{"id":1860,"date":"2019-02-26T06:33:35","date_gmt":"2019-02-26T06:33:35","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1860"},"modified":"2019-02-26T06:33:37","modified_gmt":"2019-02-26T06:33:37","slug":"numa-colisao-galactica-um-pequeno-objeto-brilha-intensamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/02\/26\/numa-colisao-galactica-um-pequeno-objeto-brilha-intensamente\/","title":{"rendered":"Numa colis\u00e3o gal\u00e1ctica, um pequeno objeto brilha intensamente"},"content":{"rendered":"\n<p>Na vizinha Gal\u00e1xia do Redemoinho, e na companheira M51b, dois buracos negros supermassivos aquecem e devoram o material circundante. Estes dois monstros deviam ser as fontes de raios-X mais luminosas do campo de vis\u00e3o, mas um novo estudo usando observa\u00e7\u00f5es da miss\u00e3o NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array) da NASA mostra que um objeto muito mais pequeno est\u00e1 a competir com os dois gigantes.<\/p>\n\n\n\n<p>As caracter\u00edsticas mais impressionantes da Gal\u00e1xia do Redemoinho &#8211; conhecida oficialmente como M51a &#8211; s\u00e3o os dois longos &#8220;bra\u00e7os&#8221; cheios de estrelas que se enrolam em torno do centro gal\u00e1ctico como fitas. A muito mais pequena M51b agarra-se como um perceve \u00e0 beira do Redemoinho. Conhecidas coletivamente como M51, as duas gal\u00e1xias est\u00e3o a fundir-se.<\/p>\n\n\n\n<p>No centro de cada gal\u00e1xia est\u00e1 um buraco negro supermassivo com milh\u00f5es de vezes a massa do Sol. A fus\u00e3o gal\u00e1ctica deve empurrar grandes quantidades de g\u00e1s e poeira para \u00f3rbita desses buracos negros. Por sua vez, a intensa gravidade dos buracos negros deve fazer com que o material em \u00f3rbita seja aquecido e irradie, formando discos brilhantes em torno de cada um que pode ofuscar todas as estrelas nas suas gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nenhum dos buracos negros irradia, em raios-X, como os cientistas esperariam durante uma fus\u00e3o. Com base em observa\u00e7\u00f5es anteriores de sat\u00e9lites que detetam raios-X de baixa energia, como o Observat\u00f3rio de raios-X Chandra da NASA, os cientistas pensavam que camadas de g\u00e1s e poeira em torno do buraco negro da gal\u00e1xia maior estavam a bloquear a emiss\u00e3o extra. Mas o novo estudo, publicado na revista The Astrophysical Journal, usou a vis\u00e3o de raios-X altamente energ\u00e9ticos do NuSTAR para observar abaixo dessas camadas e descobriu que o buraco negro ainda \u00e9 mais t\u00e9nue do que o esperado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ainda estou surpreso com este achado,&#8221; diz o autor principal do estudo, Murray Brightman, investigador do Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Calif\u00f3rnia. &#8220;As fus\u00f5es gal\u00e1cticas deviam gerar o crescimento do buraco negro, e a evid\u00eancia disso seria a forte emiss\u00e3o de raios-X de alta energia. Mas n\u00e3o estamos a ver isso aqui.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Brightman pensa que a explica\u00e7\u00e3o mais prov\u00e1vel \u00e9 que os buracos negros &#8220;piscam&#8221; durante as fus\u00f5es gal\u00e1cticas, em vez de irradiarem com um brilho mais ou menos constante durante todo o processo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A hip\u00f3tese cintilante \u00e9 uma nova ideia no campo,&#8221; disse Daniel Stern, investigador do JPL da NASA em Pasadena e cientista do projeto NuSTAR. &#8220;N\u00f3s costum\u00e1vamos pensar que a variabilidade dos buracos negros ocorria em escalas de tempo de milh\u00f5es de anos, mas agora estamos a pensar que essas escalas de tempo podem ser muito mais curtas. Descobrir qu\u00e3o curtas \u00e9 uma \u00e1rea de estudo ativo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pequeno, mas Brilhante<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Juntamente com os dois buracos negros que irradiam menos do que os cientistas anteciparam em M51a e M51b, a primeira tamb\u00e9m hospeda um objeto que \u00e9 milh\u00f5es de vezes mais pequeno do que qualquer um dos dois buracos negros e, no entanto, brilha com igual intensidade. Os dois fen\u00f3menos n\u00e3o est\u00e3o ligados, mas criam uma paisagem surpreendente de raios-X em M51.<\/p>\n\n\n\n<p>A pequena fonte de raios-X \u00e9 uma estrela de neutr\u00f5es, uma &#8220;pepita&#8221; incrivelmente densa de material deixado para tr\u00e1s aquando da explos\u00e3o de uma estrela no final da sua vida. Uma estrela de neutr\u00f5es t\u00edpica \u00e9 centenas de milhares de vezes mais pequena, em di\u00e2metro, do que o Sol &#8211; tem o tamanho de uma cidade grande &#8211; mas tem uma a duas vezes a sua massa. Uma colher de ch\u00e1 de material de uma estrela de neutr\u00f5es pesaria mais de mil milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do seu tamanho, as estrelas de neutr\u00f5es costumam dar-se a conhecer atrav\u00e9s de intensas emiss\u00f5es de luz. A estrela de neutr\u00f5es situada em M51 \u00e9 ainda mais brilhante do que a m\u00e9dia e pertence a uma classe rec\u00e9m-descoberta conhecida como estrelas de neutr\u00f5es ultraluminosas. Brightman disse que alguns cientistas propuseram que os fortes campos magn\u00e9ticos gerados pela estrela de neutr\u00f5es podiam ser respons\u00e1veis pela emiss\u00e3o luminosa; um artigo anterior de Brightman e colegas, sobre esta estrela de neutr\u00f5es, suporta esta hip\u00f3tese. Algumas das outras fontes de raios-X brilhantes e altamente energ\u00e9ticos, vistas nestas duas gal\u00e1xias, tamb\u00e9m podem ser estrelas de neutr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/jpl\/in-colliding-galaxies-a-pipsqueak-shines-bright\" target=\"_blank\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nustar.caltech.edu\/news\/nustar190220\" target=\"_blank\">\/\/ Caltech (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.3847\/1538-4357\/aae1ae\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1805.12140\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Buracos negros:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gal\u00e1xia do Redemoinho (M51):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.messier.seds.org\/m\/m051.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Whirlpool_Galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estrelas de neutr\u00f5es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutron_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.astro.umd.edu\/~miller\/nstar.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Maryland<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fontes Ultraluminosas de raios-X (ULX, &#8220;ultraluminous X-ray sources&#8221;):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ultraluminous_X-ray_source\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NuSTAR:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/nustar\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nustar.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/NuSTAR\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio Chandra:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial (Harvard)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/centers\/marshall\/news\/chandra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial (NASA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na vizinha Gal\u00e1xia do Redemoinho, e na companheira M51b, dois buracos negros supermassivos aquecem e devoram o material circundante. 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