{"id":1204,"date":"2004-06-04T12:05:11","date_gmt":"2004-06-04T12:05:11","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1204"},"modified":"2017-02-10T12:10:53","modified_gmt":"2017-02-10T12:10:53","slug":"projecto-reflex-maior-catalogo-de-enxames-de-galaxias-feito-com-telescopios-do-eso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2004\/06\/04\/projecto-reflex-maior-catalogo-de-enxames-de-galaxias-feito-com-telescopios-do-eso\/","title":{"rendered":"Projecto REFLEX &#8211; maior cat\u00e1logo de enxames de gal\u00e1xias feito com telesc\u00f3pios do ESO"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\"><span class=\"dropcap \">O<\/span>s enxames de gal\u00e1xias s\u00e3o estruturas gigantescas de constru\u00e7\u00e3o do Universo, contendo centenas a milhares de gal\u00e1xias e, de forma menos vis\u00edvel mas n\u00e3o menos interessante, enormes massas de mat\u00e9ria escura, cuja origem ainda desafia a investiga\u00e7\u00e3o em astronomia. Para termos ideia das dimens\u00f5es, o enxame de Coma, que se ncontra relativamente pr\u00f3ximo de n\u00f3s tem milhares de gal\u00e1xias com um di\u00e2metro total de cerca de 20 milh\u00f5es de anos-luz. Outro exemplo \u00e9 o enxame da Virgem que encontrando-se a cerca de 50 milh\u00f5es de anos luz de n\u00f3s, ainda assim tem um di\u00e2metro aparente no c\u00e9u de mais de 10 graus no c\u00e9u (cerca de 20 vezes o di\u00e2metro aparente da Lua).<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Os enxames de gal\u00e1xias constituem as regi\u00f5es mais densas do Universo. Por esta raz\u00e3o s\u00e3o identificativas das estruturas de grande escala do Universo, da mesma forma que podemos dizer que os far\u00f3is identificam de uma linha de costa. Por este motivo fornecem-nos informa\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel sobre a estrutura do Universo em que vivemos.<\/div>\n<h3 align=\"justify\"><b>O Projecto REFLEX<\/b><\/h3>\n<p align=\"justify\">Uma equipa de astr\u00f3nomos europeus coordenada por Hans B\u00f6hringer (MPE, Garching, Germany), Luigi Guzzo (INAF, Milano, Italy), Chris A. Collins (JMU, Liverpool) e Peter Schuecker (MPE, Garching) tem ao longo da \u00faltima d\u00e9cada tentado localizar os maiores enxames de gal\u00e1xias do Universo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Como cerca de um quinto da mat\u00e9ria invis\u00edvel do enxame se encontra sob a forma de um g\u00e1s difuso extremamente quente, com uma temperatura da ordem dos milh\u00f5es de kelvins, os enxames de gal\u00e1xias constituem excelentes fontes de raios X, pelo que esta regi\u00e3o espectral \u00e9 a ideal para a sua descoberta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por este motivo os astr\u00f3nomos utilizaram dados do ROSAT para procurar os primeiros dados dos enxames antes de tentarem proceder \u00e0 sua localiza\u00e7\u00e3o no vis\u00edvel e posterior identifica\u00e7\u00e3o do <i>redshift<\/i> para saber a dist\u00e2ncia, etc.<\/p>\n<p align=\"justify\">A determina\u00e7\u00e3o do <i>redshift<\/i> foi feita usando v\u00e1rios telesc\u00f3pios do Observat\u00f3rio de La Silla, entre 1992 e 1999 e ESO La Silla Observatory no Chile, entre 1992 to 1999. Os mais brilhantes foram observados nos telesc\u00f3pios de\u00a0 1.5 e de 2.2 metros do ESO, enquanto os menos brilhantes foram observados no telesc\u00f3pio do ESO de 3.6 m.<\/p>\n<p align=\"justify\">O projecto de 12 anos que tem vindo a ser desenvolvido nestes telesc\u00f3pios chama-se REFLEX (ROSAT-ESO Flux Limited X-ray) Cluster Survey. Foi agora completado e gerou um cat\u00e1logo \u00fanico com as caracter\u00edsticas dos 447 enxames de gal\u00e1xias mais brilhantes nos raios X dos c\u00e9us do Hemisf\u00e9rio Sul. Dos 447 enxames metade foram descobertos pelo projecto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os enxames de gal\u00e1xias est\u00e3o longe de se apresentar uniformemente distribu\u00eddos pelo Universo. Pelo contr\u00e1rio, tendem a aglomerar-se em estruturas ainda maiores chamadas superenxames. As estruturas e megaestruturas existentes ter\u00e3o a sua disposi\u00e7\u00e3o definida como consequ\u00eancia do per\u00edodo inflacion\u00e1rio imediatamente ap\u00f3s o Big Bang em que o Universo cresceu de uma forma superior \u00e0 velocidade da luz durante uma frac\u00e7\u00e3o de segundo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Devido \u00e0 liga\u00e7\u00e3o entre as primeiras flutua\u00e7\u00f5es e as gigantescas estruturas agora observadas o cat\u00e1logo REFLEX serviu para por um m\u00e9todo diferente dos utilizados anteriormente obter novas determina\u00e7\u00f5es sobre a composi\u00e7\u00e3o do Universo, em particular relativamente \u00e0 mat\u00e9ria escura do Universo, sendo complementar a outros estudos com o mesmo objectivo como o da Radia\u00e7\u00e3o C\u00f3smica de Fundo ou os estudos de supernovas muito distantes.<\/p>\n<p align=\"justify\">A equipa que conduziu o projecto REFLEX conluiu que a densidade m\u00e9dia do Universo \u00e9 de 0,27 a 0,43 vezes a &#8220;densidade cr\u00edtica&#8221;, o que produziu o valor mais exacto para esta constante j\u00e1 estabelecida. Quando combinado com os resultados dos \u00faltimos estudos com supernovas mimetiza claramente um Universo com a constante cosmol\u00f3gica de Einstein.<\/p>\n<p align=\"justify\">O cat\u00e1logo REFLEX tamb\u00e9m servir\u00e1 para muitas outras finalidades como para o entendimento dos processos que contribuem para o aquecimento do g\u00e1s dos enxames, bem como para analisar os efeitos da localiza\u00e7\u00e3o da gal\u00e1xia no enxame sobre a mesma. Mais ainda: o estabelecimento do cat\u00e1logo \u00e9 um bom ponto de partida para a busca de lentes gravitacionais em que o enxame\u00a0 actua como uma gigantesca lente que amplia objectos mais distantes que se encontram por tr\u00e1s dele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os enxames de gal\u00e1xias s\u00e3o estruturas gigantescas de constru\u00e7\u00e3o do Universo, contendo centenas a milhares de gal\u00e1xias e, de forma menos vis\u00edvel mas n\u00e3o menos interessante, enormes massas de mat\u00e9ria escura, cuja origem ainda desafia a investiga\u00e7\u00e3o em astronomia. 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