{"id":1971,"date":"2019-04-05T05:19:04","date_gmt":"2019-04-05T05:19:04","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1971"},"modified":"2019-04-05T05:28:02","modified_gmt":"2019-04-05T05:28:02","slug":"vla-obtem-primeira-imagem-direta-de-caracteristica-principal-das-poderosas-galaxias-radio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/04\/05\/vla-obtem-primeira-imagem-direta-de-caracteristica-principal-das-poderosas-galaxias-radio\/","title":{"rendered":"VLA obt\u00e9m primeira imagem direta de caracter\u00edstica principal das poderosas gal\u00e1xias r\u00e1dio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos usaram o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation) para fazer a primeira imagem direta de uma caracter\u00edstica empoeirada, com a forma de um donut, em torno de um buraco negro supermassivo no n\u00facleo de uma das mais poderosas gal\u00e1xias r\u00e1dio do Universo &#8211; uma caracter\u00edstica pela primeira vez postulada pelos te\u00f3ricos h\u00e1 quase quatro d\u00e9cadas como parte essencial de tais objetos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas estudaram Cygnus A, uma gal\u00e1xia a cerca de 760 milh\u00f5es de anos-luz da Terra. A gal\u00e1xia abriga um buraco negro no seu n\u00facleo que \u00e9 2,5 mil milh\u00f5es de vezes mais massivo que o Sol. \u00c0 medida que a poderosa atra\u00e7\u00e3o gravitacional do buraco negro atrai material circundante, tamb\u00e9m impulsiona jatos supervelozes de material que viajam para fora quase \u00e0 velocidade da luz, produzindo &#8220;l\u00f3bulos&#8221; espetaculares e brilhantes de emiss\u00e3o r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os &#8220;motores centrais&#8221; movidos a buracos negros que produzem emiss\u00f5es brilhantes em v\u00e1rios comprimentos de onda, e jatos que se estendem muito al\u00e9m da gal\u00e1xia, s\u00e3o comuns nestes &#8220;universo-ilha&#8221;, mas mostram propriedades diferentes quando observados. Essas diferen\u00e7as levaram a uma variedade de nomes, como quasares, blazares ou gal\u00e1xias Seyfert. Para explicar as diferen\u00e7as, os te\u00f3ricos constru\u00edram um &#8220;modelo unificado&#8221; com um conjunto comum de caracter\u00edsticas que mostrariam propriedades diferentes dependendo do \u00e2ngulo a partir do qual s\u00e3o observados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/nrao19df01a.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"971\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DvytLub-971x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1972\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DvytLub-971x1024.jpg 971w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DvytLub-284x300.jpg 284w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DvytLub-768x810.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DvytLub.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 971px) 100vw, 971px\" \/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista do objeto poeirento, em forma de donut, em redor do buraco negro supermassivo, do disco de material que orbita o buraco negro, e dos jatos de material ejetados pelo disco no centro de uma gal\u00e1xia. Clique aqui para ver vers\u00e3o sem legendas. <br>Cr\u00e9dito: Bill Saxton, NRAO\/AUI\/NSF<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O modelo unificado inclui o buraco negro central, um disco girat\u00f3rio de material em queda e em redor do buraco negro e os jatos que se deslocam para fora dos polos do disco. Al\u00e9m disso, para explicar por que o mesmo tipo de objeto parece diferente quando visto de \u00e2ngulos diferentes, \u00e9 inclu\u00eddo um &#8220;toro&#8221; espesso, empoeirado e em forma de donut, rodeando as regi\u00f5es interiores. O toro obscurece algumas caracter\u00edsticas quando visto de lado, levando a diferen\u00e7as aparentes para o observador, mesmo para objetos intrinsecamente similares. Os astr\u00f3nomos geralmente denominam este conjunto comum de caracter\u00edsticas de n\u00facleo gal\u00e1ctico ativo (NGA).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O toro \u00e9 uma parte essencial do fen\u00f3meno dos NGAs e existem evid\u00eancias de tais estruturas em NGAs pr\u00f3ximos e de baixa luminosidade, mas nunca antes t\u00ednhamos visto um, diretamente, numa gal\u00e1xia r\u00e1dio t\u00e3o brilhante,&#8221; disse Chris Carilli, do NRAO (National Radio Astronomy Observatory). &#8220;O toro ajuda a explicar porque objetos conhecidos por nomes diferentes s\u00e3o, na verdade, a mesma coisa, apenas observados de uma perspetiva diferente,&#8221; acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na d\u00e9cada de 1950, os astr\u00f3nomos descobriram objetos que emitiam fortes ondas de r\u00e1dio, mas pareciam pontuais, semelhantes a estrelas distantes, quando mais tarde observados com telesc\u00f3pios \u00f3ticos. Em 1963, Maarten Schmidt, do Caltech, descobriu que um destes objetos era extremamente distante, e outras descobertas rapidamente se seguiram. Para explicar como estes objetos, denominados quasares, podiam ser t\u00e3o brilhantes, os te\u00f3ricos sugeriram que deveriam estar a aproveitar a tremenda energia gravitacional de buracos negros supermassivos. A combina\u00e7\u00e3o de buraco negro, do disco girat\u00f3rio, chamado disco de acre\u00e7\u00e3o, e dos jatos, foi apelidada de &#8220;motor central&#8221; respons\u00e1vel pelos prol\u00edficos fluxos energ\u00e9ticos do objeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mesmo tipo de motor central tamb\u00e9m parecia explicar o fluxo de outros tipos de objetos, incluindo gal\u00e1xias r\u00e1dio, blazares e Gal\u00e1xias Seyfert. No entanto, cada mostrava um conjunto diferente de propriedades. Os te\u00f3ricos trabalharam para desenvolver um &#8220;esquema de unifica\u00e7\u00e3o&#8221; com o intuito de explicar como a mesma coisa podia ter aspetos diferentes. Em 1977, o obscurecimento por poeira foi sugerido como um elemento desse esquema. Num artigo cient\u00edfico datado de 1982, Robert Antonucci, da Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa Barbara, apresentou um desenho de um toro opaco &#8211; um objeto em forma de donut &#8211; em torno do motor central. Daquele ponto em diante, o toro obscurecido permaneceu uma caracter\u00edstica comum da vis\u00e3o unificada dos astr\u00f3nomos sobre todos os tipos de n\u00facleos gal\u00e1cticos ativos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/nrao19df01d.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/fiXMxhJ.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Imagem VLA da regi\u00e3o central da poderosa gal\u00e1xia r\u00e1dio Cygnus A, mostrando o toro em forma de donut que rodeia o buraco negro e o disco de acre\u00e7\u00e3o. Clique <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/nrao19df01c.jpg\" target=\"_blank\">aqui<\/a>\u00a0para ver vers\u00e3o sem legendas.<br>Cr\u00e9dito: Carilli et al., NRAO\/AUI\/NSF <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Cygnus A \u00e9 o exemplo mais pr\u00f3ximo de uma poderosa gal\u00e1xia de emiss\u00e3o r\u00e1dio &#8211; 10 vezes mais pr\u00f3xima do que qualquer outra com uma emiss\u00e3o de r\u00e1dio comparativamente poderosa. Essa proximidade permitiu-nos encontrar, com o VLA, o toro numa imagem de alta resolu\u00e7\u00e3o do n\u00facleo da gal\u00e1xia,&#8221; afirmou Rick Perley, tamb\u00e9m do NRAO. &#8220;Investiga\u00e7\u00f5es adicionais deste tipo, em objetos mais fracos e mais distantes, quase certamente v\u00e3o exigir os melhoramentos em sensibilidade e resolu\u00e7\u00e3o propostos pelo ngVLA (Next Generation Very Large Array),&#8221; real\u00e7ou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As observa\u00e7\u00f5es do VLA revelaram diretamente o g\u00e1s no toro de Cygnus A, que tem um raio de aproximadamente 900 anos-luz. Os modelos de longa data para o toro sugerem que a poeira se encontra em nuvens embebidas no g\u00e1s, que \u00e9 um tanto ou quanto desajeitado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 muito bom finalmente ver evid\u00eancias diretas de algo que h\u00e1 muito presumimos estar l\u00e1,&#8221; disse Carilli. &#8220;Para determinar com mais precis\u00e3o a forma e a composi\u00e7\u00e3o deste toro, precisamos de fazer mais observa\u00e7\u00f5es. Por exemplo o ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array) pode observar nos comprimentos de onda que v\u00e3o revelar diretamente a poeira,&#8221; acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-vimeo wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"First Observation of Torus Surrounding the Supermassive Black Hole at the Core of Powerful Radio Galaxy\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/327945315?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"618\" height=\"348\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Carilli e Perley, juntamente com os colegas Vivek Dhawan, tamb\u00e9m do NRAO, e Daniel Perley da Universidade John Moores em Liverpool, Reino Unido, descobriram o toro quando acompanhavam a sua surpreendente descoberta, em 2016, de um novo objeto brilhante perto do centro de Cygnus A. Este novo objeto \u00e9 provavelmente, dizem, um segundo buraco negro supermassivo que s\u00f3 recentemente encontrou material novo para devorar, fazendo com que produzisse emiss\u00f5es brilhantes da mesma forma que o buraco negro central. A exist\u00eancia do segundo buraco negro, explicam, sugere que Cygnus A se fundiu com outra gal\u00e1xia no passado astronomicamente recente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cygnus A, assim chamado porque \u00e9 o mais poderoso objeto emissor de r\u00e1dio na constela\u00e7\u00e3o de Cisne, foi descoberto em 1946 pelo f\u00edsico e radioastr\u00f3nomo ingl\u00eas J.S. Hey. Foi correspondido, em 1951, a uma gal\u00e1xia gigante, no vis\u00edvel, por Walter Baade e Rudolf Minkowski. Tornou-se um alvo inicial do VLA pouco depois da sua conclus\u00e3o no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980. Imagens detalhadas de Cygnus A, pelo VLA, publicadas em 1984, produziram grandes avan\u00e7os na compreens\u00e3o de tais gal\u00e1xias pelos astr\u00f3nomos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas divulgaram os seus achados num artigo cient\u00edfico publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/key-feature-powerful-radio-galaxies\" target=\"_blank\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-04-vla-image-key-feature-powerful.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cygnus A:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/simbad.u-strasbg.fr\/simbad\/sim-id?Ident=cygnus+a&amp;NbIdent=1&amp;Radius=10&amp;Radius.unit=arcmin&amp;jsessionid=438E3017E7B32E5B20D6307C0AE6EB15\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SIMBAD<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cygnus_A\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>N\u00facleo gal\u00e1ctico ativo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Active_galactic_nucleus\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.vla.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ngVLA (Next Generation Very Large Array):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/ngvla.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/alma.mtk.nao.ac.jp\/e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos usaram o VLA (Karl G. 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