{"id":942,"date":"2017-01-29T18:07:57","date_gmt":"2017-01-29T18:07:57","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?page_id=942"},"modified":"2025-01-07T13:58:27","modified_gmt":"2025-01-07T12:58:27","slug":"astronomia-na-idade-media","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/astronomia-na-idade-media\/","title":{"rendered":"Astronomia na Idade M\u00e9dia"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Astronomia \u00e1rabe na Idade M\u00e9dia<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A f\u00e9 isl\u00e2mica inicia-se em 622 D.C., quando o profeta Maom\u00e9 convoca os \u00e1rabes a Meca para adorar o &#8220;\u00fanico Deus verdadeiro&#8221;. A partir desse ano, em que Maom\u00e9 faz a sua viagem conhecida por &#8220;<em>H\u00e9gira<\/em>&#8220;, o islamismo espalha-se rapidamente pelo Egipto, Iraque, Norte de \u00c1frica e Espanha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal como os crist\u00e3os dependem dos astros para a determina\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa, tamb\u00e9m os \u00e1rabes dependeram das datas astron\u00f3micas para definir as suas cinco horas de ora\u00e7\u00e3o di\u00e1rias, para definir a direc\u00e7\u00e3o de Meca e o seu calend\u00e1rio lunar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio, a Astronomia isl\u00e2mica teve como suporte a Astronomia persa e indiana, mas por volta do s\u00e9culo IX j\u00e1 incorporava a Astronomia grega cl\u00e1ssica, em particular as cosmologias de Arist\u00f3teles e Ptolomeu.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"378\" height=\"545\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/astronomia_arabe.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1613\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 1.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os s\u00e9culos IX e XII surgiram e desenvolveram-se tr\u00eas grandes centros de Astronomia \u00e1rabes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro foi na regi\u00e3o de Bagdad, onde a &#8220;Casa da Sabedoria&#8221; criada pelos Califas Abbasid encorajou o desenvolvimento da Ci\u00eancia como uma forma de louvar a Al\u00e1, tendo tido institutos em mais de um local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al-Battani (850-929) come\u00e7ou no in\u00edcio do observat\u00f3rio por estudar a Astronomia matem\u00e1tica de Ptolomeu, enquanto no final do s\u00e9culo XIII, o Observat\u00f3rio de Maraghah no Ir\u00e3o forneceu as bases para os c\u00e1lculos de Nasir al-Din al-Tusi (1201-74) que foi um dos grandes matem\u00e1ticos de \u00f3rbitas planet\u00e1rias do Isl\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 entre os \u00e1rabes se verificava alguma inquieta\u00e7\u00e3o com a quest\u00e3o de tirar a Terra do centro de rota\u00e7\u00e3o artificialmente introduzida por Ptolomeu e sobretudo a quest\u00e3o do equanto. Ibn al-Shatir, um dos grandes astr\u00f3nomos \u00e1rabes medievais, viria a desenvolver um modelo que, mantendo a Terra no Centro, continha epiciclos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"433\" height=\"574\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/modelo_ibn-al_shatir.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1614\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Figura 2 &#8211; Modelo de revolu\u00e7\u00e3o lunar de Ibn al-Shatir. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Os instrumentos com que os \u00e1rabes trabalhavam tornaram-se altamente especializados, embora n\u00e3o possu\u00edssem telesc\u00f3pios. A sua preocupa\u00e7\u00e3o em determinar posi\u00e7\u00f5es angulares de rela\u00e7\u00e3o entre os corpos celestes levou a que desenvolvessem instrumentos que permitissem medir \u00e2ngulos. Aperfei\u00e7oaram o astrol\u00e1bio a partir do modelo de Ptolomeu. O astrol\u00e1bio astron\u00f3mico consistia numa s\u00e9rie de placas circulares de lat\u00e3o acopladas a um transferidor com uma mira-ponteiro que permitia medir a altura dos astros, para al\u00e9m de realizar c\u00e1lculos. Aquele que foi provavelmente o maior instrumento criado para a medi\u00e7\u00e3o de \u00e2ngulos na hist\u00f3ria da Astronomia, foi o sextante de 39.6 metros constru\u00eddo por Ulugh Beg no Observat\u00f3rio Samarkand em 1420. Este sextante permitiu a Ulugh Beg estabelecer a dura\u00e7\u00e3o do ano com uma precis\u00e3o que apenas est\u00e1 desfasada de um minuto do valor actualmente aceite. <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"385\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/astrolabio_thmb.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1615\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Figura 3 &#8211; O astrol\u00e1bio astron\u00f3mico.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar dos seus avan\u00e7os, os astr\u00f3nomos \u00e1rabes sempre trabalharam dentro da l\u00f3gica geoc\u00eantrica. Fizeram-no por n\u00e3o verem qualquer raz\u00e3o pela qual o Universo Aristot\u00e9lico de nove esferas n\u00e3o pudesse ser explicado atrav\u00e9s da F\u00edsica. Afinal de contas, os corpos celestes pareciam girar \u00e0 volta da Terra, e fen\u00f3menos conhecidos, como a chuva, a queda de pedra ou de proj\u00e9teis, pareciam revelar que a Terra ocupava o centro do Universo atraindo para si todos os corpos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados recolhidos pela vigorosa Astronomia \u00e1rabe foram o suporte para as teorias elaboradas por muitos astr\u00f3nomos medievais europeus, como por exemplo Cop\u00e9rnico e Tycho Brahe.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"933\" height=\"364\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/astrolabio_2.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1616\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Figura 4 &#8211; O astrol\u00e1bio astron\u00f3mico era um conjunto de placas circulares de lat\u00e3o acopladas a um transferidor com uma mira-ponteiro que permitia medir a altura dos astros para al\u00e9m de realizar c\u00e1lculos. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Astronomia europeia na Idade M\u00e9dia<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Normalmente \u00e9 assumido que n\u00e3o houve nenhum desenvolvimento da Astronomia digno desse nome ao longo da Idade M\u00e9dia e que a Igreja perseguia todos os que tinham perspetivas pr\u00f3-cient\u00edficas.<br><br>No entanto, at\u00e9 ao s\u00e9culo XV existe uma vasta bibliografia sobre v\u00e1rias \u00e1reas das ci\u00eancias f\u00edsicas nomeadamente, ao n\u00edvel da Astronomia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se \u00e9 verdade que a Igreja controlava a forma de pensar das pessoas atrav\u00e9s de uma interfer\u00eancia direta na educa\u00e7\u00e3o das mesmas, a n\u00edvel universit\u00e1rio (pois todos os professores universit\u00e1rios eram cl\u00e9rigos e a maioria dos estudantes eram monges, frades ou novi\u00e7os de padres) era ainda assim poss\u00edvel uma vasta liberdade de pensamento entre os eruditos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E se a Igreja controlava os leigos quando estes propunham novas concep\u00e7\u00f5es de cariz pol\u00edtico ou que pudessem afetar interpreta\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas, era relativamente tolerante quando as ideias surgiam da classe erudita do clero.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"398\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/terra_redonda_idade_media.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1617\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 5.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A defesa de disserta\u00e7\u00f5es (<em>Disputatio cum Lectio<\/em>) que ent\u00e3o se usava, \u00e9 ainda hoje, o sistema normal de defesa de graus acad\u00e9micos na maior parte das Universidades do Mundo. Nessa \u00e9poca o grau acad\u00e9mico era obtido, n\u00e3o atrav\u00e9s de um exame escrito, mas atrav\u00e9s de uma argumenta\u00e7\u00e3o apresentada em defesa de um qualquer tema realizada contra os arguentes que o examinavam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 \u00e0s primeiras consequ\u00eancias do caso Galileu em 1615, a Igreja n\u00e3o tinha qualquer pol\u00edtica oficial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Ci\u00eancia. Talvez a coisa mais pr\u00f3xima dessa pol\u00edtica tenha sido discutida no s\u00e9culo XIII, no debate da aceitabilidade da cosmologia aristot\u00e9lica. Por volta de 380 A.C. Arist\u00f3teles havia afirmado que o Universo era imut\u00e1vel, o que tinha como consequ\u00eancia ser infinitamente velho, o que de certa forma contrariava a ideia de uma cria\u00e7\u00e3o e de um in\u00edcio para todas as coisas que era pressuposto pela B\u00edblia. No entanto, a Igreja tinha conseguido acomodar a teoria Aristot\u00e9lica com a cria\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>Primum Mobile<\/em>&nbsp;(sopro original), que teria posto toda a engrenagem do Universo em movimento, permanecendo a partir de ent\u00e3o o Universo imut\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contrariamente ao que \u00e9 comum ouvir-se, n\u00e3o se acreditava que a Terra fosse plana, como pode ser verificado por gravuras dessa \u00e9poca que tentam demonstrar com clareza porque \u00e9 que a Terra \u00e9 redonda, com melhores ou piores argumentos (Figura 5).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Astronomia medieval europeia, \u00e0 imagem do que aconteceu com os \u00e1rabes, n\u00e3o foi uma \u00e9poca de grandes descobertas, tendo sido sobretudo uma \u00e9poca de aperfei\u00e7oamento do modelo existente e aceite. Era ideia corrente entre os astr\u00f3nomos que a Terra estava im\u00f3vel no centro do Universo e como ningu\u00e9m tinha raz\u00f5es para duvidar desta verdade fundamental do sistema geoc\u00eantrico desenvolvida por Arist\u00f3teles e Ptolomeu, a tarefa dos astr\u00f3nomos era passar a informa\u00e7\u00e3o de toda a complexidade e eleg\u00e2ncia matem\u00e1tica e filos\u00f3fica de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. O astr\u00f3nomo medieval, mais do que investigador, era um erudito.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"787\" height=\"690\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/balestilha.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1618\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Figura 6 &#8211; O uso da balestilha para medir separa\u00e7\u00f5es angulares desenvolveu-se ao longo da Idade M\u00e9dia. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\n\nO acumular de dados relativos ao movimento das estrelas ia, no entanto, levando a que surgissem pequenas adapta\u00e7\u00f5es ao modelo ptolemaico que iam complicando o formalismo matem\u00e1tico do mesmo. No entanto, nenhuma das solu\u00e7\u00f5es resolvia completamente os problemas que se iam verificando \u00e0 medida que os s\u00e9culos iam passando. Em particular, determinadas datas consideradas constantes como, por exemplo os equin\u00f3cios e os solst\u00edcios foram-se desviando das datas previstas ao longo do tempo. Isto levou a que certas datas como a P\u00e1scoa se fossem desfasando quando se comparava a data de calend\u00e1rio e a data celeste (a P\u00e1scoa \u00e9 determinada a partir da Lua Cheia mais pr\u00f3xima do equin\u00f3cio da Primavera).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Calend\u00e1rio Moderno que ainda hoje usamos foi autorizado pelo Papa Greg\u00f3rio em 1582 e que sincronizou a P\u00e1scoa com os fen\u00f3menos celestes, mas a f\u00f3rmula que ele utiliza demorou s\u00e9culos de observa\u00e7\u00e3o a ser desenvolvida. O tema dos calend\u00e1rios ser\u00e1 abordado adiante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Astronomia gozava de um lugar destacado no&nbsp;<em>curriculum<\/em>&nbsp;universit\u00e1rio da Idade M\u00e9dia, que era essencialmente constitu\u00eddo por quatro ci\u00eancias que tomavam o nome de&nbsp;<em>Quadrivium<\/em>: a Astronomia, a Geometria, a Aritm\u00e9tica e a M\u00fasica. De facto, nenhum graduado universit\u00e1rio podia concluir o seu grau sem ser avaliado em Astronomia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No s\u00e9culo XIII, v\u00e1rios comp\u00eandios de Astronomia encontravam-se j\u00e1 traduzidos em latim independentemente da linguagem original do autor, sendo normalmente&nbsp;<em>Sphera Mundi<\/em>, de Johannes de Strabosco, utilizado como livro de texto de introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Astronomia. Durante os s\u00e9culos XIII e XIV foram tamb\u00e9m feitas tentativas de mecanizar o astrol\u00e1bio, fazendo rodar os seus discos de estrelas de forma a reproduzir o movimento dos c\u00e9us.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"299\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/quadrante.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1619\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 7 &#8211; O quadrante.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado acabou por ser bastante diferente e resultou na inven\u00e7\u00e3o do rel\u00f3gio acionado a pesos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi tamb\u00e9m neste per\u00edodo que, sob a influ\u00eancia do desenvolvimento da Astronomia \u00e1rabe, come\u00e7aram a ser aperfei\u00e7oados instrumentos espec\u00edficos (leves e menos sens\u00edveis aos ventos) para a navega\u00e7\u00e3o que seriam utilizados em todo o per\u00edodo da expans\u00e3o, nomeadamente o quadrante mar\u00edtimo em madeira, o astrol\u00e1bio n\u00e1utico para a determina\u00e7\u00e3o da latitude e a balestilha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram discutidas durante a Idade M\u00e9dia ideias revolucion\u00e1rias que apenas foram retomadas s\u00e9culos mais tarde como, por exemplo, a exist\u00eancia do tempo. Uma discuss\u00e3o comum era se o Universo divino teria tempo. O Universo divino encontrar-se-ia fora do Universo f\u00edsico das esferas cristalinas, sendo perfeito e imut\u00e1vel. Por este motivo, o tempo n\u00e3o poderia existir pois o tempo implicava muta\u00e7\u00e3o.<br><br>Thomas Bradwardine (1290-1349) discutiu as caracter\u00edsticas de um poss\u00edvel Universo infinito e Nicole de Oresme (c. 1320-1382) argumentou ser mais razo\u00e1vel que a Terra tivesse uma rota\u00e7\u00e3o em torno de si mesma, que a ideia de todo o Universo a rodar em torno da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nicolas de Cusa defendeu um Universo infinito geoc\u00eantrico em que para al\u00e9m das esferas cristalinas haveria um Universo infinito que conteria infinitos s\u00f3is iguais ao Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar destas ideias controversas, nenhum destes escol\u00e1sticos teve problemas com a Igreja. De facto, Thomas Bradwardine veio a ser Arcebispo da Cantu\u00e1ria, enquanto Nicolas de Cusa e Nicole de Oresme se tornaram Bispos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o obstante muito ligada a um modelo geoc\u00eantrico vigente, a Astronomia medieval gozou de grande dinamismo intelectual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por vezes ouve-se dizer que os fil\u00f3sofos medievais tinham discuss\u00f5es tolas sobre quantos anjos se poderiam equilibrar no topo de uma agulha. Coloquemos o problema da sua perspetiva: Se os anjos s\u00e3o seres que n\u00e3o possuem corpos f\u00edsicos, ser\u00e1 que ocupam um Universo tridimensional? E se um ponto \u00e9, numa perspetiva euclideana, um conceito que pode ser percebido, mas que falha uma perspetiva tridimensional, quantos corpos adimensionais podem ocupar uma \u00e1rea de espa\u00e7o infinitamente pequena? E durante quanto tempo?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astronomia \u00e1rabe na Idade M\u00e9dia A f\u00e9 isl\u00e2mica inicia-se em 622 D.C., quando o profeta Maom\u00e9 convoca os \u00e1rabes a Meca para adorar o &#8220;\u00fanico Deus verdadeiro&#8221;. A partir desse ano, em que Maom\u00e9 faz a sua viagem conhecida por &#8220;H\u00e9gira&#8220;, o islamismo espalha-se rapidamente pelo Egipto, Iraque, Norte de \u00c1frica e Espanha. 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