{"id":1423,"date":"2005-01-18T16:57:41","date_gmt":"2005-01-18T16:57:41","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1423"},"modified":"2017-02-22T17:01:38","modified_gmt":"2017-02-22T17:01:38","slug":"imagens-de-tita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2005\/01\/18\/imagens-de-tita\/","title":{"rendered":"Imagens de Tit\u00e3"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">A sonda Huygens aterrou na lua do gigante Saturno, Tit\u00e3, na Sexta-feira passada, cumprindo com sucesso a sua miss\u00e3o. Esta foi de um \u00eaxito estrondoso, enviando de volta extraordin\u00e1rias imagens e sons. Os dados levar\u00e3o tempo a interpretar correctamente, mas os primeiros sinais indicam que a superf\u00edcie de Tit\u00e3 \u00e9 \u00fanica.<\/p>\n<p align=\"justify\">Depois dos detalhados mas \u00e2mbiguos mapas produzidos pela sonda da NASA, Cassini, as imagens da Huygens s\u00e3o notavelmente reais. Caracter\u00edsticas escuras e ventosas atravessando uma brilhante regi\u00e3o s\u00e3o provavelmente canais de drenagem que cortam as geladas terras-altas. Existem plan\u00edcies lisas, escuras e extensas que podem ser resultado de &#8220;cheias&#8221;, de acordo com o l\u00edder da equipa de imagem, Marty Tomasko.<\/p>\n<p align=\"justify\">A sonda da Ag\u00eancia Espacial Europeia tamb\u00e9m registou o som da sua descida pela atmosfera de Tit\u00e3, e produziu tamb\u00e9m um clip de \u00e1udio dos bips de radar da sonda, com a ajuda da Sociedade Planet\u00e1ria.<\/p>\n<p align=\"justify\">A n\u00edvel terrestre, a Huygens capturou imagens de um campo de rochas redondas, que parecem ter sido objecto de eros\u00e3o por qualquer tipo de fluxo l\u00edquido, tal como os calhaus que encontramos em riachos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Seguidamente deixamos algumas imagens tiradas pela Huygens e respectiva legenda:<\/p>\n<figure style=\"width: 243px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/esamultimedia.esa.int\/images\/cassini_huygens\/huygens_land\/landing_03_H.jpg\" width=\"243\" height=\"159\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Uma das primeiras imagens tiradas pela Huygens, a uma altitude de 16.2 km, com uma resolu\u00e7\u00e3o de aproximadamente 40 metros por pixel. Mostra aparentemente canais de drenagem escuros, culminando numa linha de costa. Cr\u00e9dito: ESA\/NASA\/University of Arizona<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure style=\"width: 255px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/esamultimedia.esa.int\/images\/cassini_huygens\/huygens_land\/landing_02_H.jpg\" width=\"255\" height=\"176\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Imagem tirada a uma altitude de 8 km com uma resolu\u00e7\u00e3o de 20 metros por pixel. Mostra o que poder\u00e1 ser o local de aterragem, com linhas de costa e limites entre partes altas e baixas. Cr\u00e9dito: ESA\/NASA\/University of Arizona<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/esamultimedia.esa.int\/images\/cassini_huygens\/huygens_land\/Picture7.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.esa.int\/images\/Picture7_L.jpg\" width=\"400\" height=\"400\" border=\"0\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">As rochas de Tit\u00e3 mostram sinais de eros\u00e3o (indicando possivelmente actividade fluvial), a cor da lua parece cor-de-laranja. A superf\u00edcie \u00e9 mais escura do que se pensava, consistindo numa mistura de \u00e1gua e hidrocarbonos gelados. Cr\u00e9dito: ESA\/NASA\/University of Arizona<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure style=\"width: 305px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/esamultimedia.esa.int\/images\/cassini_huygens\/huygens_land\/Picture2.jpg\" width=\"305\" height=\"261\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Nesta imagem \u00e9 bem vis\u00edvel o limite entre o terreno escuro e o mais alto claro, marcado pelo que parecem ser canais de drenagem. Estas imagens foram tiradas a uma altitude de cerca de 8 km com uma resolu\u00e7\u00e3o de cerca de 20 metros por pixel. Cr\u00e9dito: ESA\/NASA\/University of Arizona<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/esamultimedia.esa.int\/images\/cassini_huygens\/huygens_land\/Picture3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.esa.int\/images\/Picture3_L,0.jpg\" width=\"400\" height=\"116\" border=\"0\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Nesta imagem temos um vis\u00e3o panor\u00e2mica de 360\u00ba do local de aterragem da Huygens. No lado esquerdo, por tr\u00e1s da Huygens, temos uma zona delimitadora das \u00e1reas clara e negra. Os riscos brancos perto desta fronteira podem ser &#8220;nevoeiro&#8221; de metano ou vapor de etano, dado que n\u00e3o eram imediatamente vis\u00edveis a maiores altitudes. \u00c0 medida que ia descendo, a sonda desviou-se para um planalto (centro da imagem) enquanto se dirigia para o seu local de aterragem numa \u00e1rea escura (direita). Esta \u00e1rea \u00e9 possivelmente formada por canais de drenagem que podem conter material l\u00edquido. Pelo desvio da sonda, a velocidade do vento foi estimada em cerca de 6-7 metros por segundo. Foram tiradas a uma altura de 8 km com uma resolu\u00e7\u00e3o de cerca de 20 metros por pixel. Cr\u00e9dito: ESA\/NASA\/University of Arizona<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/esamultimedia.esa.int\/images\/cassini_huygens\/huygens_land\/esa_release_050117_H.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.esa.int\/images\/esa_release_050117_L.jpg\" width=\"400\" height=\"322\" border=\"0\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Esta imagem \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o de 30 imagens tiradas pela Huygens de uma altitude de 8 at\u00e9 13 km enquanto descia at\u00e9 ao local de aterragem. As imagens foram tiradas com uma resolu\u00e7\u00e3o de 20 metros por pixel e cobrem uma \u00e1rea de cerca de 30 quil\u00f3metros. Cr\u00e9dito: ESA\/NASA\/University of Arizona<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Se estas hip\u00f3teses tentadoras se vierem a tornar facto, este novo mundo foi largamente alterado por l\u00edquidos. \u00c0s temperaturas da superf\u00edcie de Tit\u00e3, -170\u00baC, os l\u00edquidos etano ou metano podem formar lagos ou riachos. Existem algumas nuvens, mas isso apenas significa que as tempestades s\u00e3o raras e intensas.<\/p>\n<p align=\"justify\">No local de aterragem da sonda Huygens, o l\u00edquido pode n\u00e3o estar muito distante. Quanto a sonda atingiu a superf\u00edcie, uma vareta de metal na sua base penetrou 15 cent\u00edmetros no ch\u00e3o. Durante uma frac\u00e7\u00e3o de segundo, a for\u00e7a do impacto atingiu altos n\u00edveis rapidamente e depois baixou para um mais ou menos constante, sugerindo que a superf\u00edcie \u00e9 dura com material mais mole por baixo &#8211; uma consist\u00eancia que um dos cientistas da miss\u00e3o comparou com &#8220;cr\u00e8me br\u00fbl\u00e9e&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">O material gen\u00e9rico no local de aterragem, tal como nas outras \u00e1reas escuras de Tit\u00e3, \u00e9 provavelmente parecido com alcatr\u00e3o que se acumulou na superf\u00edcie, mas os cientistas permanecem na d\u00favida. Dados espectrais registados pela Huygens podem revelar mais quando foram devidamente analisados e comparados com medi\u00e7\u00f5es em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os cientistas ter\u00e3o que esperar at\u00e9 se saber mais sobre a complexa qu\u00edmica org\u00e2nica da atmosfera de Tit\u00e3, sobre a qual esperam que lhes forne\u00e7am mais pistas sobre a origem da vida na Terra. Dois instrumentos estudaram os gases e aeros\u00f3is na atmosfera, mas poder\u00e1 levar meses a analisar os dados.<\/p>\n<p align=\"justify\">At\u00e9 agora, as equipas de an\u00e1lises qu\u00edmicas apenas registaram as medi\u00e7\u00f5es de um g\u00e1s: o cromat\u00f3grafo de g\u00e1s e espect\u00f3metro de massa da Huygens detectou um &#8220;sopro&#8221; de metano no impacto, indicando que existe alguma esp\u00e9cie de reservat\u00f3rio de metano l\u00edquido ou s\u00f3lido na superf\u00edce, talvez na forma de geada ou orvalho. A c\u00e2mara tamb\u00e9m avistou o que pode ser um banco de nevoeiro, talvez composto de metano.<\/p>\n<p align=\"justify\">A imagem que temos de Tit\u00e3 poder\u00e1 mudar radicalmente nos pr\u00f3ximos meses, mas apenas pode ficar mais interessante. &#8220;N\u00e3o \u00e9 nada como Marte ou V\u00e9nus,&#8221; disse Ralph Lorenz, estudioso de Tit\u00e3. &#8220;Tem um aroma apenas seu.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sonda Huygens aterrou na lua do gigante Saturno, Tit\u00e3, na Sexta-feira passada, cumprindo com sucesso a sua miss\u00e3o. Esta foi de um \u00eaxito estrondoso, enviando de volta extraordin\u00e1rias imagens e sons. Os dados levar\u00e3o tempo a interpretar correctamente, mas os primeiros sinais indicam que a superf\u00edcie de Tit\u00e3 \u00e9 \u00fanica. 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