{"id":1907,"date":"2019-03-15T06:33:34","date_gmt":"2019-03-15T06:33:34","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1907"},"modified":"2019-03-15T06:34:03","modified_gmt":"2019-03-15T06:34:03","slug":"o-que-os-cientistas-descobriram-depois-de-peneirar-poeira-no-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/03\/15\/o-que-os-cientistas-descobriram-depois-de-peneirar-poeira-no-sistema-solar\/","title":{"rendered":"O que os cientistas descobriram depois de &#8220;peneirar&#8221; poeira no Sistema Solar"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/dust_ring_illo_final.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"985\" height=\"614\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/IFix7Ik.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1908\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/IFix7Ik.jpg 985w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/IFix7Ik-300x187.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/IFix7Ik-768x479.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/a><figcaption>Nesta ilustra\u00e7\u00e3o, v\u00e1rios an\u00e9is de poeira rodeiam o Sol. Estes an\u00e9is formam-se quando as gravidades dos planetas puxam gr\u00e3os de poeira para \u00f3rbita em torno do Sol. Recentemente, os cientistas detetaram um anel de poeira na \u00f3rbita de Merc\u00fario. Outros teorizam que a fonte do anel de poeira de V\u00e9nus \u00e9 um grupo de asteroides co-orbitais ainda n\u00e3o detetados.\nCr\u00e9dito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA\/Mary Pat Hrybyk-Keith<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Assim como a poeira se acumula nos cantos e nas estantes das nossas casas, a poeira tamb\u00e9m se acumula no espa\u00e7o. Mas quando a poeira assenta no Sistema Solar, \u00e9 muitas vezes em an\u00e9is. Existem v\u00e1rios an\u00e9is de poeira em torno do Sol. Os an\u00e9is tra\u00e7am as \u00f3rbitas dos planetas, cuja gravidade puxa a poeira para o espa\u00e7o em redor do Sol, \u00e0 medida que se desloca a caminho do centro do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>A poeira consiste de remanescentes esmagados da forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar, h\u00e1 cerca de 4,6 mil milh\u00f5es de anos &#8211; entulho de colis\u00f5es de asteroides ou &#8220;migalhas&#8221; de cometas. A poeira encontra-se dispersada por todo o Sistema Solar, mas acumula-se em an\u00e9is granulosos sobrepostos \u00e0s \u00f3rbitas da Terra e V\u00e9nus, an\u00e9is que podem ser vistos com telesc\u00f3pios na Terra. Ao estudar esta poeira &#8211; a sua composi\u00e7\u00e3o, origem e como se desloca pelo espa\u00e7o &#8211; os cientistas procuram pistas para entender o nascimento dos planetas e a composi\u00e7\u00e3o de tudo o que vemos no Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois estudos recentes relatam novas descobertas de an\u00e9is de poeira no Sistema Solar interior. Um estudo usa dados da NASA para tra\u00e7ar evid\u00eancias de um anel de poeira, em redor do Sol, na \u00f3rbita de Merc\u00fario. Um segundo estudo da NASA identifica a prov\u00e1vel fonte do anel de poeira na \u00f3rbita de V\u00e9nus: um grupo de asteroides nunca antes detetados em co-\u00f3rbita com o planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 todos os dias que descobrimos algo novo no Sistema Solar interior,&#8221; comentou Marc Kuchner, autor do estudo de V\u00e9nus e astrof\u00edsico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. &#8220;Est\u00e1 na nossa vizinhan\u00e7a.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Outro anel em redor do Sol<\/h4>\n\n\n\n<p>Guillermo Stenborg e Russell Howard, ambos cientistas solares no Laborat\u00f3rio de Pesquisa Naval em Washington, DC, n\u00e3o se propuseram encontrar um anel de poeira. &#8220;Encontr\u00e1mo-lo por acaso,&#8221; disse Stenborg, rindo. Os cientistas resumiram as suas descobertas num artigo publicado na revista The Astrophysical Journal de dia 21 de novembro de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles descrevem evid\u00eancias de uma fina neblina de poeira c\u00f3smica sobre a \u00f3rbita de Merc\u00fario, formando um anel com aproximadamente 15 milh\u00f5es de quil\u00f3metros de largura. Merc\u00fario &#8211; com menos de 4880 km de di\u00e2metro &#8211; percorre esta vasta trilha de poeira enquanto orbita o Sol.<\/p>\n\n\n\n<p>Ironicamente, os dois cientistas trope\u00e7aram no anel de poeira enquanto procuravam evid\u00eancias de uma regi\u00e3o livre de poeira perto do Sol. A certa dist\u00e2ncia do Sol, de acordo com uma previs\u00e3o j\u00e1 com d\u00e9cadas, o poderoso calor da nossa estrela deveria vaporizar a poeira, varrendo completamente toda uma extens\u00e3o do espa\u00e7o. A determina\u00e7\u00e3o desta fronteira pode dizer aos cientistas mais sobre a composi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria poeira e fornecer pistas de como os planetas se formaram no Sistema Solar jovem.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora, n\u00e3o foi encontrada nenhuma evid\u00eancia de espa\u00e7o livre de poeira, mas isso \u00e9 em parte porque seria dif\u00edcil de detetar a partir da Terra. Independentemente de como os cientistas observem a partir da Terra, toda a poeira entre n\u00f3s e o Sol fica no caminho, enganando-os a pensar que talvez o espa\u00e7o mais perto do Sol possua mais poeira do que realmente tem.<\/p>\n\n\n\n<p>Stenborg e Howard pensaram que podiam contornar este problema construindo um modelo baseado em imagens do espa\u00e7o interplanet\u00e1rio obtidas pela miss\u00e3o STEREO (Solar and Terrestrial Relations Observatory).<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, os dois queriam testar o seu novo modelo em prepara\u00e7\u00e3o para a Parker Solar Probe da NASA, atualmente numa \u00f3rbita altamente el\u00edptica em torno do Sol, passando cada vez mais perto do Sol ao longo dos pr\u00f3ximos sete anos. Queriam aplicar a sua t\u00e9cnica \u00e0s imagens que a Parker envia para a Terra e ver como a poeira perto do Sol se comporta.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas nunca trabalharam com dados recolhidos neste territ\u00f3rio inexplorado, t\u00e3o perto do Sol. Modelos como o de Stenborg e Howard fornecem um contexto crucial para a compreens\u00e3o das observa\u00e7\u00f5es da Parker Solar Probe, al\u00e9m de informar em que tipo de ambiente espacial a nave se encontra &#8211; limpo ou &#8220;sujo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/SzP95q1.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/SzP95q1.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Os cientistas pensam que os planetas come\u00e7am como meros gr\u00e3os de poeira. Emergem a partir de discos gigantes de g\u00e1s e poeira que rodeiam estrelas jovens. A gravidade e outras for\u00e7as fazem com que o material dentro do disco colida a coales\u00e7a (ilustra\u00e7\u00e3o).<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>As imagens das STEREO mostram dois tipos de luz: luz da atmosfera externa do Sol &#8211; chamada coroa &#8211; e a luz refletida por toda a poeira que flutua no espa\u00e7o. A luz solar refletida desta poeira, que orbita lentamente o Sol, \u00e9 cerca de 100 vezes mais brilhante do que a luz coronal.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na verdade, n\u00e3o somos &#8216;pessoas da poeira&#8217;,&#8221; comentou Howard, que tamb\u00e9m \u00e9 o l\u00edder cient\u00edfico das c\u00e2maras das STEREO e da Parker Solar Probe que tiram fotos da coroa. &#8220;A poeira perto do Sol aparece simplesmente nas nossas observa\u00e7\u00f5es e, geralmente, descartamo-la.&#8221; Os cientistas solares como Howard &#8211; que estudam a atividade solar para fins como previs\u00e3o da meteorologia espacial iminente, incluindo gigantescas explos\u00f5es de material solar que o Sol \u00e0s vezes expele na nossa dire\u00e7\u00e3o &#8211; passam anos a desenvolver t\u00e9cnicas para remover os efeitos desta poeira. Somente depois de removerem a leve contamina\u00e7\u00e3o da poeira, \u00e9 que podem realmente ver o que a coroa est\u00e1 a fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois cientistas constru\u00edram o seu modelo como uma ferramenta para os outros se &#8220;livrarem&#8221; da poeira nas imagens da miss\u00e3o STEREO &#8211; e, eventualmente da Parker Solar Probe -, mas a previs\u00e3o do espa\u00e7o livre de poeira permanecia no fundo das suas mentes. Se pudessem inventar um modo de separar os dois tipos de luz e isolar o brilho da poeira, podiam descobrir quanta poeira existe realmente l\u00e1. Se descobrissem que toda a luz numa imagem vinha apenas da coroa, por exemplo, isso podia indicar que finalmente haviam encontrado uma regi\u00e3o do espa\u00e7o sem poeira.<\/p>\n\n\n\n<p>O anel de poeira de Merc\u00fario foi um achado fortuito, um subproduto do trabalho de modelagem de Stenborg e Howard. Quando usaram a sua nova t\u00e9cnica nas imagens STEREO, notaram um padr\u00e3o de brilho aprimorado ao longo da \u00f3rbita de Merc\u00fario &#8211; mais poeira, isto \u00e9 -, na luz que planeavam descartar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o foi uma coisa isolada,&#8221; disse Howard. &#8220;Em redor do Sol, independentemente da posi\u00e7\u00e3o da nave, pod\u00edamos ver o mesmo aumento de 5% no brilho da poeira, ou densidade. Isso disse-nos que havia algo aqui, algo que rodeia todo o Sol.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas nunca consideraram a exist\u00eancia de um anel ao longo da \u00f3rbita de Merc\u00fario, talvez raz\u00e3o pela qual n\u00e3o tenha sido detetado at\u00e9 agora, real\u00e7ou Stenborg. &#8220;As pessoas pensavam que Merc\u00fario, ao contr\u00e1rio da Terra ou de V\u00e9nus, era demasiado pequeno e estava demasiado perto do Sol para capturar um anel de poeira,&#8221; disse. &#8220;Esperavam que o vento solar e as for\u00e7as magn\u00e9ticas do Sol &#8216;soprassem&#8217; qualquer excesso de poeira na \u00f3rbita de Merc\u00fario.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma descoberta inesperada e uma nova ferramenta sens\u00edvel, os investigadores ainda est\u00e3o interessados na zona livre de poeira. \u00c0 medida que a Parker Solar Probe continua a sua explora\u00e7\u00e3o da coroa, o seu modelo pode ajudar outras pessoas a revelar quaisquer outras regi\u00f5es de poeira \u00e0 espreita perto do Sol.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/jynIP8L.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/jynIP8L.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Os asteroides representam os blocos de constru\u00e7\u00e3o dos planetas rochosos do Sistema Solar. Quando colidem, na cintura de asteroides, libertam poeira que \u00e9 espalhada por todo o Sistema Solar, que os cientistas podem estudar em busca de pistas do in\u00edcio da hist\u00f3ria do Sistema Solar (ilustra\u00e7\u00e3o).<br>Cr\u00e9dito: Laborat\u00f3rio de Imagens Conceptuais do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Asteroides escondidos na \u00f3rbita de V\u00e9nus<\/h4>\n\n\n\n<p>Esta n\u00e3o foi a primeira vez que os cientistas encontraram um anel de poeira no Sistema Solar interior. H\u00e1 25 anos atr\u00e1s, os cientistas descobriram que a Terra orbita o Sol no interior de um gigantesco anel de poeira. Outros descobriram um anel semelhante perto da \u00f3rbita de V\u00e9nus, primeiro usando dados de arquivo das sondas Helios em 2007, e depois confirmando-o em 2013 com dados da miss\u00e3o STEREO.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, os cientistas determinaram que o anel de poeira na \u00f3rbita da Terra vem em grande parte da cintura de asteroides, a vasta regi\u00e3o em forma de donut entre Marte e J\u00fapiter, onde vivem a maioria dos asteroides do Sistema Solar. Estes asteroides rochosos batem constantemente uns nos outros, soltando poeira que vagueia para mais perto do Sol, a menos que a gravidade da Terra coloque a poeira na \u00f3rbita do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao princ\u00edpio, parecia prov\u00e1vel que o anel de poeira de V\u00e9nus tivesse uma origem parecida ao anel da Terra, poeira produzida noutras partes do Sistema Solar. Mas quando o astrof\u00edsico Petr Pokorny, de Goddard, modelou a poeira que espirala em dire\u00e7\u00e3o ao Sol a partir da cintura de asteroides, as suas simula\u00e7\u00f5es produziram um anel que combinava com as observa\u00e7\u00f5es do anel da Terra &#8211; mas n\u00e3o com o de V\u00e9nus.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta discrep\u00e2ncia f\u00ea-lo questionar: se n\u00e3o \u00e9 a cintura de asteroides, ent\u00e3o de onde vem a poeira em \u00f3rbita de V\u00e9nus? Ap\u00f3s uma s\u00e9rie de simula\u00e7\u00f5es, Pokorny e o seu parceiro de investiga\u00e7\u00e3o Marc Kuchner teorizaram que vem de um grupo de asteroides nunca antes detetados que orbitam o Sol ao lado de V\u00e9nus. O seu trabalho foi publicado na edi\u00e7\u00e3o de 12 de mar\u00e7o de 2019 da revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu acho que a coisa mais interessante sobre este resultado \u00e9 que sugere uma nova popula\u00e7\u00e3o de asteroides que provavelmente cont\u00e9m pistas sobre a forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar,&#8221; disse Kuchner. Se Pokorny e Kuchner os puderem observar, esta fam\u00edlia de asteroides poder\u00e1 lan\u00e7ar luz sobre o in\u00edcio da hist\u00f3ria da Terra e de V\u00e9nus. Vistos com as ferramentas certas, os asteroides tamb\u00e9m podem desvendar pistas sobre a diversidade qu\u00edmica do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>Dado que est\u00e1 disperso ao longo de uma \u00f3rbita maior, o anel de poeira de V\u00e9nus \u00e9 muito maior do que o anel rec\u00e9m-detetado em Merc\u00fario. Com quase 26 milh\u00f5es de quil\u00f3metros de espessura e quase 10 milh\u00f5es de quil\u00f3metros de largura, o anel est\u00e1 repleto de poeira, cujos gr\u00e3os maiores s\u00e3o aproximadamente do tamanho daqueles presentes na lixa (o papel usado para polir). Tem cerca de 10% mais densidade do que o espa\u00e7o em redor. Ainda assim, \u00e9 difuso &#8211; se junt\u00e1ssemos toda a poeira, s\u00f3 obter\u00edamos um asteroide com pouco mais de 3 km em di\u00e2metro.<\/p>\n\n\n\n<p>Usando uma d\u00fazia de ferramentas de modelagem para simular como a poeira se move pelo Sistema Solar, Pokorny modelou todas as fontes de poeira que podia imaginar, procurando um anel de V\u00e9nus simulado que correspondesse \u00e0s simula\u00e7\u00f5es. A lista de todas as fontes que tentou assemelha-se com uma lista de todos os objetos rochosos no Sistema Solar: asteroides da cintura principal, cometas da Nuvem de Oort, cometas da fam\u00edlia de J\u00fapiter, colis\u00f5es recentes na cintura de asteroides.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas nenhum deles funcionou,&#8221; afirmou Kuchner. &#8220;De modo que come\u00e7\u00e1mos a criar as nossas pr\u00f3prias fontes de poeira.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez, pensaram os dois cientistas, a poeira viesse de asteroides muito mais pr\u00f3ximos de V\u00e9nus do que a cintura de asteroides. Poderia haver um grupo de asteroides co-orbitando o Sol com V\u00e9nus &#8211; o que significa que partilham a \u00f3rbita de V\u00e9nus, mas ficam longe do planeta, muitas vezes do outro lado do Sol. Pokorny e Kuchner raciocinaram que um grupo de asteroides, na \u00f3rbita de V\u00e9nus, podia ter passado despercebido at\u00e9 agora, porque \u00e9 dif\u00edcil apontar telesc\u00f3pios terrestres naquela dire\u00e7\u00e3o, t\u00e3o perto do Sol, sem a interfer\u00eancia da luz estelar.<\/p>\n\n\n\n<p>Os asteroides em co-\u00f3rbita s\u00e3o um exemplo do que \u00e9 chamado de resson\u00e2ncia, um padr\u00e3o orbital que bloqueia diferentes \u00f3rbitas, dependendo de como as suas influ\u00eancias gravitacionais se encontram. Pokorny e Kuchner modelaram muitas resson\u00e2ncias potenciais: asteroides que orbitam o Sol duas vezes por cada tr\u00eas \u00f3rbitas de V\u00e9nus, por exemplo, ou nove vezes por cada dez de V\u00e9nus, e uma para uma. De todas as possibilidades, apenas um grupo produziu uma simula\u00e7\u00e3o realista do anel de poeira de V\u00e9nus: um grupo de asteroides que ocupa a \u00f3rbita de V\u00e9nus, correspondendo \u00e0s viagens de V\u00e9nus em redor do Sol, uma a uma.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os cientistas n\u00e3o podiam ficar com apenas uma solu\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tica. &#8220;N\u00f3s ach\u00e1mos que t\u00ednhamos descoberto esta popula\u00e7\u00e3o de asteroides, mas t\u00ednhamos que provar e mostrar que funcionava,&#8221; explicou Pokorny. &#8220;Fic\u00e1mos animados, mas depois pens\u00e1mos: &#8216;Ah, h\u00e1 muito trabalho a fazer.'&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Eles precisavam mostrar que a pr\u00f3pria exist\u00eancia dos asteroides fazia sentido no Sistema Solar. Seria improv\u00e1vel, perceberam, que os asteroides nestas \u00f3rbitas especiais e circulares perto de V\u00e9nus tivessem tido origem noutro lugar, como na cintura de asteroides. A sua hip\u00f3tese faria mais sentido se os asteroides estivessem a\u00ed desde o in\u00edcio do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas constru\u00edram outro modelo, desta vez come\u00e7ando com um aglomerado de 10.000 asteroides vizinhos de V\u00e9nus. Deixaram a simula\u00e7\u00e3o avan\u00e7ar rapidamente 4,5 mil milh\u00f5es de anos de hist\u00f3ria do Sistema Solar, incorporando todos os efeitos gravitacionais de cada um dos planetas. Quando o modelo chegou ao presente, cerca de 800 dos seus asteroides simulados sobreviveram ao teste do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Pokorny considera esta taxa de sobreviv\u00eancia como otimista. Indica que os asteroides podem ter-se formado perto da \u00f3rbita de V\u00e9nus, no caos do in\u00edcio do Sistema Solar, e alguns podem ainda existir hoje em dia, alimentando o anel de poeira nas proximidades.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3ximo passo \u00e9 descobrir e observar os asteroides elusivos. &#8220;Se existir algo a\u00ed, devemos ser capazes de os encontrar,&#8221; disse Pokorny. A sua exist\u00eancia pode ser verificada com telesc\u00f3pios espaciais como o Hubble, ou talvez com naves espaciais interplanet\u00e1rias como as STEREO. Os cientistas ter\u00e3o, ent\u00e3o, mais perguntas para responder: quantos existem, e qual \u00e9 o seu tamanho? Est\u00e3o a libertar poeira constantemente, ou houve apenas um evento de desintegra\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">An\u00e9is de poeira em torno de outras estrelas<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/white_dwarf_disk_final_0.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/wzKwoG4.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> Nesta ilustra\u00e7\u00e3o, um asteroide \u00e9 quebrado pela poderosa gravidade de LSPM J0207+3331, uma an\u00e3 branca localizada a cerca de 145 anos-luz de dist\u00e2ncia. Os cientistas pensam que esta desintregra\u00e7\u00e3o de asteroides alimenta os an\u00e9is de poeira em torno da estrela velha.<br>Cr\u00e9dito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA\/Scott Wiessinger <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os an\u00e9is de poeira que Merc\u00fario e V\u00e9nus pastoreiam est\u00e3o a apenas um ou dois planetas de dist\u00e2ncia, mas os cientistas detetaram muitos outros an\u00e9is de poeira em sistemas estelares distantes. Vastos an\u00e9is de poeira podem ser mais f\u00e1ceis de avistar do que os exoplanetas propriamente ditos, e podem ser usados para inferir a exist\u00eancia de planetas escondidos e at\u00e9 mesmo as suas propriedades orbitais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a interpreta\u00e7\u00e3o de an\u00e9is de poeira extrassolares n\u00e3o \u00e9 simples. &#8220;Para modelar e ler com precis\u00e3o os an\u00e9is de poeira em redor de outras estrelas, primeiro temos que entender a f\u00edsica da poeira no nosso &#8216;quintal c\u00f3smico&#8217;,&#8221; comentou Kuchner. Com o estudo dos an\u00e9is vizinhos de poeira em Merc\u00fario, em V\u00e9nus e na Terra, onda a poeira tra\u00e7a os efeitos duradouros da gravidade no Sistema Solar, os cientistas podem desenvolver t\u00e9cnicas de leitura entre os an\u00e9is de poeira pr\u00f3ximos e distantes.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2019\/what-scientists-found-after-sifting-through-dust-in-the-solar-system\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/aae6cb\/meta\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico &#8211; Stenborg, Stauffer &amp; Howard (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ab0827\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico &#8211; Pokorny &amp; Kuchner (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.blahblah.blah\/\" target=\"_blank\">\/\/ Anel de poeira de V\u00e9nus (NASA via YouTube)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/dust-ring-discovered-mercury-orbit.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/pub_releases\/2019-03\/nsfc-wsf031219.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2019\/03\/190312123629.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-03-scientists-sifting-solar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Merc\u00fario:<br><\/strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mercury_(planet)\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>V\u00e9nus:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Venus_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sistema Solar:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_System\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Future_solar_system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sondas STEREO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/stereo.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/stereo\/main\/#.UpMsNsRdV8E\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/STEREO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Parker Solar Probe:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/content\/goddard\/parker-solar-probe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Parker_Solar_Probe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Helios:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www2.mps.mpg.de\/de\/projekte\/helios\/#e8#e8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Max Planck<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Helios_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta ilustra\u00e7\u00e3o, v\u00e1rios an\u00e9is de poeira rodeiam o Sol. Estes an\u00e9is formam-se quando as gravidades dos planetas puxam gr\u00e3os de poeira para \u00f3rbita em torno do Sol. Recentemente, os cientistas detetaram um anel de poeira na \u00f3rbita de Merc\u00fario. Outros teorizam que a fonte do anel de poeira de V\u00e9nus \u00e9 um grupo de asteroides &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1908,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[379,211,378,380,377,172],"class_list":["post-1907","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-helios","tag-mercurio","tag-parker-solar-probe","tag-poeira","tag-stereo","tag-venus"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1907","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1907"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1907\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1911,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1907\/revisions\/1911"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1908"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}