{"id":1347,"date":"2004-11-02T15:46:40","date_gmt":"2004-11-02T15:46:40","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1347"},"modified":"2017-02-20T15:50:19","modified_gmt":"2017-02-20T15:50:19","slug":"pesquisa-de-432-anos-da-resultado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2004\/11\/02\/pesquisa-de-432-anos-da-resultado\/","title":{"rendered":"Pesquisa de 432 anos d\u00e1 resultado"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">O astr\u00f3nomo dinamarqu\u00eas Tycho Brahe avistou uma nova estrela no c\u00e9u a 11 de Novembro de 1572, e desde a\u00ed os astr\u00f3nomos t\u00eam tentado encontr\u00e1-la para saber exactamente o que aconteceu. O caso parece ter sido resolvido a semana passada.<\/p>\n<p align=\"justify\">Foi descoberta uma estrela que se afasta da cena explosiva. Movimenta-se pelo espa\u00e7o tr\u00eas vezes mais depressa que as outras na sua vizinhan\u00e7a, uma prova irrefut\u00e1vel que foi disparada como uma bola de canh\u00e3o desde o local da supernova.<\/p>\n<p align=\"justify\">A supernova de Tycho, como \u00e9 chamada, foi um dos eventos mais importantes da Ci\u00eancia, usado para refutar as vis\u00f5es seculares de Arist\u00f3teles de que os c\u00e9us eram est\u00e1ticos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os astr\u00f3nomos pensam que uma estrela velha, quente e densa chamada an\u00e3 branca estava a puxar imenso material de uma estrela companheira normal. A an\u00e3 branca condensou-se, dando in\u00edcio a uma explos\u00e3o termonuclear cujo brilho temporariamente excedeu mil milh\u00f5es de S\u00f3is.<\/p>\n<p align=\"justify\">A companheira foi atingida pela explos\u00e3o e atirada num novo percurso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua \u00f3rbita anterior.<\/p>\n<p align=\"justify\">A luz vis\u00edvel diminui com o tempo, mas a regi\u00e3o ainda emite intensos raios-X e ondas de r\u00e1dio, tal como uma bolha de mat\u00e9ria em expans\u00e3o colidindo com o g\u00e1s interestelar. H\u00e1 muito tempo que os astr\u00f3nomos a estudam na esperan\u00e7a de aprender se o cen\u00e1rio que utilizam para descrever o cataclismo \u00e9 preciso ou n\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Uma equipa liderada por Pilar Ruiz-Lapuente da Universidade de Barcelona encontrou os restos algo gastos da companheira. O seu caminho, velocidade e o facto de n\u00e3o estar longe do centro da explos\u00e3o, sugerem que esteve na realidade envolvida na supernova.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;A estrela salta \u00e0 vista,&#8221; diz Ruiz-Lapuente. &#8220;Tem uma velocidade muito maior do que as [outras] estrelas nesse local.&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">O evento est\u00e1 a cerca de 10,000 anos-luz da Terra. Um ano-luz \u00e9 a dist\u00e2ncia que a luz percorre num ano, mais ou menos 10 bili\u00f5es de quil\u00f3metros. Por isso a explos\u00e3o ocorreu h\u00e1 cerca de 10,432 anos atr\u00e1s, e a sua luz primeiramente alcan\u00e7ou os olhos de Tycho h\u00e1 432 anos.<\/p>\n<p align=\"justify\">O novo estudo baseou-se em dados do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble e de outros observat\u00f3rios. O achado foi explicado na semana passada na revista Nature.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta descoberta ir\u00e1 ajudar os cientistas a melhor entender as condi\u00e7\u00f5es sob as quais um certo tipo de explos\u00e3o estelar ocorre. Alguns astr\u00f3nomos sugeriram que as supernovas tipo 1a &#8212; a variedade aparentemente observada por Tycho Brahe &#8212; podem ser o resultado de colis\u00f5es estelares entre duas an\u00e3s brancas, em vez da teoria da transfer\u00eancia de massa.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Se aceitarmos que a companheira foi identificada, ent\u00e3o agora sabemos pela primeira vez que nem todas as supernovas tipo-Ia s\u00e3o produzidas pela coalesc\u00eancia das an\u00e3s brancas,&#8221; escreve o f\u00edsico David Branch da Universidade de Oklahoma numa an\u00e1lise do trabalho publicado na revista.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tudo isto \u00e9 importante em parte porque as supernovas tipo 1a s\u00e3o raras na nossa gal\u00e1xia mas comuns no Universo como um todo. Todas elas alcan\u00e7am um brilho m\u00e1ximo id\u00eantico, e extinguem-se numa propor\u00e7\u00e3o quase igual. Por isso os astr\u00f3nomos usam-nas como &#8220;velas padr\u00e3o&#8221; para medir a dist\u00e2ncia de gal\u00e1xias distantes.<\/p>\n<p align=\"justify\">No final dos anos 90, estudos destas supernovas revelaram que o Universo est\u00e1 misteriosamente a expandir a um ritmo acelerado. Uma for\u00e7a desconhecida, chamada energia escura, pensa-se que esteja por tr\u00e1s da expans\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Estas profundas implica\u00e7\u00f5es cosmol\u00f3gicas s\u00e3o a motiva\u00e7\u00e3o dos astr\u00f3nomos para melhor perceber esta classe de supernova,&#8221; diz Branch.<\/p>\n<p align=\"justify\">Com os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos dos telesc\u00f3pios, os astr\u00f3nomos ca\u00e7am as supernovas cada vez mais longe no espa\u00e7o e no tempo, num esfor\u00e7o de saber com mais detalhes as propridades da energia escura, um primeiro passo crucial para a sua percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os astr\u00f3nomos dizem que em m\u00e9dia aparece uma supernova a cada 100 anos numa gal\u00e1xia parecida \u00e0 Via L\u00e1ctea. Uma outra, com o nome do astr\u00f3nomo alem\u00e3o Johannes Kepler alem\u00e3o, apareceu em 1604. Mas desde a\u00ed mais nenhuma foi encontrada. A supernova vizinha mais recente, de nome 1987A, foi descoberta em 1987 no nosso vizinho gal\u00e1ctico, a Grande Nuvem de Magalh\u00e3es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O astr\u00f3nomo dinamarqu\u00eas Tycho Brahe avistou uma nova estrela no c\u00e9u a 11 de Novembro de 1572, e desde a\u00ed os astr\u00f3nomos t\u00eam tentado encontr\u00e1-la para saber exactamente o que aconteceu. O caso parece ter sido resolvido a semana passada. Foi descoberta uma estrela que se afasta da cena explosiva. 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