{"id":1922,"date":"2019-03-22T06:23:00","date_gmt":"2019-03-22T06:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1922"},"modified":"2019-03-22T06:38:25","modified_gmt":"2019-03-22T06:38:25","slug":"testemunhando-o-nascimento-de-um-sistema-binario-massivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/03\/22\/testemunhando-o-nascimento-de-um-sistema-binario-massivo\/","title":{"rendered":"Testemunhando o nascimento de um sistema bin\u00e1rio massivo"},"content":{"rendered":"\n<p>Cientistas do Grupo RIKEN para Investiga\u00e7\u00e3o Pioneira no Jap\u00e3o, da Universidade Chalmers de Tecnologia na Su\u00e9cia, da Universidade da Virg\u00ednia nos EUA e colaboradores usaram o ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array) para observar uma nuvem molecular que est\u00e1 em colapso para formar duas protoestrelas massivas que acabar\u00e3o por se tornar num sistema estelar bin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora se saiba que a maioria das estrelas massivas possuem companheiras estelares em \u00f3rbita, n\u00e3o se tem a certeza de como isso acontece &#8211; por exemplo, se as estrelas nascem juntas num disco espiral comum no centro de uma nuvem em colapso, ou se se agrupam mais tarde gra\u00e7as a encontros aleat\u00f3rios num enxame estelar lotado.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem sido dif\u00edcil compreender a din\u00e2mica da forma\u00e7\u00e3o de bin\u00e1rios porque as protoestrelas nestes sistemas ainda est\u00e3o envolvidas numa nuvem espessa de g\u00e1s e poeira que impede a maior parte da luz de escapar. Felizmente, \u00e9 poss\u00edvel v\u00ea-las usando ondas de r\u00e1dio, desde que possam ser visualizadas com resolu\u00e7\u00e3o espacial suficientemente alta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/figure1_2.jpeg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"680\" height=\"537\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/figure1_2-680x537.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1923\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/figure1_2-680x537.jpg 680w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/figure1_2-680x537-300x237.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><\/a><figcaption>Imagem ALMA da regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar IRAS07299 e do sistema bin\u00e1rio massivo no seu centro. A imagem de fundo mostra correntes densas de g\u00e1s e poeira (verde) que parecem fluir para o centro. Os movimentos do g\u00e1s, tra\u00e7ados pela mol\u00e9cula metanol, na nossa dire\u00e7\u00e3o, est\u00e3o a azul; os movimentos na dire\u00e7\u00e3o oposta est\u00e3o a vermelho. A inser\u00e7\u00e3o mostra uma amplia\u00e7\u00e3o do massivo bin\u00e1rio em forma\u00e7\u00e3o, com a protoestrela prim\u00e1ria e mais brilhante movendo-se na nossa dire\u00e7\u00e3o mostrada a azul e a protoestrela secund\u00e1ria, mais t\u00e9nue, movendo-se para longe de n\u00f3s, mostrada a vermelho. As linhas pontilhadas mostram um exemplo das \u00f3rbitas da prim\u00e1ria e secund\u00e1ria espiralando em torno do seu centro de massa (assinalado pela cruz).\nCr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO); RIKEN, Zhang et al.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na investiga\u00e7\u00e3o atual, publicada na revista Nature Astronomy, os cientistas liderados por Yichen Zhang do Grupo RIKEN para Investiga\u00e7\u00e3o Pioneira e Jonathan C. Tan da Universidade Chalmers e da Universidade da Virg\u00ednia, usaram o ALMA para observar, em alta resolu\u00e7\u00e3o espacial, uma regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar conhecida como IRAS07299-1651, localizada a 1,68 kiloparsecs, cerca de 5500 anos-luz.<\/p>\n\n\n\n<p>As observa\u00e7\u00f5es mostraram que j\u00e1 neste est\u00e1gio inicial, a nuvem cont\u00e9m dois objetos, uma estrela central massiva e &#8220;prim\u00e1ria&#8221; e outra estrela &#8220;secund\u00e1ria&#8221; em forma\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m com massa elevada. Pela primeira vez, a equipa de investiga\u00e7\u00e3o foi capaz de usar estas observa\u00e7\u00f5es para deduzir a din\u00e2mica do sistema. As observa\u00e7\u00f5es mostraram que as duas estrelas em forma\u00e7\u00e3o est\u00e3o separadas por uma dist\u00e2ncia de aproximadamente 180 UA (1 UA, ou unidade astron\u00f3mica, \u00e9 a dist\u00e2ncia entre a Terra e o Sol). Portanto, est\u00e3o bem distantes. Atualmente orbitam-se uma \u00e0 outra com um per\u00edodo de no m\u00e1ximo de 600 anos e t\u00eam uma massa total de pelo menos 18 vezes a do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Zhang, &#8220;esta \u00e9 uma descoberta empolgante porque h\u00e1 muito que estamos perplexos com a quest\u00e3o de se as estrelas se transformam em bin\u00e1rios durante o colapso inicial da nuvem de forma\u00e7\u00e3o estelar ou se s\u00e3o criados durante os est\u00e1gios posteriores. As nossas observa\u00e7\u00f5es mostram claramente que a divis\u00e3o em estrelas duplas ocorre no in\u00edcio, enquanto ainda est\u00e3o na sua inf\u00e2ncia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/channelmap.gif\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/channelmap.gif\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Anima\u00e7\u00e3o composta por imagens obtidas pelo ALMA que mostram as correntes de g\u00e1s, tra\u00e7adas pela mol\u00e9cula metanol, com diferentes cores que indicam velocidades diferentes, em redor da massiva protoestrela bin\u00e1ria. A imagem cinzenta de fundo mostra a distribui\u00e7\u00e3o geral, de todas as velocidades, da emiss\u00e3o da poeira presente nas densas correntes de g\u00e1s.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO); RIKEN, Zhang et al. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Outra descoberta do estudo foi que as estrelas bin\u00e1rias est\u00e3o sendo estimuladas a partir de um disco comum alimentado pela nuvem em colapso e isto favorece um cen\u00e1rio no qual a estrela secund\u00e1ria do bin\u00e1rio se formou como resultado da fragmenta\u00e7\u00e3o do disco originalmente em redor da prim\u00e1ria. Isto permite que a protoestrela secund\u00e1ria, inicialmente mais pequena, &#8220;roube&#8221; mat\u00e9ria da sua irm\u00e3 e eventualmente emergem como &#8220;g\u00e9meas&#8221; bastante semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Tan acrescenta: &#8220;Este \u00e9 um resultado importante para entender o nascimento das estrelas massivas. Estas s\u00e3o importantes em todo o Universo pois produzem, no final das suas vidas, os elementos pesados que comp\u00f5em a nossa Terra e que est\u00e3o nos nossos corpos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Zhang conclui: &#8220;O que \u00e9 importante agora \u00e9 observar outros exemplos para ver se esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o \u00fanica ou algo que \u00e9 comum no nascimento de todas as estrelas massivas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.blahblah.blah\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio ALMA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/2019-alma-image-spiral-stars\/\" target=\"_blank\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-019-0718-y\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1903.07532\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<strong>N<\/strong><br><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protostar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Protoestrela (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/alma.mtk.nao.ac.jp\/e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas do Grupo RIKEN para Investiga\u00e7\u00e3o Pioneira no Jap\u00e3o, da Universidade Chalmers de Tecnologia na Su\u00e9cia, da Universidade da Virg\u00ednia nos EUA e colaboradores usaram o ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array) para observar uma nuvem molecular que est\u00e1 em colapso para formar duas protoestrelas massivas que acabar\u00e3o por se tornar num sistema estelar bin\u00e1rio. 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