{"id":2057,"date":"2019-05-10T05:27:36","date_gmt":"2019-05-10T05:27:36","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2057"},"modified":"2019-05-10T05:27:37","modified_gmt":"2019-05-10T05:27:37","slug":"a-dinamica-do-anel-de-haumea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/05\/10\/a-dinamica-do-anel-de-haumea\/","title":{"rendered":"A din\u00e2mica do anel de Haumea"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/agencia-novo\/imagens\/noticia\/30442.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1001\" height=\"563\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/30442.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2058\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/30442.jpg 1001w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/30442-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/30442-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1001px) 100vw, 1001px\" \/><\/a><figcaption>Por meio de simula\u00e7\u00f5es computacionais, investigadores desvendam detalhes deste objeto do Sistema Solar localizado para l\u00e1 da \u00f3rbita de Plut\u00e3o, na Cintura de Kuiper.<br>Cr\u00e9dito: NASA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Observado pela primeira vez em 2004, Haumea \u00e9 um planeta an\u00e3o localizado para l\u00e1 da \u00f3rbita de Plut\u00e3o, numa regi\u00e3o do Sistema Solar chamada Cintura de Kuiper. Foi por causa da descoberta desse e de outros planetas an\u00f5es que, em 2006, Plut\u00e3o foi oficialmente desclassificado como planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Haumea foi reconhecido oficialmente como planeta an\u00e3o em 2008. Tem um formato alongado que lembra uma bola de futebol americano, al\u00e9m de duas luas e um anel.<\/p>\n\n\n\n<p>Por ter um anel, Haumea integra o grupo de objetos do Sistema Solar composto por Saturno, \u00darano, Neptuno e J\u00fapiter, al\u00e9m dos asteroides Chariklo e Chiron, que desenham \u00f3rbitas entre J\u00fapiter e Neptuno.<\/p>\n\n\n\n<p>O anel de Haumea nunca foi observado diretamente. A sua exist\u00eancia foi inferida por um grupo internacional de astr\u00f3nomos em 2017, a partir da an\u00e1lise do brilho de uma estrela que passou atr\u00e1s do planeta an\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A descoberta foi feita por oculta\u00e7\u00e3o. O brilho da estrela foi observado da Terra e diminuiu quando Haumea passou na frente. Isso permitiu obter informa\u00e7\u00f5es sobre o formato do planeta an\u00e3o&#8221;, disse Othon Cabo Winter, professor titular na Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Guaratinguet\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas o brilho da estrela tamb\u00e9m diminuiu quando o anel passou em sua frente, permitindo, assim, que os pesquisadores obtivessem informa\u00e7\u00f5es sobre o anel&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho faz parte do Projeto Tem\u00e1tico &#8220;A relev\u00e2ncia dos pequenos corpos em din\u00e2mica orbital&#8221;, financiado pela FAPESP (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo), e contou com apoio tamb\u00e9m da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq).<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores que descobriram o anel em 2017 chegaram a sugerir que ele ocuparia em torno de Haumea uma \u00f3rbita muito pr\u00f3xima \u00e0 chamada regi\u00e3o de resson\u00e2ncia 1 para 3 (1:3) \u2013 a cada tr\u00eas rota\u00e7\u00f5es completas que o planeta an\u00e3o d\u00e1 em torno do pr\u00f3prio eixo, as part\u00edculas que formam o anel completam uma \u00f3rbita em seu redor.<\/p>\n\n\n\n<p>Um novo estudo feito por Winter, Ta\u00eds Ribeiro e Gabriel Borderes Motta, do Grupo de Din\u00e2mica Orbital e Planetologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista), mostrou ser necess\u00e1ria uma certa excentricidade (medida que representa o afastamento de uma \u00f3rbita da forma circular) para que a tal resson\u00e2ncia atuasse sobre as part\u00edculas do anel.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Winter, o facto de o anel ser estreito e praticamente circular inviabiliza a atua\u00e7\u00e3o dessa resson\u00e2ncia. Em contrapartida, o grupo identificou um tipo peculiar de \u00f3rbitas peri\u00f3dicas (que se repetem de maneira id\u00eantica) est\u00e1veis e quase circulares, na mesma regi\u00e3o onde se localiza o anel de Haumea.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nosso estudo n\u00e3o \u00e9 observacional. N\u00e3o observamos diretamente os an\u00e9is. Ningu\u00e9m jamais o fez&#8221;, disse Winter. Isso porque os an\u00e9is s\u00e3o muito t\u00eanues e est\u00e3o por demais distantes para poderem ser observados pelos observat\u00f3rios astron\u00f3micos da Terra. A dist\u00e2ncia m\u00e9dia de Haumea em rela\u00e7\u00e3o ao Sol \u00e9 43 vezes maior do que a dist\u00e2ncia da Terra ao Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nosso estudo \u00e9 inteiramente computacional. Foi a partir de simula\u00e7\u00f5es com os dados obtidos que chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que o anel n\u00e3o se encontra naquela regi\u00e3o do espa\u00e7o devido \u00e0 resson\u00e2ncia 1:3, mas sim devido a uma fam\u00edlia de \u00f3rbitas peri\u00f3dicas est\u00e1veis&#8221;, disse Winter.<\/p>\n\n\n\n<p>Num artigo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, os cientistas da Unesp exploraram a din\u00e2mica de part\u00edculas individuais na regi\u00e3o em que o anel est\u00e1 localizado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O objetivo principal do trabalho foi identificar a estrutura da regi\u00e3o do anel de Haumea em termos de localiza\u00e7\u00e3o e tamanho das regi\u00f5es est\u00e1veis e tamb\u00e9m a raz\u00e3o de sua exist\u00eancia. De particular interesse foi tentar entender a estrutura din\u00e2mica associada \u00e0 resson\u00e2ncia 1:3&#8221;, disse Winter.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Regi\u00f5es est\u00e1veis<\/h4>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores usaram o m\u00e9todo de Superf\u00edcie de Sec\u00e7\u00e3o de Poincar\u00e9 para explorar a din\u00e2mica na regi\u00e3o em que se localiza o anel. Com a simula\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o das trajet\u00f3rias das part\u00edculas na regi\u00e3o, foram gerados em computador gr\u00e1ficos (sec\u00e7\u00f5es) que mostram visualmente as regi\u00f5es de estabilidade representadas por ilhas (curvas fechadas), enquanto as regi\u00f5es inst\u00e1veis aparecem como uma distribui\u00e7\u00e3o de pontos dispostos irregularmente.<\/p>\n\n\n\n<p>As ilhas de estabilidade que foram identificadas em consequ\u00eancia da resson\u00e2ncia 1:3 t\u00eam trajet\u00f3rias muito exc\u00eantricas, mais do que seria compat\u00edvel com o anel (estreito e circular).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por outro lado, identificamos ilhas de estabilidade na mesma regi\u00e3o, mas com trajet\u00f3rias de baixa excentricidade, compat\u00edveis com o anel. Essas ilhas foram identificadas por causa de uma fam\u00edlia de \u00f3rbitas peri\u00f3dicas&#8221;, disse Winter.<\/p>\n\n\n\n<p>Haumea tem um di\u00e2metro de 1456 quil\u00f4metros, menos da metade de Marte, e possui um formato oval, sendo duas vezes mais longo do que largo. Leva 284 anos para completar uma volta em torno do Sol. O planeta an\u00e3o fica t\u00e3o distante, e a radia\u00e7\u00e3o solar que l\u00e1 chega \u00e9 t\u00e3o rarefeita, que a temperatura \u00e0 superf\u00edcie \u00e9 de 223\u00b0C negativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por ter sido detetado pelas lentes dos observat\u00f3rios gigantes instalados no cume do vulc\u00e3o extinto Mauna Kea, no Hawaii, os seus descobridores batizaram-no com o nome da deusa da fertilidade da mitologia havaiana. O planeta an\u00e3o possui duas luas: Namaka e Hi&#8217;iaka, as filhas da deusa Haumea. Acredita-se que essas luas se formaram como resultado de uma colis\u00e3o entre Haumea e algum outro corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Haumea completa uma rota\u00e7\u00e3o a cada quatro horas, o que o torna um dos objetos grandes com rota\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida no Sistema Solar. Tal aspeto pode estar relacionado a um passado violento.<\/p>\n\n\n\n<p>Estima-se que, na origem do Sistema Solar, Haumea era muito parecido com Plut\u00e3o, metade rocha e metade \u00e1gua. H\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, um grande objeto pode ter colidido com Haumea, expulsando a maior parte do gelo de sua superf\u00edcie e fazendo com que girasse muito depressa em compara\u00e7\u00e3o com outros planetas an\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/dinamica-de-anel-do-planeta-anao-haumea-e-descrita-por-grupo-da-unesp\/30442\/\" target=\"_blank\">\/\/ FAPESP (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article-abstract\/484\/3\/3765\/5308858\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1902.03363\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2019-05\/fda-bsi050719.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-05-scientists-dwarf-planet.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Haumea:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Haumea\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por meio de simula\u00e7\u00f5es computacionais, investigadores desvendam detalhes deste objeto do Sistema Solar localizado para l\u00e1 da \u00f3rbita de Plut\u00e3o, na Cintura de Kuiper.Cr\u00e9dito: NASA Observado pela primeira vez em 2004, Haumea \u00e9 um planeta an\u00e3o localizado para l\u00e1 da \u00f3rbita de Plut\u00e3o, numa regi\u00e3o do Sistema Solar chamada Cintura de Kuiper. 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