{"id":2137,"date":"2019-06-11T05:25:28","date_gmt":"2019-06-11T05:25:28","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2137"},"modified":"2019-06-11T05:25:30","modified_gmt":"2019-06-11T05:25:30","slug":"missao-espacial-tess-descobre-cinco-estrelas-raras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/06\/11\/missao-espacial-tess-descobre-cinco-estrelas-raras\/","title":{"rendered":"Miss\u00e3o espacial TESS descobre cinco estrelas raras"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.iastro.pt\/img\/news\/2019jun05_1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"732\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019jun05_1-1024x732.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2138\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019jun05_1-1024x732.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019jun05_1-300x214.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019jun05_1-768x549.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/2019jun05_1.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Varia\u00e7\u00f5es de brilho da estrela roAp TIC 237336864, observada pelo sat\u00e9lite TESS. O brilho da estrela varia com duas escalas de tempo diferentes. A varia\u00e7\u00e3o do brilho na escala mais longa (cerca de 4,2 dias), representada no gr\u00e1fico principal, permite identificar o per\u00edodo de rota\u00e7\u00e3o e resulta da passagem de manchas qu\u00edmicas pela linha de vis\u00e3o do observador, \u00e0 medida que a estrela roda. No destaque v\u00ea-se a varia\u00e7\u00e3o do brilho na escala mais curta (cerca de 7,4 minutos), resultante das sucessivas expans\u00f5es e contra\u00e7\u00f5es da estrela que se repetem com o per\u00edodo caracter\u00edstico das oscila\u00e7\u00f5es desta estrela.<br>Cr\u00e9dito: Daniel Holdsworth (Instituto Jeremiah Horrocks, U. de Central Lancashire)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional, liderada pela investigadora do Instituto de Astrof\u00edsica e Ci\u00eancias do Espa\u00e7o (IA) Margarida Cunha, recorreu a t\u00e9cnicas asteross\u00edsmicas para procurar oscila\u00e7\u00f5es num subgrupo de cinco mil estrelas, entre as 32 mil observadas em cad\u00eancia curta nos primeiros 2 setores (aproximadamente, os 2 primeiros meses de opera\u00e7\u00f5es cient\u00edficas) do sat\u00e9lite TESS da NASA, e descobriu cinco raras estrelas roAp. Estes resultados5 foram aceites para publica\u00e7\u00e3o na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas peculiares de oscila\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, ou estrelas roAp, s\u00e3o objetos estelares raros. Constituem um subgrupo das estrelas peculiares magn\u00e9ticas (estrelas Ap), estas \u00faltimas caracterizadas por manchas qu\u00edmicas onde a abund\u00e2ncia de terras-raras, em particular dos elementos Si, Cr, Eu, pode ser at\u00e9 um milh\u00e3o de vezes superior \u00e0 presente no Sol. As estrelas Ap t\u00eam campos magn\u00e9ticos fortes e uma pequena fra\u00e7\u00e3o das mesmas, as roAp, oscilam com frequ\u00eancias semelhantes \u00e0s observadas no Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nestes dados, a equipa encontrou o mais r\u00e1pido oscilador roAp, que completa uma pulsa\u00e7\u00e3o a cada 4,7 minutos. Duas destas cinco estrelas s\u00e3o particularmente desafiadoras \u00e0 luz do conhecimento atual da \u00e1rea, uma porque \u00e9 menos quente do que a teoria prev\u00ea para estrelas roAp e a outra porque oscila com uma frequ\u00eancia inesperadamente alta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.iastro.pt\/img\/news\/2019jun05_2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.iastro.pt\/img\/news\/2019jun05_2.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica de uma estrela Ap de oscila\u00e7\u00e3o r\u00e1pida (roAp), com pormenores a destacar a sua complexidade. A diversidade de fen\u00f3menos f\u00edsicos que ocorrem nas suas camadas exteriores faz das estrelas roAp aut\u00eanticos &#8220;tubos de ensaio&#8221; para os modelos de f\u00edsica estelar.<br>Cr\u00e9dito: Victoria Antoci (Centro de Astrof\u00edsica Estelar, Universidade de Aarhus) <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Margarida Cunha, a primeira autora do artigo (IA e Universidade do Porto) explica a import\u00e2ncia de estudar estas estrelas: &#8220;Os dados do TESS mostram que as estrelas roAp s\u00e3o rar\u00edssimas, representando menos de 1% de todas as estrelas de temperatura semelhante. A import\u00e2ncia da sua descoberta reside no facto de elas serem aut\u00eanticos laborat\u00f3rios estelares. Permite-nos testar teorias relativas a fen\u00f3menos f\u00edsicos fundamentais no contexto da evolu\u00e7\u00e3o das estrelas, tais como a difus\u00e3o de elementos qu\u00edmicos e a sua intera\u00e7\u00e3o com campos magn\u00e9ticos intensos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao fazer uma an\u00e1lise detalhada de 80 estrelas previamente conhecidas por serem quimicamente peculiares, a equipa descobriu ainda 27 novas vari\u00e1veis rotacionais Ap. Nestes casos, o brilho varia \u00e0 medida que cada estrela roda, devido \u00e0 passagem de manchas qu\u00edmicas pela linha de vis\u00e3o do observador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Daniel Holdsworth, do Instituto Jeremiah Horrocks da Universidade de Central Lancashire, estas observa\u00e7\u00f5es do TESS: &#8220;permitem-nos estudar este tipo raro de estrelas de uma forma homog\u00e9nea. Podemos finalmente comparar cada estrela com as restantes, sem precisar de tratar os dados de uma forma especial. Com a continua\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o TESS, que ir\u00e1 fazer uma cobertura quase total do c\u00e9u, teremos a capacidade de descobrir muitas mais estrelas peculiares. A compara\u00e7\u00e3o entre elas vai permitir-nos testar e refinar os mais recentes modelos te\u00f3ricos, que tentam explicar a origem das oscila\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.iastro.pt\/img\/news\/2019jun05_3.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.iastro.pt\/img\/news\/2019jun05_3.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Imagem art\u00edstica do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA.<br>Cr\u00e9dito: Centro de Voo Espacial Goddard\/NASA <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa tamb\u00e9m obteve dados fotom\u00e9tricos de alta precis\u00e3o para sete estrelas roAp, conhecidas previamente a partir de observa\u00e7\u00f5es terrestres. Para quatro destas estrelas, foi ainda poss\u00edvel restringir o \u00e2ngulo de inclina\u00e7\u00e3o (o \u00e2ngulo de inclina\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u00e2ngulo definido pelo eixo de rota\u00e7\u00e3o da estrela e a dire\u00e7\u00e3o do observador.) e a obliquidade magn\u00e9tica (\u00e2ngulo definido pelo eixo de rota\u00e7\u00e3o e o eixo do campo magn\u00e9tico da estrela). Margarida Cunha, membro do comit\u00e9 executivo do TESS Asteroseismic Science Consortium (TASC) acrescenta: &#8220;Os processos f\u00edsicos que levam \u00e0 segrega\u00e7\u00e3o de elementos qu\u00edmicos, como a difus\u00e3o, est\u00e3o entre os mais dif\u00edceis de modelar no contexto da f\u00edsica estelar. Esta descoberta de novas estrelas roAp pelo TESS, assim como a observa\u00e7\u00e3o a partir do espa\u00e7o de estrelas deste tipo previamente conhecidas, ser\u00e3o fundamentais para avan\u00e7ar o conhecimento nesta mat\u00e9ria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Victoria Antoci, do Centro de Astrof\u00edsica Estelar da Universidade de Aarhus: &#8220;\u00c9 fascinante perceber que temos hoje mais estrelas do tipo roAp suficientemente brilhantes para serem seguidas a partir de telesc\u00f3pios relativamente acess\u00edveis, localizados na Terra. Para compreendermos a f\u00edsica destas estrelas na sua totalidade, \u00e9 importante complementar os dados que agora temos com informa\u00e7\u00e3o sobre os seus campos magn\u00e9ticos e sobre a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica das suas atmosferas. Estas estrelas t\u00eam campos magn\u00e9ticos fortes, que podem ir at\u00e9 25 kiloGauss, ou seja, cerca de 250 vezes a intensidade dos \u00edmanes que temos nos nossos frigor\u00edficos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes novos resultados s\u00f3 se tornaram poss\u00edveis com o TESS porque este sat\u00e9lite observa continuamente as estrelas por per\u00edodos de pelo menos 27 dias e sem a interfer\u00eancia da atmosfera da Terra, algo que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aos observat\u00f3rios \u00e0 superf\u00edcie do nosso planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.iastro.pt\/news\/news.html?ID=109\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto de Astrof\u00edsica e Ci\u00eancias do Espa\u00e7o (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.iaa.csic.es\/noticias\/primeros-datos-satelite-tess-arrojan-luz-sobre-estrellas-roap-pulsantes-extremas\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto de Astrof\u00edsica da Andaluzia (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/mnras\/stz1332\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Rapidly_oscillating_Ap_star\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas roAp:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Rapidly_oscillating_Ap_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/tess.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA\/Goddard<\/a><br><a href=\"https:\/\/heasarc.gsfc.nasa.gov\/docs\/tess\/proposing-investigations.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/tess\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MAST (Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Transiting_Exoplanet_Survey_Satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Varia\u00e7\u00f5es de brilho da estrela roAp TIC 237336864, observada pelo sat\u00e9lite TESS. 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