{"id":1959,"date":"2019-04-02T05:33:21","date_gmt":"2019-04-02T05:33:21","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1959"},"modified":"2019-04-02T05:33:23","modified_gmt":"2019-04-02T05:33:23","slug":"rios-fluiram-em-marte-durante-muito-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/04\/02\/rios-fluiram-em-marte-durante-muito-tempo\/","title":{"rendered":"Rios flu\u00edram em Marte durante muito tempo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muito tempo, em Marte, a \u00e1gua esculpiu leitos de rios profundos \u00e0 superf\u00edcie do planeta &#8211; mas ainda n\u00e3o sabemos que tipo de clima os alimentou. Os cientistas n\u00e3o t\u00eam a certeza porque a sua compreens\u00e3o do clima marciano, h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos, permanece incompleta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um novo estudo por cientistas da Universidade de Chicago catalogou esses rios para concluir que um escoamento significativo de rios persistiu em Marte durante mais tempo do que se pensava anteriormente. Segundo o estudo, publicado na edi\u00e7\u00e3o de 27 de mar\u00e7o da revista Science Advances, o escoamento foi intenso &#8211; os rios em Marte eram mais largos do que os da Terra de hoje &#8211; e ocorreram em centenas de locais no Planeta Vermelho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto complica a imagem para os cientistas que querem modelar o antigo clima marciano, disse o autor principal do estudo, Edwin Kite, professor assistente de ci\u00eancias geof\u00edsicas e especialista tanto da hist\u00f3ria de Marte quanto dos climas de outros mundos. &#8220;J\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil explicar rios ou lagos com base nas informa\u00e7\u00f5es que temos,&#8221; disse. &#8220;Isto torna um problema dif\u00edcil ainda mais complexo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"480\" height=\"270\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/giphy.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1960\"\/><figcaption>A linha tracejada assinala a posi\u00e7\u00e3o do canal de rio preservado.\nCr\u00e9dito: NASA\/JPL\/Universidade do Arizona\/Universidade de Chicago<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, disse, as restri\u00e7\u00f5es podem ser \u00fateis para analisar as muitas teorias que os investigadores propuseram para explicar o clima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marte \u00e9 atravessado por trilhas distintas de rios extintos h\u00e1 muito tempo. As naves da NASA tiraram fotos de centenas destes rios a partir de \u00f3rbita e, quando o rover Curiosity pousou em 2012, enviou imagens de seixos arredondados durante muito tempo no fundo de um rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o porqu\u00ea de Marte, no passado, ter tido \u00e1gua l\u00edquida, \u00e9 um enigma. Marte tem hoje uma atmosfera extremamente fina e no in\u00edcio da sua hist\u00f3ria tamb\u00e9m recebia apenas um-ter\u00e7o da luz solar que a Terra de hoje recebe, o que n\u00e3o deveria fornecer calor suficiente para manter a \u00e1gua l\u00edquida. &#8220;De facto, mesmo no passado de Marte, quando havia \u00e1gua suficiente para a exist\u00eancia de rios durante algum tempo, os dados indicam que Marte era extremamente frio e seco no tempo restante,&#8221; explicou Kite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Procurando uma melhor compreens\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o marciana, Kite e colegas analisaram fotografias e modelos de eleva\u00e7\u00e3o de mais de 200 antigos leitos de rios marcianos, abrangendo mais de mil milh\u00f5es de anos. Estes leitos de rio s\u00e3o uma rica fonte de pistas sobre a \u00e1gua que os atravessou e o clima que os produziu. Por exemplo, a largura e a inclina\u00e7\u00e3o dos leitos dos rios e o tamanho do cascalho informam os cientistas sobre a for\u00e7a do fluxo da \u00e1gua e a quantidade de cascalho restringe o volume de \u00e1gua que passa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua an\u00e1lise mostra evid\u00eancias claras de escoamento persistente e forte que ocorreu no \u00faltimo est\u00e1gio do clima h\u00famido,&#8221; acrescentou Kite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados fornecem orienta\u00e7\u00e3o para aqueles que tentam reconstruir o clima marciano, disse Kite. Por exemplo, o tamanho dos rios implica que a \u00e1gua estava a fluir continuamente, n\u00e3o apenas ao meio-dia, de modo que os modeladores clim\u00e1ticos precisam de explicar um forte efeito de estufa para manter o clima aquecido o suficiente para temperaturas diurnas m\u00e9dias acima do ponto de congelamento da \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os rios tamb\u00e9m mostram forte fluxos at\u00e9 ao &#8220;\u00faltimo minuto&#8221; geol\u00f3gico antes do clima h\u00famido ter secado. &#8220;Esperar\u00edamos que diminu\u00edssem gradualmente com o tempo, mas n\u00e3o \u00e9 isso que vemos,&#8221; real\u00e7a Kite. Os rios ficam mais curtos &#8211; centenas de quil\u00f3metros, em vez de milhares -, mas a descarga ainda \u00e9 forte. &#8220;O dia mais chuvoso do ano ainda \u00e9 muito molhado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel que o clima tenha tido uma esp\u00e9cie de interruptor &#8216;ligado\/desligado&#8217;,&#8221; especulou Kite, que oscila entre os ciclos secos e molhados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso trabalho responde a algumas perguntas existentes, mas levanta uma nova. O que est\u00e1 errado: os modelos clim\u00e1ticos, os modelos de evolu\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica ou a nossa compreens\u00e3o b\u00e1sica da cronologia do Sistema Solar interior?&#8221;, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.uchicago.edu\/story\/rivers-raged-mars-late-its-history\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Chicago (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/5\/3\/eaav7710\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rover Curiosity (MSL):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/msl\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/mars.jpl.nasa.gov\/msl\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MarsCuriosity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/marscuriosity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_Science_Laboratory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito tempo, em Marte, a \u00e1gua esculpiu leitos de rios profundos \u00e0 superf\u00edcie do planeta &#8211; mas ainda n\u00e3o sabemos que tipo de clima os alimentou. 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