{"id":1269,"date":"2004-08-03T17:27:16","date_gmt":"2004-08-03T17:27:16","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1269"},"modified":"2017-02-14T17:30:05","modified_gmt":"2017-02-14T17:30:05","slug":"odisseia-de-uma-rocha-lunar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2004\/08\/03\/odisseia-de-uma-rocha-lunar\/","title":{"rendered":"Odisseia de uma rocha lunar"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">Um achado no deserto de Om\u00e3 permitiu aos cientistas a reconstru\u00e7\u00e3o mais detalhada de sempre da hist\u00f3ria de um meteorito lunar. Os resultados revelam que a rocha teve uma vida violenta e que suportou pelo menos quatro colis\u00f5es mesmo antes de ter sa\u00eddo da Lua.<\/p>\n<p align=\"justify\">O meteorito, chamado Sayh al Uhaymir 169, foi descoberto por Edwin Gnos e seus colegas da Universidade de Berna, Sui\u00e7a, durante uma expedi\u00e7\u00e3o a Om\u00e3 em 2002. \u00c9 um dos 30 meteoritos que foram encontrados na Terra desde 1979.<\/p>\n<p align=\"justify\">A equipa chegou \u00e0 conclus\u00e3o que a rocha veio da cratera de impacto Lalande na Lua, uma \u00e1rea com apenas alguns quil\u00f3metros de di\u00e2metro. \u00c9 a primeira vez que os cientistas foram capazes de localizar o local de nascimento de um meteorito lunar com tamanha precis\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">A melhor pista veio dos invulgares altos n\u00edveis do elemento radioactivo t\u00f3rio. &#8220;A qu\u00edmica desta rocha \u00e9 bastante extraordin\u00e1ria. N\u00e3o existe outra como esta, seja como meteorito ou como uma das recolhidas pelas miss\u00f5es Apollo,&#8221;, disse Gnos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A equipa usou um mapa detalhado do t\u00f3rio lunar criado pela sonda da NASA Lunar Prospector em 1998-99 para descobrir que a rocha teria que ter vindo de algures dentro de Mare Imbrium, que forma o olho direito do &#8216;homem na Lua&#8217;. Outros dados minerais indicavam esse local como Lalande.<\/p>\n<p align=\"justify\">Gnos e a sua equipa determinaram a hist\u00f3ria de Sayh al Uhaymir 169 comparando a raz\u00e3o dos elementos radioactivos presentes na rocha. \u00c0 medida que os elementos radioactivos decaiem, estes transformam-se noutros. Nas rochas s\u00f3lidas, estes produtos do decaimento s\u00e3o capturados e n\u00e3o conseguem escapar, por isso a rela\u00e7\u00e3o entre o ur\u00e2nio e o chumbo ajuda a revelar h\u00e1 quanto tempo \u00e9 que a rocha solidificou.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quaisquer grandes impactos derretem partes da rocha, repondo o rel\u00f3gio radioactivo nessas \u00e1reas. Por isso, comparando as idades dos cristais em diferentes partes da rocha mostra quando e como foi severamente &#8220;mal-tratada&#8221;. Durante o tempo que o meteorito passou no espa\u00e7o foi tamb\u00e9m bombardeado com raios c\u00f3smicos, o que alterou a sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, deixando uma assinatura distinta da sua viagem at\u00e9 \u00e0 Terra.<\/p>\n<p align=\"justify\">As an\u00e1lises da equipa sugerem que a rocha foi apanhada no enorme impacto que criou Mare Imbrium, que Gnos estima ter acontecido h\u00e1 cerca de 3.9 mil milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. A rocha foi posteriormente ressaltada pela crusta da Lua por mais dois impactos, h\u00e1 2.8 mil milh\u00f5es e 200 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, o que pode ter acontecido devido \u00e0 colis\u00e3o com aster\u00f3ides.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um impacto final h\u00e1 pouco mais de 340,000 anos atirou a rocha para longe da Lua, flutuando no espa\u00e7o antes de aterrar na Terra h\u00e1 10,000 anos atr\u00e1s. Provavelmente permaneceu no deserto de Om\u00e3 sem perturba\u00e7\u00e3o desde a\u00ed.<\/p>\n<p align=\"justify\">Gnos calcula para a cratera Imbrium uma idade um pouco maior que as amostras lunares recolhidas pelas miss\u00f5es Apollo sugerem. Elas indicam que o impacto foi h\u00e1 3.85 mil milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. A nova data \u00e9 importante para os cientistas planet\u00e1rios que usam as crateras da Lua como um calend\u00e1rio pict\u00f3rico que mostra quantos meteoritos havia no nosso Sistema Solar a diferentes alturas dos \u00faltimos 4 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A equipa de Gnos ir\u00e1 tentar regressar a Om\u00e3 em busca de mais meteoritos l\u00e1 para o fim deste ano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um achado no deserto de Om\u00e3 permitiu aos cientistas a reconstru\u00e7\u00e3o mais detalhada de sempre da hist\u00f3ria de um meteorito lunar. Os resultados revelam que a rocha teve uma vida violenta e que suportou pelo menos quatro colis\u00f5es mesmo antes de ter sa\u00eddo da Lua. 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