{"id":1879,"date":"2019-03-05T06:33:20","date_gmt":"2019-03-05T06:33:20","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1879"},"modified":"2019-03-05T06:33:22","modified_gmt":"2019-03-05T06:33:22","slug":"primeira-evidencia-de-sistema-global-de-aguas-subterraneas-em-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/03\/05\/primeira-evidencia-de-sistema-global-de-aguas-subterraneas-em-marte\/","title":{"rendered":"Primeira evid\u00eancia de sistema global de \u00e1guas subterr\u00e2neas em Marte"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Mars Express revelou a primeira evid\u00eancia geol\u00f3gica de um sistema de antigos lagos interligados situados por baixo da superf\u00edcie do Planeta Vermelho, cinco dos quais podem conter minerais cruciais para a vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marte parece ser um mundo \u00e1rido, mas a sua superf\u00edcie mostra sinais convincentes de que grandes quantidades de \u00e1gua j\u00e1 existiram por todo o planeta. N\u00f3s vemos caracter\u00edsticas que s\u00f3 podem ter sido formadas por \u00e1gua &#8211; canais e vales, por exemplo &#8211; e, no ano passado, a Mars Express detetou um reservat\u00f3rio de \u00e1gua l\u00edquida sob o polo sul do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um novo estudo revela agora a extens\u00e3o de \u00e1gua subterr\u00e2nea no passado de Marte, que anteriormente era apenas prevista pelos modelos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Marte j\u00e1 foi um mundo com \u00e1gua, mas \u00e0 medida que o clima do planeta mudava, a \u00e1gua recuou para baixo da superf\u00edcie e formou po\u00e7os e &#8216;\u00e1guas subterr\u00e2neas&#8217;, diz o autor principal Francesco Salese, da Universidade de Ultrecht, nos Pa\u00edses Baixos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s rastre\u00e1mos esta \u00e1gua no nosso estudo, j\u00e1 que a sua escala e papel s\u00e3o uma quest\u00e3o em debate, e encontr\u00e1mos a primeira evid\u00eancia geol\u00f3gica de um sistema de \u00e1guas subterr\u00e2neas em Marte.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2019\/02\/distribution_of_once-watery_basins_on_mars\/19267598-1-eng-GB\/Distribution_of_once-watery_basins_on_Mars.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/rOP0a7L.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Esta imagem mostra a distribui\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias crateras profundas (assinaladas como pontos) exploradas recentemente como parte de um estudo de \u00e1gua subterr\u00e2nea de Marte.<br> As cores da imagem de fundo representam topografia: os vermelhos e laranjas s\u00e3o eleva\u00e7\u00f5es mais baixas, e os azuis e verdes s\u00e3o eleva\u00e7\u00f5es mais altas.<br> O estudo descobriu que os pisos das crateras, situados a 4000 metros de profundidade, mostram sinais de \u00e1gua passada &#8211; a primeira evid\u00eancia geol\u00f3gica de que o Planeta Vermelho j\u00e1 teve um sistema de lagos subterr\u00e2neos espalhados por todo o planeta.<br> Cr\u00e9dito: topografia &#8211; NASA\/MGS\/MOLA; distribui\u00e7\u00e3o das crateras &#8211; F. Salese et al. (2019)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Salese e colegas exploraram 24 crateras profundas e fechadas no hemisf\u00e9rio norte de Marte, com pisos cerca de 4000 metros por baixo do &#8220;n\u00edvel do mar&#8221; marciano (um n\u00edvel que, dada a aus\u00eancia de mares no planeta, \u00e9 arbitrariamente definido em Marte com base na eleva\u00e7\u00e3o e press\u00e3o atmosf\u00e9rica).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eles encontraram caracter\u00edsticas no ch\u00e3o dessas crateras que s\u00f3 podem ter sido formadas na presen\u00e7a de \u00e1gua. Muitas crateras cont\u00eam m\u00faltiplas caracter\u00edsticas, todas a profundidades entre os 4000 e 4500 metros &#8211; indicando que algumas destas crateras j\u00e1 contiveram reservat\u00f3rios e fluxos de \u00e1gua que mudaram e recuaram ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As caracter\u00edsticas incluem canais gravados nas paredes das crateras, vales esculpidos pela \u00e1gua subterr\u00e2nea, deltas curvos e escuros que se pensa terem sido formados \u00e0 medida que os n\u00edveis de \u00e1gua subiram e desceram, &#8220;terra\u00e7os&#8221; acidentados nas paredes das crateras formados por \u00e1gua parada e dep\u00f3sitos de sedimentos em forma de leque associados a fluxos de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O n\u00edvel de \u00e1gua est\u00e1 alinhado com as linhas costeiras propostas de um oceano marciano que se pensa ter existido em Marte h\u00e1 3-4 mil milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2019\/02\/evolution_of_water-filled_basins_over_time\/19267637-1-eng-GB\/Evolution_of_water-filled_basins_over_time.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/Pe81EC1.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Este diagrama mostram um modelo de como as bacias das crateras em Marte evolu\u00edram ao longo do tempo e de como podem ter albergado \u00e1gua. Este modelo forma a base de um novo estudo sobre \u00e1gua subterr\u00e2nea em Marte, que descobriu que v\u00e1rias bacias profundas &#8211; com pisos situados a mais de 4000 metros de profundidade &#8211; mostram sinais de de j\u00e1 ter contido reservat\u00f3rios de \u00e1gua. As imagens (da c\u00e2mara a bordo da sonda Mars Reconnaissance Orbiter da NASA) mostram exemplos das diferentes caracter\u00edsticas observadas nas bacias.<br> Existem tr\u00eas est\u00e1gios principais: no primeiro (topo), a bacia da cratera \u00e9 inundada com \u00e1gua e caracter\u00edsticas relacionadas com \u00e1gua &#8211; deltas, vales, canais, linhas costeiras e assim por diante &#8211; formam-se no interior. No segundo est\u00e1gio (meio), o n\u00edvel de \u00e1gua global do planeta desce e, como resultado, emergem novos relevos. No est\u00e1gio final (baixo), a cratera seca e sofre eros\u00e3o, revelando caracter\u00edsticas formadas ao longo de milhares de milh\u00f5es de anos.<br> Cr\u00e9dito: imagens &#8211; NASA\/JPL-Caltech\/MSSS; diagrama adaptado de F. Salese et al. (2019)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s pensamos que este oceano pode estar ligado a um sistema de lagos subterr\u00e2neos espalhados por todo o planeta,&#8221; acrescenta o coautor Gian Gabriele Ori, diretor da Escola Internacional de Pesquisa de Ci\u00eancias Planet\u00e1rias da Universit\u00e0 D\u2019Annunzio, It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estes lagos teriam existido h\u00e1 aproximadamente 3,5 mil milh\u00f5es de anos, de modo que podem ter sido contempor\u00e2neos de um oceano marciano.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria da \u00e1gua em Marte \u00e9 complexa e est\u00e1 intrinsecamente ligada a entender se a vida alguma vez surgiu ou n\u00e3o &#8211; e, em caso afirmativo, onde, quando e como o fez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa tamb\u00e9m avistou sinais de minerais em cinco das crateras que est\u00e3o ligados com a origem da vida na Terra: v\u00e1rias argilas, carbonatos e silicatos. A descoberta suporta a ideia de que estas bacias em Marte podem ter tido os ingredientes para albergar vida. Al\u00e9m disso, eram as \u00fanicas bacias profundas o suficiente para cruzar com a parte saturada de \u00e1gua da crosta de Marte durante longos per\u00edodos de tempo, com evid\u00eancias talvez ainda hoje enterradas nos sedimentos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2018\/04\/mars_express\/17447281-1-eng-GB\/Mars_Express.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2018\/04\/mars_express\/17447281-1-eng-GB\/Mars_Express_node_full_image_2.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>Impress\u00e3o de artista da sonda Mars Express. O plano de fundo tem por base uma imagem real de Marte obtida pela c\u00e2mara de alta-resolu\u00e7\u00e3o do orbitador.<br> Cr\u00e9dito: imagem da nave &#8211; ESA\/ATG medialab; Marte &#8211; ESA\/DLR\/FU Berlin<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A explora\u00e7\u00e3o de locais como estes pode, portanto, revelar as condi\u00e7\u00f5es adequadas para vida passada e, assim sendo, s\u00e3o altamente relevantes para miss\u00f5es astrobiol\u00f3gicas como a ExoMars &#8211; um esfor\u00e7o conjunto da ESA e da Roscosmos. Embora o ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) j\u00e1 esteja a estudar Marte a partir de \u00f3rbita, a pr\u00f3xima miss\u00e3o ser\u00e1 lan\u00e7ada no ano que vem. \u00c9 composta por um rover &#8211; recentemente batizado com o nome Rosalind Franklin &#8211; e por uma plataforma cient\u00edfica de superf\u00edcie e vai explorar locais marcianos considerados essenciais na busca de sinais de vida em Marte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Descobertas como esta s\u00e3o extremamente importantes; ajudam-nos a identificar as regi\u00f5es de Marte que s\u00e3o mais promissoras para encontrar sinais de vida passada,&#8221; diz Dmitri Titov, cientista do projeto Mars Express da ESA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 especialmente emocionante que uma miss\u00e3o t\u00e3o frut\u00edfera no Planeta Vermelho, a Mars Express, seja agora fundamental para ajudar futuras miss\u00f5es como a ExoMars a explorar o planeta de uma maneira diferente. \u00c9 um \u00f3timo exemplo de miss\u00f5es que trabalham juntas com grande sucesso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Mars_Express\/First_evidence_of_planet-wide_groundwater_system_on_Mars\" target=\"_blank\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/epdf\/10.1029\/2018JE005802\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Journal of Geophysical Research &#8211; Planets)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/researchers-first-geological-evidence-of-mars-planet-wide-groundwater-system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">science alert<\/a><br><a href=\"http:\/\/astrobiology.com\/2019\/02\/first-evidence-of-a-planet-wide-groundwater-system-on-mars.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">astrobiology web<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2019-03-evidence-planet-wide-groundwater-mars.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"http:\/\/time.com\/5542021\/mars-images-craters-underground-lakes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">TIME<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mars Express:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/SPECIALS\/Mars_Express\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_Express\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_%28planet%29\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Mars Express revelou a primeira evid\u00eancia geol\u00f3gica de um sistema de antigos lagos interligados situados por baixo da superf\u00edcie do Planeta Vermelho, cinco dos quais podem conter minerais cruciais para a vida. 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