{"id":2005,"date":"2019-04-19T05:26:03","date_gmt":"2019-04-19T05:26:03","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=2005"},"modified":"2019-04-19T05:26:27","modified_gmt":"2019-04-19T05:26:27","slug":"cassini-revela-surpresas-nos-lagos-de-tita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/04\/19\/cassini-revela-surpresas-nos-lagos-de-tita\/","title":{"rendered":"Cassini revela surpresas nos lagos de Tit\u00e3"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/photojournal.jpl.nasa.gov\/jpeg\/PIA18432.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/31S86Tl-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2006\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/31S86Tl-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/31S86Tl-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/31S86Tl-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/31S86Tl.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption>Esta imagem a cores, no infravermelho pr\u00f3ximo, pela Cassini, mostra o reflexo do Sol pelos mares polares norte de Tit\u00e3.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/Universidade do Arizona\/Universidade do Idaho<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No seu \u00faltimo &#8220;flyby&#8221; pela maior lua de Saturno em 2017, a sonda Cassini da NASA recolheu dados de radar que revelaram que os pequenos lagos l\u00edquidos no hemisf\u00e9rio norte de Tit\u00e3 s\u00e3o surpreendentemente profundos, empoleirados no topo de colinas e repletos de metano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os novos achados, publicados na edi\u00e7\u00e3o de 15 de abril da revista Nature Astronomy, s\u00e3o a primeira confirma\u00e7\u00e3o de qu\u00e3o profundos s\u00e3o alguns dos lagos de Tit\u00e3 (mais de 100 metros) e da sua composi\u00e7\u00e3o. Fornecem novas informa\u00e7\u00f5es sobre a forma como o metano l\u00edquido chove, evapora e se infiltra em Tit\u00e3 &#8211; o \u00fanico corpo planet\u00e1rio no nosso Sistema Solar, al\u00e9m da Terra, conhecido por ter l\u00edquido est\u00e1vel \u00e0 sua superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas sabem que o ciclo hidrol\u00f3gico de Tit\u00e3 funciona de maneira semelhante ao da Terra &#8211; com uma grande diferen\u00e7a. Em vez de ser \u00e1gua a evaporar-se dos mares, formando nuvens e chuva, Tit\u00e3 f\u00e1-lo com metano e etano. N\u00f3s tendemos a pensar nestes hidrocarbonetos como gases na Terra, a menos que sejam pressurizados num tanque. Mas a lua Tit\u00e3 \u00e9 t\u00e3o fria que aqui estes elementos comportam-se como l\u00edquidos, como gasolina \u00e0 temperatura ambiente no nosso planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas sabiam que os mares do Norte, muito maiores, est\u00e3o repletos de metano, mas descobrir que os lagos mais pequenos s\u00e3o compostos principalmente por metano foi uma surpresa. Anteriormente, os dados da Cassini mediram Ontario Lacus, o \u00fanico grande lago no hemisf\u00e9rio sul de Tit\u00e3. L\u00e1, encontraram uma mistura aproximadamente igual de metano e etano. O etano \u00e9 um pouco mais pesado do que o metano, com mais \u00e1tomos de carbono e hidrog\u00e9nio na sua composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;De cada vez que fazemos descobertas em Tit\u00e3, Tit\u00e3 torna-se mais misterioso,&#8221; comenta o autor principal Marco Mastrogiuseppe, cientista de radar do Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Calif\u00f3rnia. &#8220;Mas estas novas medi\u00e7\u00f5es ajudam a dar resposta a algumas quest\u00f5es-chave. Agora, podemos entender melhor a hidrologia de Tit\u00e3.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acrescentando \u00e0s excentricidades de Tit\u00e3, com as suas caracter\u00edsticas parecidas \u00e0s da Terra esculpidas por materiais ex\u00f3ticos, est\u00e1 o facto de que a hidrologia de um lado do hemisf\u00e9rio norte \u00e9 completamente diferente da do outro lado, disse o cientista da Cassini e coautor Jonathan Lunine da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 como se olh\u00e1ssemos, a partir de \u00f3rbita, para o P\u00f3lo Norte da Terra e pud\u00e9ssemos ver que a Am\u00e9rica do Norte tinha um cen\u00e1rio geol\u00f3gico completamente diferente para corpos l\u00edquidos do que a \u00c1sia,&#8221; explicou Lunine.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No lado este de Tit\u00e3, existem grandes mares com baixa eleva\u00e7\u00e3o, desfiladeiros e ilhas. No lado oeste: lagos pequenos. E as novas medi\u00e7\u00f5es mostram lagos empoleirados no topo de grandes colinas e planaltos. As novas medi\u00e7\u00f5es de radar confirmam as descobertas anteriores de que os lagos est\u00e3o muito acima do n\u00edvel do mar, mas evocam uma nova imagem de forma\u00e7\u00f5es terrestres &#8211; como mesas ou morros &#8211; centenas de metros acima da paisagem circundante, com lagos l\u00edquidos profundos no topo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O facto destes lagos ocidentais serem pequenos &#8211; com apenas dezenas de quil\u00f3metros de largura -, mas muito profundos, tamb\u00e9m diz aos cientistas algo novo sobre a sua geologia: \u00e9 a melhor evid\u00eancia, at\u00e9 agora, de que provavelmente formaram-se quando o substrato rochoso e circundante de gelo e compostos org\u00e2nicos se dissolveu e colapsou. Na Terra, lagos de \u00e1gua id\u00eanticos s\u00e3o conhecidos como lagos c\u00e1rsicos. Situados em \u00e1reas como na Alemanha, na Cro\u00e1cia e nos Estados Unidos, formam-se quando a \u00e1gua dissolve rocha calc\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Juntamente com a investiga\u00e7\u00e3o de lagos profundos, um segundo artigo na Nature Astronomy ajuda a desvendar mais do mist\u00e9rio que \u00e9 o ciclo hidrol\u00f3gico de Tit\u00e3. Investigadores usaram dados da Cassini para revelar o que chamam de lagos transientes. Conjuntos diferentes de observa\u00e7\u00f5es &#8211; de dados de radar a dados infravermelhos &#8211; parecem mostrar que os n\u00edveis de l\u00edquido mudaram significativamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A melhor explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que houve algumas mudan\u00e7as sazonais nos l\u00edquidos \u00e0 superf\u00edcie, disse a autora principal Shannon MacKenzie, cientista planet\u00e1ria do Laborat\u00f3rio de F\u00edsica Aplicada Johns Hopkins em Laurel, Maryland, EUA. &#8220;Uma possibilidade \u00e9 que essas caracter\u00edsticas transit\u00f3rias podem ter sido corpos l\u00edquidos mais rasos que, ao longo da esta\u00e7\u00e3o, evaporaram e se infiltraram no subsolo,&#8221; real\u00e7ou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes resultados e as descobertas presentes no artigo da Nature Astronomy sobre os lagos profundos de Tit\u00e3 apoiam a ideia de que a chuva de hidrocarbonetos alimenta os lagos, que ent\u00e3o podem evaporar de volta para a atmosfera ou drenar para o subsolo, deixando reservat\u00f3rios de l\u00edquido armazenados por baixo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Cassini, que chegou ao sistema de Saturno em 2004 e que terminou a sua miss\u00e3o em 2017 quando mergulhou deliberadamente na atmosfera do planeta gigante, mapeou mais de 1,6 milh\u00f5es de quil\u00f3metros quadrados de lagos e mares \u00e0 superf\u00edcie de Tit\u00e3. F\u00ea-lo com o seu instrumento de radar, que enviou ondas de r\u00e1dio e recolheu um sinal de retorno (ou eco) que forneceu informa\u00e7\u00f5es sobre o terreno e sobre a profundidade e composi\u00e7\u00e3o dos corpos l\u00edquidos, juntamente com dois sistemas de imagem que podiam penetrar atrav\u00e9s da espessa neblina atmosf\u00e9rica da lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados cruciais para a nova investiga\u00e7\u00e3o foram recolhidos durante a \u00faltima passagem rasante por Tit\u00e3, no dia 22 de abril de 2017. Foi o \u00faltimo olhar da miss\u00e3o para os lagos menores da lua, que a equipa aproveitou ao m\u00e1ximo. A recolha dos ecos a partir das superf\u00edcies dos lagos pequenos, enquanto a Cassini passava por Tit\u00e3, foi um desafio \u00fanico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este foi o \u00faltimo grande feito ousado da Cassini em Tit\u00e3,&#8221; concluiu Lunine.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.jpl.nasa.gov\/news\/news.php?feature=7378\" target=\"_blank\">\/\/ NASA\/JPL (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-019-0714-2\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-018-0687-6\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/astronomy.com\/news\/2019\/04\/cassini-finds-phantom-ponds-and-deep-lakes-on-saturns-moon-titan\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Astronomy<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/saturn-moon-titan-phantom-lakes-caves.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2199620-saturns-moon-titan-has-an-alien-lake-district-that-looks-like-earth\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">New Scientist<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2019\/04\/190416143550.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"http:\/\/spaceref.com\/saturn\/cassini-reveals-surprises-with-titans-lakes.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">spaceref<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/space\/posthumous-cassini-data-sheds-light-on-titan-s-lakes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencenews.org\/article\/saturn-moon-titan-hydrocarbon-lakes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceNews<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.blahblah.blah\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/futurism.com\/the-byte\/saturns-moon-titan-covered-earth-lakes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Futurism<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.engadget.com\/2019\/04\/16\/nasa-cassini-titan-moon-lakes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">engadget<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cassini:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/saturn.jpl.nasa.gov\/home\/index.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cassini-Huygens\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Saturno:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.solarviews.com\/eng\/saturn.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Solarviews<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Saturn_%28planet%29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tit\u00e3:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.solarviews.com\/eng\/titan.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Solarviews<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Titan_%28moon%29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta imagem a cores, no infravermelho pr\u00f3ximo, pela Cassini, mostra o reflexo do Sol pelos mares polares norte de Tit\u00e3.Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/Universidade do Arizona\/Universidade do Idaho No seu \u00faltimo &#8220;flyby&#8221; 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