{"id":1490,"date":"2005-03-22T16:19:46","date_gmt":"2005-03-22T16:19:46","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1490"},"modified":"2017-04-10T16:23:13","modified_gmt":"2017-04-10T16:23:13","slug":"gigantes-ondulacoes-no-espaco-tempo-poderao-explicar-expansao-cosmica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2005\/03\/22\/gigantes-ondulacoes-no-espaco-tempo-poderao-explicar-expansao-cosmica\/","title":{"rendered":"Gigantes ondula\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o-tempo poder\u00e3o explicar expans\u00e3o c\u00f3smica"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">A energia escura n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para explicar a expans\u00e3o em acelera\u00e7\u00e3o do Universo observada pelos astr\u00f3nomos, sugerem novos c\u00e1lculos controversos. Em vez disso, ondula\u00e7\u00f5es gigantes no espa\u00e7o-tempo &#8211; maiores que o Universo observ\u00e1vel &#8211; podem ser a causa.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os astr\u00f3nomos sabem desde os anos 20 que o pr\u00f3prio espa\u00e7o est\u00e1 a expandir-se desde o Big Bang h\u00e1 mais ou menos 14 mil milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Mas em 1998, descobriram que a expans\u00e3o deve ter acelerado h\u00e1 volta de mil milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, com base em observa\u00e7\u00f5es de supernovas que apareceram mais longe do que o esperado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por isso os cosm\u00f3logos estabeleceram algumas explica\u00e7\u00f5es ex\u00f3ticas, incluindo a energia escura &#8211; que pode ser uma propriedade repulsiva do pr\u00f3prio espa\u00e7o ou uma part\u00edcula de ultra-luz &#8211; e uma teoria na qual a gravidade comporta-se diferentemente a grandes dist\u00e2ncias.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas as teorias actuais exageram o efeito da energia escura por milh\u00f5es de vezes, e modificar a gravidade \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o &#8220;<em>ad hoc<\/em>&#8220;, diz Antonio Riotto, um cosm\u00f3logo do Instituto Nacional de Pesquisa em F\u00edsica Nuclear em P\u00e1dova, It\u00e1lia. &#8220;Existe um grande embara\u00e7o acerca do que a teoria prev\u00ea e do que observamos&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Agora, uma equipa liderada por Edward Kolb do Laborat\u00f3rio Nacional do Acelerador em Batavia, Illinois, EUA, diz que pode explicar a acelera\u00e7\u00e3o c\u00f3smica usando a &#8220;infla\u00e7\u00e3o&#8221; ou &#8220;dilata\u00e7\u00e3o&#8221; &#8211; a teoria largamente aceite que descreve o que aconteceu nos primeiros 10-35 segundos depois do Big Bang. &#8220;A nossa proposta \u00e9 muito conservativa &#8211; n\u00e3o invoca nenhum ingrediente novo para explicar a acelera\u00e7\u00e3o,&#8221; diz Riotto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Durante esta dilata\u00e7\u00e3o, o pr\u00f3prio espa\u00e7o expandiu-se mais depressa que a velocidade da luz. \u00c0 medida que isto acontecia, as flutua\u00e7\u00f5es qu\u00e2nticas que apareceram produziram ondula\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o-tempo. Estas incharam para preencher todo o Universo &#8220;global&#8221;, que \u00e9 cerca de 10,100 vezes t\u00e3o grande quanto o Universo que podemos ver.<\/p>\n<p align=\"justify\">O nosso Universo &#8220;observ\u00e1vel&#8221; \u00e9 confinado a uma regi\u00e3o com um raio de 14 mil milh\u00f5es de anos-luz porque apenas a luz a essa dist\u00e2ncia teve tempo para nos alcan\u00e7ar desde o Big Bang.<\/p>\n<p align=\"justify\">A equipa acredita que as ondula\u00e7\u00f5es tiveram um efeito menor no nosso Universo observ\u00e1vel durante milhares de milh\u00f5es de anos porque o efeito da mat\u00e9ria vizinha foi muito mais poderoso que as ondula\u00e7\u00f5es muito mais distantes. Mas h\u00e1 cerca de mil milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, dizem, a densidade da mat\u00e9ria vizinha era t\u00e3o reduzida pela expans\u00e3o do espa\u00e7o que o efeito ondulat\u00f3rio come\u00e7ou a ser sentido &#8211; uma acelera\u00e7\u00e3o c\u00f3smica.<\/p>\n<p align=\"justify\">Kolb explica que as ondula\u00e7\u00f5es deveriam afectar o Universo observ\u00e1vel porque espalhavam-se por todo o espa\u00e7o durante a dilata\u00e7\u00e3o, deixando para tr\u00e1s um rasto gravitacional que pode ainda ser sentido, se n\u00e3o visto, proximamente. &#8220;Imagine que se encontra no oceano, e est\u00e1 nevoeiro. Pode ser afectado por ondula\u00e7\u00f5es com um grande comprimento de onda, embora na realidade n\u00e3o as veja &#8211; tudo o que sente \u00e9 o movimento para baixo e para cima&#8221;. Ainda acrescenta que as ondula\u00e7\u00f5es est\u00e3o a crescer com o tempo &#8211; o que causa a acelera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Eu gosto muito desta ideia&#8221;, comenta Robert Brandenberger, um c\u00f3smologo da Universidade McGill em Montreal, Canad\u00e1, que previu um efeito semelhante em 1998. &#8220;Encontramo-nos na depress\u00e3o entre duas ondula\u00e7\u00f5es com um comprimento de onda muito denso, o que gera algo que se assemelha a uma acelera\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas muitos cientistas n\u00e3o est\u00e3o convencidos. Sean Carroll, um cosm\u00f3logo da Universidade de Chicago, EUA, diz: &#8220;N\u00e3o compreendo o que est\u00e3o a fazer. Mas no entanto t\u00eam um registo recorde de fazer grandes coisas na Cosmologia.&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">Alan Guth, um cosm\u00f3logo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts em Cambridge, EUA, o pioneiro da teoria da dilata\u00e7\u00e3o nos anos 80, tamb\u00e9m reconhece o recorde da equipa, mas \u00e9 no entanto &#8220;bem c\u00e9ptico da F\u00edsica que este trabalho est\u00e1 tentando usar&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os c\u00e1lculos &#8211; baseados na Teoria da Relatividade Geral de Einstein &#8211; s\u00e3o &#8220;muito intricados&#8221;, comenta. &#8220;Do que percebo, parece-me que quando o comprimento de onda das perturba\u00e7\u00f5es aumenta, os efeitos desaparecem completamente &#8211; as ondula\u00e7\u00f5es n\u00e3o teriam nenhum efeito no Universo observ\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">A equipa de Kolb diz que mais observa\u00e7\u00f5es de supernovas poder\u00e3o providenciar um teste da sua teoria, que prev\u00ea qu\u00e3o forte estas ondula\u00e7\u00f5es poder\u00e3o ser. Mas Guth diz que ser\u00e1 &#8220;muito dif\u00edcil medir com precis\u00e3o suficiente para distinguir esta teoria das outras&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A energia escura n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para explicar a expans\u00e3o em acelera\u00e7\u00e3o do Universo observada pelos astr\u00f3nomos, sugerem novos c\u00e1lculos controversos. Em vez disso, ondula\u00e7\u00f5es gigantes no espa\u00e7o-tempo &#8211; maiores que o Universo observ\u00e1vel &#8211; podem ser a causa. 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