{"id":1496,"date":"2005-03-25T16:26:15","date_gmt":"2005-03-25T16:26:15","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1496"},"modified":"2017-04-10T16:29:25","modified_gmt":"2017-04-10T16:29:25","slug":"um-enxame-estelar-jovem-e-exotico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2005\/03\/25\/um-enxame-estelar-jovem-e-exotico\/","title":{"rendered":"Um enxame estelar jovem e ex\u00f3tico"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">\n<p>O enxame aberto <strong>Westerlund 1 <\/strong>est\u00e1 localizado na constela\u00e7\u00e3o Altar (Ara) vis\u00edvel do hemisf\u00e9rio Sul. Foi descoberto em 1961 na Austr\u00e1lia pelo astr\u00f3nomo sueco Bendt Westerlund que mais tarde passaria a ser o Director do ESO no Chile (1970-74). Este enxame est\u00e1 por tr\u00e1s de uma enorme nuvem de g\u00e1s interestelar que boqueia a maior parte da luz vis\u00edvel. O factor de atenua\u00e7\u00e3o \u00e9 de 100,000 e \u00e9 por este motivo que demorou tanto a conseguir descobrir a verdadeira natureza deste enxame \u00fanico.<\/p>\n<p>Em 2001, a equipa de astr\u00f3nomos composta por Simon Clark (University College, Londres, Reino Unido), Ignacio Negueruela (Universidade de Alicante, Espanha), Paul Crowther (Universidade de Sheffield, Reino Unido), Simon Goodwin (Universidade de Gales, Cardiff, Reino Unido), Rens Waters (Universidade de Amsterd\u00e3o) e Sean Dougherty (Dominion Radio Astrophysical Observatory) identificou mais de uma d\u00fazia de estrelas extremamente quentes e extremamente massivas no enxame, estrelas do tipo designado por estrelas de &#8220;Wolf-Rayet&#8221;. Estas estrelas t\u00eam sido profundamente estudadas com telesc\u00f3pios do ESO desde essa altura.<\/p>\n<\/div>\n<p align=\"justify\">A equipa de astr\u00f3nomos usou imagens do Wide Field Imager (WFI) ligado no 2.2-m ESO\/MPG, bem como da c\u00e2mara Superb Seeing Imager 2 (SuSI2) montada no ESO 3.5-m New Technology Telescope (NTT). Destas observa\u00e7\u00f5es foram capazes de identificar mais de 200 componentes do enxame.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para estabelecer a verdadeira natureza do enxame, os astr\u00f3nomos realizaram observa\u00e7\u00f5es espectrosc\u00f3picas de cerca de um quarto delas usando o espectr\u00f3grafo Boller &amp; Chivens no ESO telesc\u00f3pio ESO de 1.52-m telescope e no ESO Multi-Mode Instrument (EMMI) montado no NTT.<\/p>\n<p><strong>Um zoo ex\u00f3tico<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Estas observa\u00e7\u00f5es revelaram uma grande popula\u00e7\u00e3o de estrelas extremamente massivas e brilhantes, das quais algumas preencheriam a regi\u00e3o em torno do Sol at\u00e9 Saturno (2,000 vezes maiores que o Sol), outras que brilham milh\u00f5es de vezes mais que o Sol.<\/p>\n<p align=\"justify\">Westerlund 1 \u00e9 um fant\u00e1stico zoo estelar em que todas as estrelas identificadas s\u00e3o muito massivas, indo desde estrelas Wolf-Rayet stars, a supergigantes OB supergigantes, Hipergigantes Amarelas (quase um milh\u00e3o de vezes mais brilhantes que o Sol) e Vari\u00e1veis Azuis Luminosas (LBV) (semelhantes \u00e0 excepcional <a href=\"http:\/\/www.seds.org\/messier\/xtra\/ngc\/etacar.html\" target=\"_blank\">Eta Carinae<\/a>).<\/p>\n<p align=\"justify\">Todas as estrelas analisadas em Westerlund 1 t\u00eam pelo menos 30-40 massas solares. Dado que estas estrelas t\u00eam tempos de vida muito curtos, falando em termos astron\u00f3micos, Westerlund 1 tem que ser muito jovem.<\/p>\n<p><strong>O maior enxame&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Westerlund 1 \u00e9 incrivelmente rico em estrelas gigantes, tendo tantas hipergigantes amarelas como o total conhecido at\u00e9 agora para toda a Via L\u00e1ctea!<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;<em>Se o Sol estivesse no centro de Westerlund 1, o c\u00e9u estaria cheio de estrelas muitas delas mais brilhantes que a Lua cheia<\/em>&#8220;, comenta Ignacio Negueruela da Universidade de Alicante.<\/p>\n<p align=\"justify\">A grande quantidade de estrelas massivas implica que Westerlund 1 ter\u00e1 que conter uma enorme quantidade de estrelas. &#8220;<em>Na nossa Gal\u00e1xia&#8221;<\/em>, explica <em>Simon Clark <\/em>da University College, Londres (Reino Unido) , &#8220;<em>existem mais de 100 estrelas tipo solar por cada estrela de 10 massas solares. O facto de vermos centenas de estrelas gigantes em Westerlund 1 provavelmente significa que ele contenha mais de meio milh\u00e3o de estrelas, mas a maioria destas n\u00e3o \u00e9 suficientemente brilhante para ser vista atrav\u00e9s da nuvem escura de g\u00e1s e poeiras&#8221;<\/em>. Isto \u00e9 dez vezes maior que qualquer enxame at\u00e9 agora conhecido na Via L\u00e1ctea..<\/p>\n<p align=\"justify\">Westerlund 1 \u00e9 provavelmente muito mais massivo que os enxames densos de estrelas massivas existentes no centro da Via L\u00e1ctea como os enxames de <a href=\"http:\/\/hubblesite.org\/newscenter\/newsdesk\/archive\/releases\/1999\/30\/text\/\" target=\"_blank\">Arches e do Quintupleto<\/a>. Espera-se que observa\u00e7\u00f5es subsequentes no infravermelho venham a confirmar esta ilac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Este superenxame estelar fornece agora uma perspectiva \u00fanica relativamente aos ambientes extremos do universo. Westerlund 1 fornecer\u00e1 certamente novas oportunidades para obter resposta \u00e0 t\u00e3o desjada quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de estrelas ultramassivas.<\/p>\n<p><strong>&#8230; e o mais denso<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O grande n\u00famero de estrelas de Westerlund 1 n\u00e3o foi a \u00fanica surpresa para Clark e os seus colaboradores. Das suas observa\u00e7\u00f5es estas estrelas est\u00e3o agrupadas num volume muito pequeno de espa\u00e7o, que determinaram como tendo menos de 6 anos-luz de di\u00e2metro. Para termos no\u00e7\u00e3o da densidade que isto implica pensemos que a estrela mais pr\u00f3xima de n\u00f3s (<em><a href=\"http:\/\/www.aao.gov.au\/images\/captions\/uks038.html\" target=\"_blank\">Proxima Centauri<\/a><\/em>) se encontra a 4,3 anos-luz!<\/p>\n<p align=\"justify\">Isto \u00e9 incr\u00edvel, pois significa que a separa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia entre estrelas \u00e9 da ordem de gandeza do sistema solar.<\/p>\n<p align=\"justify\"><em>&#8220;Com tantas estrelas num volume t\u00e3o pequeno, algumas delas poder\u00e3o colidir&#8221; <\/em>, prognostica Simon Clark<em>.<\/em> <em>&#8220;Isto poderia levar \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um buraco negro de massa interm\u00e9dia de mais de 100 massas solares. \u00c9 mesmo poss\u00edvel que j\u00e1 exista um desses monstros no centro de Westerlund 1.&#8221;<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\">A enorme popula\u00e7\u00e3o de estrelas existente em Westerlund 1 sugere que ter\u00e1 um impacto muito significativo nas suas vizinhan\u00e7as. O enxame cont\u00e9m tantas estrelas massivas com uma esperan\u00e7a de vida inferior a 40 milh\u00f5es de anos, pelo que ser\u00e1 o local de mais de 1500 supernovas: um verdadeiro fogo de artif\u00edcio \u00e0 escala gal\u00e1ctica!<\/p>\n<p align=\"justify\">Como Westerlund 1est\u00e1 \u00e0 dist\u00e2ncia de apenas 10,000 anos-luz, as c\u00e2maras de alta resolu\u00e7\u00e3o como a <a href=\"http:\/\/www.eso.org\/instruments\/naco\/\" target=\"_blank\">NAOS\/CONICA <\/a>no <a href=\"http:\/\/www.eso.org\/outreach\/ut1fl\/\" target=\"_blank\">VLT<\/a> podem resolver estrelas individuais o que permitir\u00e1 saber a breve trecho muito mais sobre cada uma destas estrelas. Observa\u00e7\u00f5es com este intrumento come\u00e7aram j\u00e1 a revelar estrelas mais pequenas em Westerlund 1, incluindo algumas menos massivas que o Sol, pelo que em breve ser\u00e1 poss\u00edvel conhecer este zoo gal\u00e1ctico em grande profundidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O enxame aberto Westerlund 1 est\u00e1 localizado na constela\u00e7\u00e3o Altar (Ara) vis\u00edvel do hemisf\u00e9rio Sul. Foi descoberto em 1961 na Austr\u00e1lia pelo astr\u00f3nomo sueco Bendt Westerlund que mais tarde passaria a ser o Director do ESO no Chile (1970-74). 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