{"id":1441,"date":"2005-02-11T17:17:08","date_gmt":"2005-02-11T17:17:08","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1441"},"modified":"2017-02-22T17:19:58","modified_gmt":"2017-02-22T17:19:58","slug":"o-crescimento-dos-buracos-negros-e-auto-controlado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2005\/02\/11\/o-crescimento-dos-buracos-negros-e-auto-controlado\/","title":{"rendered":"O crescimento dos buracos negros \u00e9 auto-controlado"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">Uma simula\u00e7\u00e3o em computador mostra que a energia gerada quando buracos negros se fundem contribui para a forma\u00e7\u00e3o estelar, pois espele g\u00e1s at\u00e9 aos limites da gal\u00e1xia , o que cria limites \u00e0 quantidade de mat\u00e9ria que o buraco negro pode consumir.<\/p>\n<p align=\"justify\">Este trabalho ajuda a confirmar o que os astr\u00f3nomos t\u00eam suspeitado nos anos mais recentes, de que os buracos negros s\u00e3o pe\u00e7as fundamentais no processo de constru\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica. Tamb\u00e9m coincide de forma bastante exacta com diversas observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">No universo primitivo densamente povoado, pequenas gal\u00e1xias colidiam e fundiam-se frequentemente de acordo com a teoria mais aceite de forma\u00e7\u00e3o gal\u00e1ctica. Muitas destas gal\u00e1xias teriam buracos negros pequenos, mas os buracos negros tamb\u00e9m se fundiram dando origem aos buracos negros supermassivos que hoje s\u00e3o o centro da maior parte das gal\u00e1xias observadas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os buracos negros n\u00e3o podem ser observados mas s\u00e3o normalmente detectados pelos efeitos gravitacionais que geram sobre as estrelas e gases das gal\u00e1xias. T\u00eam uma reputa\u00e7\u00e3o de sugarem tudo \u00e0 sua volta, mas de facto a for\u00e7a que exercem sobre qualquer corpo \u00e9 exactamente igual \u00e0 que seria exercida por uma estrela (ou outro objecto qualquer) de igual massa colocada \u00e0 mesma dist\u00e2ncia do corpo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os buracos negros mais supermassivos t\u00eam tipicamente menos de 1% da massa da gal\u00e1xia onde est\u00e3o alojados. No entanto, por serem corpos extremamente compactos, a for\u00e7a que exercem sobre os corpos mais pr\u00f3ximos \u00e9 enorme, o que os puxa para o seu interior.<\/p>\n<p align=\"justify\">O g\u00e1s em redor do buraco negro \u00e9 acelerado at\u00e9 velocidades relativistas (pr\u00f3ximas da velocidade da luz) \u00e0 medida que espirala para o buraco negro e \u00e9 aquecido at\u00e9 temperaturas t\u00e3o elevadas que se transforma em plasma (o plasma \u00e9 o quarto estado da mat\u00e9ria, em que todas as part\u00edculas t\u00eam carga (i\u00f5es e electr\u00f5es)).O plasma emite uma intensa radia\u00e7\u00e3o abrangendo todo o espectro, desde ondas r\u00e1dio at\u00e9 aos raios-X. A observa\u00e7\u00e3o desta radia\u00e7\u00e3o fornece outra pista para a presen\u00e7a do buraco negro.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os te\u00f3ricos t\u00eam dito que o processo criaria um vento c\u00f3smico que sopraria o material para longe do buraco negro. Um estudo da Universidade de Penn State study em 2003 encontrou evid\u00eancias destes ventos gigantescos de gal\u00e1xias long\u00ednquas ultrabrilhantes chamadas quasares. No entanto, a intensa radia\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o dos gases em torno do quasar impede os astr\u00f3nomos de ver o que se passa no seu interior, por isso \u00e9 dif\u00edcil obter conclus\u00f5es definitivas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na nova simula\u00e7\u00e3o os buracos negros que se fundem consomem o g\u00e1s da vizinhan\u00e7a. Mas o quasar que ele gera sopra o g\u00e1s das vizinhan\u00e7as para fora da gal\u00e1xia.<\/p>\n<p align=\"justify\">A simula\u00e7\u00e3o concorda com a observa\u00e7\u00e3o de que os quasares seriam frequentes no Universo primitivo e raros nos tempos actuais. Os te\u00f3ricos assumiram que a fase quasar \u00e9 relativamente breve e as gal\u00e1xias actuais, que embora por vezes sejam gigantescas, nunca s\u00e3o impressionantemente brilhantes, j\u00e1 maturaram para al\u00e9m desta fase.<\/p>\n<p align=\"justify\">As simula\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m revelam que o conte\u00fado gal\u00e1ctico est\u00e1 directamente relacionado com o buraco negro que albergam.<\/p>\n<p align=\"justify\">Estes resultados foram publicados na revista <em>Nature <\/em>de ontem, 10 de Fevereiro de 2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma simula\u00e7\u00e3o em computador mostra que a energia gerada quando buracos negros se fundem contribui para a forma\u00e7\u00e3o estelar, pois espele g\u00e1s at\u00e9 aos limites da gal\u00e1xia , o que cria limites \u00e0 quantidade de mat\u00e9ria que o buraco negro pode consumir. 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