{"id":1949,"date":"2019-03-29T06:27:15","date_gmt":"2019-03-29T06:27:15","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1949"},"modified":"2019-03-29T06:27:17","modified_gmt":"2019-03-29T06:27:17","slug":"disparos-laser-mostram-que-o-bombardeamento-de-asteroides-e-o-hidrogenio-sao-bons-ingredientes-para-a-receita-da-vida-em-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/03\/29\/disparos-laser-mostram-que-o-bombardeamento-de-asteroides-e-o-hidrogenio-sao-bons-ingredientes-para-a-receita-da-vida-em-marte\/","title":{"rendered":"Disparos laser mostram que o bombardeamento de asteroides e o hidrog\u00e9nio s\u00e3o bons &#8220;ingredientes&#8221; para a &#8220;receita&#8221; da vida em Marte"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um novo estudo revela que os impactos de asteroides no passado de Marte podem ter produzido ingredientes essenciais para a vida caso a atmosfera marciana tenha sido rica em hidrog\u00e9nio. Uma atmosfera inicial rica em hidrog\u00e9nio tamb\u00e9m explicaria como o planeta permaneceu habit\u00e1vel depois da sua atmosfera ter ficado mais fina. O estudo usou dados do rover Curiosity da NASA e foi realizado por investigadores da equipa do instrumento SAM (Sample Anaylsis at Mars) do Curiosity e por colegas internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes ingredientes-chave s\u00e3o nitritos (NO2-) e nitratos (NO3-), formas fixas de azoto que s\u00e3o importantes para o estabelecimento e sustentabilidade da vida como a conhecemos. O Curiosity descobriu estes elementos em amostras de solo e rocha ao atravessar a Cratera Gale, local de antigos lagos e sistemas de \u00e1guas subterr\u00e2neas em Marte.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/curiosity-gale-crater-1920x1200.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"616\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/KpY1c9A.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1950\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/KpY1c9A.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/KpY1c9A-300x188.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/KpY1c9A-768x480.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>Este auto-retrato do rover Curiosity da NASA mostra o ve\u00edculo na Cratera Gale em Marte. O norte est\u00e1 para a esquerda e o oeste \u00e0 direita, os limites da Cratera Gale em ambos os lados. Este mosaico foi montado a partir de d\u00fazias de imagens obtidas pelo instrumento MAHLI (Mars Hands Lens Imager) do Curiosity. Foram todas captadas no dia 23 de janeiro de 2018, durante o sol 1943.\nCr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/MSSS<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para compreender como o azoto fixado pode ter sido depositado na cratera, os cientistas precisaram de recriar a atmosfera primitiva de Marte aqui na Terra. o estudo, liderado pelo Dr. Rafael Navarro-Gonz\u00e1lez e pela sua equipa de cientistas do Instituto de Ci\u00eancias Nucleares da Universidade Nacional Aut\u00f3noma do M\u00e9xico, na Cidade do M\u00e9xico, usou uma combina\u00e7\u00e3o de modelos te\u00f3ricos e dados experimentais para investigar o papel do hidrog\u00e9nio na altera\u00e7\u00e3o de azoto em nitritos e nitratos usando a energia de impactos de asteroide. O artigo foi publicado na edi\u00e7\u00e3o de janeiro da revista Journal of Geophysical Research: Planets.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No laborat\u00f3rio, o grupo usou pulsos laser para simular as ondas de choque altamente energ\u00e9ticas criadas por asteroides que colidem com a atmosfera. Os pulsos foram focados num frasco contendo misturas dos gases hidrog\u00e9nio, azoto e di\u00f3xido de carbono, representando a atmosfera primitiva de Marte. Ap\u00f3s os pulsos laser, a mistura resultante foi analisada para determinar a quantidade de nitratos formados. Os resultados foram, no m\u00ednimo, surpreendentes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/simulation_of_bolide_impacts_with_laser-navarro.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/ljK5owW.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Uma por\u00e7\u00e3o da configura\u00e7\u00e3o experimental que Rafael Navarro-Gonz\u00e1lez, astrobi\u00f3logo do Instituto de Ci\u00eancias Nucleares da Universidade Nacional Aut\u00f3noma do M\u00e9xico, na Cidade do M\u00e9xico, coinvestigador do SAM, e sua equipa de cientistas usaram para simular impactos de asteroides na atmosfera primitiva de Marte. O frasco (centro) cont\u00e9m uma composi\u00e7\u00e3o dos gases di\u00f3xido de carbono, azoto e hidrog\u00e9nio. Um laser infravermelho de alta intensidade est\u00e1 focado no frasco gra\u00e7as a uma lente (esquerda), para simular as ondas de choque altamente energ\u00e9ticas produzidas pelos asteroides que entram na atmosfera marciana. O g\u00e1s e ent\u00e3o evacuado do frasco e analisado para determinar a composi\u00e7\u00e3o e n\u00edveis de fixa\u00e7\u00e3o de azoto.<br>Cr\u00e9dito: Rafael Navarro-Gonz\u00e1lez <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A grande surpresa foi que a quantidade de nitrato aumentou quando o hidrog\u00e9nio foi inclu\u00eddo nas experi\u00eancias que simularam os impactos de asteroides,&#8221; disse Navarro-Gonz\u00e1lez. &#8220;Isto foi contraintuitivo, j\u00e1 que o hidrog\u00e9nio leva a um ambiente pobre em oxig\u00e9nio, enquanto a forma\u00e7\u00e3o de nitratos requer oxig\u00e9nio. No entanto, a presen\u00e7a de hidrog\u00e9nio levou a um arrefecimento mais r\u00e1pido do g\u00e1s aquecido pelo choque, prendendo \u00f3xido n\u00edtrico, o percursor do nitrato, a temperaturas elevadas onde a sua quantidade produzida era maior.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora estas experi\u00eancias tenham sido realizadas num ambiente controlado de laborat\u00f3rio, a milh\u00f5es de quil\u00f3metros do Planeta Vermelho, os cientistas queriam simular os resultados obtidos com o Curiosity usando o instrumento SAM. O SAM recolhe amostras perfuradas de rochas ou tiradas da superf\u00edcie pelo bra\u00e7o mec\u00e2nico do rover e &#8220;cozinha-as&#8221; para examinar as impress\u00f5es digitais qu\u00edmicas dos gases libertados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O SAM, a bordo do Curiosity, foi o primeiro instrumento a detetar nitrato em Marte,&#8221; disse Christopher McKay, coautor do artigo do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, no estado norte-americano da Calif\u00f3rnia. &#8220;Devido aos baixos n\u00edveis de azoto gasoso na atmosfera, o nitrato \u00e9 a \u00fanica forma biologicamente \u00fatil de azoto em Marte. Assim, a sua presen\u00e7a no solo \u00e9 de grande import\u00e2ncia astrobiol\u00f3gica. Este artigo cient\u00edfico ajuda-nos a entender as poss\u00edveis fontes desse nitrato.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Porque \u00e9 que os efeitos do hidrog\u00e9nio s\u00e3o t\u00e3o fascinantes? Embora a superf\u00edcie de Marte seja hoje fria e in\u00f3spita, os cientistas pensam que uma atmosfera mais espessa, enriquecida com gases de efeito estufa, como di\u00f3xido de carbono e vapor de \u00e1gua, pode ter aquecido o planeta no passado. Alguns modelos clim\u00e1ticos mostram que pode ter sido necess\u00e1ria a adi\u00e7\u00e3o de hidrog\u00e9nio na atmosfera a fim de elevar a temperatura o suficiente para ter \u00e1gua l\u00edquida \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ter mais hidrog\u00e9nio como g\u00e1s de efeito estufa na atmosfera \u00e9 interessante tanto para a hist\u00f3ria clim\u00e1tica de Marte quanto para a sua habitabilidade,&#8221; acrescentou Jennifer Stern, geoqu\u00edmica planet\u00e1ria do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA, coinvestigadora do estudo. &#8220;Se temos uma liga\u00e7\u00e3o entre duas coisas boas para a habitabilidade &#8211; um clima potencialmente mais quente com \u00e1gua l\u00edquida \u00e0 superf\u00edcie e um aumento na produ\u00e7\u00e3o de nitratos, que s\u00e3o necess\u00e1rios para a vida &#8211; \u00e9 muito emocionante. Os resultados deste estudo sugerem que estes dois itens, que s\u00e3o importantes para a vida, encaixam juntos e melhoram a presen\u00e7a um do outro.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo que a composi\u00e7\u00e3o da atmosfera primitiva de Marte continue a ser um mist\u00e9rio, estes resultados podem fornecer mais pe\u00e7as para resolver este enigma clim\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2019\/mars-hydrogen\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1029\/2018JE005852\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Journal of Geophysical Research: Planets)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rover Curiosity (MSL):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/msl\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/mars.jpl.nasa.gov\/msl\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MarsCuriosity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/marscuriosity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Twitter<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_Science_Laboratory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo revela que os impactos de asteroides no passado de Marte podem ter produzido ingredientes essenciais para a vida caso a atmosfera marciana tenha sido rica em hidrog\u00e9nio. 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