{"id":2146,"date":"2019-06-14T05:20:21","date_gmt":"2019-06-14T05:20:21","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2146"},"modified":"2019-06-14T05:20:23","modified_gmt":"2019-06-14T05:20:23","slug":"campo-magnetico-pode-manter-o-buraco-negro-da-via-lactea-relativamente-calmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/06\/14\/campo-magnetico-pode-manter-o-buraco-negro-da-via-lactea-relativamente-calmo\/","title":{"rendered":"Campo magn\u00e9tico pode manter o buraco negro da Via L\u00e1ctea relativamente calmo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem buracos negros supermassivos no centro da maioria das gal\u00e1xias, e a nossa Via L\u00e1ctea n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Mas muitas outras gal\u00e1xias t\u00eam buracos negros altamente ativos, o que significa que est\u00e1 a cair neles muito material, emitindo radia\u00e7\u00e3o altamente energ\u00e9tica neste processo de &#8220;alimenta\u00e7\u00e3o&#8221;. O buraco negro central da Via L\u00e1ctea, por outro lado, est\u00e1 relativamente calmo. Novas observa\u00e7\u00f5es do SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) da NASA est\u00e3o a ajudar os cientistas a compreender as diferen\u00e7as entre buracos negros ativos e silenciosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes resultados fornecem informa\u00e7\u00f5es sem precedentes sobre o forte campo magn\u00e9tico no centro da Via L\u00e1ctea. Os cientistas usaram o mais novo instrumento do SOFIA, o HAWC+, para realizar estas medi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os campos magn\u00e9ticos s\u00e3o for\u00e7as invis\u00edveis que influenciam os percursos de part\u00edculas carregadas e t\u00eam efeitos significativos sobre os movimentos e a evolu\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria em todo o Universo. Mas os campos magn\u00e9ticos n\u00e3o podem ser visualizados diretamente, portanto o seu papel n\u00e3o \u00e9 bem compreendido. O instrumento HAWC+ deteta luz infravermelha distante e polarizada, invis\u00edvel aos olhos humanos, emitida por gr\u00e3os de poeira. Estes gr\u00e3os alinham-se perpendicularmente aos campos magn\u00e9ticos. A partir dos resultados do SOFIA, os astr\u00f3nomos podem mapear a forma e inferir a for\u00e7a do campo magn\u00e9tico, de outra forma invis\u00edvel, ajudando a visualizar esta for\u00e7a fundamental da natureza.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/3dMqbXd.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1019\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/3dMqbXd-1024x1019.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2147\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/3dMqbXd-1024x1019.png 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/3dMqbXd-150x150.png 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/3dMqbXd-300x300.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/3dMqbXd-768x764.png 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/3dMqbXd.png 1041w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Linhas de fluxo que mostram os campos magn\u00e9ticos sobrepostos a uma imagem a cores do anel de poeira que rodeia o buraco negro supermasisvo da Via L\u00e1ctea. A estrutura azul em forma de Y \u00e9 material quente que cai em dire\u00e7\u00e3o ao buraco negro, localizado pr\u00f3ximo do ponto onde os dois bra\u00e7os da figura em forma de Y se intersetam. As linhas revelam que o campo magn\u00e9tico segue a forma da estrutura empoeirada. Cada dos bra\u00e7os azuis tem o seu pr\u00f3prio campo que \u00e9 totalmente distinto do resto do anel, visto em rosa.<br>Cr\u00e9dito: poeira e campos magn\u00e9ticos &#8211; NASA\/SOFIA; imagem do campo estelar &#8211; NASA\/Telesc\u00f3pio Espacial Hubble<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este \u00e9 um dos primeiros exemplos em que podemos realmente ver como os campos magn\u00e9ticos e a mat\u00e9ria interestelar interagem uns com os outros,&#8221; observou Joan Schmelz, astrof\u00edsica do Centro de Pesquisas Espaciais Universit\u00e1rias do Centro Ames da NASA em Silicon Valley, Calif\u00f3rnia, EUA, coautora do artigo que descreve as observa\u00e7\u00f5es. &#8220;O HAWC+ muda o jogo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Observa\u00e7\u00f5es anteriores do SOFIA tinham mostrado o anel inclinado de g\u00e1s e poeira em \u00f3rbita do buraco negro da Via L\u00e1ctea, de nome Sagit\u00e1rio A* (Sgr A*). Mas os novos dados do HAWC+ fornecem uma vis\u00e3o \u00fanica do campo magn\u00e9tico nesta \u00e1rea, que parece tra\u00e7ar a hist\u00f3ria da regi\u00e3o ao longo dos \u00faltimos 100.000 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os detalhes destas observa\u00e7\u00f5es do campo magn\u00e9tico, pelo SOFIA, foram apresentados na reuni\u00e3o de junho de 2019 da Sociedade Astron\u00f3mica Americana e ser\u00e3o submetidos \u00e0 revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gravidade do buraco negro domina a din\u00e2mica do centro da Via L\u00e1ctea, mas o papel do campo magn\u00e9tico tem sido um mist\u00e9rio. As novas observa\u00e7\u00f5es com o HAWC+ revelam que o campo magn\u00e9tico \u00e9 forte o suficiente para restringir os movimentos turbulentos do g\u00e1s. Se o campo magn\u00e9tico canalizar o g\u00e1s para que entre no pr\u00f3prio buraco negro, o buraco negro torna-se ativo porque consome muito g\u00e1s. No entanto, se o campo magn\u00e9tico canalizar o g\u00e1s para que entre em \u00f3rbita em redor do buraco negro, ent\u00e3o o buraco negro ficar\u00e1 quieto porque n\u00e3o est\u00e1 a ingerir nenhum g\u00e1s que, de outra forma, acabaria por formar novas estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores combinaram imagens no infravermelho m\u00e9dio e long\u00ednquo das c\u00e2maras do SOFIA com novas linhas de fluxo que visualizam a dire\u00e7\u00e3o do campo magn\u00e9tico. A estrutura azul em forma de Y (ver figura) \u00e9 material quente que cai em dire\u00e7\u00e3o ao buraco negro, localizado pr\u00f3ximo do ponto onde os dois bra\u00e7os da figura em forma de Y se intersetam. Colocando a estrutura do campo magn\u00e9tico sobre a imagem revela que o campo magn\u00e9tico segue a forma da estrutura empoeirada. Cada dos bra\u00e7os azuis tem o seu pr\u00f3prio componente de campo que \u00e9 totalmente distinto do resto do anel, visto em rosa. Mas tamb\u00e9m existem lugares onde o campo se distancia das principais estruturas de poeira, como nas extremidades superior e inferior do anel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A forma espiral do campo magn\u00e9tico canaliza o g\u00e1s para uma \u00f3rbita em torno do buraco negro,&#8221; comentou Darren Dowll, cientista do JPL da NASA e investigador principal do instrumento HAWC+, autor principal do estudo. &#8220;Isto pode explicar porque \u00e9 que o nosso buraco negro est\u00e1 calmo enquanto outros est\u00e3o ativos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As novas observa\u00e7\u00f5es do SOFIA com o HAWC+ ajudam a determinar como o material no ambiente extremo de um buraco negro supermassivo interage com ele, abordando uma antiga quest\u00e3o de porque \u00e9 que o buraco negro central da Via L\u00e1ctea \u00e9 relativamente t\u00e9nue, enquanto os de outras gal\u00e1xias s\u00e3o t\u00e3o brilhantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/magnetic-field-may-be-keeping-milky-way-s-black-hole-quiet\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.sofia.usra.edu\/multimedia\/science-results-archive\/magnetic-field-may-be-keeping-milky-way%E2%80%99s-black-hole-quiet\" target=\"_blank\">\/\/ Centro de Ci\u00eancias do SOFIA (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/futurism.com\/the-byte\/milky-way-giant-black-hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Futurism<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-06-magnetic-field-milky-black-hole.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sagit\u00e1rio A*:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sagittarius_A*\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Campos magn\u00e9ticos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magnetic_field\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Electromagnetism\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Eletromagnetismo (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SOFIA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/SOFIA\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.sofia.usra.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">USRA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.dlr.de\/dlr\/en\/desktopdefault.aspx\/tabid-10419\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">DLR<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stratospheric_Observatory_for_Infrared_Astronomy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem buracos negros supermassivos no centro da maioria das gal\u00e1xias, e a nossa Via L\u00e1ctea n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. 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