{"id":1460,"date":"2005-02-22T17:36:02","date_gmt":"2005-02-22T17:36:02","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1460"},"modified":"2017-02-22T17:38:16","modified_gmt":"2017-02-22T17:38:16","slug":"observacoes-sugerem-mar-gelado-em-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2005\/02\/22\/observacoes-sugerem-mar-gelado-em-marte\/","title":{"rendered":"Observa\u00e7\u00f5es sugerem mar gelado em Marte"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">Um mar gelado, sobrevivendo como grupos de blocos de gelo, pode situar-se mesmo por baixo da superf\u00edcie de Marte, sugerem observa\u00e7\u00f5es da sonda europeia Mars Express. Este est\u00e1 a apenas 5\u00ba Norte do equador marciano e seria a primeira descoberta de um grande corpo de \u00e1gua para l\u00e1 das calotes polares do planeta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Imagens da C\u00e2mara Stereo de Alta-Resolu\u00e7\u00e3o da Mars Express mostram estruturas subterr\u00e2neas &#8211; chamadas &#8220;placas&#8221; &#8211; que se parecem com forma\u00e7\u00f5es de gelo perto dos p\u00f3los da Terra, de acordo com uma equipa internacional de cientistas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas o local das placas, perto do equador, significa que a luz solar deveria ter derretido qualquer gelo a\u00ed presente. Por isso, a equipa sugere que uma camada de cinza vulc\u00e2nica, talvez com apenas alguns cent\u00edmetros de espessura, possa estar a proteger estas estruturas.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Penso que \u00e9 razoavelmente plaus\u00edvel,&#8221; diz Michael Carr, um especialista em \u00e1gua marciana no USGS em Menlo Park, Calif\u00f3rnia, que pertenceu \u00e0 equipa. Ele afirma que cientistas j\u00e1 tinham previamente suspeitado da exist\u00eancia de uma fonte de \u00e1gua a norte das placas Elysium. &#8220;N\u00f3s sabemos de onde veio essa \u00e1gua,&#8221; disse Carr. &#8220;Podemos seguir os vales esculpidos pela mesma at\u00e9 esta \u00e1rea.&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">Tamb\u00e9m diz que as provas s\u00e3o &#8220;tentadoras&#8221; no que respeita a cheias passadas perto das placas. &#8220;Talvez o gelo ainda esteja l\u00e1 no ch\u00e3o, protegido por uma camada vulc\u00e2nica, como sugerem&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Existem j\u00e1 provas abundantes da presen\u00e7a passada de \u00e1gua em Marte, mas hoje parece relativamente seco, com \u00e1gua gelada apenas confinada aos p\u00f3los do planeta. As observa\u00e7\u00f5es remotas dos \u00e1tomos de hidrog\u00e9nio feitas pela sonda da NASA Mars Odyssey em 2002 apontam para que esse gelo se encontre a pouco mais que um metro da superf\u00edcie a baixas latitudes. Mas estas provas foram inconclusivas, dado que o sinal poderia ter vindo dos minerais expostos \u00e0 \u00e1gua no passado.<\/p>\n<p align=\"justify\">A equipa de cientistas, liderada por John Murray da Universidade Open, Reino Unido, estima que o mar gelado submergido tenha 800 por 900 km em tamanho e uma m\u00e9dia de 45 metros de profundidade. Imagens destas placas geladas podem ser vistas neste <a href=\"ftp:\/\/www.lpi.usra.edu\/pub\/outgoing\/lpsc2005\/full97.pdf\" target=\"_blank\">documento em PDF<\/a>.<\/p>\n<p align=\"justify\">O artigo \u00e9 para uma apresenta\u00e7\u00e3o a ser feita na Confer\u00eancia de Ci\u00eancia Lunar e Planet\u00e1ria no Texas a 18 de Mar\u00e7o. Uma palestra com o mesmo t\u00f3pico dada por Murray na Primeira Confer\u00eancia Cient\u00edfica da Mars Express em Noordwijk, Holanda, teve lugar ontem.<\/p>\n<p align=\"justify\">A equipa alcan\u00e7ou a profundidade estimada pelo estudo das crateras nestas placas. Dizem que as crateras parecem pouco fundas para os seus di\u00e2metros &#8211; sugerindo que o gelo est\u00e1 a diminuir as suas profundidades. Mais, a superf\u00edcie est\u00e1 invulgarmente nivelada &#8211; como se gelo estivesse por baixo. Estas evid\u00eancias sugerem que as placas n\u00e3o s\u00e3o apenas pistas deixadas por gelo que desapareceu completamente. Contagens das crateras p\u00f5em a idade das placas em aproximadamente 5 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste trabalho, os cientistas tra\u00e7am uma poss\u00edvel hist\u00f3ria para o gelo subterr\u00e2neo. Come\u00e7a com as grandes massas de gelo flutuando na \u00e1gua em Marte. O gelo foi posteriormente coberto por cinzas vulc\u00e2nicas, evitando a sua sublima\u00e7\u00e3o na fina atmosfera. Depois, o gelo quebra-se e \u00e9 levado pela corrente antes que a restante \u00e1gua l\u00edquida congele. Nem todo o gelo est\u00e1 protegido pela camada de cinza, pelo que \u00e9 sublimado, deixando as placas de gelo para tr\u00e1s.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Se esta hip\u00f3tese f\u00f4r verdadeira, ent\u00e3o este ser\u00e1 um local ideal para uma aterragem em busca de vida em Marte,&#8221; diz Brian Hynek, cientista no Laborat\u00f3rio para F\u00edsica Atmosf\u00e9rica e Espacial da Universidade do Colorado em Boulder, EUA.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um problema com este mar gelado proposto \u00e9 que existe muito pouco vapor de \u00e1gua na atmosfera marciana actual. Carr diz que se tivesse havido alguma sublima\u00e7\u00e3o relativamente recente, como os cientistas prop\u00f5em, alguns tra\u00e7os de \u00e1gua deveriam ter ficado na atmosfera.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tamb\u00e9m, forma\u00e7\u00f5es semelhantes j\u00e1 t\u00eam sido anteriormente observadas em Marte mas foram atribu\u00eddas a lava solidificada. A equipa de Murray diz que um fluxo de lava n\u00e3o encaixa nas suas observa\u00e7\u00f5es. Estas placas t\u00eam quase o dobro do tamanho que as placas vulc\u00e2nicas na Terra, e deixam para tr\u00e1s veredas lisas e direitas quando colidem com crateras e ilhas. Estas observa\u00e7\u00f5es &#8220;implicam um flu\u00eddo extremamente m\u00f3vel, com caracter\u00edsticas semelhantes \u00e0s da \u00e1gua,&#8221; escrevem os cientistas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Carr diz que existem outras regi\u00f5es de Marte com forma\u00e7\u00f5es similares, o que significa que pode n\u00e3o s\u00f3 ser \u00e1gua subterr\u00e2nea. Mas fundamentalmente, poder\u00e1 ser dif\u00edcil provar se o mar gelado ainda existe hoje em dia.<\/p>\n<p align=\"justify\">O radar MARSIS, em breve a ser desdobrado pela Mars Express, dever\u00e1 ser capaz de detectar \u00e1gua l\u00edquida subterr\u00e2nea, mas poder\u00e1 ter dificuldade em diferenciar entre gelo e solo rochoso. E o gelo n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel directamente, &#8220;Para o preservar, temos que o enterrar,&#8221; diz Carr. &#8220;Mas se o enterrarmos, n\u00e3o o podemos detectar.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um mar gelado, sobrevivendo como grupos de blocos de gelo, pode situar-se mesmo por baixo da superf\u00edcie de Marte, sugerem observa\u00e7\u00f5es da sonda europeia Mars Express. Este est\u00e1 a apenas 5\u00ba Norte do equador marciano e seria a primeira descoberta de um grande corpo de \u00e1gua para l\u00e1 das calotes polares do planeta. Imagens da &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1439,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[162,4],"class_list":["post-1460","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-mars-express","tag-marte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1460"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1460\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1461,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1460\/revisions\/1461"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1460"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}