{"id":1819,"date":"2019-02-12T06:30:07","date_gmt":"2019-02-12T06:30:07","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1819"},"modified":"2019-02-12T06:30:09","modified_gmt":"2019-02-12T06:30:09","slug":"disco-em-redor-de-estrela-jovem-esta-polvilhado-com-sal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/02\/12\/disco-em-redor-de-estrela-jovem-esta-polvilhado-com-sal\/","title":{"rendered":"Disco em redor de estrela jovem est\u00e1 &#8220;polvilhado com sal&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de astr\u00f3nomos e qu\u00edmicos, com recurso ao ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array), detetou as &#8220;impress\u00f5es digitais&#8221; qu\u00edmicas de cloreto de s\u00f3dio (NaCl) e outros elementos salgados semelhantes emanados do disco empoeirado que rodeia Orion Source I, uma jovem estrela massiva situada numa nuvem de poeira por tr\u00e1s da Nebulosa de Orionte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 incr\u00edvel termos conseguido ver estas mol\u00e9culas,&#8221; comenta Adam Ginsburg, membro do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) em Socorro, no estado norte-americano do Novo M\u00e9xico, autor principal de um artigo aceite para publica\u00e7\u00e3o na revista The Astrophysical Journal. &#8220;Como s\u00f3 t\u00ednhamos visto estes elementos nas camadas externas de estrelas moribundas, n\u00e3o sabemos totalmente o que significa a nossa nova descoberta. A natureza da dete\u00e7\u00e3o, no entanto, mostra que o ambiente em torno desta estrela \u00e9 muito invulgar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para detetar mol\u00e9culas no espa\u00e7o, os astr\u00f3nomos usam radiotelesc\u00f3pios para procurar as suas assinaturas qu\u00edmicas &#8211; picos reveladores nos espectros de r\u00e1dio e em comprimentos de onda milim\u00e9tricos. Os \u00e1tomos e as mol\u00e9culas emitem estes sinais de v\u00e1rias manerias, dependendo da temperatura dos seus ambientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As novas observa\u00e7\u00f5es do ALMA cont\u00eam uma s\u00e9rie de assinaturas espectrais &#8211; ou transi\u00e7\u00f5es, como os astr\u00f3nomos chamam &#8211; das mesmas mol\u00e9culas. Para criar &#8220;impress\u00f5es digitais&#8221; t\u00e3o fortes e variadas, as diferen\u00e7as de temperatura onde as mol\u00e9culas residem devem ser extremas, variando de mais ou menos -175\u00ba C para 3700\u00ba C. Um estudo aprofundado destes picos espectrais pode fornecer informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre o modo como a estrela est\u00e1 a aquecer o disco, o que tamb\u00e9m seria uma medida \u00fatil da luminosidade da estrela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/nrao19cb1_FITS_V2_SD.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/nrao19cb1_FITS_V2_SD-680x874.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> <br>Imagem ALMA do disco salgado em redor da jovem estrela massiva Orion Source I (anel azul). \u00c9 visto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Nuvem Molecular I de Orionte, uma regi\u00e3o de nascimento estelar explosivo. A imagem de fundo, no infravermelho pr\u00f3ximo, foi obtida com o Observat\u00f3rio Gemini.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (NRAO\/ESO\/NAOJ); NRAO\/AUI\/NSF; Observat\u00f3rio Gemini\/AURA <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando olhamos para as informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelo ALMA, vemos cerca de 60 transi\u00e7\u00f5es diferentes &#8211; ou impress\u00f5es digitais \u00fanicas &#8211; de mol\u00e9culas como o cloreto de s\u00f3dio e cloreto de pot\u00e1ssio vindas do disco. Isso \u00e9 impressionante e empolgante,&#8221; disse Brett McGuire, qu\u00edmico do NRAO em Charlottesville, Virginia, EUA, coautor do artigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas especulam que estes sais v\u00eam de gr\u00e3os de poeira que colidiram e derramaram os seus conte\u00fados no disco circundante. As suas observa\u00e7\u00f5es confirmam que as regi\u00f5es salgadas tra\u00e7am a localiza\u00e7\u00e3o do disco circunstelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Normalmente, quando estudamos as protoestrelas desta maneira, os sinais do disco e o fluxo da estrela confundem-se, dificultando a distin\u00e7\u00e3o entre um e o outro,&#8221; comentou Ginsburg. &#8220;Como agora podemos isolar apenas o disco, podemos aprender como se est\u00e1 a mover e quanta massa cont\u00e9m. Tamb\u00e9m nos pode dizer coisas novas sobre a estrela.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dete\u00e7\u00e3o de sinais em torno de uma estrela jovem tamb\u00e9m \u00e9 de interesse para os astr\u00f3nomos e astroqu\u00edmicos porque alguns dos \u00e1tomos constituintes dos sais s\u00e3o metais &#8211; s\u00f3dio e pot\u00e1ssio. Isto sugere que podem existir outras mol\u00e9culas contendo metais neste ambiente. Se assim for, pode ser poss\u00edvel usar observa\u00e7\u00f5es semelhantes para medir a quantidade de metais em regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar. &#8220;Este tipo de estudo n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para n\u00f3s atualmente. Os elementos met\u00e1licos flutuantes s\u00e3o geralmente invis\u00edveis para a radioastronomia,&#8221; real\u00e7ou McGuire.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As assinaturas salgadas foram encontradas a 30-60 UA (UA significa Unidade Astron\u00f3mica, a dist\u00e2ncia m\u00e9dia entre a Terra e o Sol) das estrelas hospedeiras. Com base nas suas observa\u00e7\u00f5es, os astr\u00f3nomos inferem que podem haver at\u00e9 mil trili\u00f5es (10^21) de quilogramas de sal nessa regi\u00e3o, o equivalente \u00e0 massa total dos oceanos da Terra.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-vimeo wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Salty Protostar\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/315951815?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"618\" height=\"348\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso pr\u00f3ximo passo nesta investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 procurar sais e mol\u00e9culas met\u00e1licas noutras regi\u00f5es. Isto ajudar-nos-\u00e1 a compreender se estas &#8216;impress\u00f5es digitais&#8217; qu\u00edmicas s\u00e3o uma ferramenta poderosa no estudo de uma ampla gama de discos protoplanet\u00e1rios, ou se esta dete\u00e7\u00e3o \u00e9 exclusiva desta fonte,&#8221; disse Ginsburg. &#8220;Olhando para o futuro, o ngVLA (Next Generation Very Large Array) ter\u00e1 a combina\u00e7\u00e3o certa de sensibilidade e cobertura de comprimento de onda para estudar estas mol\u00e9culas e talvez us\u00e1-las como rastreadores para discos de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Orion Source I est\u00e1 a ser formada na Nuvem Molecular I de Orionte, uma regi\u00e3o de nascimento estelar explosivo previamente observada com o ALMA. &#8220;Esta estrela foi expelida da sua nuvem natal a uma velocidade de mais ou menos 10 km\/s h\u00e1 cerca de 550 anos,&#8221; disse John Bally, astr\u00f3nomo da Universidade do Colorado e coautor do artigo. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel que gr\u00e3os s\u00f3lidos de sal tenham sido vaporizados por ondas de choque \u00e0 medida que a estrela e o seu disco foram abruptamente acelerados por um encontro pr\u00f3ximo ou por uma colis\u00e3o com outra estrela. Resta saber se o vapor de sal est\u00e1 presente em todos os discos que rodeiam as protoestrelas massivas, ou se esse vapor assinala eventos violentos como o que observ\u00e1mos com o ALMA.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/en\/press-release\/liberal-sprinkling-of-salt-discovered-around-a-young-star\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio ALMA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/2019-alma-salt-star\/\" target=\"_blank\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1901.04489\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Saiba\u00a0mais:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nuvem Molecular de Orionte:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.blahblah.blah\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discos protoplanet\u00e1rios:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protoplanetary_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nebular_hypothesis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/alma.mtk.nao.ac.jp\/e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ngVLA (Next Generation Very Large Array):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/ngvla.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa de astr\u00f3nomos e qu\u00edmicos, com recurso ao ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array), detetou as &#8220;impress\u00f5es digitais&#8221; qu\u00edmicas de cloreto de s\u00f3dio (NaCl) e outros elementos salgados semelhantes emanados do disco empoeirado que rodeia Orion Source I, uma jovem estrela massiva situada numa nuvem de poeira por tr\u00e1s da Nebulosa de Orionte. &#8220;\u00c9 incr\u00edvel &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1820,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,1,59],"tags":[305,289,345],"class_list":["post-1819","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-telescopios-profissionais","category-via-lactea","tag-alma","tag-formacao-planetaria","tag-nuvem-molecular-de-orionte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1819","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1819"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1819\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1821,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1819\/revisions\/1821"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1820"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1819"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1819"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1819"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}