{"id":1774,"date":"2019-01-25T06:28:05","date_gmt":"2019-01-25T06:28:05","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1774"},"modified":"2019-01-25T06:28:06","modified_gmt":"2019-01-25T06:28:06","slug":"levantando-o-veu-do-buraco-negro-no-coracao-da-nossa-galaxia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/01\/25\/levantando-o-veu-do-buraco-negro-no-coracao-da-nossa-galaxia\/","title":{"rendered":"Levantando o v\u00e9u do buraco negro no cora\u00e7\u00e3o da nossa Gal\u00e1xia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Juntando pela primeira vez o poderoso ALMA a uma s\u00e9rie de telesc\u00f3pios, os astr\u00f3nomos descobriram que a emiss\u00e3o do buraco negro supermassivo Sagit\u00e1rio A* (Sgr A*), no centro da nossa Gal\u00e1xia, vem de uma regi\u00e3o mais pequena do que se pensava anteriormente. Isto pode indicar que um jato de r\u00e1dio oriundo de Sgr A* est\u00e1 apontado quase diretamente para a Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 agora, uma nuvem de g\u00e1s quente tem impedido os astr\u00f3nomos de obter imagens detalhadas do buraco negro supermassivo Sgr A* e instigado d\u00favidas na sua verdadeira natureza. Inclu\u00edram agora, e pela primeira vez, o poderoso telesc\u00f3pio ALMA no norte do Chile numa rede global de radiotelesc\u00f3pios para penetrar atrav\u00e9s desta neblina, mas a fonte continua a surpreender: a sua regi\u00e3o de emiss\u00e3o \u00e9 t\u00e3o pequena que a fonte pode estar apontada diretamente na dire\u00e7\u00e3o da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Observando a uma frequ\u00eancia de 86 GHz com a t\u00e9cnica de interferometria de linha de base muito longa (VLBI, ingl\u00eas para &#8220;Very Long Baseline Interferometry&#8221;), que combina muitos telesc\u00f3pios para formar um telesc\u00f3pio virtual com o tamanho da Terra, a equipa conseguiu mapear as propriedades exatas da dispers\u00e3o de luz que bloqueia a nossa vis\u00e3o de Sgr A*. A remo\u00e7\u00e3o da maioria dos efeitos de dispers\u00e3o produziu uma primeira imagem da vizinhan\u00e7a do buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A alta qualidade da imagem permitiu que a equipa restringisse modelos te\u00f3ricos para o g\u00e1s em torno de Sgr A*. A maior parte da emiss\u00e3o de r\u00e1dio vem de apenas 300 milion\u00e9simos de grau e a fonte tem uma morfologia sim\u00e9trica. &#8220;Isso pode indicar que a emiss\u00e3o de r\u00e1dio \u00e9 produzida num disco de g\u00e1s em queda em vez de um jato de r\u00e1dio,&#8221; explica Sara Issaoun, estudante da Universidade Radboud em Nijmegen, Pa\u00edses Baixos, que liderou o trabalho e testou v\u00e1rios modelos de computador contra os dados. &#8220;No entanto, isso tornaria Sgr A* uma exce\u00e7\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o com outros buracos negros emissores de r\u00e1dio. A alternativa pode ser que o jato de r\u00e1dio est\u00e1 apontado quase na nossa dire\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O astr\u00f3nomo alem\u00e3o Heino Falcke, professor de Radioastronomia da mesma Universidade e orientador de doutoramento de Issaoun, acha esta ideia muito invulgar, mas tamb\u00e9m n\u00e3o a descarta. No ano passado, Falcke teria considerado este modelo um tanto ou quanto &#8220;fabricado&#8221;, mas recentemente a equipa GRAVITY chegou a uma conclus\u00e3o semelhante usando o interfer\u00f3metro do VLT do ESO e uma t\u00e9cnica independente. &#8220;Talvez seja realmente verdade,&#8221; conclui Falcke, &#8220;e estamos a olhar para este monstro a partir de um ponto de vista muito especial.&#8221;<br><br>Os buracos negros supermassivos s\u00e3o comuns nos centros das gal\u00e1xias e podem gerar os fen\u00f3menos mais energ\u00e9ticos do Universo conhecido. Pensa-se que, em redor destes buracos negros, a mat\u00e9ria cai num disco girat\u00f3rio e parte dessa mat\u00e9ria \u00e9 expelida em dire\u00e7\u00f5es opostas ao longo de dois feixes estreitos, chamados jatos, a velocidades pr\u00f3ximas da da luz, o que normalmente produz muito r\u00e1dio. &#8220;Saber se a emiss\u00e3o de r\u00e1dio oriunda de Sgr A* tem origem numa estrutura assim\u00e9trica subjacente, ou se \u00e9 intrinsecamente assim\u00e9trica, \u00e9 uma quest\u00e3o de intensa discuss\u00e3o,&#8221; explica Thomas Krichbaum, membro da equipa.<br><br>Sgr A* \u00e9 o buraco negro supermassivo mais pr\u00f3ximo e tem cerca de 4 milh\u00f5es de vezes a massa do Sol. O seu tamanho aparente no c\u00e9u corresponde a menos de 100 milion\u00e9simos de grau, o que equivale ao tamanho de uma bola de t\u00e9nis \u00e0 dist\u00e2ncia da Lua. Para medir isto, \u00e9 necess\u00e1ria a t\u00e9cnica de VLBI. A resolu\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada com a VLBI \u00e9 ainda aumentada pela frequ\u00eancia de observa\u00e7\u00e3o. A frequ\u00eancia mais alta, at\u00e9 \u00e0 data, para a t\u00e9cnica VLBI, \u00e9 de 230 GHz. &#8220;As primeiras observa\u00e7\u00f5es de Sgr A*, a 86 GHz, datam de h\u00e1 26 anos atr\u00e1s, lideradas por Thomas Kirchbaum no nosso Instituto, apenas com um punhado de telesc\u00f3pios. Ao longo dos anos, a qualidade dos dados e das capacidades de imagem melhorou constantemente \u00e0 medida que se juntavam mais telesc\u00f3pios,&#8221; diz J. Anton Zensus, diretor do Instituto Max Planck para Radioastronomia e l\u00edder da sua divis\u00e3o de Radioastronomia\/VLBI.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.mpifr-bonn.mpg.de\/4408630\/original-1548058150.jpg?t=eyJ3aWR0aCI6ODAwLCJoZWlnaHQiOjYwMCwib2JqX2lkIjo0NDA4NjMwfQ==--ee880fc7f67b68ac1816eaa05b01f195e3742b94\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.mpifr-bonn.mpg.de\/4408630\/original-1548058150.jpg?t=eyJ3aWR0aCI6NTQwLCJvYmpfaWQiOjQ0MDg2MzB9--2774f386039fce0e4ea39f9f002c72b07137fb0c\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> <br>A rede GMVA (Global Milimeter VLBI Array), da qual o ALMA j\u00e1 faz parte.<br>Cr\u00e9dito: S. Issaoun, Universidade Radboud\/D. Pesce, CfA <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As descobertas de Issaoun e da sua equipa internacional descrevem as primeiras observa\u00e7\u00f5es a 86 GHz nas quais o ALMA tamb\u00e9m participou, de longe o telesc\u00f3pio mais sens\u00edvel nessa frequ\u00eancia. O ALMA passou a fazer parte do GMVA (Global Millimeter VLBI Array), operado pelo Instituto Max Planck para Radioastronomia, em abril de 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A participa\u00e7\u00e3o do ALMA \u00e9 importante devido \u00e0 sua sensibilidade e \u00e0 sua localiza\u00e7\u00e3o no hemisf\u00e9rio sul. Al\u00e9m do ALMA, tamb\u00e9m pertencem \u00e0 rede global outros doze radiotelesc\u00f3pios na Am\u00e9rica do Norte e na Europa. A resolu\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada foi duas vezes maior do que em observa\u00e7\u00f5es anteriores nesta frequ\u00eancia e produziu a primeira imagem de Sgr A* que \u00e9 consideravelmente reduzida em termos de dispers\u00e3o interestelar (um efeito provocado por irregularidades na densidade do material ionizado ao longo da linha de vis\u00e3o entre Sgr A* e a Terra).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para remover a dispers\u00e3o e obter a imagem, a equipa usou uma t\u00e9cnica desenvolvida por Michael Johnson do Centro Harvard-Smithsonian para Astrof\u00edsica. &#8220;Embora a dispers\u00e3o desfoque e distor\u00e7a a imagem de Sgr A*, a incr\u00edvel resolu\u00e7\u00e3o destas observa\u00e7\u00f5es permitiu-nos determinar as propriedades exatas da dispers\u00e3o,&#8221; diz Johnson. &#8220;Pudemos ent\u00e3o remover a maioria dos efeitos da dispers\u00e3o e come\u00e7ar a ver o aspeto das &#8216;coisas&#8217; perto do buraco negro. A grande novidade \u00e9 que essas observa\u00e7\u00f5es mostram que a dispers\u00e3o n\u00e3o vai impedir com que o EHT (Event Horizon Telescope) observe uma sombra do buraco negro a 230 GHz, caso haja uma sombra para ver.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os estudos futuros, a diferentes comprimentos de onda, v\u00e3o fornecer informa\u00e7\u00f5es complementares e restri\u00e7\u00f5es adicionais para esta fonte, que det\u00e9m a chave para uma melhor compreens\u00e3o dos buracos negros, os objetos mais ex\u00f3ticos do Universo conhecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.mpifr-bonn.mpg.de\/pressreleases\/2019\/1\" target=\"_blank\">\/\/ Instituto Max Planck para Radioastronomia (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.ru.nl\/astrophysics\/news-agenda\/news\/news-ru\/lifting-veil-black-hole-heart-our-galaxy\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade Radboud (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.cfa.harvard.edu\/news\/2019-04\" target=\"_blank\">\/\/ Centro Harvard-Smithsonian para Astrof\u00edsica (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.iram-institute.org\/EN\/news\/2019\/166.html\" target=\"_blank\">\/\/ IRAM (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/aaf732\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/1901.06226\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sagit\u00e1rio A*:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sagittarius_A*\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLBI:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very-long-baseline_interferometry\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ALMA:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/alma.mtk.nao.ac.jp\/e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NAOJ)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>EHT (Event Horizon Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eventhorizontelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Event_Horizon_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juntando pela primeira vez o poderoso ALMA a uma s\u00e9rie de telesc\u00f3pios, os astr\u00f3nomos descobriram que a emiss\u00e3o do buraco negro supermassivo Sagit\u00e1rio A* (Sgr A*), no centro da nossa Gal\u00e1xia, vem de uma regi\u00e3o mais pequena do que se pensava anteriormente. 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