{"id":2066,"date":"2019-05-14T05:45:55","date_gmt":"2019-05-14T05:45:55","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2066"},"modified":"2019-05-14T05:46:22","modified_gmt":"2019-05-14T05:46:22","slug":"via-lactea-sofreu-surto-de-formacao-estelar-ha-2-a-3-mil-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/05\/14\/via-lactea-sofreu-surto-de-formacao-estelar-ha-2-a-3-mil-milhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"Via L\u00e1ctea sofreu surto de forma\u00e7\u00e3o estelar h\u00e1 2 a 3 mil milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa liderada por investigadores do Instituto de Ci\u00eancias do Cosmos da Universidade de Barcelona (ICCUB) e do Observat\u00f3rio Astron\u00f3mico de Besan\u00e7on (Fran\u00e7a) descobriu, atrav\u00e9s da an\u00e1lise de dados do sat\u00e9lite Gaia, que ocorreu, h\u00e1 2 a 3 mil milh\u00f5es de anos, um surto extremo de forma\u00e7\u00e3o estelar na Via L\u00e1ctea. Neste processo podem ter nascido mais de 50% das estrelas que criaram o disco gal\u00e1ctico. Os resultados s\u00e3o derivados da combina\u00e7\u00e3o das dist\u00e2ncias, cores e magnitudes das estrelas medidas pelo Gaia com modelos que preveem a sua distribui\u00e7\u00e3o na nossa Gal\u00e1xia. O estudo foi aceite para publica\u00e7\u00e3o na revista Astronomy &amp; Astrophysics.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim como uma chama se apaga quando n\u00e3o h\u00e1 g\u00e1s no isqueiro, o ritmo da forma\u00e7\u00e3o estelar na Via L\u00e1ctea, alimentado pelo g\u00e1s a\u00ed depositado, deveria ter diminu\u00eddo lentamente e de forma cont\u00ednua at\u00e9 esgotar o g\u00e1s existente. Os resultados do estudo mostram que, embora este processo tenha ocorrido ao longo dos primeiros 4 mil milh\u00f5es de anos da forma\u00e7\u00e3o do disco, uma explos\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar, ou &#8220;baby boom estelar&#8221;, inverteu esta tend\u00eancia. A fus\u00e3o com uma gal\u00e1xia sat\u00e9lite da Via L\u00e1ctea, rica em g\u00e1s, pode ter fornecido novo combust\u00edvel e reativado o processo de forma\u00e7\u00e3o estelar, de forma semelhante a abastecer o isqueiro. Este mecanismo explicaria a distribui\u00e7\u00e3o das dist\u00e2ncias, idades e massas estimadas a partir dos dados obtidos pelo sat\u00e9lite Gaia da ESA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A escala de tempo deste forte surto de forma\u00e7\u00e3o estelar, juntamente com a grande quantidade de massa estelar envolvida no processo, milhares de milh\u00f5es de massas solares, sugere que o disco da nossa Gal\u00e1xia n\u00e3o teve uma evolu\u00e7\u00e3o est\u00e1vel e pausada, mas que pode ter sofrido um grande dist\u00farbio externo que come\u00e7ou h\u00e1 cerca de 5 mil milh\u00f5es de anos&#8221;, disse Roger Mor, investigador do Instituto e autor principal do artigo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.ub.edu\/web\/ub\/galeries\/imatges\/noticies\/2018\/05\/Gaia-muntatge.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Gaia-muntatge.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2068\"\/><\/a><figcaption>A regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar Rho Ophiuchi, observada pelo sat\u00e9lite Gaia da ESA. Os pontos brilhantes s\u00e3o enxames estelares que cont\u00eam as estrelas mais massivas e jovens da regi\u00e3o. Os filamentos escuros tra\u00e7am a distribui\u00e7\u00e3o do g\u00e1s e da poeira, onde est\u00e3o a nascer novas estrelas. Esta n\u00e3o \u00e9 uma fotografia convencional, mas o resultado da integra\u00e7\u00e3o de toda a radia\u00e7\u00e3o recebida pelo sat\u00e9lite durante os 22 meses de estudo cont\u00ednuo do c\u00e9u.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/Gaia\/DPAC<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Conseguimos descobrir isto, pela primeira vez, gra\u00e7as \u00e0s medi\u00e7\u00f5es precisas de mais de 3 milh\u00f5es de estrelas na vizinhan\u00e7a solar,&#8221; diz Roger Mor. &#8220;Gra\u00e7as a estes dados &#8211; continua &#8211; pudemos descobrir os mecanismos que controlam a evolu\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais de 10 mil milh\u00f5es de anos no disco da nossa Gal\u00e1xia, que n\u00e3o \u00e9 mais do que a banda brilhante que observamos no c\u00e9u numa noite escura e sem polui\u00e7\u00e3o luminosa&#8221;. Como em muitos outros campos de investiga\u00e7\u00e3o, hoje em dia, estes achados foram poss\u00edveis gra\u00e7as \u00e0 disponibilidade da combina\u00e7\u00e3o de uma grande quantidade de dados com precis\u00e3o sem precedentes, com a disponibilidade de uma grande quantidade de horas de computa\u00e7\u00e3o nas instala\u00e7\u00f5es financiadas pelo projeto europeu FP7 GENIUS (Gaia European Project for Improved data User Services) &#8211; no Centro de Servi\u00e7os Cient\u00edficos e Acad\u00e9micos da Catalunha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os modelos cosmol\u00f3gicos preveem que a nossa Gal\u00e1xia teria crescido devido \u00e0 fus\u00e3o com outras gal\u00e1xias, facto demonstrado por outros estudos que usam dados do Gaia. Uma destas fus\u00f5es pode ser a causa do surto severo de forma\u00e7\u00e3o estelar detetado neste estudo. &#8220;Na verdade, o pico de forma\u00e7\u00e3o estelar \u00e9 t\u00e3o evidente, ao contr\u00e1rio do que previmos antes de termos dados do Gaia, que ach\u00e1mos necess\u00e1rio abordar a sua interpreta\u00e7\u00e3o juntamente com especialistas em evolu\u00e7\u00e3o cosmol\u00f3gica de gal\u00e1xias externas,&#8221; explica Francesca Figuerars, professora do Departamento de F\u00edsica Qu\u00e2ntica e Astrof\u00edsica da Universidade de Barcelona, membro do ICUUB e coautora do artigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o especialista em simula\u00e7\u00f5es de gal\u00e1xias parecidas \u00e0 Via L\u00e1ctea, Santi Roca-F\u00e0brega &#8211; da Universidade Complutense de Madrid e coautor do artigo, &#8220;os resultados obtidos correspondem aos que os modelos cosmol\u00f3gicos atuais preveem e, al\u00e9m disso, a nossa Gal\u00e1xia, aos olhos do Gaia, \u00e9 um laborat\u00f3rio cosmol\u00f3gico excelente onde podemos testar e comparar modelos do Universo a uma muito maior escala.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.ub.edu\/web\/ub\/galeries\/imatges\/noticies\/2018\/05\/Estrelles-Gaia-Fig4.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"660\" height=\"666\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Estrelles-Gaia-Fig4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2067\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Estrelles-Gaia-Fig4.png 660w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Estrelles-Gaia-Fig4-150x150.png 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Estrelles-Gaia-Fig4-297x300.png 297w\" sizes=\"auto, (max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/a><figcaption>Distribui\u00e7\u00e3o das 3 milh\u00f5es de estrelas usadas neste estudo para detetar o surto de forma\u00e7\u00e3o estelar que ocorreu h\u00e1 2-3 mil milh\u00f5es de anos. O Gaia forneceu a dist\u00e2ncia de cada um destes objetos no disco gal\u00e1ctico. A distribui\u00e7\u00e3o est\u00e1 sobreposta a um esquema dos bra\u00e7os espirais da Via L\u00e1ctea.<br>Cr\u00e9dito: R. Mor, A. C. Robin, F. Figueras, S. Roca-F\u00e0brega e X. Luri<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Miss\u00e3o Gaia at\u00e9 2020<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este estudo foi realizado com a segunda divulga\u00e7\u00e3o de dados da miss\u00e3o Gaia, publicada h\u00e1 um ano, no dia 25 de abril de 2018. Xavier Luri, diretor do ICUUB e coautor do artigo, comenta: &#8220;o papel dos cientistas e engenheiros da Universidade de Barcelona tem sido essencial para que a comunidade cient\u00edfica desfrute da excelente qualidade da divulga\u00e7\u00e3o de dados do Gaia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do cons\u00f3rcio encarregado de preparar e validar estes dados fazem parte mais de 400 cientistas e engenheiros de toda a Europa. &#8220;O seu trabalho coletivo forneceu \u00e0 comunidade cient\u00edfica internacional um cat\u00e1logo que est\u00e1 a fazer repensar muitos dos cen\u00e1rios existentes sobre a origem e evolu\u00e7\u00e3o da nossa Gal\u00e1xia,&#8221; salienta Luri.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em apenas um ano, mais de 1200 artigos revistos por pares publicados em revistas cient\u00edficas, mostram o antes e o depois do Gaia em praticamente todos os campos da astrof\u00edsica, desde a recente dete\u00e7\u00e3o de novos enxames estelares, novos asteroides, at\u00e9 \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o das origens extragal\u00e1cticas para estrelas na Via L\u00e1ctea, passando pelo c\u00e1lculo da massa da Via L\u00e1ctea e pelas descobertas que mostram que remanescentes estelares, chamados an\u00e3s brancas, acabam por solidificar-se lentamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O sat\u00e9lite continua a operar normalmente e neste m\u00eas de julho os cinco meses nominais de opera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica chegar\u00e3o ao fim,&#8221; real\u00e7a Carme Jordi, investigadora da Universidade de Barcelona e membro da Equipa Cient\u00edfica do Gaia, \u00f3rg\u00e3o consultor cient\u00edfico da ESA para esta miss\u00e3o. A ESA aprovou o prolongamento da miss\u00e3o at\u00e9 ao final de 2020 &#8211; mais um ano do que o esperado &#8211; e as equipas de engenharia estimam que exista combust\u00edvel suficiente para continuar a operar at\u00e9 2024. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que esta miss\u00e3o superou um desafio tecnol\u00f3gico sem precedentes no que toca \u00e0s mais importantes miss\u00f5es espaciais de todos os tempos,&#8221; conclui Carme Jordi.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-019-01226-2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nature<\/a><br><a href=\"https:\/\/earthsky.org\/space\/star-formation-burst-created-50-of-milky-way-disk-stars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EarthSky<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-05-star-formation-milky-million-years.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2019\/05\/190508134517.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"http:\/\/gea.esac.esa.int\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/guide-to-scientists\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Como usar os dados do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/60036-gaia-data-release-2-virtual-reality-resources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Recursos VR<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.spaceflight101.com\/gaia-spacecraft-overview.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACEFLIGHT101<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa liderada por investigadores do Instituto de Ci\u00eancias do Cosmos da Universidade de Barcelona (ICCUB) e do Observat\u00f3rio Astron\u00f3mico de Besan\u00e7on (Fran\u00e7a) descobriu, atrav\u00e9s da an\u00e1lise de dados do sat\u00e9lite Gaia, que ocorreu, h\u00e1 2 a 3 mil milh\u00f5es de anos, um surto extremo de forma\u00e7\u00e3o estelar na Via L\u00e1ctea. 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