{"id":1182,"date":"2004-05-07T12:12:26","date_gmt":"2004-05-07T12:12:26","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=1182"},"modified":"2017-02-09T12:19:06","modified_gmt":"2017-02-09T12:19:06","slug":"partner-radioastronomia-feita-por-alunos-do-ensino-secundario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2004\/05\/07\/partner-radioastronomia-feita-por-alunos-do-ensino-secundario\/","title":{"rendered":"PARTNeR &#8211; Radioastronomia feita por alunos do Ensino Secund\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<span class=\"dropcap \">N<\/span>a manh\u00e3 do dia 5 de Maio de 2004, jovens do Clube de Astronomia da Escola Secund\u00e1ria Pinheiro e Rosa de Faro tornaram-se os primeiros alunos a utilizar um radiotelesc\u00f3pio de grandes dimens\u00f5es numa observa\u00e7\u00e3o de apoio \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, dado estarem envolvidos no programa PARTNeR.<\/p>\n<p>O PARTNeR permite aos estudantes usar a antena DSS-61 de 34 metros para realizar trabalhos pr\u00e1ticos de r\u00e1dioastronomia. A antena encontra-se no Complexo de Comunica\u00e7\u00f5es de Espa\u00e7o Profundo em Robledo de la Chavela (Madrid) e a sua utiliza\u00e7\u00e3o faz -se \u00e0 dist\u00e2ncia atrav\u00e9s da internet.<\/p>\n<p align=\"justify\">O PARTNeR \u00e9 um\u00a0 projecto educativo cujo objectivo consiste em proporcionar aos estudantes envolvidos uma experi\u00eancia pr\u00e1tica na \u00e1rea das ci\u00eancias do espa\u00e7o e estimular o seu inetresse pelo mundo cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico, orientado para estudantes do ensino secund\u00e1rio ou superior. A sua execu\u00e7\u00e3o resulta de um acordo entre a NASA (National Aeronautics and Space Administration) e o instituto espanhol INTA (Instituto Nacional de Tecnica Aeroespacial).<\/p>\n<p class=\"centrado\">O <a class=\"amarillo\" href=\"http:\/\/laeff.inta.es\/\" target=\"_blank\">LAEFF <\/a>(Laboratorio de Astrof\u00edsica Espacial y F\u00edsica Fundamental) um dos laborat\u00f3rios do INTA \u00e9 a entidade respons\u00e1vel pelo Centro de Coordena\u00e7\u00e3o PARTNeR. Os elementos deste Centro fazem gerem a utiliza\u00e7\u00e3o da antena, d\u00e3o forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e t\u00e9cnica necess\u00e1ria aos utentes e fazem a acessoria de todos os aspectos relacionados com o projecto PARTNeR.<\/p>\n<p align=\"justify\">A participa\u00e7\u00e3o destes alunos portugueses foi poss\u00edvel devido a uma parceria estabelecida entre o Ci\u00eancia Viva e o PARTNeR, tendo a coordena\u00e7\u00e3o local ficado a cargo do Centro Ci\u00eancia Viva do Algarve.<\/p>\n<h3 align=\"justify\">A observa\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Os alunos da Escola Secund\u00e1ria Pinheiro e Rosa tinha a observa\u00e7\u00e3o preparada no sentido de observar tr\u00eas sistemas bin\u00e1rios de raios X e um blazar.<\/p>\n<p>Os <strong>bin\u00e1rios de raios X<\/strong> eram <strong>SS433<\/strong> (A.R. (2000): 19h 11min 49,6s; Dec (2000): 04\u00ba 58? 58?),<strong>Cignus X-3<\/strong> (A.R.(2000): 20h32min25,78s; Dec(2000): 40\u00ba57?28?) e ainda <strong>LSI+61303<\/strong> (A.R. (2000): 02h 40min 31,67s; Dec (2000): 61\u00ba 13? 45,6?). No entanto, devido a problemas t\u00e9cnicos na passagem do radiotelesc\u00f3pio no in\u00edcio da observa\u00e7\u00e3o apenas foi poss\u00edvel observar Cignus X-3 e LSI+61303, pois quando os problemas ficaram resolvidos SS433 j\u00e1 se encontrava abaixo do limite de trabalho do radiotelesc\u00f3pio. O <strong>blazar<\/strong> observado foi <strong>0217+738<\/strong> (A.R. (2000): 02h 17min 30,81s; Dec (2000): 73\u00ba 49? 32,6?).<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es agora efectuadas enquadram-se num programa de monitoriza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podendo ser analisadas por si s\u00f3. Pretende-se que os valores de emiss\u00e3o obtidos pelos alunos sejam comparados com outros obtidos anteriormente por outras equipas de observadores no sentido verificar a exist\u00eancia de aumentos de emiss\u00e3o por parte destes objectos, no sentido de os compreender melhor.<\/p>\n<p>Os blazares fazem parte de uma fam\u00edlia de gal\u00e1xias de discos de g\u00e1s muito extensos, chamados discos de acre\u00e7\u00e3o, que rodopiam \u00e0 volta de buracos negros de milh\u00f5es ou mesmo milhares de milh\u00f5es de massas solares. \u00c0 medida que o g\u00e1s contido nos discos de acre\u00e7\u00e3o cai no buraco negro, aquece e liberta radia\u00e7\u00e3o muito energ\u00e9tica, no comprimento de onda dos raios X, podendo ser detectado a milhares de milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia. Os n\u00facleos das gal\u00e1xias que albergam este tipo de objectos denominam-se N\u00facleos Gal\u00e1cticos Activos (NGA) e geralmente ultrapassam, em brilho, todas as estrelas da gal\u00e1xia anfitri\u00e3 por factores que v\u00e3o de 10 a 1000. Existem diversos tipos de NGA, como as gal\u00e1xias Seyfert ou os Quasares. Cerca de 10% produzem campos magn\u00e9ticos e feixes estreitos de part\u00edculas energ\u00e9ticas que s\u00e3o ejectadas ao longo das linhas desse campo magn\u00e9tico, perpendicularmente ao disco, com velocidades muito pr\u00f3ximas da luz. Quando um destes feixes est\u00e1 apontado na direc\u00e7\u00e3o da Terra, parece-nos especialmente brilhante, sendo o NGA ent\u00e3o chamado, pelos astr\u00f3nomos, um blazar.<\/p>\n<p>Pensa-se que os bin\u00e1rios de raios X, como SS433, Cygnus X-3 ou LSI+61303 sejam sistemas com um buraco negro ou ent\u00e3o uma estrela de neutr\u00f5es que est\u00e1 a retirar mat\u00e9ria de uma estrela companheira. Muita gente acredita que os bin\u00e1rios de raios X produzem jactos realtivistas como os blazares e chama-lhes por isso tamb\u00e9m microquasares ou blazares gal\u00e1cticos. Libertam enormes quantidades de energia em radia\u00e7\u00e3o de alta energia, nomeadamente raios X e raios gama e \u00e9 tamb\u00e9m uma fonte muito brilhante de ondas r\u00e1dio, emitindo intensamente nesta frequ\u00eancia de tempos em tempos.<\/p>\n<p>Dos bin\u00e1rios de raios X observados Cygnus X-3 \u00e9 o mais conhecido. \u00c9 o \u00fanico caso conhecido de uma estrela de Wolf-Rayet com uma companheira compacta. As estrelas de Wolf-Rayet s\u00e3o estrelas massivas &#8211; entre 7 e 50 massas solares &#8211; que se libertaram do seu inv\u00f3lucro exterior de hidrog\u00e9nio. O que sobra na estrela \u00e9 maioritariamente h\u00e9lio. O facto de possuir uma massa t\u00e3o alta indica que a sua vida ser\u00e1 necessariamente curta pelo que possuir uma companheira compacta (resultante da morte da estrela) que fosse coeva com ela (que tivesse nascido &#8220;simultaneamente&#8221;) \u00e9 ainda mais invulgar e indicativo de que a massa da companheira, neste caso, deveria ser descomunal.<\/p>\n<p>Os bin\u00e1rios de raios X, t\u00eam per\u00edodos de pequena actividade associados a per\u00edodos de grande emiss\u00e3o que se pensa sucederem \u00e0s fases de grande acre\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria que se pensa ocorrer em pulsos. Torna-se necess\u00e1rio monitorizar a emiss\u00e3o realizada por estes objectos para quando se d\u00e1 uma grande emiss\u00e3o esta possa ser seguida pelos grandes telesc\u00f3pios para se compreender o que aconteceu.<\/p>\n<p>Quando\u00a0 um dos objectos entrar num per\u00edodo de grande emiss\u00e3o, haver\u00e1 telesc\u00f3pios espaciais prontos para observar em particular Cygnus X-3, j\u00e1 que foi atribu\u00eddo estatuto priorit\u00e1rio a programas de observa\u00e7\u00e3o propostos para\u00a0 Cygnus X-3, tanto no dom\u00ednio dos raios X com os Observat\u00f3rios Espaciais Chandra e Rossi, como nas frequ\u00eancias relativas aos raios gama com o Observat\u00f3rio Espacial Compton.<\/p>\n<p>Se houver um jacto relativista num destes objectos poderemos ent\u00e3o vislumbrar o modo como tudo se desenrola. Alguns modelos prev\u00eaem a produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-antimat\u00e9ria no interior do jacto. O Observat\u00f3rio Espacial de raios gama Compton ser\u00e1 capaz de detectar as riscas espectrais resultantes da aniquila\u00e7\u00e3o electr\u00f5es-positr\u00f5es, se esta acontecer. Jactos como estes podem tamb\u00e9m arrastar consigo mat\u00e9ria do disco de acre\u00e7\u00e3o ou do vento estelar. Nesse caso, poderemos observar a assinatura desse material nas riscas espectrais das emiss\u00f5es de raios X que ser\u00e3o obtidas com o Chandra. Essa informa\u00e7\u00e3o providenciar\u00e1 desvios por efeito de Doppler e composi\u00e7\u00f5es, ou seja, poderemos medir a velocidade do jacto e a sua composi\u00e7\u00e3o, respectivamente.<\/p>\n<p>Se houver mesmo um jacto relativista num destes bin\u00e1rios de raios X poderemos vislumbrar o modo como tudo se desenrola. Alguns modelos prev\u00eaem a produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-antimat\u00e9ria no interior do jacto. O Observat\u00f3rio Espacial de raios gama Compton ser\u00e1 capaz de detectar as riscas espectrais resultantes da aniquila\u00e7\u00e3o electr\u00f5es-positr\u00f5es, se esta acontecer. Jactos como estes podem tamb\u00e9m arrastar consigo mat\u00e9ria do disco de acre\u00e7\u00e3o ou do vento estelar. Nesse caso, poderemos observar a assinatura desse material nas riscas espectrais das emiss\u00f5es de raios X que ser\u00e3o obtidas com o Chandra. Essa informa\u00e7\u00e3o providenciar\u00e1 desvios para o vermelho e composi\u00e7\u00f5es, ou seja, poderemos medir a velocidade do jacto e a sua composi\u00e7\u00e3o, respectivamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na manh\u00e3 do dia 5 de Maio de 2004, jovens do Clube de Astronomia da Escola Secund\u00e1ria Pinheiro e Rosa de Faro tornaram-se os primeiros alunos a utilizar um radiotelesc\u00f3pio de grandes dimens\u00f5es numa observa\u00e7\u00e3o de apoio \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, dado estarem envolvidos no programa PARTNeR. 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