{"id":1293,"date":"2004-08-25T17:51:09","date_gmt":"2004-08-25T17:51:09","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1293"},"modified":"2017-02-14T17:53:51","modified_gmt":"2017-02-14T17:53:51","slug":"equipa-liderada-por-portugues-descobre-super-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2004\/08\/25\/equipa-liderada-por-portugues-descobre-super-terra\/","title":{"rendered":"Equipa liderada por portugu\u00eas descobre super-Terra"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">Astr\u00f3nomos europeus descobriram um dos mais pequenos planetas fora do nosso sistema solar, um mundo cerca de 14 vezes maior que o nosso \u00e0 volta de uma estrela semelhante ao Sol.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pode ser um planeta rochoso com uma fina atmosfera, uma esp\u00e9cie de &#8220;super Terra,&#8221; dizem os cientistas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas este n\u00e3o \u00e9 um planeta tipo-Terra t\u00edpico. Completa a sua pequena \u00f3rbita em menos de 10 dias, comparada com os 365 necess\u00e1rios para o nosso ano. O seu lado diurno ficaria completamente queimado.<\/p>\n<p align=\"justify\">As condi\u00e7\u00f5es da superf\u00edcie do planeta n\u00e3o s\u00e3o conhecidas, disse o cientista portugu\u00eas Nuno Santos, que dirigiu a descoberta. &#8220;No entanto, podemos esperar que seja muito quente, dada a proximidade da estrela. Na ordem dos 630\u00ba C.&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">No entanto, esta descoberta \u00e9 um avan\u00e7o importante da tecnologia: nenhum planeta t\u00e3o pequeno tinha sido detectado \u00e0 volta de uma estrela \u00abnormal\u00bb. E o achado revela um sistema solar mais parecido com o nosso do que qualquer outro encontrado at\u00e9 agora.<\/p>\n<p align=\"justify\">A estrela \u00e9 como o nosso Sol e encontra-se a apenas 50 anos-luz. Um ano-luz \u00e9 a dist\u00e2ncia que a luz viaja num ano, mais ou menos 10 bili\u00f5es de quil\u00f3metros. A maioria dos planetas extrasolares j\u00e1 descobertos est\u00e3o a centenas ou milhares de anos-luz de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p align=\"justify\">A estrela, <em>mu Arae<\/em>, \u00e9 vis\u00edvel com um c\u00e9u escuro no Hemisf\u00e9rio Sul. Alberga ainda outros dois planetas: um tem o tamanho de J\u00fapiter e demora 650 dias a completar a sua viagem anual \u00e0 volta da estrela. O outro, cuja exist\u00eancia foi confirmada com a ajuda de novas observa\u00e7\u00f5es, est\u00e1 mais distante.<\/p>\n<p align=\"justify\">O conjunto de tr\u00eas planetas, um sendo rochoso, \u00e9 \u00fanico.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Est\u00e1 muito mais perto do nosso sistema solar do que alguma coisa j\u00e1 observada,&#8221; disse Alan Boss, um te\u00f3rico na forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria no Instituto Carnegie em Washington.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Esta \u00e9 realmente uma descoberta excitante,&#8221; disse Boss, que n\u00e3o estava envolvido no trabalho. &#8220;Ainda estou um bocado surpreendido com o facto de terem t\u00e3o bons dados.&#8221;<\/p>\n<p align=\"justify\">A descoberta foi feita com o telesc\u00f3pio do Observat\u00f3rio Europeu do Sul em La Silla, Chile, operando no limite do que \u00e9 poss\u00edvel detectar. A maioria dos mais de 120 planetas encontrados para l\u00e1 do nosso sistema solar s\u00e3o mundos gasosos at\u00e9 maiores que J\u00fapiter, maioritariamente em pequenas \u00f3rbitas que n\u00e3o permitem a sobreviv\u00eancia de um planeta rochoso.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um punhado de planetas mais pequenos que Saturno foram j\u00e1 descobertos, nenhum nem perto do tamanho do anunciado hoje. E um trio de planetas com um tamanho aproximado ao da Terra foram encontrados em 2002, em \u00f3rbita a um corpo estelar denso conhecido como estrela de neutr\u00f5es (pulsar). S\u00e3o bolas esquisitas, rapidamente circulando uma estrela negra que n\u00e3o suportaria vida. Alguns ca\u00e7adores de planetas n\u00e3o consideram estes tr\u00eas t\u00e3o importantes como os planetas \u00e0 volta de estrelas normais.<\/p>\n<p align=\"justify\">Com uma massa 14 vezes a da Terra, o rec\u00e9m-descoberto planeta &#8212; circulando uma estrela semelhante ao Sol em tamanho e brilho &#8212; \u00e9 t\u00e3o pesado como Urano, um mundo de g\u00e1s e gelo, e o planeta gigante mais pequeno do nosso sistema solar. Os te\u00f3ricos, no entanto, dizem que 14 vezes a massa da Terra \u00e9 aproximadamente o limite que um planeta pode alcan\u00e7ar para permanecer rochoso. E dado que este planeta est\u00e1 t\u00e3o perto da sua estrela, provavelmente teve uma forma\u00e7\u00e3o muito diferente da de Urano.<\/p>\n<p align=\"justify\">No nosso sistema solar, os quatro planetas mais interiores s\u00e3o todos rochosos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A teoria mais dominante de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria diz que os gigantes gasosos formam um n\u00facleo rochoso, um processo no qual o n\u00facleo se desenvolve ao longo do tempo, que depois alcan\u00e7a um ponto fulcral em que a gravidade pode rapidamente recolher uma grande quantidade de g\u00e1s. Esta teoria sugere que o novo planeta nunca chegou a esta massa cr\u00edtica, segundo Nuno Santos, do Centro de Astronomia e Astrof\u00edsica da Universidade de Lisboa, Portugal. &#8220;Sen\u00e3o o planeta teria-se tornado muito mais massivo,&#8221; disse. &#8220;Este objecto parece por isso ser um planeta com um n\u00facleo rochoso rodeado por uma pequena camada gasosa, o que o qualifica como uma super-Terra,&#8221; disse a equipa Europeia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Boss de Carnegie diz que as an\u00e1lises dos dados representam um &#8220;argumento v\u00e1lido&#8221;. Disse que o planeta teve que se formar dentro da \u00f3rbita do maior planeta do sistema, que orbita a estrela duas vezes mais longe que a Terra est\u00e1 do Sol. Boss tamb\u00e9m indica que a Terra \u00e9 cerca de 10 vezes mais massiva que Merc\u00fario, por isso at\u00e9 no nosso sistema solar existe um ramo de possibilidades para os planetas rochosos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Finalmente, Boss conclui que a estrela <em>mu Arae<\/em> tem um conte\u00fado met\u00e1lico maior que o nosso Sol, e a teoria diz que um planeta formando-se perto de tal estrela provavelmente receber\u00e1 mais massa. Est\u00e1 tudo na quantidade dispon\u00edvel de material.<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o existem imagens convencionais do objecto, dado que foi detectado pela oscila\u00e7\u00e3o gravitacional da estrela. O projecto de pesquisa que levou a esta descoberta \u00e9 liderado por Michel Mayor do Observat\u00f3rio de Genebra, Sui\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"justify\">Embora os cientistas n\u00e3o conhe\u00e7am a totalidade das condi\u00e7\u00f5es sobre as quais a vida pode sobreviver, o rec\u00e9m-descoberto mundo, com a sua quente superf\u00edcie, n\u00e3o \u00e9 o local t\u00edpico onde os bi\u00f3logos esperam encontrar vida tal como a conhecemos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nuno disse que vida neste grande mundo n\u00e3o \u00e9 prov\u00e1vel. Mas, acrescentou, &#8220;nunca se sabe.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos europeus descobriram um dos mais pequenos planetas fora do nosso sistema solar, um mundo cerca de 14 vezes maior que o nosso \u00e0 volta de uma estrela semelhante ao Sol. Pode ser um planeta rochoso com uma fina atmosfera, uma esp\u00e9cie de &#8220;super Terra,&#8221; dizem os cientistas. Mas este n\u00e3o \u00e9 um planeta tipo-Terra &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1294,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[72,1],"tags":[219,218],"class_list":["post-1293","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-exoplanetas","category-telescopios-profissionais","tag-mu-arae","tag-nuno-santos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1293","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1293"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1293\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1295,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1293\/revisions\/1295"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1294"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1293"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1293"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1293"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}