{"id":1810,"date":"2019-02-08T06:26:56","date_gmt":"2019-02-08T06:26:56","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1810"},"modified":"2019-02-08T06:31:36","modified_gmt":"2019-02-08T06:31:36","slug":"linha-de-neve-revela-moleculas-organicas-em-torno-de-estrela-jovem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/02\/08\/linha-de-neve-revela-moleculas-organicas-em-torno-de-estrela-jovem\/","title":{"rendered":"&#8220;Linha de neve&#8221; revela mol\u00e9culas org\u00e2nicas em torno de estrela jovem"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recorrendo ao ALMA, os astr\u00f3nomos detetaram v\u00e1rias mol\u00e9culas org\u00e2nicas complexas em redor da jovem estrela V883 Ori. Uma explos\u00e3o repentina da estrela est\u00e1 a libertar mol\u00e9culas dos compostos gelados situados no disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. A composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do disco \u00e9 semelhante \u00e0 dos cometas no Sistema Solar moderno. As observa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis do ALMA permitiram com que os cientistas reconstru\u00edssem a evolu\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas org\u00e2nicas desde o nascimento do Sistema Solar at\u00e9 aos objetos que vemos hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de investiga\u00e7\u00e3o, liderada por Jeong-Eun Lee (Universidade de Kyung Hee, Coreia), usou o ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array) para detetar mol\u00e9culas org\u00e2nicas complexas, incluindo metanol (CH<sub>3<\/sub>OH), acetona (CH<sub>3<\/sub>COCH3), acetalde\u00eddo (CH<sub>3<\/sub>CHO), formiato de metila (CH<sub>3<\/sub>OCHO) e acetonitrilo (CH<sub>3<\/sub>CN). Esta \u00e9 a primeira vez que a acetona foi detetada sem ambiguidade numa regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria ou disco protoplanet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/V883Ori_dust_methanol.png\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"680\" height=\"655\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/V883Ori_dust_methanol-680x655.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1811\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/V883Ori_dust_methanol-680x655.png 680w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/V883Ori_dust_methanol-680x655-300x289.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><\/a><figcaption>Imagem, a cores falsas, de V883 Ori obtida com o ALMA. A distribui\u00e7\u00e3o da poeira pode ser vista em tons laranja e a distribui\u00e7\u00e3o do metanol, uma mol\u00e9cula org\u00e2nica, tem tons azuis.\nCr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO), Lee et al.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V\u00e1rias mol\u00e9culas est\u00e3o congeladas no gelo em torno de part\u00edculas de poeira de tamanho microsc\u00f3pico nos discos protoplanet\u00e1rios. O surto repentino de V883 Ori est\u00e1 a aquecer o disco e a sublimar o gelo, que liberta as mol\u00e9culas sob a forma de g\u00e1s. A regi\u00e3o, num disco, onde a temperatura atinge o ponto de sublima\u00e7\u00e3o das mol\u00e9culas, tem o nome &#8220;linha de neve&#8221;. Os raios das linhas de neve t\u00eam algumas Unidades Astron\u00f3micas em torno de estrelas jovens normais, mas s\u00e3o ampliadas quase 10 vezes em torno de estrelas explosivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 dif\u00edcil fotografar um disco \u00e0 escala de algumas UAs com os telesc\u00f3pios atuais,&#8221; comentou Lee. &#8220;No entanto, em torno de uma estrela com comportamentos explosivos, o gelo derrete numa \u00e1rea mais ampla do disco e \u00e9 mais f\u00e1cil ver a distribui\u00e7\u00e3o das mol\u00e9culas. Estamos interessados na distribui\u00e7\u00e3o das mol\u00e9culas org\u00e2nicas complexas como blocos de constru\u00e7\u00e3o da vida.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/V883Ori.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/V883Ori-680x680.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> <br>Impress\u00e3o de artista do disco protoplanet\u00e1rio em torno da jovem estrela V883 Ori. A regi\u00e3o mais exterior do disco \u00e9 fria e as part\u00edculas de poeira est\u00e3o cobertas de gelo. O ALMA detetou v\u00e1rias mol\u00e9culas org\u00e2nicas complexas em torno da linha de neve da \u00e1gua no disco.<br>Cr\u00e9dito: NAOJ <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O gelo, incluindo mol\u00e9culas org\u00e2nicas congeladas, pode estar intimamente relacionado com a origem da vida nos planetas. No nosso Sistema Solar, os cometas s\u00e3o o foco da aten\u00e7\u00e3o por causa dos seus ricos elementos gelados. Por exemplo, a lend\u00e1ria exploradora comet\u00e1ria, a sonda Rosetta da ESA, descobriu uma valiosa qu\u00edmica org\u00e2nica em torno do Cometa Churyumov-Gerasimenko. Pensa-se que os cometas se tenham formado nas regi\u00f5es mais frias e exteriores do proto-Sistema Solar, onde as mol\u00e9culas estavam contidas no gelo. O estudo da composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do gelo nos discos protoplanet\u00e1rios est\u00e1 diretamente relacionado com o estudo das mol\u00e9culas org\u00e2nicas nos cometas e com a origem dos elementos b\u00e1sicos da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gra\u00e7as \u00e0 vis\u00e3o detalhada do ALMA e \u00e0 mais larga linha de neve provocada pelo surto estelar, os astr\u00f3nomos obtiveram a distribui\u00e7\u00e3o espacial do metanol e do acetalde\u00eddo. A distribui\u00e7\u00e3o dessas mol\u00e9culas tem uma estrutura semelhante a um anel com um raio de 60 UA, o equivalente ao dobro do tamanho da \u00f3rbita de Neptuno. Os investigadores sup\u00f5em que dentro deste anel as mol\u00e9culas s\u00e3o invis\u00edveis porque s\u00e3o obscurecidas por material espesso e empoeirado, e s\u00e3o invis\u00edveis fora deste raio porque est\u00e3o incorporadas no gelo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/snowline_illustration2E.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/snowline_illustration2E-680x745.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> <br>Ilustra\u00e7\u00e3o esquem\u00e1tica da composi\u00e7\u00e3o dos discos protoplanet\u00e1rios no estado normal e durante a fase de surto. V883 Ori est\u00e1 a sofrer um surto do tipo FU Orionis e o aumento de temperatura no disco empurra a linha de neve para fora, fazendo com que v\u00e1rias mol\u00e9culas contidas no gelo sejam libertadas sob a forma de g\u00e1s.<br>Cr\u00e9dito: NAOJ <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Dado que os planetas rochosos e gelados s\u00e3o feitos de material s\u00f3lido, a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos s\u00f3lidos nos discos \u00e9 de especial import\u00e2ncia. Estes surtos explosivos s\u00e3o oportunidades \u00fanicas de investigar sublimados frescos e, portanto, a composi\u00e7\u00e3o dos s\u00f3lidos,&#8221; explicou Yuri Aikawa da Universidade de T\u00f3quio, membro da equipa de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V883 Ori \u00e9 uma estrela jovem localizada a 1300 anos-luz da Terra. Esta estrela est\u00e1 a passar por uma fase explosiva do tipo FU Orionis, um aumento s\u00fabito de luminosidade devido a uma corrente de material que flui do disco para a estrela. Estes surtos duram apenas um s\u00e9culo, de modo que as oportunidades para observa\u00e7\u00e3o s\u00e3o bastante raras. No entanto, dado que estrelas jovens com uma ampla gama de idades sofrem surtos do tipo FU Orionis, os astr\u00f3nomos esperam poder tra\u00e7ar a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do gelo ao longo da evolu\u00e7\u00e3o de estrelas jovens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.almaobservatory.org\/en\/press-release\/retreating-snow-line-reveals-organic-molecules-around-young-star\/\" target=\"_blank\">\/\/ Observat\u00f3rio ALMA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-018-0680-0\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1809.00353\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>V883 Orionis:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/V883_Orionis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Classe FU Orionis:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/FU_Orionis_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/FU_Orionis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrela FU Orionis (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Discos protoplanet\u00e1rios:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protoplanetary_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nebular_hypothesis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/alma.mtk.nao.ac.jp\/e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recorrendo ao ALMA, os astr\u00f3nomos detetaram v\u00e1rias mol\u00e9culas org\u00e2nicas complexas em redor da jovem estrela V883 Ori. Uma explos\u00e3o repentina da estrela est\u00e1 a libertar mol\u00e9culas dos compostos gelados situados no disco de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. A composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do disco \u00e9 semelhante \u00e0 dos cometas no Sistema Solar moderno. 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