{"id":2044,"date":"2019-05-07T05:26:08","date_gmt":"2019-05-07T05:26:08","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2044"},"modified":"2019-05-07T05:26:10","modified_gmt":"2019-05-07T05:26:10","slug":"detetado-pela-primeira-vez-um-sistema-de-enxames-globulares-no-disco-de-uma-galaxia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/05\/07\/detetado-pela-primeira-vez-um-sistema-de-enxames-globulares-no-disco-de-uma-galaxia\/","title":{"rendered":"Detetado pela primeira vez um sistema de enxames globulares no disco de uma gal\u00e1xia"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.iac.es\/img\/prensa\/prensa1559_3707_hi.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"650\" height=\"702\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/prensa1559_3707.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2045\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/prensa1559_3707.jpg 650w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/prensa1559_3707-278x300.jpg 278w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/a><figcaption>Imagens a cores falsas de M106. A figura combina dados de hidrog\u00e9nio neutro, obtidos com o WSRT (Westerbrook Synthesis Radio Telescope), a azul, com imagens \u00f3ticas obtidas com o CFHT a verde e vermelho. Os c\u00edrculos amarelos real\u00e7am os enxames globulares observados, dispostos num disco que gira em fase e \u00e0 mesma velocidade que o g\u00e1s neutro.<br>Ilustra\u00e7\u00e3o e design: Divakara Mayya (INAOE)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um estudo internacional realizado com o instrumento OSIRIS acoplado ao GTC (Gran Telescopio Canarias) descobriu, na gal\u00e1xia espiral Messier 106, um sistema de enxames globulares cuja distribui\u00e7\u00e3o e movimento invulgares, que est\u00e3o alinhados com o disco da gal\u00e1xia e que giram \u00e0 mesma velocidade, mostram que pode ser uma rel\u00edquia da \u00e9poca de m\u00e1xima forma\u00e7\u00e3o estelar no Universo, o &#8220;meio-dia c\u00f3smico&#8221;. Os resultados foram publicados na revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os enxames globulares t\u00eam entre cem mil e um milh\u00e3o de estrelas, cujos componentes s\u00e3o aproximadamente da mesma idade e t\u00eam uma composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica semelhante. S\u00e3o objetos muito antigos, formados h\u00e1 cerca de 11,5 mil milh\u00f5es de anos, 2,3 mil milh\u00f5es de anos ap\u00f3s o Big Bang. Estes enxames podem normalmente ser encontrados em gal\u00e1xias grandes, nos seus halos, distribu\u00eddos esfericamente em torno dos seus centros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma investiga\u00e7\u00e3o internacional, liderada por um grupo da Universidade Nacional Aut\u00f3noma do M\u00e9xico e realizada com o instrumento OSIRIS do Gran Telescopio Canarias (GTC), descobriu na gal\u00e1xia espiral Messier 106 (tamb\u00e9m conhecida como M106 ou NGC 4258) enxames globulares que, em vez de estarem distribu\u00eddos numa esfera, parecem estar dispostos num disco alinhado com o disco de g\u00e1s da gal\u00e1xia e a girar aproximadamente \u00e0 mesma velocidade neste disco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Nunca vimos isto antes, \u00e9 uma daquelas descobertas totalmente inesperadas e surpreendentes que ocorrem na ci\u00eancia,&#8221; explica Rosa Amelia Gonz\u00e1lez-L\u00f3pezlira, investigadora do Instituto de Radioastronomia e Astrof\u00edsica da mesma universidade mexicana, que liderou este trabalho. &#8220;A maneira como estes enxames se movem, e a sua distribui\u00e7\u00e3o, \u00e9 semelhante aos discos de gal\u00e1xias durante o per\u00edodo de m\u00e1xima forma\u00e7\u00e3o estelar, h\u00e1 cerca de 10 mil milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, no que \u00e9 conhecido como &#8216;meio-dia c\u00f3smico&#8217;, de modo que pensamos que o disco de enxames em M106 possa ser um remanescente daquela \u00e9poca.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O poder do GTC e do OSIRIS<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados obtidos com o instrumento OSIRIS, acoplado ao GTC no observat\u00f3rio Roque de los Muchachos, foram de import\u00e2ncia extrema, sobretudo para confirmar os candidatos a enxames globulares e para distingui-los de outras fontes pontuais aparentes como estrelas e gal\u00e1xias distantes. Para fazer isso, \u00e9 necess\u00e1rio obter espectros para mostrar que cada enxame tem uma popula\u00e7\u00e3o coeva de estrelas antigas e que realmente pertence \u00e0 gal\u00e1xia em estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Divakara Mayya, investigador do INAOE (Instituto Nacional de Astrof\u00edsica, \u00d3ptica y Electr\u00f3nica), no M\u00e9xico, e segundo autor do artigo, &#8220;as observa\u00e7\u00f5es do GTC e do OSIRIS s\u00e3o essenciais para o sucesso do estudo, dado que os objetos est\u00e3o bem distantes e requerem exposi\u00e7\u00f5es de mais de uma hora com o maior telesc\u00f3pio \u00f3tico-infravermelho do mundo a fim de extrair as informa\u00e7\u00f5es relevantes dos espectros&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O instrumento OSIRIS (Optical System for Imaging and low-Intermediate-Resolution Integrated Spectroscopy) \u00e9 um espectr\u00f3grafo multiobjecto constru\u00eddo no IAC (Instituto de Astrof\u00edsicas das Can\u00e1rias) em colabora\u00e7\u00e3o com o M\u00e9xico, que \u00e9 capaz de observar v\u00e1rios objetos de cada vez. &#8220;Ter esta capacidade de multiplexa\u00e7\u00e3o, a de obter v\u00e1rios espectros simultaneamente, \u00e9 fundamental para este tipo de estudo, e est\u00e1 dispon\u00edvel em tr\u00eas dos atuais instrumentos do GTC, abrangendo o \u00f3tico e o infravermelho,&#8221; explica Antonio Cabrera, chefe de opera\u00e7\u00f5es cient\u00edficas no GTC. Para este trabalho, foram observados, em dois campos, 23 enxames globulares candidatos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este artigo \u00e9 um resultado de um projeto mais amplo que estudar\u00e1 os sistemas de enxames globulares em nove gal\u00e1xias espirais num raio de 52 milh\u00f5es de anos-luz, a fim de examinar a rela\u00e7\u00e3o entre o n\u00famero de enxames globulares e a massa do buraco negro central nas gal\u00e1xias espirais. &#8220;Esta rela\u00e7\u00e3o \u00e9 muito forte para gal\u00e1xias el\u00edpticas, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o clara para gal\u00e1xias espirais, como a Via L\u00e1ctea,&#8221; comenta a cientista L\u00f3pezlira. &#8220;As nove gal\u00e1xias que planeamos estudar t\u00eam boas estimativas de massas para os seus buracos negros centrais e ficam a dist\u00e2ncias onde podemos fazer bons estudos dos seus enxames globulares.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este estudo recente confirma que existe uma correla\u00e7\u00e3o entre o n\u00famero de enxames globulares e a massa do buraco negro central de M106 e confirma a precis\u00e3o do m\u00e9todo fotom\u00e9trico usado no GTC. &#8220;Os estudos deste tipo, em mais gal\u00e1xias espirais, podem esclarecer o papel das diferentes hip\u00f3teses propostas para a constru\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias, dos enxames globulares e dos buracos negros centrais,&#8221; conclui a autora principal do artigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.iac.es\/divulgacion.php?op1=16&amp;id=1559\" target=\"_blank\">\/\/ IAC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ab113a\/meta\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1904.02712\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-05-globular-cluster-messier-106a-relic.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Messier 106:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.messier.seds.org\/m\/m106.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Messier_106\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enxames globulares:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/spider.seds.org\/spider\/MWGC\/mwgc.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Globular_cluster\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GTC (Gran Telescopio Canarias):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.gtc.iac.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gran_Telescopio_Canarias\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagens a cores falsas de M106. 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