{"id":1866,"date":"2019-03-01T06:41:11","date_gmt":"2019-03-01T06:41:11","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1866"},"modified":"2020-01-17T07:20:19","modified_gmt":"2020-01-17T07:20:19","slug":"galaxia-anemica-revela-deficiencias-na-teoria-da-formacao-de-galaxias-ultra-difusas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/03\/01\/galaxia-anemica-revela-deficiencias-na-teoria-da-formacao-de-galaxias-ultra-difusas\/","title":{"rendered":"Gal\u00e1xia an\u00e9mica revela defici\u00eancias na teoria da forma\u00e7\u00e3o de gal\u00e1xias ultra-difusas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de astr\u00f3nomos liderada pelos Observat\u00f3rios da Universidade da Calif\u00f3rnia estudou em grande detalhe uma gal\u00e1xia t\u00e3o t\u00e9nue e em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o pristinas que age como uma c\u00e1psula do tempo, selada logo ap\u00f3s o alvorecer do nosso Universo, apenas para ser desvendada pela mais recente tecnologia do Observat\u00f3rio W. M. Keck.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando o instrumento KCWI (Keck Cosmic Web Imager), a equipa descobriu uma gal\u00e1xia ultra-difusa (UDG, &#8220;ultra-diffuse galaxy&#8221;) bizarra e solit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta gal\u00e1xia fantasmag\u00f3rica, de nome DGSAT I, contradiz a teoria atual da forma\u00e7\u00e3o de UDGs. Todas as UDGs estudadas anteriormente encontram-se em enxames gal\u00e1cticos, que informaram a base para a teoria de que j\u00e1 foram gal\u00e1xias &#8220;normais&#8221;, mas que com o tempo tornaram-se &#8220;confus\u00f5es felpudas&#8221; devido a eventos violentos dentro do aglomerado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Parecia haver uma imagem relativamente clara das origens das gal\u00e1xias, das espirais \u00e0s el\u00edpticas, e das gigantes \u00e0s an\u00e3s,&#8221; disse o autor principal Ignacio Mart\u00edn-Navarro, acad\u00e9mico p\u00f3s-doutorado dos Observat\u00f3rios da Universidade da Calif\u00f3rnia. &#8220;No entanto, a recente descoberta de UDGs levantou novas quest\u00f5es sobre o qu\u00e3o completa \u00e9 esta imagem. Todas as UDGs j\u00e1 estudadas em detalhe, at\u00e9 agora, encontravam-se em enxame de gal\u00e1xias: regi\u00f5es densas de intera\u00e7\u00f5es violentas onde as caracter\u00edsticas das gal\u00e1xias, durante o nascimento, foram misturadas por uma adolesc\u00eancia dif\u00edcil.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados da equipa ser\u00e3o publicados na edi\u00e7\u00e3o de 11 de abril de 2019 da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e est\u00e1 dispon\u00edvel online.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dado que DGSAT I \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o rara de uma UDG descoberta longe de um enxame, pode fornecer uma janela mais clara para o passado. N\u00e3o houve muita atividade em seu redor para manchar a sua composi\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o. A fim de descobrir o que fez com que esta gal\u00e1xia fosse t\u00e3o esparsa no que toca \u00e0 luz estelar, a equipa usou o KCWI para mapear a composi\u00e7\u00e3o do objeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica de uma gal\u00e1xia fornece um registo das condi\u00e7\u00f5es ambientais aquando da sua forma\u00e7\u00e3o, tal como os oligoelementos no corpo humano podem revelar uma vida inteira de h\u00e1bitos alimentares e exposi\u00e7\u00e3o a poluentes,&#8221; disse o coautor Aaron Romanowsky, astr\u00f3nomo dos Observat\u00f3rios da Universidade da Calif\u00f3rnia e Professor Associado do Departamento de F\u00edsica e Astronomia da Universidade Estatal de San Jos\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DGSAT I surpreendeu os investigadores com a sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. As gal\u00e1xias de hoje costumam ter elementos mais pesados, como ferro e magn\u00e9sio, em compara\u00e7\u00e3o com as gal\u00e1xias primitivas nascidas logo ap\u00f3s o Big Bang. Mas o KCWI revelou que DGSAT I parece ser an\u00e9mica; o teor de ferro da gal\u00e1xia \u00e9 notavelmente baixo, como se fosse formada a partir de uma nuvem de g\u00e1s quase pristino, sem estar polu\u00edda pela morte de estrelas anteriores (supernovas). E, no entanto, os n\u00edveis de magn\u00e9sio de DGSAT I s\u00e3o normais, consistentes com o que os astr\u00f3nomos esperam encontrar nas gal\u00e1xias modernas. Isto \u00e9 estranho, porque ambos os elementos s\u00e3o libertados durante as explos\u00f5es de supernova; normalmente n\u00e3o encontramos um sem o outro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s n\u00e3o compreendemos esta combina\u00e7\u00e3o de poluentes, mas uma das nossas ideias \u00e9 que as explos\u00f5es extremas das supernovas fizeram a gal\u00e1xia pulsar em tamanho durante a sua adolesc\u00eancia, de modo que ret\u00e9m preferencialmente magn\u00e9sio em rela\u00e7\u00e3o ao ferro,&#8221; disse Romanowsky.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As UDGs s\u00e3o uma classe relativamente nova de gal\u00e1xias descobertas pela primeira vez em 2015. S\u00e3o t\u00e3o grandes quanto a Via L\u00e1ctea, mas t\u00eam entre 100 e 1000 vezes menos estrelas do que a nossa Gal\u00e1xia, o que as torna pouco vis\u00edveis e dif\u00edceis de estudar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/wDGSATI_comp3-1024x476.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/wDGSATI_comp3-1024x476.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> DGSAT I (esquerda), uma gal\u00e1xia ultra-difusa (UDG), vista ao lado de uma gal\u00e1xia espiral normal (direita) para efeitos de compara\u00e7\u00e3o. Ambas s\u00e3o similares em tamanho, mas as UDGs como DGSAT I t\u00eam t\u00e3o poucas estrelas, que podemos ver atrav\u00e9s delas, como por exemplo gal\u00e1xias no plano de fundo.<br>Cr\u00e9dito: A. Romanowsky\/Observat\u00f3rios da Universidade da Calif\u00f3rnia\/D. Martinez-Delgado\/ARI <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O instrumento KCWI est\u00e1 constru\u00eddo para superar este obst\u00e1culo gra\u00e7as \u00e0 sua extrema sensibilidade e capacidade para capturar espetros de alta-resolu\u00e7\u00e3o dos objetos mais fracos e mais distantes do nosso Universo como as UDGs.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;H\u00e1 apenas um outro instrumento no mundo com as capacidades do KCWI que nos permite medir a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica de gal\u00e1xias com baixo brilho superficial,&#8221; disse o coautor Jean Brodie, Professor de Astronomia e Astrof\u00edsica dos Observat\u00f3rios da Universidade da Calif\u00f3rnia. &#8220;Mas esse est\u00e1 no hemisf\u00e9rio sul, onde n\u00e3o temos uma boa vista de DGSAT I, que fica no hemisf\u00e9rio norte.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O KCWI realiza um tipo de observa\u00e7\u00e3o chamada espectroscopia de campo integral, que captura dados em 3D em vez de 2D. Tradicionalmente, havia duas maneiras dos astr\u00f3nomos estudarem objetos celestes, seja por meio de imagens ou por espectroscopia. Este instrumento quebra a barreira entre os dois. Numa \u00fanica observa\u00e7\u00e3o, o KCWI captura a imagem, bem como o espectro de cada pixel na imagem, o que revela as propriedades f\u00edsicas do objeto, como a composi\u00e7\u00e3o, a temperatura, a velocidade e mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;S\u00e3o para estes tipos de observa\u00e7\u00f5es que constru\u00edmos o KCWI; para continuar a empurrar a fronteira de obter o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00f5es dos objetos mais fracos,&#8221; explicou John O&#8217;Meara, cientista-chefe do Observat\u00f3rio Keck. &#8220;Estamos muito animados para ver quantos objetos como DGSAT I podemos estudar com o Keck e para continuar a transformar a nossa compreens\u00e3o de como as gal\u00e1xias se formam e mudam com o tempo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas planeiam usar o KCWI novamente, desta vez para levar a cabo uma observa\u00e7\u00e3o mais profunda de outra UDG parecida com DGSAT I; planeiam extrair a sua composi\u00e7\u00e3o em maior detalhe na esperan\u00e7a de desvendar mais dados que possam ajudar os astr\u00f3nomos a se concentrarem na origem das UDGs.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Foram apresentadas v\u00e1rias ideias, desde as mais mundanas at\u00e9 \u00e0s mais ex\u00f3ticas. Uma possibilidade intrigante \u00e9 que algumas destas gal\u00e1xias fantasmag\u00f3ricas s\u00e3o f\u00f3sseis vivos do alvorecer do Universo, quando as estrelas e as gal\u00e1xias emergiram num ambiente muito diferente do de hoje&#8221;, real\u00e7ou Romanowsky. &#8220;O seu nascimento \u00e9 realmente um mist\u00e9rio fascinante que a nossa equipa est\u00e1 a trabalhar para resolver.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/anemic_galaxy\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio W. M. Keck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article-abstract\/484\/3\/3425\/5300125?redirectedFrom=fulltext\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1901.08068\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>UDGs (Gal\u00e1xia Ultra-difusa)<\/strong>:<br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ultra_diffuse_galaxy\" target=\"_blank\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Universo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accelerating_expansion_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A expans\u00e3o acelerada do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble%27s_law\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei de Hubble (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Age_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Idade do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large-scale_structure_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Timeline_of_the_Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cronologia do Big Bang (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio W. M. Keck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Keck_telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa de astr\u00f3nomos liderada pelos Observat\u00f3rios da Universidade da Calif\u00f3rnia estudou em grande detalhe uma gal\u00e1xia t\u00e3o t\u00e9nue e em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o pristinas que age como uma c\u00e1psula do tempo, selada logo ap\u00f3s o alvorecer do nosso Universo, apenas para ser desvendada pela mais recente tecnologia do Observat\u00f3rio W. M. Keck. 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