{"id":944,"date":"2017-01-29T18:07:57","date_gmt":"2017-01-29T18:07:57","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?page_id=944"},"modified":"2019-01-09T09:33:58","modified_gmt":"2019-01-09T09:33:58","slug":"copernico","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/copernico\/","title":{"rendered":"Cop\u00e9rnico"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nikolaj Kpernik, conhecido entre n\u00f3s pelo nome latinizado de Cop\u00e9rnico (figura 1), nasceu em Torun, na Pol\u00f3nia, em 1473. Entrou para o clero e estudou, primeiro, na Universidade de Crac\u00f3via, e mais tarde, em Bologna, na It\u00e1lia. Em 1501 regressou \u00e0 Pol\u00f3nia e tornou-se padre de Frombork, que ele mesmo descreveu como sendo &#8220;o canto mais long\u00ednquo da Terra&#8221;. Teve uma carreira variada, tendo defendido o seu pa\u00eds nas lutas contra os cavaleiros teut\u00f3nicos. Tamb\u00e9m desenvolveu actividades locais como m\u00e9dico e administrador. No entanto, o seu interesse estava na Astronomia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde cedo verificou que a teoria geoc\u00eantrica de Ptolomeu, que colocava a Terra no centro do Universo, era complicada e pouco satisfat\u00f3ria. A maior parte do problema podia ser resolvida removendo a Terra da sua posi\u00e7\u00e3o central e substituindo-a pelo Sol. Esta sua tese est\u00e1 descrita no livro\u00a0<em>De Revolutionibus Orbium Coelestium<\/em>\u00a0(figura 2) relativo ao movimento orbital dos principais corpos celestes conhecidos no seu tempo. A tese poderia estar praticamente completa em 1533, mas Cop\u00e9rnico n\u00e3o a publicou por saber que a Igreja o acusaria de heresia, pois tirar a Terra do centro do Universo ia contra a doutrina oficial.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"723\" height=\"668\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/copernico.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1621\"\/><figcaption>Figura 1 &#8211; Cop\u00e9rnico.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Finalmente, em 1543, j\u00e1 \u00e0s portas da morte, concordou com a sua impress\u00e3o, n\u00e3o se sabendo se chegou a ver a vers\u00e3o impressa. Muitas das ideias de Cop\u00e9rnico estavam erradas e a sua teoria final era quase t\u00e3o complicada como a de Ptolomeu, mas tinha dado o passo essencial para que os seus sucessores pudessem construir sobre o seu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\n\nOs maiores argumentos contra o modelo de Cop\u00e9rnico eram de dois tipos relacionados com factos que se observavam\/assumiam na \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro prendia-se com o facto observacional, que mesmo quando um objecto era atirado ao ar na direc\u00e7\u00e3o do Sol, n\u00e3o seguia na sua direc\u00e7\u00e3o, da forma que seria esperada se o Sol fosse o centro atractor do &#8220;Universo&#8221;. Este facto, s\u00f3 viria a ser explicado completamente por Isaac Newton.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"442\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/livro.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1623\"\/><figcaption>Figura 2 &#8211; Capa do livro\u00a0<em>De Revolutionibus Orbium Coelestium.<\/em> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O outro argumento para aceitar que o sistema era o proposto pelo modelo geoc\u00eantrico com uma esfera das fixas, era a inexist\u00eancia de paralaxe estelar vis\u00edvel. A paralaxe pode ser explicada da seguinte forma: se esticarmos o bra\u00e7o segurando um l\u00e1pis \u00e0 vertical e olharmos alternadamente para o polegar com o olho direito e o esquerdo, vamos verificar que o polegar parece mudar de posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 parede do fundo. Quanto mais afastado o l\u00e1pis estiver dos olhos mais pequeno ser\u00e1 o \u00e2ngulo de paralaxe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a Terra girasse em torno do Sol e as estrelas fixas n\u00e3o estivessem \u00e0 mesma dist\u00e2ncia do Sol teria, que observar-se paralaxe quando a Terra estava de um lado e do outro do Sol (como cada um dos olhos est\u00e1 de um lado do nariz), o que n\u00e3o se verificava com os instrumentos da \u00e9poca (essencialmente os olhos). Hoje sabemos que os \u00e2ngulos de paralaxe s\u00e3o demasiado pequenos (a estrela mais pr\u00f3xima tem uma paralaxe pr\u00f3xima de 1&#8243; de arco (Existem 3600&#8243; de arco em 1\u00ba)).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"477\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/paralaxe.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1624\"\/><figcaption>Figura 3 &#8211; Quanto mais afastado um objecto estiver do observador, menor ser\u00e1 a sua paralexe relativamente ao fundo. <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, o modelo de Cop\u00e9rnico explicava as retrograda\u00e7\u00f5es com uma facilidade not\u00e1vel sem serem necess\u00e1rios quaisquer artificialismos, como se verificava no modelo ptolomaico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este foi sem d\u00favida o maior sucesso do modelo, dado que quando Cop\u00e9rnico quis come\u00e7ar a reproduzir as velocidades de revolu\u00e7\u00e3o dos planetas, o modelo complicou-se quase tanto como o modelo ptolomaico.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"526\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/retrogradacao-1.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1625\"\/><figcaption>Figura 4 &#8211; Retrograda\u00e7\u00e3o de um planeta exterior vista \u00e0 luz do modelo helioc\u00eantrico. <\/figcaption><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nikolaj Kpernik, conhecido entre n\u00f3s pelo nome latinizado de Cop\u00e9rnico (figura 1), nasceu em Torun, na Pol\u00f3nia, em 1473. 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