas quando os astr\u00f3nomos mediram a curva de luz desta supernova, a curva indicava que a segunda estrela era, de facto, uma segunda an\u00e3 branca. Ent\u00e3o, de onde veio o hidrog\u00e9nio?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor de astronomia Kris Stanek &#8211; conselheiro de Vallely e coautor do artigo, disse que \u00e9 poss\u00edvel que o hidrog\u00e9nio tenha vindo de uma estrela companheira &#8211; uma estrela normal &#8211; mas ele acha que \u00e9 mais prov\u00e1vel que o hidrog\u00e9nio tenha vindo de uma terceira estrela que estava perto da explos\u00e3o da an\u00e3 branca e que foi consumida na supernova por acaso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Seria de pensar que, dado que vemos este hidrog\u00e9nio, isso significa que a an\u00e3 branca consumiu uma segunda estrela e explodiu, mas, com base na curva de luz que vimos desta supernova, isso pode n\u00e3o ser verdade,&#8221; disse Stanek.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Com base na curva de luz, o evento mais prov\u00e1vel, pensamos, \u00e9 que o hidrog\u00e9nio pode estar a vir de uma terceira estrela no sistema,&#8221; acrescentou Stanek. &#8220;Portanto, o cen\u00e1rio predominante, pelo menos aqui na Universidade, \u00e9 que o modo de fabricar uma supernova do Tipo Ia \u00e9 ter duas estrelas an\u00e3s brancas em intera\u00e7\u00e3o &#8211; at\u00e9 mesmo colidindo. Mas tamb\u00e9m ter uma terceira estrela que fornece o hidrog\u00e9nio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de investiga\u00e7\u00e3o, Vallely, Stanek e uma equipa de astr\u00f3nomos de todo o mundo, combinou dados do TESS com dados do ASAS-SN (All-Sky Automated Survey for Supernovae). O ASAS-SN \u00e9 liderado pela mesma institui\u00e7\u00e3o de ensino e \u00e9 composto por pequenos telesc\u00f3pios espalhados pelo planeta que vigiam o c\u00e9u em busca de supernovas em gal\u00e1xias distantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O TESS, em compara\u00e7\u00e3o, foi constru\u00eddo para procurar planetas pr\u00f3ximos na nossa Gal\u00e1xia &#8211; e para fornecer dados muito mais depressa do que os telesc\u00f3pios espaciais anteriores. Isso significa que a equipa da Universidade do Ohio foi capaz de usar os dados do TESS para ver o que estava a acontecer em torno da supernova nos primeiros momentos depois de ter explodido &#8211; uma oportunidade sem precedentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa combinou dados do TESS e do ASAS-SN com dados do SALT (South African Large Telescope) para avaliar os elementos deixados no rescaldo da explos\u00e3o de supernova. Eles encontraram tanto hidrog\u00e9nio quanto h\u00e9lio, dois indicadores que a estrela que explodiu consumiu, de alguma forma, uma estrela companheira pr\u00f3xima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que \u00e9 realmente interessante sobre estes resultados \u00e9 que, quando combinamos os dados, podemos aprender coisas novas,&#8221; disse Stanek. &#8220;E esta supernova \u00e9 o primeiro caso interessante desta sinergia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A supernova que esta equipa observou foi do Tipo Ia, um tipo de supernova que pode ocorrer quando duas estrelas se orbitam uma \u00e0 outra &#8211; o que os astr\u00f3nomos chamam de sistema bin\u00e1rio. Nalguns casos de uma supernova do Tipo Ia, uma dessas estrelas \u00e9 uma an\u00e3 branca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma an\u00e3 branca queimou todo o seu combust\u00edvel nuclear, deixando para tr\u00e1s apenas um n\u00facleo muito quente (a temperatura de uma an\u00e3 branca excede 100.000 K). A menos que a estrela cres\u00e7a roubando energia e mat\u00e9ria de uma estrela pr\u00f3xima, a an\u00e3 branca passa os pr\u00f3ximos mil milh\u00f5es de anos a arrefecer antes de se transformar num peda\u00e7o de carbono negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ma se a an\u00e3 branca e outra estrela estiverem num sistema bin\u00e1rio, a an\u00e3 branca lentamente recebe massa da outra estrela at\u00e9 que, eventualmente, a an\u00e3 branca explode como supernova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As supernovas do Tipo Ia s\u00e3o importantes para a ci\u00eancia espacial &#8211; ajudam os astr\u00f3nomos a medir dist\u00e2ncias no espa\u00e7o e ajudam a calcular a rapidez com que o Universo est\u00e1 a expandir-se (uma descoberta t\u00e3o importante que ganhou o Pr\u00e9mio Nobel da F\u00edsica em 2011).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este \u00e9 o tipo mais famoso de supernova &#8211; levou \u00e0 descoberta da energia escura na d\u00e9cada de 1990,&#8221; disse Vallely. &#8220;S\u00e3o respons\u00e1veis pela exist\u00eancia de tantos elementos no Universo. Mas n\u00f3s n\u00e3o entendemos muito bem a f\u00edsica por tr\u00e1s delas. E \u00e9 por isso que gosto tanto da combina\u00e7\u00e3o do TESS com o ASAS-SN; podemos construir estes dados e us\u00e1-los para descobrir um pouco mais sobre estas supernovas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas, em geral, concordam que a estrela companheira leva \u00e0 supernova de uma an\u00e3 branca, mas o mecanismo dessa explos\u00e3o, e a composi\u00e7\u00e3o da estrela companheira, s\u00e3o pouco conhecidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta descoberta, disse Stanek, fornece algumas evid\u00eancias de que a estrela companheira neste tipo de supernova \u00e9 provavelmente outra an\u00e3 branca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estamos a ver algo novo nestes dados, e isso ajuda \u00e0 nossa compreens\u00e3o do fen\u00f3meno das supernovas do Tipo Ia,&#8221; acrescentou. &#8220;E podemos explicar isto em termos dos cen\u00e1rios que j\u00e1 temos &#8211; precisamos apenas que a terceira estrela, neste caso, seja a fonte do hidrog\u00e9nio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.osu.edu\/supernova-observation-first-of-its-kind-using-nasa-satellite\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Estatal do Ohio (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article-abstract\/487\/2\/2372\/5499045\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1903.08665\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s brancas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/imagine.gsfc.nasa.gov\/docs\/science\/know_l2\/dwarfs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supernovas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_Ia_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tipo Ia (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/tess.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA\/Goddard<\/a><br><a href=\"https:\/\/heasarc.gsfc.nasa.gov\/docs\/tess\/proposing-investigations.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/tess\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MAST (Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Transiting_Exoplanet_Survey_Satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ASAS-SN:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.astronomy.ohio-state.edu\/~assassin\/index.shtml\">P\u00e1gina oficial (Universidade Estatal do Ohio)<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/All_Sky_Automated_Survey_for_SuperNovae\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SALT:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.salt.ac.za\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Southern_African_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista do brilho resplandecente de uma estrela.Cr\u00e9dito: Pixabay Quando o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA foi lan\u00e7ado para o espa\u00e7o em abril de 2018, o seu objetivo era espec\u00edfico: procurar novos planetas no Universo. 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