{"id":1852,"date":"2019-02-22T06:35:55","date_gmt":"2019-02-22T06:35:55","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1852"},"modified":"2019-02-22T06:36:36","modified_gmt":"2019-02-22T06:36:36","slug":"atmosfera-da-terra-estende-se-ate-a-lua-e-alem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/02\/22\/atmosfera-da-terra-estende-se-ate-a-lua-e-alem\/","title":{"rendered":"Atmosfera da Terra estende-se at\u00e9 \u00e0 Lua &#8211; e al\u00e9m"},"content":{"rendered":"\n<p>A parte mais externa da atmosfera do nosso planeta estende-se bem para l\u00e1 da \u00f3rbita lunar &#8211; quase o dobro da dist\u00e2ncia da Lua.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma descoberta recente com base em observa\u00e7\u00f5es da SOHO (Solar and Heliospheric Observatory) da ESA\/NASA mostra que a camada gasosa que envolve a Terra alcan\u00e7a 630.000 km de dist\u00e2ncia, ou 50 vezes o di\u00e2metro do nosso planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A Lua voa atrav\u00e9s da atmosfera da Terra,&#8221; diz Igor Baliukin do Instituto de Pesquisa Espacial da R\u00fassia, autor principal do artigo que divulga os resultados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00f3s n\u00e3o sab\u00edamos disto at\u00e9 que &#8216;tir\u00e1mos o p\u00f3&#8217; a observa\u00e7\u00f5es feitas h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas pela sonda SOHO.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Onde a nossa atmosfera se funde com o espa\u00e7o exterior, h\u00e1 uma nuvem de \u00e1tomos de hidrog\u00e9nio chamada geocoroa. Um dos instrumentos da nave, SWAN, usou os seus sensores sens\u00edveis para tra\u00e7ar a assinatura do hidrog\u00e9nio e detetar com precis\u00e3o qu\u00e3o longe est\u00e3o os limites da geocora.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas observa\u00e7\u00f5es s\u00f3 podiam ser feitas a certas \u00e9pocas do ano, quando a Terra e a sua geocoroa aparecessem no campo de vis\u00e3o do SWAN<\/p>\n\n\n\n<p>Para planetas com hidrog\u00e9nio nas suas exosferas, o vapor de \u00e1gua \u00e9 frequentemente visto mais pr\u00f3ximo da sua superf\u00edcie. Este \u00e9 o caso da Terra, Marte e V\u00e9nus.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isto \u00e9 especialmente interessante quando se procura planetas com potenciais reservat\u00f3rios de \u00e1gua para l\u00e1 do nosso Sistema Solar,&#8221; explica Jean-Loup Bertaux, coautor e investigador principal do SWAN.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro telesc\u00f3pio na Lua, colocado pelos astronautas da Apollo 16 em 1972, capturou uma imagem evocativa da geocoroa em redor da Terra e brilhando intensamente no ultravioleta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Naquela \u00e9poca, os astronautas \u00e0 superf\u00edcie lunar n\u00e3o sabiam que estavam realmente inseridos nos arredores da geocora,&#8221; explica Jean-Loup.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2019\/02\/earth_s_geocorona_from_the_moon\/19243172-1-eng-GB\/Earth_s_geocorona_from_the_Moon.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2019\/02\/earth_s_geocorona_from_the_moon\/19243172-1-eng-GB\/Earth_s_geocorona_from_the_Moon_node_full_image_2.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> A Terra e o seu inv\u00f3lucro de hidrog\u00e9nio, ou geocoroa, vista da Lua. Esta imagem, no ultravioleta, foi obtida em 1972 com uma c\u00e2mara operada pelos astronautas da Apollo 16 na Lua.<br>Uma descoberta recente com base em observa\u00e7\u00f5es da SOHO (Solar and Heliospheric Observatory) da ESA\/NASA mostra que a camada gasosa que envolve a Terra alcan\u00e7a 630.000 km de dist\u00e2ncia, ou 50 vezes o di\u00e2metro do nosso planeta.<br>Cr\u00e9dito: NASA <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Nuvem de hidrog\u00e9nio<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O Sol interage com os \u00e1tomos de hidrog\u00e9nio atrav\u00e9s de um determinado comprimento de onda ultravioleta chamado Lyman-alpha, que os \u00e1tomos podem absorver e emitir. Dado que este tipo de radia\u00e7\u00e3o \u00e9 absorvida pela atmosfera da Terra, s\u00f3 pode ser observada do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 sua c\u00e9lula de absor\u00e7\u00e3o de hidrog\u00e9nio, o instrumento SWAN p\u00f4de medir seletivamente a luz Lyman-alpha da geocoroa e descartar \u00e1tomos de hidrog\u00e9nio mais longe no espa\u00e7o interplanet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo estudo revelou que a luz do Sol comprime \u00e1tomos de hidrog\u00e9nio na geocoroa no lado diurno da Terra, e tamb\u00e9m produz uma regi\u00e3o de densidade refor\u00e7ada no lado noturno. A regi\u00e3o mais densa do hidrog\u00e9nio, no lado diurno, \u00e9 ainda assim bastante esparsa, com apenas 70 \u00e1tomos por cent\u00edmetro c\u00fabico 60.000 km acima da superf\u00edcie da Terra e cerca de 0,2 \u00e1tomos \u00e0 dist\u00e2ncia da Lua.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na Terra, chamar\u00edamos a isto v\u00e1cuo, de modo que esta fonte extra de hidrog\u00e9nio n\u00e3o \u00e9 suficientemente significativa para facilitar a explora\u00e7\u00e3o espacial,&#8221; diz Igor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2019\/02\/soho_observation_of_the_geocorona\/19244778-1-eng-GB\/SOHO_observation_of_the_geocorona.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2019\/02\/soho_observation_of_the_geocorona\/19244778-1-eng-GB\/SOHO_observation_of_the_geocorona_node_full_image_2.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption>A intensidade da emiss\u00e3o de \u00e1tomos de hidrog\u00e9nio na parte externa da atmosfera da Terra, a geocoroa, medida pelo instrumento SWAN a bordo da sonda SOHO da ESA\/NASA. A baixa intensidade \u00e9 indicada em azul, alta a vermelho.<br>Os dados revelaram que a geocoroa alcan\u00e7a 630.000 km de dist\u00e2ncia, ou 50 vezes o di\u00e2metro do nosso planeta. A Terra est\u00e1 localizada no centro da \u00e1rea branca, demasiado pequena para ver vista a esta escala; a extens\u00e3o da \u00f3rbita da Lua em torno da Terra est\u00e1 representada como uma elipse pontilhada para refer\u00eancia.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/NASA\/SOHO\/SWAN; I. Baliukin et al. (2019) <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que estas part\u00edculas n\u00e3o representam uma amea\u00e7a para os viajantes espaciais em futuras miss\u00f5es tripuladas que orbitem a Lua.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;H\u00e1 tamb\u00e9m radia\u00e7\u00e3o ultravioleta associada \u00e0 geocoroa, pois os \u00e1tomos de hidrog\u00e9nio espalham a luz solar em todas as dire\u00e7\u00f5es, mas o impacto sobre os astronautas em \u00f3rbita lunar seria insignificante em compara\u00e7\u00e3o com a principal fonte de radia\u00e7\u00e3o &#8211; o Sol,&#8221; acrescenta Jean-Loup Bertaux.<\/p>\n\n\n\n<p>Do lado negativo, a geocoroa da Terra pode interferir com observa\u00e7\u00f5es astron\u00f3micas futuras realizadas nas proximidades da Lua.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os telesc\u00f3pios espaciais que observam o c\u00e9u no ultravioleta, para estudar a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica de estrelas e gal\u00e1xias, precisariam de levar isto em conta,&#8221; real\u00e7a Jean-Loup.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>O poder dos arquivos<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Lan\u00e7ado em dezembro de 1995, o observat\u00f3rio espacial SOHO tem vindo a estudar o Sol, desde o seu n\u00facleo profundo at\u00e9 \u00e0 coroa externa e vento solar, h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas. O sat\u00e9lite orbita no primeiro ponto de Lagrange (L1), a cerca de 1,5 milh\u00f5es de quil\u00f3metros da Terra em dire\u00e7\u00e3o ao Sol.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2015\/12\/soho\/15706139-1-eng-GB\/SOHO.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2015\/12\/soho\/15706139-1-eng-GB\/SOHO_node_full_image_2.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> <br>Impress\u00e3o de artista da SOHO da ESA e da NASA, com o Sol visto pelo seu telesc\u00f3pio ultravioleta no dia 14 de setembro de 1999.<br>Cr\u00e9dito: sonda &#8211; ESA\/ATG medialab; Sol &#8211; ESA\/NASA\/SOHO <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Esta posi\u00e7\u00e3o \u00e9 um bom ponto de observa\u00e7\u00e3o para observar a geocora de fora. O instrumento SWAN, da SOHO, observou a Terra e a sua atmosfera estendida em tr\u00eas ocasi\u00f5es entre 1996 e 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa de investiga\u00e7\u00e3o de Jean-Loup e Igor, na R\u00fassia, decidiu recuperar este conjunto de dados dos arquivos para an\u00e1lise posterior. Estas vistas \u00fanicas de toda a geocoroa, pela SOHO, est\u00e3o agora a lan\u00e7ar luz sobre a atmosfera da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os dados arquivados h\u00e1 muitos anos podem muitas vezes ser explorados para novas ci\u00eancias,&#8221; diz Bernhard Fleck, cientista do projeto SOHO da ESA. &#8220;Esta descoberta destaca o valor dos dados recolhidos h\u00e1 mais de 20 anos e o excecional desempenho da SOHO.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Earth_s_atmosphere_stretches_out_to_the_Moon_and_beyond\" target=\"_blank\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1029\/2018JA026136\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Journal of Geophysical Research Letters: Space Physics)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>SOHO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sohowww.estec.esa.nl\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial&nbsp;<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/export\/esaSC\/120373_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina da ESA&nbsp;<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_and_Heliospheric_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Geocoroa:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/pluto.space.swri.edu\/image\/glossary\/geocorona.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SwRI<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Geocorona\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Terra:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Earth\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A parte mais externa da atmosfera do nosso planeta estende-se bem para l\u00e1 da \u00f3rbita lunar &#8211; quase o dobro da dist\u00e2ncia da Lua. Uma descoberta recente com base em observa\u00e7\u00f5es da SOHO (Solar and Heliospheric Observatory) da ESA\/NASA mostra que a camada gasosa que envolve a Terra alcan\u00e7a 630.000 km de dist\u00e2ncia, ou 50 &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1853,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[354,125,190],"class_list":["post-1852","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-geocora","tag-soho","tag-terra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1852"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1852\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1855,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1852\/revisions\/1855"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}