{"id":1709,"date":"2019-01-11T06:39:35","date_gmt":"2019-01-11T06:39:35","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1709"},"modified":"2019-01-11T06:49:20","modified_gmt":"2019-01-11T06:49:20","slug":"cidadaos-cientistas-descobrem-novo-mundo-com-o-telescopio-kepler","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2019\/01\/11\/cidadaos-cientistas-descobrem-novo-mundo-com-o-telescopio-kepler\/","title":{"rendered":"Cidad\u00e3os cientistas descobrem novo mundo com o Telesc\u00f3pio Kepler"},"content":{"rendered":"\n<p>Usando dados do telesc\u00f3pio espacial Kepler da NASA, cidad\u00e3os cientistas descobriram um planeta com aproximadamente o dobro do tamanho da Terra localizado dentro da zona habit\u00e1vel da sua estrela, a gama de dist\u00e2ncias orbitais onde a \u00e1gua l\u00edquida pode existir \u00e0 superf\u00edcie do planeta. O novo mundo, conhecido como K2-288Bb, pode ser rochoso ou pode ser um planeta rico em g\u00e1s semelhante a Neptuno. O seu tamanho \u00e9 raro entre os exoplanetas &#8211; planetas para l\u00e1 do nosso Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 uma descoberta muito emocionante devido \u00e0 forma como foi encontrado, devido \u00e0 sua \u00f3rbita amena e porque planetas deste tamanho parecem ser relativamente invulgares,&#8221; disse Adina Feinstein, estudante da Universidade de Chicago que discutiu a descoberta na passada segunda-feira, dia 7 de janeiro, na 233.\u00aa reuni\u00e3o da Sociedade Astron\u00f3mica em Seattle, EUA. Ela \u00e9 tamb\u00e9m a autora principal de um artigo que descreve o novo planeta, aceite para publica\u00e7\u00e3o na revista The Astronomical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p>Localizado a 226 anos-luz de dist\u00e2ncia na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Touro, o planeta encontra-se num sistema estelar conhecido como K2-288, que cont\u00e9m um par de estrelas t\u00e9nue e frias do tipo-M separadas por aproximadamente 8,2 mil milh\u00f5es de quil\u00f3metros &#8211; cerca de seis vezes a dist\u00e2ncia entre Saturno e o Sol. A estrela mais brilhante tem mais ou menos metade da massa e do tamanho do Sol, enquanto a sua companheira tem aproximadamente um-ter\u00e7o da massa e tamanho do Sol. O novo planeta, K2-288Bb, orbita a estrela mais pequena e fraca a cada 31,3 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, Feinstein e Makennah Bristow, estudante da Universidade da Carolina do Norte em Asheville, trabalhavam como estagi\u00e1rias com Joshua Schlieder, astrof\u00edsico do Centro Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. Vasculhavam os dados do Kepler em busca de evid\u00eancias de tr\u00e2nsitos, diminui\u00e7\u00f5es regulares no brilho estelar provocado pela passagem de um planeta em \u00f3rbita, a partir da nossa perspetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao examinarem dados da quarta campanha de observa\u00e7\u00f5es da miss\u00e3o K2 do Kepler, a equipa notou dois prov\u00e1veis tr\u00e2nsitos planet\u00e1rios no sistema. Mas os cientistas precisam de um terceiro tr\u00e2nsito antes de reivindicar a descoberta de um candidato a planeta, e n\u00e3o havia um terceiro sinal nas observa\u00e7\u00f5es que reviram.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a equipa n\u00e3o estava realmente a analisar todos os dados.<\/p>\n\n\n\n<p>No modo K2 do Kepler, que funcionou de 2014 a 2018, o telesc\u00f3pio reposicionava-se para apontar para uma nova zona do c\u00e9u no in\u00edcio de cada campanha de observa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas meses. Os astr\u00f3nomos estavam inicialmente preocupados que esse reposicionamento provocasse erros sistem\u00e1ticos nas medi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A reorienta\u00e7\u00e3o do Kepler, relativa ao Sol, provocava mudan\u00e7as min\u00fasculas na forma do telesc\u00f3pio e na temperatura dos componentes eletr\u00f3nicos, o que inevitavelmente afetava as medi\u00e7\u00f5es sens\u00edveis do Kepler nos primeiros dias de cada campanha,&#8221; explicou o coautor Geert Barentsen, astrof\u00edsico do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, no estado norte-americano da Calif\u00f3rnia, e diretor do gabinete de observadores convidados para as miss\u00f5es Kepler e K2.<\/p>\n\n\n\n<p>Para lidar com isto, vers\u00f5es anteriores do software usado para preparar os dados para a an\u00e1lise de localiza\u00e7\u00e3o exoplanet\u00e1ria simplesmente ignoravam os primeiros dias de observa\u00e7\u00e3o &#8211; e \u00e9 a\u00ed que o terceiro tr\u00e2nsito estava escondido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que os cientistas aprenderam a corrigir estes erros sistem\u00e1ticos, esta etapa de remo\u00e7\u00e3o foi eliminada &#8211; mas os primeiros dados da miss\u00e3o K2 que Barstow estudou foram cortados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00f3s eventualmente corremos todos os dados das campanhas iniciais atrav\u00e9s do software modificado e, em seguida, repetimos a pesquisa exoplanet\u00e1ria para obter uma lista de candidatos, mas esses candidatos nunca foram totalmente investigados visualmente,&#8221; explicou Schlieder, coautor do artigo. &#8220;A inspe\u00e7\u00e3o, ou veto, dos tr\u00e2nsitos com o olho humano \u00e9 crucial porque o ru\u00eddo e outros eventos astrof\u00edsicos podem imitar os tr\u00e2nsitos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Em vez disso, os dados reprocessados foram lan\u00e7ados diretamente no Exoplanet Explorers, um projeto em que o p\u00fablico pesquisa as observa\u00e7\u00f5es da miss\u00e3o K2 do Kepler para localizar novos planetas em tr\u00e2nsito. Em maio de 2017, volunt\u00e1rios notaram o terceiro tr\u00e2nsito e come\u00e7aram uma discuss\u00e3o animada sobre o que era ent\u00e3o considerado um candidato com o tamanho da Terra no sistema, o que captou a aten\u00e7\u00e3o de Feinstein e colegas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;E foi assim que n\u00e3o o vimos &#8211; foram precisos os olhos atentos de cidad\u00e3os cientistas para fazer esta descoberta extremamente valiosa e para nos apontar para ela,&#8221; comenta Feinstein.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa come\u00e7ou observa\u00e7\u00f5es de acompanhamento usando o Telesc\u00f3pio Espacial Spitzer da NASA, o telesc\u00f3pio Keck II do Observat\u00f3rio W. M. Keck e o ITF (Infrared Telescope Facility) da NASA (estes \u00faltimos dois no Hawaii), e tamb\u00e9m examinou dados da miss\u00e3o Gaia da ESA.<\/p>\n\n\n\n<p>Com um tamanho estimado em aproximadamente 1,9 vezes o tamanho da Terra, K2-288Bb tem metade do tamanho de Neptuno. Isto coloca o planeta dentro de uma categoria recentemente descoberta chamada divis\u00e3o de Fulton, ou divis\u00e3o de raio. Entre os planetas que orbitam perto das suas estrelas, h\u00e1 uma escassez curiosa de mundos com tamanhos entre 1,5 e 2 vezes o da Terra. Isto \u00e9 provavelmente o resultado da intensa luz estelar que quebra as mol\u00e9culas atmosf\u00e9ricas e elimina as atmosferas de alguns planetas ao longo do tempo, deixando para tr\u00e1s duas popula\u00e7\u00f5es. Dado que o raio de K2-288Bb o coloca nessa lacuna, poder\u00e1 fornecer um estudo de caso da evolu\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria para esta gama de tamanhos.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 30 de outubro de 2018, o Kepler ficou sem combust\u00edvel e terminou a sua miss\u00e3o depois de nove anos, durante a qual descobriu 2600 planetas confirmados em torno de outras estrelas &#8211; a maior parte dos agora conhecidos &#8211; juntamente com milhares de candidatos adicionais que os astr\u00f3nomos est\u00e3o a tentar confirmar. E enquanto o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA \u00e9 o mais novo ca\u00e7ador exoplanet\u00e1rio, este novo achado mostra que mais descobertas aguardam os cientistas nos dados do Kepler.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.jpl.nasa.gov\/news\/news.php?feature=7313\">\/\/ NASA\/JPL (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"http:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/aafa70\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>K2-288Bb:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/K2-288Bb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Kepler:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/kepler.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA (p\u00e1gina oficial)<\/a><br><a href=\"http:\/\/keplerscience.arc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">K2 (NASA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/kepler\/\">Arquivo de dados do Kepler<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/k2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados da miss\u00e3o K2<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.zooniverse.org\/projects\/ianc2\/exoplanet-explorers\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet Explorers<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"http:\/\/planetquest.jpl.nasa.gov\/index.cfm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PlanetQuest<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.exoplanet.eu\/index.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Enciclop\u00e9dia dos Planetas Extrasolares<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Divis\u00e3o de Fulton:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Fulton_gap\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Usando dados do telesc\u00f3pio espacial Kepler da NASA, cidad\u00e3os cientistas descobriram um planeta com aproximadamente o dobro do tamanho da Terra localizado dentro da zona habit\u00e1vel da sua estrela, a gama de dist\u00e2ncias orbitais onde a \u00e1gua l\u00edquida pode existir \u00e0 superf\u00edcie do planeta. 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