{"id":1462,"date":"2005-02-25T17:38:45","date_gmt":"2005-02-25T17:38:45","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1462"},"modified":"2017-02-22T17:41:52","modified_gmt":"2017-02-22T17:41:52","slug":"descoberta-a-primeira-galaxia-invisivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2005\/02\/25\/descoberta-a-primeira-galaxia-invisivel\/","title":{"rendered":"Descoberta a primeira gal\u00e1xia invis\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos descobriram uma gal\u00e1xia invis\u00edvel, que pode ser a primeira de muitas e que poder\u00e1 ajudar a desvendar um dos maiores mist\u00e9rios do Universo. O objecto parece ser feito essencialmente de mat\u00e9ria escura, um material desconhecido na natureza que nos rodeia diariamente e que n\u00e3o pode ser observado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os te\u00f3ricos t\u00eam desde h\u00e1 muito dito que a maior parte do Universo \u00e9 constitu\u00edda de mat\u00e9ria escura. Ela \u00e9 necess\u00e1ria para explicar a for\u00e7a gravitacional adicional que \u00e9 observada para manter as gal\u00e1xias intactas e tamb\u00e9m para manter os enxames de gal\u00e1xias unidos \u00e0s enormes dist\u00e2ncias que se encontram umas das outras.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os te\u00f3ricos tamb\u00e9m acreditam que os n\u00f3s foram integrantes na forma\u00e7\u00e3o das primeiras estrelas e gal\u00e1xias. No Universo primitivo, a mat\u00e9ria ter-se-\u00e1 condensado como gotas de \u00e1gua numa teia de aranha. A mat\u00e9ria &#8220;normal&#8221;, como o hidrog\u00e9nio, foi gravitacionalmente atra\u00edda para um n\u00f3 de mat\u00e9ria escura e quando a densidade se tornou suficientemente grande nasceram estrelas, o que marcou o nascimento das gal\u00e1xias.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os te\u00f3ricos tamb\u00e9m acreditam que os n\u00f3s de mat\u00e9ria escura se mant\u00eam ainda espalhadas atrav\u00e9s do cosmos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A nova gal\u00e1xia descoberta foi detectada usando radiotelesc\u00f3pios. Objectos deste tipo, quer podem ser muito abundantes, quer muito raros, disse Robert Minchin da Universidade de Cardiff no Reino Unido.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Se isto \u00e9 a mat\u00e9ria escura prevista pelas simula\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica, ent\u00e3o poder\u00e1 haver muito mais gal\u00e1xias destas do que das at\u00e9 agora conhecidas&#8221; disse Minchin.<\/p>\n<p align=\"justify\">No enxame de gal\u00e1xias da Virgem, a cerca de 50 milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia, Minchin e os seus colegas procuravam a radia\u00e7\u00e3o r\u00e1dio do hidrog\u00e9nio (banda dos 21 cm) quando encontraram um po\u00e7o contendo 1 milh\u00e3o de massas solares e que em face das circunst\u00e2ncias da detec\u00e7\u00e3o \u00e9 agora chamado VIRGOHI21.<\/p>\n<p align=\"justify\">O po\u00e7o de material roda demasiado depressa para poder ser explicado pela quantidade de g\u00e1s encontrada, tem que haver algo mais a servir de cola gravitacional.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Da sua velocidade de rota\u00e7\u00e3o inferimos que tem que ser mil vezes mais massivo que aquilo que podemos inferir apenas dos \u00e1tomos de hidrog\u00e9nio,&#8221; Minchin said. &#8220;Se VIRGOHI21 fosse uma gal\u00e1xia normal teria que ser suficientemente brilhante para ser vis\u00edvel at\u00e9 com telesc\u00f3pios amadores.&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">A raz\u00e3o entre mat\u00e9ria escura e mat\u00e9ria regular \u00e9 de pelo menos 500 para 1 o que \u00e9 muito superior ao que ocorre nas gal\u00e1xias normais em que \u00e9 de 6 para 1. &#8220;No entanto,&#8221; refere Minchin, &#8220;\u00e9 muito dif\u00edcil prever o que esperar nos objectos deste tipo.&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">Outras potenciais gal\u00e1xias invis\u00edveis j\u00e1 foram detectadas mas an\u00e1lises posteriores mostraram que havia estrelas \u00e0 mistura. No entanto, \u00e9 poss\u00edvel que VIRGOHI21 n\u00e3o venha a revelar a exist\u00eancia de quaisquer estrelas, dizem os astr\u00f3nomos. A descoberta foi feita em 2000 com o telesc\u00f3pio Lovell da Universidade de Manchester mas apenas foi anunciada ontem, pois o impacto que esta not\u00edcia iria ter implicava uma an\u00e1lise ultracuidadosa dos dados para al\u00e9m da verifica\u00e7\u00e3o de todas as possibilidades alternativas.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;O Universo continua a manter toda uma pan\u00f3plia de segredos para nos revelar, mas mostra que come\u00e7amos a compreender como devemos olhar para ele, para o fazer de forma apropriada.&#8221; disse o astr\u00f3nomo Jon Davies da Universidade de Cardiff . &#8220;\u00c9 de facto uma descoberta excitante.&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">Para confirmar os resultados foram usados resultados obtidos no Observat\u00f3rio de Arecibo em Porto Rico. De seguida foi feito trabalho no \u00f3ptico com o telesc\u00f3pio Isaac Newton Telescope, em Roque de los Muchachos, La Palma. O projecto envolveu j\u00e1 astr\u00f3nomos do Reino Unido, Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Austr\u00e1lia. O projecto procura agora novas gal\u00e1xias escuras deste tipo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos descobriram uma gal\u00e1xia invis\u00edvel, que pode ser a primeira de muitas e que poder\u00e1 ajudar a desvendar um dos maiores mist\u00e9rios do Universo. O objecto parece ser feito essencialmente de mat\u00e9ria escura, um material desconhecido na natureza que nos rodeia diariamente e que n\u00e3o pode ser observado. 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