{"id":1888,"date":"2019-03-08T06:38:08","date_gmt":"2019-03-08T06:38:08","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1888"},"modified":"2019-03-08T06:38:10","modified_gmt":"2019-03-08T06:38:10","slug":"pesagem-do-vento-galactico-fornece-pistas-para-a-evolucao-das-galaxias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/03\/08\/pesagem-do-vento-galactico-fornece-pistas-para-a-evolucao-das-galaxias\/","title":{"rendered":"&#8220;Pesagem&#8221; do vento gal\u00e1ctico fornece pistas para a evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Gal\u00e1xia do Charuto (M82) \u00e9 famosa pela sua extraordin\u00e1ria velocidade em fabricar novas estrelas, 10 vezes mais depressa que a Via L\u00e1ctea. Agora, foram usados dados do SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) para estudar esta gal\u00e1xia em mais detalhe, revelando como o material que afeta a evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias pode entrar no espa\u00e7o intergal\u00e1ctico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores descobriram, pela primeira vez, que o vento gal\u00e1ctico que flui do centro da Gal\u00e1xia do Charuto (M82) est\u00e1 alinhado com o campo magn\u00e9tico e transporta uma massa muito grande de g\u00e1s e poeira &#8211; o equivalente a 50 a 60 milh\u00f5es de s\u00f3is.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O espa\u00e7o entre as gal\u00e1xias n\u00e3o est\u00e1 vazio,&#8221; disse Enrique Lopez-Rodriguez, cientista da USRA (Universities Space Research Association) que trabalha na equipa do SOFIA. &#8220;Cont\u00e9m g\u00e1s e poeira &#8211; que s\u00e3o as mat\u00e9rias-primas das estrelas e das gal\u00e1xias. Agora, temos uma melhor compreens\u00e3o de como esta mat\u00e9ria escapou do interior das gal\u00e1xias ao longo do tempo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de ser um exemplo cl\u00e1ssico de uma gal\u00e1xia &#8220;starburst&#8221;, o que significa que est\u00e1 a formar um n\u00famero extraordin\u00e1rio de estrelas em compara\u00e7\u00e3o com a maioria das outras gal\u00e1xias, M82 tamb\u00e9m tem ventos fortes que sopram g\u00e1s e poeira para o espa\u00e7o intergal\u00e1ctico. Os astr\u00f3nomos h\u00e1 muito que teorizam que estes ventos tamb\u00e9m arrastariam o campo magn\u00e9tico da gal\u00e1xia na mesma dire\u00e7\u00e3o, mas, apesar de v\u00e1rios estudos, n\u00e3o havia nenhuma prova observacional do conceito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando o observat\u00f3rio a\u00e9reo SOFIA, os cientistas descobriram definitivamente que o vento da Gal\u00e1xia do Charuto n\u00e3o s\u00f3 transporta uma quantidade enorme de g\u00e1s e poeira para o meio intergal\u00e1ctico, como tamb\u00e9m arrasta o campo magn\u00e9tico de modo que fica perpendicular ao disco gal\u00e1ctico. De facto, o vento arrasta o campo magn\u00e9tico a mais de 2000 anos-luz &#8211; quase a dimens\u00e3o do pr\u00f3prio vento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Um dos principais objetivos desta investiga\u00e7\u00e3o era o de avaliar qu\u00e3o eficientemente o vento gal\u00e1ctico pode arrastar o campo magn\u00e9tico,&#8221; disse Lopez-Rodriguez. &#8220;N\u00e3o esper\u00e1vamos encontrar o campo magn\u00e9tico alinhado com o vento numa \u00e1rea t\u00e3o grande.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas observa\u00e7\u00f5es indicam que os fortes ventos associados ao fen\u00f3meno de forma\u00e7\u00e3o estelar explosiva podem ser dos mecanismos respons\u00e1veis por &#8220;semear&#8221; material e injetar um campo magn\u00e9tico no meio intergal\u00e1ctico pr\u00f3ximo. Caso tenham ocorrido processos semelhantes no in\u00edcio do Universo, estes podem ter afetado a evolu\u00e7\u00e3o fundamental das primeiras gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados foram publicados na edi\u00e7\u00e3o de janeiro de 2019 da revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mais novo instrumento do SOFIA, o HAWC+ (High-resolution Airborne Wideband Camera-Plus), usa luz infravermelha long\u00ednqua para observar gr\u00e3os de poeira celeste, que se alinham ao longo das linhas do campo magn\u00e9tico. Com estes resultados, os astr\u00f3nomos podem inferir a forma e a dire\u00e7\u00e3o do campo magn\u00e9tico, de outra maneira invis\u00edvel. A radia\u00e7\u00e3o infravermelha long\u00ednqua fornece informa\u00e7\u00f5es importantes sobre os campos magn\u00e9ticos porque o sinal \u00e9 limpo e n\u00e3o est\u00e1 contaminado pela emiss\u00e3o de outros mecanismos f\u00edsicos, como a luz vis\u00edvel dispersa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O estudo dos campos magn\u00e9ticos intergal\u00e1ctico &#8211; e sua evolu\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e9 fundamental para entender como as gal\u00e1xias evolu\u00edram ao longo da hist\u00f3ria do Universo,&#8221; disse Terry Jones, professor em\u00e9rito da Universidade de Minnesota, em Minneapolis, investigador principal deste estudo. &#8220;Com o instrumento HAWC+ do SOFIA, temos agora uma nova perspetiva sobre estes campos magn\u00e9ticos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/weighing-galactic-wind-provides-clues-to-evolution-of-galaxies\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/aaf8b9\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1812.06816\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Messier 82:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Messier_82\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/m\/m082.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SOFIA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/SOFIA\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.sofia.usra.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">USRA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.dlr.de\/dlr\/en\/desktopdefault.aspx\/tabid-10419\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">DLR<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stratospheric_Observatory_for_Infrared_Astronomy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Gal\u00e1xia do Charuto (M82) \u00e9 famosa pela sua extraordin\u00e1ria velocidade em fabricar novas estrelas, 10 vezes mais depressa que a Via L\u00e1ctea. 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