{"id":1988,"date":"2019-04-12T07:08:29","date_gmt":"2019-04-12T07:08:29","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1988"},"modified":"2019-04-12T07:15:21","modified_gmt":"2019-04-12T07:15:21","slug":"astronomos-encontram-evidencias-de-planeta-quase-13-vezes-maior-que-jupiter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/04\/12\/astronomos-encontram-evidencias-de-planeta-quase-13-vezes-maior-que-jupiter\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos encontram evid\u00eancias de planeta quase 13 vezes maior que J\u00fapiter"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/agencia-novo\/imagens\/noticia\/30085.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1001\" height=\"667\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/30085.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1989\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/30085.jpg 1001w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/30085-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/30085-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1001px) 100vw, 1001px\" \/><\/a><figcaption>Pesquisadores brasileiros identificam sinais robustos da exist\u00eancia de um objeto gigante na constela\u00e7\u00e3o do Cisne, orbitando um sistema bin\u00e1rio formado por uma estrela viva e outra morta.<br>Cr\u00e9dito: Leandro Almeida<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, foram descobertos quase 4 mil objetos semelhantes a um planeta situados fora do Sistema Solar \u2013 e por isso chamados exoplanetas \u2013 orbitando estrelas isoladas. J\u00e1 a partir de 2011, por meio do sat\u00e9lite Kepler, da NASA, foi poss\u00edvel observar os primeiros exoplanetas girando em torno de sistemas bin\u00e1rios jovens, compostos por duas estrelas (vivas) em cujos n\u00facleos ainda h\u00e1 queima de hidrog\u00e9nio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, um grupo de astr\u00f3nomos brasileiros encontrou as primeiras evid\u00eancias da exist\u00eancia de um exoplaneta em redor de um sistema bin\u00e1rio mais velho ou evolu\u00eddo, em que uma das duas estrelas est\u00e1 morta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo, resultado de um p\u00f3s-doutorado e de um est\u00e1gio de investiga\u00e7\u00e3o, ambos da FAPESP (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo), foi publicado na revista The Astronomical Journal, da Sociedade Americana de Astronomia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Conseguimos obter indica\u00e7\u00f5es bastante s\u00f3lidas da exist\u00eancia de um exoplaneta gigante, com uma massa quase 13 vezes maior que a de J\u00fapiter [maior planeta do Sistema Solar] num sistema bin\u00e1rio evolu\u00eddo&#8221;, disse Leonardo Andrade de Almeida, p\u00f3s-doutorando na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e primeiro autor do estudo. O pesquisador fez p\u00f3s-doutorado no Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade de S\u00e3o Paulo (IAG-USP) com supervis\u00e3o do professor Augusto Damineli, tamb\u00e9m autor do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores encontraram sinais da exist\u00eancia de um exoplaneta num sistema bin\u00e1rio evolu\u00eddo chamado KIC10544976, localizado na constela\u00e7\u00e3o do Cisne, no hemisf\u00e9rio celeste norte, por meio da an\u00e1lise de diferentes pistas. Uma delas foi o efeito da varia\u00e7\u00e3o do instante do eclipse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fen\u00f3meno \u00e9 caracterizado pela precis\u00e3o do tempo em que ocorrem os eclipses das duas estrelas que formam um sistema bin\u00e1rio ao passar uma em frente da outra. Uma varia\u00e7\u00e3o nesse tempo de ocorr\u00eancia de eclipses, chamado per\u00edodo orbital, \u00e9 forte indicador da exist\u00eancia de um planeta ao redor de estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A varia\u00e7\u00e3o do per\u00edodo orbital de um sistema bin\u00e1rio ocorre em raz\u00e3o da atra\u00e7\u00e3o gravitacional entre os tr\u00eas objetos, que passam a girar em torno de um centro de massa comum&#8221;, disse Almeida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A identifica\u00e7\u00e3o de varia\u00e7\u00f5es no per\u00edodo orbital, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 suficiente para a dete\u00e7\u00e3o de um planeta num sistema bin\u00e1rio. Isso porque, assim como o Sol apresenta varia\u00e7\u00e3o no seu ciclo de atividade magn\u00e9tica a cada 11 anos, marcada por um pico e o posterior decl\u00ednio das manchas solares, outras estrelas tamb\u00e9m passam por esse mesmo processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A varia\u00e7\u00e3o da atividade magn\u00e9tica do Sol e de outras estrelas isoladas causa uma altera\u00e7\u00e3o nos seus campos magn\u00e9ticos. J\u00e1 em estrelas que comp\u00f5em um sistema bin\u00e1rio isso provoca uma mudan\u00e7a no per\u00edodo orbital, que chamamos de mecanismo Applegate&#8221;, disse Almeida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fim de afastar a hip\u00f3tese de que a varia\u00e7\u00e3o no per\u00edodo orbital de KIC10544976 seria resultado apenas da atividade magn\u00e9tica, os investigadores analisaram o efeito da varia\u00e7\u00e3o do instante do eclipse e o ciclo de atividade magn\u00e9tica da estrela viva do sistema bin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse sistema bin\u00e1rio (KIC10544976) \u00e9 composto por uma an\u00e3 branca \u2013 a estrela morta, menor e com brilho alto (alta emiss\u00e3o de energia por unidade de tempo) devido \u00e0 sua temperatura superficial elevada \u2013 e uma an\u00e3 vermelha \u2013 a estrela viva, com massa pequena em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 do Sol e baixa luminosidade (baixa emiss\u00e3o de energia por unidade de tempo). As duas estrelas foram monitoradas por telesc\u00f3pios terrestres entre 2005 e 2017 e pelo sat\u00e9lite Kepler entre 2009 e 2013, que geraram dados minuto a minuto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esse sistema \u00e9 \u00fanico. Nenhum outro sistema similar possui dados suficientes que nos permitam calcular a varia\u00e7\u00e3o do per\u00edodo orbital e o ciclo de atividade magn\u00e9tica da estrela viva&#8221;, disse Almeida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por meio dos dados obtidos pelo sat\u00e9lite Kepler foi poss\u00edvel estimar o ciclo magn\u00e9tico da estrela viva \u2013 a an\u00e3 vermelha \u2013 pela frequ\u00eancia e energia das explos\u00f5es nos campos magn\u00e9ticos e pelas manchas na superf\u00edcie da estrela associadas a essas eje\u00e7\u00f5es de energia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e1lises dos dados indicaram que o ciclo de atividade magn\u00e9tica da an\u00e3 vermelha \u00e9 de 600 dias \u2013 o que est\u00e1 de acordo com os ciclos magn\u00e9ticos medidos para estrelas isoladas de massa baixa. J\u00e1 a varia\u00e7\u00e3o do per\u00edodo orbital do sistema bin\u00e1rio KIC10544976 foi de 17 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isso afasta totalmente a hip\u00f3tese de que a atividade magn\u00e9tica gere essa varia\u00e7\u00e3o do per\u00edodo orbital. A explica\u00e7\u00e3o mais plaus\u00edvel \u00e9 a presen\u00e7a de um planeta gigante em redor desse sistema bin\u00e1rio, com massa pr\u00f3xima a 13 vezes \u00e0 de J\u00fapiter&#8221;, disse Almeida.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Hip\u00f3teses de forma\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda n\u00e3o se sabe como o planeta em torno do sistema bin\u00e1rio teria sido formado. Uma das hip\u00f3teses \u00e9 a de que o objeto se desenvolveu ao mesmo tempo que as duas estrelas, h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos. Nesse caso, seria um planeta de primeira gera\u00e7\u00e3o. Outra hip\u00f3tese \u00e9 a de que foi gerado a partir do g\u00e1s ejetado durante a morte da an\u00e3 branca \u2013 sendo, portanto, um planeta de segunda gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A confirma\u00e7\u00e3o de que se trata de um planeta de primeira ou segunda gera\u00e7\u00e3o e a sua dete\u00e7\u00e3o direta em torno desse sistema poder\u00e3o ocorrer quando entrar em opera\u00e7\u00e3o a nova gera\u00e7\u00e3o de telesc\u00f3pios gigantes com espelhos prim\u00e1rios maiores do que 20 metros. Entre eles, o Telesc\u00f3pio Gigante Magalh\u00e3es (GMT, em ingl\u00eas), no deserto do Atacama, no Chile, previsto para recolher a sua primeira luz em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A FAPESP vai investir 40 milh\u00f5es de d\u00f3lares no GMT, o que equivale a cerca de 4% do custo total estimado. O investimento garantir\u00e1 4% do tempo de opera\u00e7\u00e3o do telesc\u00f3pio para estudos realizados por pesquisadores de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estamos sondando 20 sistemas com possibilidade de gravitar corpos externos, como KIC10544976, e a maioria s\u00f3 \u00e9 observ\u00e1vel a partir do Hemisf\u00e9rio Sul. O GMT permitir\u00e1 fazer a dete\u00e7\u00e3o direta desses objetos e obter respostas importantes sobre a forma\u00e7\u00e3o, a evolu\u00e7\u00e3o e a possibilidade de vida nesses ambientes ex\u00f3ticos&#8221;, disse Almeida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/astronomos-encontram-evidencias-de-planeta-quase-13-vezes-maior-que-jupiter\/30085\/\" target=\"_blank\">\/\/ FAPESP (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ab0963\/meta\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1903.09637\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2019\/04\/190408161712.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-04-astronomers-evidence-planet-mass-jupiter.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/sites\/jamiecartereurope\/2019\/04\/09\/giant-planet-13-times-the-mass-of-jupiter-found-orbiting-in-an-exotic-red-stardead-star-system\/#1e6c51ce118b\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Forbes<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"http:\/\/planetquest.jpl.nasa.gov\/index.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PlanetQuest<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Kepler:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/kepler.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA (p\u00e1gina oficial)<\/a><br><a href=\"http:\/\/keplerscience.arc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">K2 (NASA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/kepler\/\">Arquivo de dados do Kepler<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/k2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados da miss\u00e3o K2<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>GMT (Giant Magellan Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.gmto.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Giant_Magellan_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores brasileiros identificam sinais robustos da exist\u00eancia de um objeto gigante na constela\u00e7\u00e3o do Cisne, orbitando um sistema bin\u00e1rio formado por uma estrela viva e outra morta.Cr\u00e9dito: Leandro Almeida Nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, foram descobertos quase 4 mil objetos semelhantes a um planeta situados fora do Sistema Solar \u2013 e por isso 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