{"id":1719,"date":"2019-01-11T06:53:47","date_gmt":"2019-01-11T06:53:47","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1719"},"modified":"2019-01-11T06:53:48","modified_gmt":"2019-01-11T06:53:48","slug":"gaia-revela-como-estrelas-parecidas-com-o-sol-se-tornam-solidas-apos-a-sua-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/01\/11\/gaia-revela-como-estrelas-parecidas-com-o-sol-se-tornam-solidas-apos-a-sua-morte\/","title":{"rendered":"Gaia revela como estrelas parecidas com o Sol se tornam s\u00f3lidas ap\u00f3s a sua morte"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dados obtidos pela miss\u00e3o Gaia da ESA revelaram, pela primeira vez, como as an\u00e3s brancas, os remanescentes de estrelas como o nosso Sol, se transformam em esferas s\u00f3lidas \u00e0 medida que o g\u00e1s quente no seu interior arrefece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este processo de solidifica\u00e7\u00e3o, ou cristaliza\u00e7\u00e3o, do material dentro das an\u00e3s brancas, foi previsto h\u00e1 50 anos, mas s\u00f3 com a chegada do Gaia \u00e9 que os astr\u00f3nomos foram capazes de observar um n\u00famero suficiente destes objetos, com tal precis\u00e3o, para ver o padr\u00e3o revelador deste processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Anteriormente, t\u00ednhamos dist\u00e2ncias para apenas algumas centenas de an\u00e3s brancas e muitas delas encontravam-se em enxames, onde todas t\u00eam a mesma idade,&#8221; diz Pier-Emmanuel Tremblay da Universidade de Warwick, Reino Unido, autor principal do artigo que descreve os resultados, publicado anteontem na revista Nature.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Com o Gaia temos agora a dist\u00e2ncia, brilho e cor de centenas de milhares de an\u00e3s brancas para uma amostra consider\u00e1vel no disco externo da Via L\u00e1ctea, abrangendo uma gama de massas iniciais e todos os tipos de idades.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 na estimativa precisa da dist\u00e2ncia destas estrelas que o Gaia fez um grande avan\u00e7o, permitindo que os astr\u00f3nomos avaliassem o seu verdadeiro brilho com uma precis\u00e3o sem precedentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e3s brancas s\u00e3o os remanescentes de estrelas de tamanho m\u00e9dio parecidas com o nosso Sol. Assim que estas estrelas queimam todo o seu combust\u00edvel nuclear no n\u00facleo, perdem as suas camadas externas, deixando para tr\u00e1s um n\u00facleo quente que come\u00e7a a arrefecer.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2018\/03\/stellar_evolution\/17397989-1-eng-GB\/Stellar_evolution.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2018\/03\/stellar_evolution\/17397989-1-eng-GB\/Stellar_evolution_node_full_image_2.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> <br>Impress\u00e3o de artista de alguns poss\u00edveis percursos evolucion\u00e1rios para estrelas de diferentes massas iniciais.<br>Algumas protoestrelas, an\u00e3s castanhas, na realidade nunca se tornam quentes o suficiente para despoletar a igni\u00e7\u00e3o nuclear em estrelas propriamente ditas, e simplesmente arrefecem e desaparecem.<br>As an\u00e3s vermelhas, o tipo mais comum de estrela, continuam a queimar combust\u00edvel at\u00e9 que transformam todo o seu hidrog\u00e9nio em h\u00e9lio, transformando-se em an\u00e3s brancas.<br>As estrelas parecidas com o Sol incham para an\u00e3s vermelhas antes de libertar as suas camadas exteriores, dando origem a nebulosas coloridas enquanto os seus n\u00facleos colapsam para uma an\u00e3 branca.<br>As estrelas mais massivas colapsam abruptamente assim que queimam todo o seu combust\u00edvel, despoletando uma explos\u00e3o de supernova ou explos\u00e3o de raios-gama, deixando para tr\u00e1s uma estrela de neutr\u00f5es ou um buraco negro.<br>Cr\u00e9dito: ESA<br>(clique na imagem para ver vers\u00e3o maior) <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes remanescentes ultradensos ainda emitem radia\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica enquanto arrefecem, e s\u00e3o vis\u00edveis para os astr\u00f3nomos como objetos bastante t\u00e9nues. Estima-se que at\u00e9 97% das estrelas na Via L\u00e1ctea acabem, eventualmente, por se transformar em an\u00e3s brancas, enquanto as estrelas mais massivas acabam como estrelas de neutr\u00f5es ou buracos negros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O arrefecimento das an\u00e3s brancas dura milhares de milh\u00f5es de anos. Quando atingem uma determinada temperatura, a mat\u00e9ria originalmente quente dentro do n\u00facleo estelar come\u00e7a a cristalizar, tornando-se s\u00f3lida. O processo \u00e9 semelhante \u00e0 \u00e1gua l\u00edquida que se transforma em gelo na Terra a 0\u00ba C, exceto que a temperatura desta solidifica\u00e7\u00e3o que ocorre nas an\u00e3s brancas \u00e9 extremamente alta &#8211; cerca de 10 milh\u00f5es de graus Celsius.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste estudo, os astr\u00f3nomos analisaram mais de 15.000 candidatos a remanescente estelar at\u00e9 300 anos-luz da Terra, observados pelo Gaia, e foram capazes de ver estas an\u00e3s brancas cristalizantes como um grupo bastante distinto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Vimos um conjunto de an\u00e3s brancas de certas cores e luminosidades que, de outra forma, n\u00e3o estavam ligadas em termos de evolu\u00e7\u00e3o,&#8221; comenta Pier-Emmanuel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Percebemos que esta n\u00e3o era uma popula\u00e7\u00e3o distinta de an\u00e3s brancas, mas o efeito do arrefecimento e da cristaliza\u00e7\u00e3o prevista h\u00e1 50 anos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2019\/01\/white_dwarf_cooling_sequence_and_crystallisation\/19182283-1-eng-GB\/White_dwarf_cooling_sequence_and_crystallisation.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2019\/01\/white_dwarf_cooling_sequence_and_crystallisation\/19182283-1-eng-GB\/White_dwarf_cooling_sequence_and_crystallisation_large.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption> <br>Este diagrama, conhecido como diagrama Hertzsprung-Russell (em honra aos astr\u00f3nomos que o desenvolveram, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, para estudar a evolu\u00e7\u00e3o estelar), combina informa\u00e7\u00e3o sobre o brilho, cor e dist\u00e2ncia de mais de 15.000 an\u00e3s brancas at\u00e9 300 anos-luz da Terra. Os dados, vistos como pontos negros, s\u00e3o parte da segunda vers\u00e3o do cat\u00e1logo Gaia da ESA.<br>As an\u00e3s brancas s\u00e3o os remanescentes de estrelas de tamanho m\u00e9dio parecidas com o nosso Sol. Assim que estas estrelas queimam todo o seu combust\u00edvel nuclear no n\u00facleo, perdem as suas camadas externas, deixando para tr\u00e1s um n\u00facleo quente que come\u00e7a a arrefecer.<br>No diagrama, as linhas azuis mostram a sequ\u00eancia de arrefecimento das an\u00e3s brancas com massas diferentes &#8211; 0,6, 0,9 e 1,1 vezes a massa do Sol, respetivamente &#8211; como previsto pelos modelos te\u00f3ricos.<br>Ao analisarem os dados do Gaia, os cientistas descobriram um conjunto de an\u00e3s brancas de certas cores e luminosidades (real\u00e7ado com as linhas laranja) que, de outra forma, n\u00e3o estavam ligadas em termos da sua evolu\u00e7\u00e3o. Perceberam que este agrupamento n\u00e3o era uma popula\u00e7\u00e3o distinta de an\u00e3s brancas, mas o efeito do arrefecimento e cristaliza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria originalmente quente no n\u00facleo estelar.<br>Esta \u00e9 a primeira evid\u00eancia de cristaliza\u00e7\u00e3o no interior das an\u00e3s brancas, um processo previsto em 1968.<br>Cr\u00e9dito: Cortesia de Pier-Emmanuel Tremblay et al.<br>(clique na imagem para ver vers\u00e3o maior) <br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O calor libertado durante este processo de cristaliza\u00e7\u00e3o, que dura v\u00e1rios milhares de milh\u00f5es de anos, aparentemente atrasa a evolu\u00e7\u00e3o das an\u00e3s brancas: as estrelas mortas param de escurecer e, como resultado, parecem ser at\u00e9 dois mil milh\u00f5es de anos mais jovens do que realmente s\u00e3o. Isso, por sua vez, tem um impacto na nossa compreens\u00e3o dos grupos estelares de que estas an\u00e3s brancas fazem parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As an\u00e3s brancas s\u00e3o tradicionalmente usadas para a determina\u00e7\u00e3o da idade das popula\u00e7\u00f5es estelares em enxames, no disco exterior e no halo da nossa Via L\u00e1ctea,&#8221; explica Pier-Emmanuel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Teremos agora que desenvolver melhores modelos de cristaliza\u00e7\u00e3o para obter estimativas mais precisas das idades destes sistemas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nem todas as an\u00e3s brancas cristalizam ao mesmo ritmo. As estrelas mais massivas arrefecem mais rapidamente e atingem a temperatura na qual a cristaliza\u00e7\u00e3o ocorre em aproximadamente mil milh\u00f5es de anos. As an\u00e3s brancas com massas mais baixas, mais pr\u00f3ximas do est\u00e1gio final do Sol, arrefecem mais lentamente, exigindo at\u00e9 seis mil milh\u00f5es de anos para se transformarem em esferas s\u00f3lidas e mortas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Sol ainda tem cerca de cinco mil milh\u00f5es de anos antes de se transformar numa an\u00e3 branca, e os astr\u00f3nomos estimam que levar\u00e1 outros cinco mil milh\u00f5es de anos para arrefecer numa esfera de cristal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este resultado destaca a versatilidade do Gaia e das suas in\u00fameras aplica\u00e7\u00f5es,&#8221; comenta Timo Prusti, cientista do projeto Gaia da ESA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 emocionante como o estudo das estrelas pelo c\u00e9u e a medi\u00e7\u00e3o das suas propriedades pode levar a evid\u00eancias de fen\u00f3menos de plasma numa mat\u00e9ria t\u00e3o densa que n\u00e3o pode ser testada em laborat\u00f3rio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\/Gaia_reveals_how_Sun-like_stars_turn_solid_after_their_demise\" target=\"_blank\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/newsandevents\/pressreleases\/thousands_of_stars\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.utexas.edu\/2019\/01\/09\/thousands-of-stars-observed-turning-into-crystals-for-the-first-time\/\" target=\"_blank\">\/\/ Universidade do Texas em Austin (comunicado de imprensa)<\/a><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41586-018-0791-x\" target=\"_blank\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3s brancas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/imagine.gsfc.nasa.gov\/docs\/science\/know_l2\/dwarfs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Evolu\u00e7\u00e3o estelar:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_evolution\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"http:\/\/gea.esac.esa.int\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/guide-to-scientists\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Como usar os dados do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/60036-gaia-data-release-2-virtual-reality-resources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Recursos VR<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.spaceflight101.com\/gaia-spacecraft-overview.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACEFLIGHT101<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados obtidos pela miss\u00e3o Gaia da ESA revelaram, pela primeira vez, como as an\u00e3s brancas, os remanescentes de estrelas como o nosso Sol, se transformam em esferas s\u00f3lidas \u00e0 medida que o g\u00e1s quente no seu interior arrefece. 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