{"id":1955,"date":"2019-03-29T06:35:32","date_gmt":"2019-03-29T06:35:32","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1955"},"modified":"2019-03-29T06:35:34","modified_gmt":"2019-03-29T06:35:34","slug":"instrumento-gravity-abre-novos-caminhos-na-obtencao-de-imagens-de-exoplanetas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/03\/29\/instrumento-gravity-abre-novos-caminhos-na-obtencao-de-imagens-de-exoplanetas\/","title":{"rendered":"Instrumento GRAVITY abre novos caminhos na obten\u00e7\u00e3o de imagens de exoplanetas"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso1905a.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"438\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/eso1905a.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1956\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/eso1905a.jpg 700w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/eso1905a-300x188.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><figcaption>O instrumento GRAVITY montado no VLTI (Interfer\u00f3metro do Very Large Telescope) do ESO obteve a sua primeira observa\u00e7\u00e3o direta de um exoplaneta, utilizando interferometria \u00f3tica. Este m\u00e9todo revelou uma atmosfera exoplanet\u00e1ria complexa com nuvens de ferro e silicatos no seio de uma tempestade que engloba todo o planeta. Esta t\u00e9cnica apresenta possibilidades \u00fanicas para caracterizar muitos dos exoplanetas que se conhecem atualmente. Esta imagem art\u00edstica mostra o exoplaneta observado, HR 8799e.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/L. Cal\u00e7ada<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O instrumento GRAVITY montado no VLTI (Interfer\u00f3metro do Very Large Telescope) do ESO obteve a sua primeira observa\u00e7\u00e3o direta de um exoplaneta, utilizando interferometria \u00f3tica. Este m\u00e9todo revelou uma atmosfera exoplanet\u00e1ria complexa com nuvens de ferro e silicatos no seio de uma tempestade que engloba todo o planeta. Esta t\u00e9cnica apresenta possibilidades \u00fanicas para caracterizar muitos dos exoplanetas que se conhecem atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este resultado foi anunciado numa carta \u00e0 revista Astronomy &amp; Astrophysics pela Colabora\u00e7\u00e3o GRAVITY, na qual foram apresentadas observa\u00e7\u00f5es do exoplaneta HR 8799e usando interferometria \u00f3tica. Este exoplaneta foi descoberto em 2010 em \u00f3rbita de uma estrela jovem de sequ\u00eancia principal, HR 8799, situada a cerca de 129 anos-luz de dist\u00e2ncia da Terra na constela\u00e7\u00e3o de P\u00e9gaso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados, que revelam novas caracter\u00edsticas de HR 8799e, necessitaram de um instrumento de muito alta resolu\u00e7\u00e3o e sensibilidade. O GRAVITY pode usar os quatro Telesc\u00f3pios Principais do VLT do ESO em un\u00edssono como se de um \u00fanico telesc\u00f3pio enorme se tratassem, utilizando uma t\u00e9cnica conhecida por interferometria. Este supertelesc\u00f3pio \u2014 o VLTI \u2014 recolhe e separa de forma precisa a radia\u00e7\u00e3o emitida pela atmosfera de HR 8799e e a radia\u00e7\u00e3o emitida pela sua estrela progenitora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso0111f.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/thumb700x\/eso0111f.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Vista a\u00e9rea da plataforma de observa\u00e7\u00e3o situada no topo da montanha Paranal (por volta de finais de 1999), com as quatro c\u00fapulas dos Telesc\u00f3pios Principais de 8,2 metros e v\u00e1rias instala\u00e7\u00f5es para o VLTI (Interfer\u00f3metro do Very Large Telescope). Sobrepostos sobre a imagem est\u00e3o tr\u00eas Telesc\u00f3pios Auxiliares (ATs) de 1,8 metros e o percurso dos raios luminosos. Podemos ver tamb\u00e9m 30 posi\u00e7\u00f5es onde os ATs s\u00e3o colocados para as observa\u00e7\u00f5es e donde os raios luminosos vindos dos telesc\u00f3pios podem entrar no T\u00fanel Interferom\u00e9trico situado por baixo. As estruturas direitas s\u00e3o suportes para os carris onde os telesc\u00f3pios se deslocam de uma posi\u00e7\u00e3o para outra. O Laborat\u00f3rio Interferom\u00e9trico (parcialmente subterr\u00e2neo) encontra-se no centro da plataforma.<br>Cr\u00e9dito: ESO <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HR 8799e \u00e9 um exoplaneta do tipo &#8220;super-J\u00fapiter&#8221;, um mundo diferente de qualquer um dos planetas existentes no Sistema Solar, j\u00e1 que \u00e9 mais massivo e muito mais jovem do que qualquer dos planetas que orbita o nosso Sol. Com apenas 30 milh\u00f5es de anos, este exoplaneta beb\u00e9 \u00e9 suficientemente jovem para dar aos astr\u00f3nomos pistas sobre a forma\u00e7\u00e3o de planetas e sistemas planet\u00e1rios. O exoplaneta \u00e9 completamente in\u00f3spito \u2014 a energia que restou da sua forma\u00e7\u00e3o e um forte efeito de estufa fazem com que HR 8799e apresente uma temperatura de cerca de 1000\u00ba C \u00e0 sua superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta \u00e9 a primeira vez que interferometria \u00f3tica \u00e9 utilizada para revelar detalhes sobre um exoplaneta e a nova t\u00e9cnica deu-nos um espectro extremamente detalhado com uma qualidade sem precedentes \u2014 dez vezes mais detalhado do que observa\u00e7\u00f5es anteriores. As medi\u00e7\u00f5es levadas a cabo pela equipa revelaram a composi\u00e7\u00e3o da atmosfera de HR 8799e \u2014 a qual cont\u00e9m algumas surpresas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A nossa an\u00e1lise mostrou que HR 8799e tem uma atmosfera que cont\u00e9m muito mais mon\u00f3xido de carbono do que metano \u2014 algo que n\u00e3o se espera do equil\u00edbrio qu\u00edmico,&#8221; explica o l\u00edder da equipa Sylvestre Lacour, investigador do CNRS no Observat\u00f3rio de Paris &#8211; PSL e no Instituto Max Planck de F\u00edsica Extraterrestre. &#8220;A melhor maneira de explicar este resultado surpreendente \u00e9 com elevados ventos verticais no seio da atmosfera, os quais impedem o mon\u00f3xido de carbono de reagir com o hidrog\u00e9nio para formar metano.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso0020b.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/thumb700x\/eso0020b.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Esquema do Interfer\u00f3metro do VLT. A radia\u00e7\u00e3o emitida por um objeto celeste distante \u00e9 recolhida por dois dos telesc\u00f3pios do VLT e \u00e9 refletida por v\u00e1rios espelhos para o T\u00fanel Interferom\u00e9trico, situado por baixo da plataforma do Paranal. Duas Linhas de Atraso com carruagens amov\u00edveis ajustam continuamente o comprimento dos percursos, de modo a que os dois raios interfiram de maneira construtiva e produzam franjas de interfer\u00eancia no foco interferom\u00e9trico no laborat\u00f3rio.<br>Cr\u00e9dito: ESO<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa descobriu que a atmosfera cont\u00e9m igualmente nuvens de poeira de ferro e silicatos. Quando combinado com o excesso de mon\u00f3xido de carbono, este facto sugere-nos que a atmosfera de HR 8799e esteja a sofrer os efeitos de uma enorme e violenta tempestade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As nossas observa\u00e7\u00f5es sugerem uma bola de g\u00e1s iluminada do interior, com raios de luz quente em movimento nas nuvens escuras tempestuosas,&#8221; explica Lacour. &#8220;A convec\u00e7\u00e3o faz movimentar as nuvens de part\u00edculas de ferro e silicatos, que se desagregam provocando chuva no interior. Este cen\u00e1rio mostra-nos uma atmosfera din\u00e2mica num exoplaneta gigante acabado de formar, onde ocorrem processos f\u00edsicos e qu\u00edmicos altamente complexos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este resultado junta-se ao j\u00e1 impressionante conjunto de descobertas feitas com o aux\u00edlio do GRAVITY, as quais incluem a observa\u00e7\u00e3o do ano passado de g\u00e1s a espiralar com uma velocidade de 30% da velocidade da luz na regi\u00e3o logo a seguir ao horizonte de eventos do buraco negro supermassivo que se situa no Centro Gal\u00e1ctico. Este novo resultado acrescenta mais uma maneira de observar exoplanetas ao j\u00e1 extenso arsenal de m\u00e9todos dispon\u00edveis aos telesc\u00f3pios e instrumentos do ESO \u2014 abrindo caminho a muitas outras descobertas impressionantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso1905\" target=\"_blank\">\/\/ ESO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/abs\/2019\/03\/aa35253-19\/aa35253-19.html\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.blahblah.blah\/\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (PDF)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>HR 8799e:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/newworldsatlas\/1711\/hr-8799-e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/hr_8799_e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/planet\/HR%208799%20e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/HR_8799_e\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>HR 8799:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/HR_8799\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/exoplanet.eu\/star.php?st=HR+8799\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"http:\/\/planetquest.jpl.nasa.gov\/index.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PlanetQuest<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/projects\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O instrumento GRAVITY montado no VLTI (Interfer\u00f3metro do Very Large Telescope) do ESO obteve a sua primeira observa\u00e7\u00e3o direta de um exoplaneta, utilizando interferometria \u00f3tica. 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