{"id":1897,"date":"2019-03-12T06:44:22","date_gmt":"2019-03-12T06:44:22","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1897"},"modified":"2019-03-12T06:44:23","modified_gmt":"2019-03-12T06:44:23","slug":"hubble-e-gaia-medem-com-precisao-a-massa-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/03\/12\/hubble-e-gaia-medem-com-precisao-a-massa-da-via-lactea\/","title":{"rendered":"Hubble e Gaia medem, com precis\u00e3o, a massa da Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A massa da Via L\u00e1ctea \u00e9 uma das medi\u00e7\u00f5es mais fundamentais que os astr\u00f3nomos podem fazer sobre o nosso lar gal\u00e1ctico. No entanto, apesar de d\u00e9cadas de esfor\u00e7o intenso, at\u00e9 mesmo as melhores estimativas dispon\u00edveis da massa da Via L\u00e1ctea est\u00e3o em profundo desacordo. Agora, combinando novos dados da miss\u00e3o Gaia com observa\u00e7\u00f5es feitas pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA, os astr\u00f3nomos descobriram que a Via L\u00e1ctea tem mais ou menos 1,5 bili\u00f5es de massas solares dentro de um raio de 129.000 anos-luz a contar do Centro Gal\u00e1ctico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estimativas anteriores da massa da Via L\u00e1ctea variam entre 500 mil milh\u00f5es a 3 bili\u00f5es de vezes a massa do Sol. Esta enorme incerteza surgiu principalmente dos diferentes m\u00e9todos usados para medir a distribui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria escura &#8211; que representa cerca de 90% da massa da Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o conseguimos, simplesmente, detetar a mat\u00e9ria escura diretamente,&#8221; explica Laura Watkins (ESO, Alemanha), que liderou a equipa que realizou a an\u00e1lise. &#8220;Isto \u00e9 o que leva \u00e0 atual incerteza na massa da Via L\u00e1ctea &#8211; n\u00e3o conseguimos medir com precis\u00e3o aquilo que n\u00e3o podemos ver!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dada a natureza elusiva da mat\u00e9ria escura, a equipa teve que recorrer a um m\u00e9todo inteligente para &#8220;pesar&#8221; a Via L\u00e1ctea, que se basou na medi\u00e7\u00e3o das velocidades dos enxames globulares &#8211; aglomerados estelares densos que orbitam o disco espiral da Gal\u00e1xia a grandes dist\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quanto mais massiva \u00e9 uma gal\u00e1xia, mais rapidamente os seus enxames se movem sob a for\u00e7a da sua gravidade,&#8221; explica N. Wyn Evans (Universidade de Cambridge, Reino Unido). &#8220;A maioria das medi\u00e7\u00f5es anteriores determinou a velocidade com que um enxame se aproxima ou afasta da Terra, que \u00e9 a velocidade ao longo da nossa linha de vis\u00e3o. No entanto, fomos capazes de medir tamb\u00e9m o movimento lateral dos aglomerados, a partir do qual a velocidade total e, consequentemente, a massa gal\u00e1ctica, pode ser calculada.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo usou a segunda vers\u00e3o do cat\u00e1logo Gaia como base para o seu estudo. O Gaia foi projetado para criar um mapa tridimensional preciso de objetos astron\u00f3micos em toda a Via L\u00e1ctea e para rastrear os seus movimentos. A sua segunda divulga\u00e7\u00e3o de dados inclui medi\u00e7\u00f5es de enxames globulares at\u00e9 65.000 anos-luz da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os enxames globulares estendem-se a uma grande dist\u00e2ncia, de modo que s\u00e3o considerados os melhores rastreadores que os astr\u00f3nomos possuem para medir a massa da nossa Gal\u00e1xia,&#8221; comentou Tony Sohn (STScI, EUA), que liderou as medi\u00e7\u00f5es do Hubble.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/xupCfP3.gif\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/xupCfP3.gif\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> <br>\u00c0 esquerda temos uma imagem, pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, de uma por\u00e7\u00e3o do enxame globular NGC 5466. \u00c0 direita, imagens do Hubble obtidas com dez anos de separa\u00e7\u00e3o foram comparadas para determinar a velocidade do enxame. A grelha, como plano de fundo, ajuda a ilustrar o movimento estelar do enxame no plano da frente (localizado a 52.000 anos-luz de dist\u00e2ncia). Note que as gal\u00e1xias de fundo (cima, \u00e0 direita do centro, baixo, \u00e0 esquerda do centro) parecem n\u00e3o mover-se devido \u00e0 sua muito maior dist\u00e2ncia, milh\u00f5es de anos-luz.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA e S. T. Sohn e J. DePasquale (STScI) <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa combinou estes dados com a sensibilidade inigual\u00e1vel e legado observacional do Hubble. As observa\u00e7\u00f5es do Hubble permitiram com que enxames globulares fracos e distantes, at\u00e9 130.000 anos-luz da Terra, fossem adicionados ao estudo. Dado que o Hubble observa alguns destes objetos h\u00e1 uma d\u00e9cada, foi poss\u00edvel tamb\u00e9m rastrear com precis\u00e3o as velocidades destes enxames.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Tivemos sorte em ter uma combina\u00e7\u00e3o t\u00e3o boa de dados,&#8221; explicou Roeland P. van der Marel (STScI, EUA). &#8220;Combinando as medi\u00e7\u00f5es de 34 enxames globulares pelo Gaia com medi\u00e7\u00f5es de 12 enxames mais distantes com o Hubble, pudemos determinar a massa da Via L\u00e1ctea de uma maneira que seria imposs\u00edvel sem estes dois telesc\u00f3pios espaciais.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 agora, a n\u00e3o-determina\u00e7\u00e3o da massa precisa da Via L\u00e1ctea apresentava um problema nas tentativas de responder a muitas quest\u00f5es cosmol\u00f3gicas. O conte\u00fado de mat\u00e9ria escura de uma gal\u00e1xia e a sua distribui\u00e7\u00e3o est\u00e3o intrinsecamente ligados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o e crescimento de estruturas no Universo. O c\u00e1lculo, com precis\u00e3o, da massa da Via L\u00e1ctea d\u00e1-nos uma compreens\u00e3o mais clara de onde a nossa Gal\u00e1xia se situa num contexto cosmol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.spacetelescope.org\/news\/heic1905\" target=\"_blank\">\/\/ ESA\/Hubble (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/sci.esa.int\/hubble\/61198-hubble-and-gaia-accurately-weigh-the-milky-way-heic1905\/\" target=\"_blank\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/goddard\/2019\/what-does-the-milky-way-weigh-hubble-and-gaia-investigate\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1804.11348\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enxames globulares:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/spider.seds.org\/spider\/MWGC\/mwgc.html\" target=\"_blank\">SEDS<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Globular_cluster\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mat\u00e9ria escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_matter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/hubble\/main\/#.VJ02FAj0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/resources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/spacetelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SpaceTelescope.org<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"http:\/\/gea.esac.esa.int\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/guide-to-scientists\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Como usar os dados do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/60036-gaia-data-release-2-virtual-reality-resources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Recursos VR<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.spaceflight101.com\/gaia-spacecraft-overview.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACEFLIGHT101<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A massa da Via L\u00e1ctea \u00e9 uma das medi\u00e7\u00f5es mais fundamentais que os astr\u00f3nomos podem fazer sobre o nosso lar gal\u00e1ctico. 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