{"id":164,"date":"2004-04-13T14:25:18","date_gmt":"2004-04-13T14:25:18","guid":{"rendered":"http:\/\/themes.tielabs.com\/sahifa5\/?p=164"},"modified":"2017-01-29T10:28:11","modified_gmt":"2017-01-29T10:28:11","slug":"construindo-planetas-sacos-plastico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2004\/04\/13\/construindo-planetas-sacos-plastico\/","title":{"rendered":"Constru\u00edndo planetas em sacos de pl\u00e1stico"},"content":{"rendered":"<span class=\"dropcap \">N<\/span>o ano passado, o astronauta Donald R. Pettit (NASA\/Johnson Space Center) estava a bordo da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional preparando o seu programa cient\u00edfico semanal para S\u00e1bado de manh\u00e3, no qual fazia v\u00e1rias experi\u00eancias em que salientava as coisas divertidas que se podem fazem em microgravidade. Diante dele estavam sacos de pl\u00e1stico contendo sal, a\u00e7\u00facar e gr\u00e3os de caf\u00e9. A demonstra\u00e7\u00e3o que tinha planeado para essa manh\u00e3 era simples &#8211; agitar os sacos e observar o que acontecia. Mas Pettit estava longe de saber que poderia resolver experimentalmente um dos paradoxos mais complexos acerca da forma\u00e7\u00e3o de planetas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Durante d\u00e9cadas os te\u00f3ricos t\u00eam tido dificuldade em &#8220;cultivar&#8221; planetas come\u00e7ando a partir de pequenas part\u00edculas de p\u00f3 de um disco protoplanet\u00e1rio de g\u00e1s e p\u00f3. Um ambiente turbulento com ventos fortes e impactos de grandes velocidades (100 metros por segundo) entre objectos pequenos com o tamanho de mil\u00edmetros originavam dificuldades ao crescer para peda\u00e7os maiores (mais de 1cm) sem que se partissem de novo. Ningu\u00e9m tinha visto tal experi\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pettit come\u00e7ou a agitar os sacos em frente das c\u00e2maras. Em poucos segundos, como o v\u00eddeo mostra, os gr\u00e3os agregaram-se para formar estruturas \u00e0 escala de cent\u00edmetros. Estes gl\u00f3bulos parecem particularmente fortes, colidindo com as paredes do saco de pl\u00e1stico e permanecendo maioritariamente intactos.<\/p>\n<p align=\"justify\">O seu colega, o astronauta Stanley G. Love (NASA\/JSC), estava a trabalhar na parte de comunica\u00e7\u00f5es com a nave na sede de controlo da miss\u00e3o em Houston, Texas, quando Pettit come\u00e7ou a enviar as imagens. Love, cujo treino em ci\u00eancia planet\u00e1ria envolvia aster\u00f3ides e colis\u00f5es, imediatamente deu conta das implica\u00e7\u00f5es desta simples demonstra\u00e7\u00e3o. Rapidamente comentou com Pettit: &#8220;Don! J\u00e1 te apercebeste que resolveste o est\u00e1dio interm\u00e9dio da acre\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria?&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">Ambos s\u00e3o os primeiros a admitir que a experi\u00eancia est\u00e1 desprovida de teor cient\u00edfico quantitativo. Os detalhes est\u00e3o longe de estarem controlados ou precisos. Mas, mesmo que algumas quantidades sejam irreal\u00edsticas para um disco protoplanet\u00e1rio &#8211; tal como a densidade de part\u00edculas e a densidade do ar &#8211; o efeito funciona para diferentes materiais que s\u00e3o homog\u00e9neos (sal) e heterog\u00e9neos (gr\u00e3os de caf\u00e9). Tamb\u00e9m funciona para part\u00edculas de v\u00e1rios tamanhos, desde 0.5mm at\u00e9 6mm em di\u00e2metro.<\/p>\n<p align=\"justify\">O par prop\u00f4s uma explica\u00e7\u00e3o para o fen\u00f3meno &#8211; electrost\u00e1tica. Quando Pettit esfregou o seu dedo no saco, as part\u00edculas l\u00e1 dentro foram instantaneamente atra\u00eddas para o lugar que tinha esfregado. Enquanto a carga el\u00e9ctrica de cada gr\u00e3o \u00e9 desconhecida, a maioria dos especialistas concordam que a electrost\u00e1tica e troca de carga entre part\u00edculas tem lugar na nebulosa protoplanet\u00e1ria. Observa\u00e7\u00f5es deste tipo s\u00e3o fundamentais para provar que a electrost\u00e1tica tem um lugar importante na forma\u00e7\u00e3o de planetas. Tamb\u00e9m h\u00e1 quem diga que esta ideia est\u00e1 longe de ser imagina\u00e7\u00e3o. Certos te\u00f3ricos previram que rel\u00e2mpagos podem existir dentro de ber\u00e7\u00e1rios planet\u00e1rios. Vemos rel\u00e2mpagos em v\u00e1rios ambientes secos da Terra, tal como em cinzas vulc\u00e2nicas e tempestades de areia.<\/p>\n<p align=\"justify\">A maior preocupa\u00e7\u00e3o acerca do estudo \u00e9 a escala. Ser\u00e1 que gr\u00e3os de sal a saltitar de um lado para o outro dentro de um saco podem verdadeiramente representar peda\u00e7os protoplanet\u00e1rios de um sistema solar primordial? Ser\u00e1 que a densidade de part\u00edculas no saco, a quantidade de colis\u00f5es observadas, a for\u00e7a aparente dos aglomerados e as cargas dentro do saco se assemelham \u00e0s circunst\u00e2ncias e podem de algum modo ser relacionadas com o passado do nosso planeta? Pettit e Love n\u00e3o dizem saber as respostas &#8211; apenas mostraram a experi\u00eancia como um meio de mobilizar os te\u00f3ricos na direc\u00e7\u00e3o de uma potencial solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mesmo assim, os dois astronautas podem especular. Quando Love perguntou a Pettit se era assim que se poderia fazer um J\u00fapiter, ele respondeu: &#8220;Vou precisar de um saco maior&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano passado, o astronauta Donald R. 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