{"id":941,"date":"2017-01-29T18:07:57","date_gmt":"2017-01-29T18:07:57","guid":{"rendered":"http:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?page_id=941"},"modified":"2025-01-07T13:51:40","modified_gmt":"2025-01-07T12:51:40","slug":"astronomia-na-antiguidade","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/astronomia-na-antiguidade\/","title":{"rendered":"Astronomia na Antiguidade"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A Astronomia do M\u00e9dio Oriente<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde a Antiguidade at\u00e9 ao s\u00e9culo XVII, a Astronomia teve dois objetivos relacionados um com o outro. Por um lado, mostrar que os movimentos dos planetas n\u00e3o eram aleat\u00f3rios mas sim regulares e previs\u00edveis e, por outro, ser capaz de prever esses mesmos movimentos com grande acuidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro dos dois objetivos foi definido pelos Gregos, tendo o esfor\u00e7o quanto ao rigor das primeiras medi\u00e7\u00f5es sido primeiramente desenvolvido pela distinta civiliza\u00e7\u00e3o da Babil\u00f3nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando Alexandre, o Grande, invadiu a P\u00e9rsia no s\u00e9culo IV A.C., as duas formas de estudar o c\u00e9u fundiram-se.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cidade da Babil\u00f3nia, situada na margem esquerda do rio Eufrates, 70 km a Sul da moderna cidade de Bagdad, foi, durante um per\u00edodo chamado\u00a0<em>Babil\u00f3nia Antiga<\/em> (provavelmente 1830-1531 A.C.), reinado pela dinastia Hamumurabi. A Babil\u00f3nia foi ent\u00e3o tomada pelos Hititas mas rapidamente ca\u00edu nas m\u00e3os dos Cassitas, ap\u00f3s o que se seguiu um longo per\u00edodo de domina\u00e7\u00e3o Ass\u00edria. Este per\u00edodo terminou com a destrui\u00e7\u00e3o de Niniveh e a destrui\u00e7\u00e3o da Grande Biblioteca em 612 A.C.. Ap\u00f3s um per\u00edodo de independ\u00eancia, Babil\u00f3nia ca\u00edu nas m\u00e3os dos Persas, at\u00e9 que em 331 A.C. foi tomada por Alexandre, o Grande, pelo que a partir desse momento as duas culturas ficaram diretamente em contacto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As tabelas em pedra que chegaram at\u00e9 n\u00f3s desde esta \u00e9poca s\u00e3o mais importantes para a hist\u00f3ria da Matem\u00e1tica que para a hist\u00f3ria da Astronomia. No entanto, apresentam uma t\u00e9cnica fundamental para o desenvolvimento posterior da Astronomia: a utiliza\u00e7\u00e3o de uma nota\u00e7\u00e3o num\u00e9rica eficiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para escrever o n\u00famero 1, o escriba babil\u00f3nico pressionava o escopro verticalmente sobre a pedra (caracter parecido com um &#8220;Y&#8221;); para marcar o 10 pressionava inclinado (caracter parecido com um &#8220;&gt;&#8221;). Combina\u00e7\u00f5es destas duas marcas eram usadas at\u00e9 59. No entanto, para 60 era de novo usado o s\u00edmbolo 1. Embora s\u00f3 tardiamente tivesse aparecido um s\u00edmbolo para o zero, a nota\u00e7\u00e3o babil\u00f3nica permitia fazer calculos s\u00e9rios e elaborados com alguma facilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nossa divis\u00e3o da hora em 60 minutos compostos por 60 segundos, e a divis\u00e3o similar dos \u00e2ngulos, reflete esta nota\u00e7\u00e3o babil\u00f3nica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os primeiros observadores celestes da Babil\u00f3nia s\u00e3o muitas vezes encarados como astr\u00f3logos no sentido grego do termo, isto \u00e9, como estudiosos das consequ\u00eancias diretas e inevit\u00e1veis para os indiv\u00edduos, como consequ\u00eancia da configura\u00e7\u00e3o dos corpos celestes. No entanto, esta vis\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 correcta. Os babil\u00f3nicos estavam extremamente alertas relativamente a quaisquer fen\u00f3menos ou ocorr\u00eancias da Natureza em qualquer \u00e1rea do saber, tentando prev\u00ea-las de forma a evitar eventuais desastres provocados pelas mesmas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"840\" height=\"600\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/placa_babilonica.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1584\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 1 &#8211; Parte de uma tabuleta Babil\u00f3nica de Sippar, constru\u00edda em 870 A.C., actualmente no Museu Brit\u00e2nico. Um texto pr\u00f3ximo evoca a restaura\u00e7\u00e3o de uma imagem antiga do deus-Sol Shamash. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">7000 interpreta\u00e7\u00f5es de fen\u00f3menos estranhos (<em>omens<\/em>) foram acumuladas ao longo dos anos em 70 l\u00e2minas de pedra, conhecidas pelas suas palavras de abertura como&nbsp;<em>Enuma Anu Enlil<\/em>, tendo a sua vers\u00e3o final sido terminada cerca de 900 A.C..<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O corpo celeste mais vezes citado no&nbsp;<em>Enuma<\/em>&nbsp;\u00e9 a Lua; o calend\u00e1rio babil\u00f3nico era lunar, pelo que o ciclo da Lua era de extrema import\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo os meses lunares cerca de 28 dias, o calend\u00e1rio das culturas, determinado pelo ano solar, tinha entre doze e treze meses. Durante muito tempo os babil\u00f3nicos tiveram que fazer ajustes, mas por volta do s\u00e9culo V A.C. descobriram que 235 meses lunares eram exactamente 19 anos solares. Assim, passaram a intercalar 7 meses em cada 19 anos de forma regular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O calend\u00e1rio lunar da Babil\u00f3nia foi o primeiro a ser dividido em quatro per\u00edodos correspondentes \u00e0s quatro fases da Lua. Esta divis\u00e3o em per\u00edodos de sete dias deu origem \u00e0s semanas tal como as conhecemos hoje. De facto, como se pode ver da Tabela 1, o nome dos dias da semana adv\u00e9m do nome do objecto celeste adorado em cada dia na Babil\u00f3nia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>MESOPOT\u00c2NIA<\/strong><\/td><td><strong>INGL\u00caS<\/strong><\/td><td><strong>FRANC\u00caS<\/strong><\/td><td><strong>ESPANHOL<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>Dua da Lua<\/strong><\/td><td><strong>Monday<\/strong><\/td><td><strong>Lundi<\/strong><\/td><td><strong>Lunes<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>Dia de Marte<\/strong><\/td><td>Tuesday<\/td><td><strong>Mardi<\/strong><\/td><td><strong>Martes<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>Dia de Merc\u00fario<\/strong><\/td><td>Wednesday<\/td><td><strong>Mercredi<\/strong><\/td><td><strong>Miercoles<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>Dia de J\u00fapiter<\/strong><\/td><td>Thursday<\/td><td><strong>Jeudi<\/strong><\/td><td><strong>Jueves<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>Dia de V\u00e9nus<\/strong><\/td><td>Friday<\/td><td><strong>Vendredi<\/strong><\/td><td><strong>Viernes<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>Dia de Saturno<\/strong><\/td><td><strong>Saturday<\/strong><\/td><td>Samedi<\/td><td>Sabado<\/td><\/tr><tr><td><strong>Dia do Sol<\/strong><\/td><td><strong>Sunday<\/strong><\/td><td>Dimanche<\/td><td>Domingo<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\n\nOs babil\u00f3nicos verificaram que o Sol na sua viagem aparente em rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e9u de fundo n\u00e3o mantinha uma velocidade constante. Durante metade do ano a velocidade do Sol aumenta de forma constante at\u00e9 atingir um m\u00e1ximo e na outra metade do ano diminui at\u00e9 atingir um m\u00ednimo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como n\u00e3o possuiam as ferramentas matem\u00e1ticas que lhes permitissem analisar completamente o movimento, assumiram que durante metade do ano a velocidade aumentava de forma constante e durante a outra metade diminu\u00eda de forma constante, como representado na Figura 2.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"764\" height=\"279\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/velocidade_do_sol.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1585\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 2 &#8211; Uma representa\u00e7\u00e3o em termos modernos dos dados apresentados numa l\u00e2mina datada de 133\/132 A.C.. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\n\nN\u00e3o \u00e9 claro se os astr\u00f3nomos da Babil\u00f3nia possu\u00edam algum modelo do Universo ou n\u00e3o. O que sabemos \u00e9 que transferiram para os gregos as suas aritm\u00e9ticas envolvendo o tempo e dist\u00e2ncias angulares. Era isto precisamente que faltava aos gregos para transformar as suas cosmologias especulativas em modelos geom\u00e9tricos a partir dos quais se puderam determinar com elevada precis\u00e3o as efem\u00e9rides.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os eg\u00edpcios tinham um sistema dos mundos profundamente mitol\u00f3gico. No entanto, tinham no\u00e7\u00f5es observacionais muito concretas e corretas; de facto, verificaram que o c\u00e9u possu\u00eda um movimento aparente em torno do P\u00f3lo Norte Celeste. Devido \u00e0 precess\u00e3o do eixo da Terra, a Estrela Polar era nessa altura a estrela &#8220;Thuban&#8221;, na constela\u00e7\u00e3o de Drag\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"894\" height=\"580\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/deuses_egipcios.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1586\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Figura 3 &#8211; A deusa eg\u00edpcia Nut (o firmamento) suportada pelo deus Shu e separada do seu amante (a Terra). <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Para a constru\u00e7\u00e3o das pir\u00e2mides era importante achar o alinhamento a Norte, pois uma das faces deveria ficar perfeitamente virada a Norte. Os Fara\u00f3s, com a ajuda de uma sacerdotisa e de escravos, alinhavam estacas na direc\u00e7\u00e3o Norte, buscando-a com as guardas da Ursa Maior (que nesse tempo eram &#8220;Phecda&#8221; e &#8220;Megrez&#8221; e n\u00e3o &#8220;Dubhe&#8221; e &#8220;Merak&#8221;) (Figura 4). O alinhamento obtido era ent\u00e3o usado para construir as partes laterais da pir\u00e2mide, perpendicularmente \u00e0s quais deveriam ficar os topos sul e norte (Figura 5). <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"480\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/egipto_guardas.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1587\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"553\" height=\"442\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/alinhamentos_egipto.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1588\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 4 &#8211; O alinhamento das pir\u00e2mides era efectuado pelo fara\u00f3 com a ajuda da sacerdotisa-mor. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"727\" height=\"581\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/alinhamento_polar_1.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1589\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"546\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/alinhamento_polar_2.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1590\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 5 &#8211; Durante a constru\u00e7\u00e3o da pir\u00e2mide, primeiro eram alinhadas as faces Este e Oeste e as faces Sul e Norte eram alinhadas perpendicularmente \u00e0s primeiras. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O facto da transmiss\u00e3o do conhecimento ser emp\u00edrico, e n\u00e3o atualizado, faz com que as pir\u00e2mides do Egipto, al\u00e9m de possuirem desfasamentos ligeiros relativamente ao Norte verdadeiro, tenham desfasamentos diferentes de pir\u00e2mide para pir\u00e2mide \u00e0 medida que o eixo da Terra foi precedendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As primeiras observa\u00e7\u00f5es da Gr\u00e9cia Antiga s\u00e3o melhor conhecidas pelo conjunto de lendas e mitos que at\u00e9 n\u00f3s chegaram do que pela exist\u00eancia de documentos escritos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De facto, os gregos observaram a maior parte dos movimentos aparentes do c\u00e9u e documentaram-nos de forma por vezes n\u00e3o muito cient\u00edfica. Por\u00e9m, sem sombra de d\u00favidas, rigorosa quanto \u00e0s observa\u00e7\u00f5es por eles efetuadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando dizemos que a forma como as observa\u00e7\u00f5es eram documentadas n\u00e3o era muito rigorosa, n\u00e3o podemos esquecer que nos encontr\u00e1vamos na fase do mito, em que as entidades divinas eram a explica\u00e7\u00e3o do inexplic\u00e1vel \u00e0 luz dos conhecimentos vigentes. Assim, todas as observa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o possu\u00edam explica\u00e7\u00e3o de acordo com os seus conhecimentos, davam origem a &#8220;novelas&#8221;, em que os protagonistas eram os deuses, sendo o conjunto dessas &#8220;novelas&#8221; uma explica\u00e7\u00e3o da aparentemente inexplic\u00e1vel Natureza, constitu\u00edndo aquilo que se chamou mais tarde de mitologia grega.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vejamos um exemplo da forma como foi documentada uma constata\u00e7\u00e3o observacional. J\u00e1 na Mesopot\u00e2mia, no Egipto e na Gr\u00e9cia Antiga era sabido que a esfera celeste rodava em torno do P\u00f3lo Norte Celeste, havendo algumas estrelas que, \u00e0 sua latitude, nunca desapareciam, como \u00e9 o caso das estrelas que constituem as constela\u00e7\u00f5es da Ursa Maior e Ursa Menor. Diz-se que essas estrelas s\u00e3o circumpolares, por se encontrarem suficientemente pr\u00f3ximas do P\u00f3lo Celeste para que tal ocorra.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"180\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/rastos_estrelas.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1591\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 6 &#8211; Movimento aparente das estrelas em torno do P\u00f3lo Celeste. No Hemisf\u00e9rio Norte o movimento d\u00e1-se no sentido direto e no Hemisf\u00e9rio Sul em sentido retr\u00f3grado. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"180\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/ursa_maior.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1592\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 7 &#8211; Constela\u00e7\u00e3o da Ursa Maior.<br>Cr\u00e9dito: Guilherme de Almeida. 2010. &#8220;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.platanoeditora.pt\/?q=C\/BOOKSSHOW\/17\" target=\"_blank\">Roteiro do C\u00e9u<\/a>&#8220;, Pl\u00e1tano Editora. ISBN: 9789727702435 <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\n\nPodemos constatar que os gregos tinham no\u00e7\u00e3o de que as &#8220;Ursas&#8221; eram circumpolares a partir de uma das novelas mitol\u00f3gicas por eles criadas acerca destas constela\u00e7\u00f5es. A Ursa Maior tem um grande n\u00famero de variantes mitol\u00f3gicas, havendo um m\u00ednimo de quatro, apenas na mitologia greco-romana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dizia-se que Zeus (o Deus dos Deuses) era um grande namoradeiro, e que se apaixonava por humanas com grande facilidade. Devido \u00e0 sua habilidade em tomar o aspeto que entendesse, rapidamente as encantava e cativava. Assim, aconteceu que Zeus foi pai de H\u00e9rcules, entre outras &#8220;escapadelas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Deusa Hera, esposa de Zeus, que era infelic\u00edssima com estas trai\u00e7\u00f5es constantes, conseguiu que Zeus lhe prometesse que n\u00e3o voltava a enganar. Mas, passado algum tempo, Zeus conheceu uma humana lind\u00edssima chamada Calisto, filha do Rei Licaone de Arc\u00e1dia, tendo-se perdido de amores por ela. Da sua paix\u00e3o resultou uma filha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao descobrir esta nova infidelidade, Hera ficou perfeitamente possessa e, dado que n\u00e3o podia castigar Zeus, transformou as duas humanas, m\u00e3e e filha, em ursas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passado algum tempo, Zeus descobriu o que Hera tinha feito. Infeliz pelo que havia provocado e dado n\u00e3o poderem os deuses anular os castigos de outros deuses, colocou as duas ursas transformadas em estrelas no c\u00e9u, num local que passasse no z\u00e9nite ao longo do ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando Hera se deu conta desta ocorr\u00eancia, ficou furiosa e aplicou um novo castigo nas duas ursas, dizendo: &#8220;Ficam no c\u00e9u, mas h\u00e3o-de ficar sujas para toda a eternidade, pois jamais tomar\u00e3o banho&#8221;, e colocou-as no local onde hoje se encontram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De facto, \u00e0 nossa latitude, se estivermos olhando para o mar, as &#8220;Ursas&#8221; parecem girar em torno da Estrela Polar, sem nunca entrarem dentro de \u00e1gua, tal como diziam os gregos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta lenda de grande rigor observacional \u00e9 v\u00e1lida \u00e0s latitudes da Gr\u00e9cia e de Roma. Como veremos adiante, a Estrela Polar vai ficando mais baixa \u00e0 medida que nos aproximamos do equador, deixando de haver estrelas circumpolares a essa latitude. Mas os gregos nunca foram a latitudes t\u00e3o baixas, pelo que era dif\u00edcil terem conhecimento desse facto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira vis\u00e3o do mundo ter\u00e1 obviamente assumido uma realidade local, isto \u00e9, que a Terra seria plana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os primeiros cosm\u00f3logos gregos que s\u00e3o conhecidos a partir de documentos escritos s\u00e3o da pr\u00f3spera ilha grega de J\u00f3nia. Anaximenes sugeria que o Sol n\u00e3o se punha, mas apenas era tapado por zonas mais elevadas que existiam a Norte (Figura 8). Claro que isto n\u00e3o explicava porque existia a noite cerrada.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"205\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/anaximenes.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1593\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 8 &#8211; O mundo de Anaximenes. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"184\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/anaximandro.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1594\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 9 &#8211; As estrelas e o Sol s\u00e3o massas de fogo aprisionadas que apenas chegam at\u00e9 n\u00f3s atrav\u00e9s de &#8220;respiradouros&#8221; na ab\u00f3bada celeste. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Emp\u00e9docles viria a explicar os dias e as noites atrav\u00e9s do modelo da dupla esfera. Uma esfera interior era luminosa numa metade e transparente na outra metade e dava uma volta a cada 24 horas. A outra esfera continha o firmamento vis\u00edvel \u00e0 noite e que rodava uma vez a cada 365 dias.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"209\" height=\"236\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/empedocles.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1595\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Figura 10 &#8211; O sistema da dupla esfera de Emp\u00e9docles. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os Pitag\u00f3ricos, por seu turno, tentaram criar rela\u00e7\u00f5es geom\u00e9tricas, aritm\u00e9ticas e mesmo harm\u00f3nicas que explicassem os fen\u00f3menos. Estabeleceram rela\u00e7\u00f5es entre n\u00fameros abstratos e os fen\u00f3menos naturais, tendo generalizado o conceito de que o n\u00famero seria a base de todas as coisas. Estes mesmos Pitag\u00f3ricos conseguiram um feito not\u00e1vel na hist\u00f3ria do reconhecimento da Natureza, que foi o assumir de uma Terra esf\u00e9rica. Os argumentos que utilizaram n\u00e3o s\u00e3o conhecidos, mas a prova dada mais tarde por Arist\u00f3teles (que a sombra da Terra na Lua durante os eclipses \u00e9 sempre circular) \u00e9 convincente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os Pitag\u00f3ricos introduziram ainda a ideia de&nbsp;<em>Cosmos<\/em>, como conjunto ordenado de sobretons e harmonias, que regiam todos os corpos celestes. Esta intui\u00e7\u00e3o de que o Universo devia ser harmonioso viria a ser uma grande for\u00e7a motriz da Astronomia do Renascimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles foram o segundo e terceiro grandes fil\u00f3sofos de uma escola iniciada por S\u00f3crates em Atenas. S\u00f3crates, embora n\u00e3o tenha deixado nada escrito, ficou imortalizado nos Di\u00e1logos de Plat\u00e3o. Arist\u00f3teles, pelo contr\u00e1rio, escrevia imenso e uma grande quantidade dos seus escritos resistiu at\u00e9 aos dias de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\n\nEmbora, quer Plat\u00e3o, quer Arist\u00f3teles, concordassem com a exist\u00eancia de um cosmos ordenado, Plat\u00e3o acreditava, contrariamente a Arist\u00f3teles, que as respostas que explicariam essa ordem apenas poderiam vir de um racioc\u00ednio matem\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 Arist\u00f3teles, os fil\u00f3sofos haviam encontrado dois pares contrastantes na natureza: frio&nbsp;<em>versus<\/em>&nbsp;calor e seco&nbsp;<em>versus<\/em>&nbsp;h\u00famido.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"911\" height=\"552\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/aristoteles.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1596\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Figura 11 &#8211; Vis\u00e3o Aristot\u00e9lica da Terra. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Arist\u00f3teles, corpos que eram frios e secos eram na sua maioria constitu\u00eddos por terra, os que eram frios e h\u00famidos eram na sua maioria constituidos por \u00e1gua, aqueles que eram quentes e h\u00famidos formados por ar e os que eram quentes e secos formados por fogo. A Terra era na sua maioria formada por terra com uma camada mais exterior de \u00e1gua (os mares), sobre as quais havia uma fina camada de ar (a atmosfera). Sobre a atmosfera havia uma camada de fogo que acaba imediatamente antes da Lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentro desta regi\u00e3o &#8211; que constitu\u00eda o mundo terrestre ou sublunar &#8211; existia vida, morte e mutabilidade. Qualquer corpo tinha um lugar natural &#8211; altura natural ou dist\u00e2ncia ao centro da Terra &#8211; que estava associado \u00e0 propor\u00e7\u00e3o em que os quatro elementos entravam na sua composi\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o fosse impedido, qualquer corpo seguiria em linha recta, definida a partir do centro da Terra, para o seu lugar natural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Havia para Arist\u00f3teles uma diferen\u00e7a fundamental entre as regi\u00f5es terrestres e celestes, entre a imprecis\u00e3o e variabilidade encontrada na regi\u00e3o terrestre e a perfei\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica encontrada nos corpos celestes, contitu\u00eddos por pontos ou c\u00edrculos de luz. Nos c\u00e9us n\u00e3o havia qualquer vida ou morte, aparecimento e desaparecimento. Pelo contr\u00e1rio, os corpos celestes mantinham o seu movimento de transla\u00e7\u00e3o eternamente, num perfeito movimento circular uniforme (o problema dos cometas foi rapidamente resolvido, pois estes corpos, como iam e vinham, tinham, por isso, natureza terrestre).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas se a estabilidade do seu modelo da Terra n\u00e3o estava em d\u00favida, o&nbsp;<em>status<\/em>&nbsp;dos c\u00e9us como um Cosmos onde prevalecia a ordem esteve em quest\u00e3o at\u00e9 que se conseguiram criar leis de movimento que conseguissem explicar os astros &#8220;errantes&#8221;. Com sete pequenas excep\u00e7\u00f5es, os corpos celestes moviam-se de uma forma perfeitamente racional, rodando com uma regularidade extrema em torno da Terra com posi\u00e7\u00f5es fixas, uns em rela\u00e7\u00e3o aos outros.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"403\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/cosmos_aristoteles.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1597\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Figura 12 &#8211; O&nbsp;<em>Cosmos<\/em>&nbsp;de Arist\u00f3teles. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"497\" height=\"291\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/retrogradacao.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1598\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 13 &#8211; O fen\u00f3meno da retrograda\u00e7\u00e3o para indicar um car\u00e1cter aleat\u00f3rio para o movimento dos errantes.<br>Cr\u00e9dito: Guilherme de Almeida e M\u00e1ximo Ferreira. 2004. &#8220;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.platanoeditora.pt\/?q=C\/BOOKSSHOW\/16\" target=\"_blank\">Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Astronomia e \u00e0s Observa\u00e7\u00f5es Astron\u00f3micas<\/a>&#8220;. Pl\u00e1tano Editora. ISBN: 9789727702671 <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que os astros &#8220;errantes&#8221; parecem errar entre os &#8220;fixos&#8221; de noite para noite ao longo do ano, foi-lhes dado o nome de planetas (derivado do verbo grego equivalente a &#8220;errar&#8221;). Os sete &#8220;planetas&#8221; &#8211; o Sol, a Lua, Merc\u00fario, V\u00e9nus, Marte, J\u00fapiter e Saturno &#8211; moviam-se individualmente entre as estrelas fixas, com velocidades diferentes e com um movimento que aparentemente parecia aleat\u00f3rio (como se verificava nas retrograda\u00e7\u00f5es), da\u00ed que se dissesse que erravam (Figura 13).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Arist\u00f3teles e Eud\u00f3xio propuseram sistemas dos mundos em que os planetas girariam em esferas conc\u00eantricas, com o centro das esferas dado pela Terra; no entanto este sistema n\u00e3o explicava quer o car\u00e1cter errante dos astros, nem as varia\u00e7\u00f5es de velocidade que os mesmos apresentavam em rela\u00e7\u00e3o ao fundo c\u00f3smico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma explica\u00e7\u00e3o para a retrograda\u00e7\u00e3o foi proposta geometricamente por Eudoxo de Cnidius (c.400-347 A.C.). A explica\u00e7\u00e3o estaria associada \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o dos planetas descrevendo hip\u00f3podes (Figura 14) \u00e0 medida que se dava a sua transla\u00e7\u00e3o ao longo da sua esfera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, esta explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o coincidia com a trajet\u00f3ria observada dos planetas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O car\u00e1cter errante dos planetas apenas viria a ter pela primeira vez uma descri\u00e7\u00e3o convincente com o trabalho de Ptolomeu no s\u00e9culo II D.C..<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"339\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/revolucao_planetas.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1599\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Figura 14 &#8211; Hip\u00f3pode da descri\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o de um planeta <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Erat\u00f3stenes de Cirene &#8211; primeira determina\u00e7\u00e3o das dimens\u00f5es da Terra<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Erat\u00f3stenes nasceu em Cirene (actualmente na L\u00edbia) em 276 A.C.. Foi astr\u00f3nomo, historiador, ge\u00f3grafo, fil\u00f3sofo, poeta, cr\u00edtico teatral e matem\u00e1tico. Estudou em Alexandria e Atenas com Zen\u00e3o e Cal\u00edmaco. Por volta de 255 A.C. foi o terceiro diretor da Biblioteca de Alexandria. Trabalhou com problemas matem\u00e1ticos como a duplica\u00e7\u00e3o do cubo, os n\u00fameros primos e escreveu in\u00fameros livros que foram quase todos perdidos aquando do inc\u00eandio da Biblioteca de Alexandria e dos quais apenas se sabe da exist\u00eancia pela refer\u00eancia nas obras de outros autores. Por esta raz\u00e3o muitos p\u00f5em em d\u00favida que algumas das determina\u00e7\u00f5es que lhe s\u00e3o atribu\u00eddas sejam de facto suas. <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"298\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/eratostenes.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1600\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 15 &#8211; Erat\u00f3stenes. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Certa vez, ao ler um papiro da Biblioteca, encontrou a informa\u00e7\u00e3o de que na cidade de Siena (atualmente chamada Assu\u00e3o), a cerca de 800 km a sul de Alexandria, ao meio dia de 21 de junho (solst\u00edcio de ver\u00e3o) podia observar-se o fundo de um po\u00e7o iluminado pelo Sol, ou seja, o Sol situava-se a prumo. Desconhece-se quem teria sido o autor dessa observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Erat\u00f3stenes resolveu verificar o que acontecia no mesmo dia do ano, em Alexandria ao meio dia solar. Para sua surpresa, em Alexandria as colunas projetavam sombras, devido \u00e0 incid\u00eancia dos raios solares sobre os objetos, que indicavam um desvio de 7\u00ba relativamente \u00e0 vertical do \u00e2ngulo de incid\u00eancia dos raios solares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por que seriam as sombras diferentes, no mesmo dia e \u00e0 mesma hora? Erat\u00f3stenes intuiu corretamente a resposta: porque a Terra \u00e9 redonda. Se fosse plana, as sombras seriam necessariamente iguais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"760\" height=\"255\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/eratostenes_terra_plana.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1601\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Figura 16 &#8211; Se a Terra fosse plana, o \u00e2ngulo de incid\u00eancia dos raios solares seria igual em toda a superf\u00edcie da Terra. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 f\u00e1cil ver que o \u00e2ngulo que o raio do Sol faz com a vertical em Alexandria \u00e9 exatamente a diferen\u00e7a de latitudes entre Alexandria e Siena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reza a lenda que Erat\u00f3stenes ter\u00e1 mandado um escravo medir a passo a dist\u00e2ncia entre Siena e Alexandria. Este ter\u00e1 determinado uma dist\u00e2ncia entre as duas cidades de cerca de 4900 est\u00e1dios (cada est\u00e1dio corresponde a cerca de 190 m).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"254\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/calculos_eratostenes.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1602\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Figura 17 &#8211; Determina\u00e7\u00e3o de Erat\u00f3stenes. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assumindo que a Terra, al\u00e9m de redonda, era esf\u00e9rica, Erat\u00f3stenes calculou que se \u00e0 diferen\u00e7a de 7\u00ba na latitude correspondiam a 4900 est\u00e1dios, ent\u00e3o os 360\u00ba do meridiano teriam um per\u00edmetro de 252.000 est\u00e1dios (h\u00e1 autores que defendem que ter\u00e1 calculado 250.000\u00a0<em>stadia<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um est\u00e1dio \u00e9 uma medida grega equivalente a 600 p\u00e9s gregos. Assume-se que ter\u00e1 entre 154 m e 215 m, sendo os valores mais prov\u00e1veis entre 155 m e 170 m. Para qualquer destas medidas o valor obtido por Erat\u00f3stenes tem um erro inferior a 10% relativamente ao valor real. Este facto \u00e9 not\u00e1vel, sobretudo se tomarmos em considera\u00e7\u00e3o que a dist\u00e2ncia foi medida a passo!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Erat\u00f3stenes tamb\u00e9m estimou a dist\u00e2ncia ao Sol em 804.000.000\u00a0<em>stadia<\/em>\u00a0e a dist\u00e2ncia \u00e0 Lua em 780.000\u00a0<em>stadia<\/em>. Obteve estes dados usando dados obtidos durante os eclipses de Lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ptolomeu referiria mais tarde que Erat\u00f3stenes mediu o desvio do plano da ecl\u00edptica relativamente ao equador celeste com grande precis\u00e3o, obtendo o valor 11\/83 de 180\u00ba, o que significa 23\u00ba 51\u2019 15&#8243;, o que \u00e9 bastante pr\u00f3ximo dos atualmente aceites 23\u00ba 27\u2019 30&#8243;. Compilou ainda um cat\u00e1logo de 675 estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Erat\u00f3stenes viria a cegar nos \u00faltimos dias da sua vida, tendo-se suicidado \u00e0 fome, em consequ\u00eancia disso, em 194 A.C..<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ptolomeu<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Claudius Ptolemaeus, conhecido como Ptolomeu, foi o ultimo grande astr\u00f3nomo da antiguidade cl\u00e1ssica. \u00c0 parte do facto de viver em Alexandria, e possuir o mesmo nome que os membros da dinastia real eg\u00edpcia \u00e0 qual pertencia a famosa Cle\u00f3patra, n\u00e3o \u00e9 sabido mais nada sobre a sua vida ou personalidade, excepto que fez grandes contribui\u00e7\u00f5es para a Ci\u00eancia (n\u00e3o apenas \u00e0 Astronomia, mas tamb\u00e9m \u00e0 Matem\u00e1tica e \u00e0 Geografia, pois desenhou o primeiro mapa do Mediterr\u00e2neo a ser constru\u00eddo com medidas cient\u00edficas, apresentando tamb\u00e9m parte do Norte europeu). Provavelmente nasceu cerca de 120 D.C. e morreu cerca de 180 D.C., tendo o seu melhor per\u00edodo de actividade decorrido cerca de 150 D.C.. <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"283\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/ptolomeu.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1603\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Figura 18 &#8211; Ptolomeu (quadro do S\u00e9culo XV). <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ptolomeu escreveu um livro de valor inestim\u00e1vel para os historiadores da Ci\u00eancia, o\u00a0<em>Almagest<\/em>, onde compilou um excelente cat\u00e1logo de estrelas, baseado no trabalho pr\u00e9vio realizado pelo grego Hiparco (ca.140 A.C.) e acrescentando-lhe muitas contribui\u00e7\u00f5es pessoais. Tamb\u00e9m fez medi\u00e7\u00f5es cuidadosas dos planetas e elevou o sistema geoc\u00eantrico a um n\u00edvel de funcionamento quase perfeito, tendo em considera\u00e7\u00e3o as medidas que s\u00e3o poss\u00edveis de serem tiradas no espa\u00e7o de uma vida. N\u00e3o acreditava na rota\u00e7\u00e3o da Terra e n\u00e3o tinha qualquer ideia sobre a natureza das estrelas, mas o seu sistema encaixava nos factos observados e pode dizer-se que dadas as circunst\u00e2ncias seria imposs\u00edvel fazer melhor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\n\nO&nbsp;<em>Almagest<\/em>&nbsp;\u00e9 considerado por muitos como a maior compila\u00e7\u00e3o de conhecimentos da Antiguidade. Tem havido muitas tentativas de minimizar a import\u00e2ncia de Ptolomeu. No entanto, muitos dos que estudam a hist\u00f3ria da Astronomia cognominaram-no de &#8220;Pr\u00edncipe dos Astr\u00f3nomos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No&nbsp;<em>Almagest<\/em>, Ptolomeu sugere um sistema dos mundos geoc\u00eantrico, baseado em conceitos de geometria dados por Apol\u00f3nio de Perga. O sistema geoc\u00eantrico resultante \u00e9 muitas vezes chamado sistema ptolemaico. Este sistema possu\u00eda pela primeira vez explica\u00e7\u00e3o para o car\u00e1cter errante dos planetas, para al\u00e9m de explicar as diferen\u00e7as de velocidade entre os diferentes pontos da alegada \u00f3rbita do planeta em torno da Terra.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"751\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/almagest.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1604\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Figura 19 &#8211; Vis\u00e3o geoc\u00eantrica do Universo. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era um sistema extremamente complexo conjugando movimentos circulares uniformes em combina\u00e7\u00f5es variadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para explicar a diferen\u00e7a de velocidades relativamente \u00e0s estrelas de fundo, a Terra foi retirada pela primeira vez por Hiparco, do centro da esfera ocupando uma posi\u00e7\u00e3o exc\u00eantrica. Desse modo, mesmo que o planeta descreva um movimento circular uniforme em torno do centro de curvatura, visto da Terra, esse movimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s estrelas de fundo parecer\u00e1 ocorrer a velocidades diferentes quando o corpo estiver no perigeu (ponto mais pr\u00f3ximo da Terra) e no apogeu (ponto mais afastado da Terra).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sistema exc\u00eantrico explicava tamb\u00e9m as conhecidas varia\u00e7\u00f5es de brilho dos planetas nos diversos pontos da \u00f3rbita.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"440\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/apogeu_perigeu.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1605\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 20<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"440\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/epicilo_deferente.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1606\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Figura 21 &#8211; Deferente e epiciclos no modelo ptolemaico.<br>Cr\u00e9dito: Guilherme de Almeida e M\u00e1ximo Ferreira. 2004. &#8220;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.platanoeditora.pt\/?q=C\/BOOKSSHOW\/16\" target=\"_blank\">Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Astronomia e \u00e0s Observa\u00e7\u00f5es Astron\u00f3micas<\/a>&#8220;. Pl\u00e1tano Editora. ISBN: 9789727702671 <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assumia-se que o ponto P se movia uniformemente no c\u00edrculo de refer\u00eancia ou deferente. No entanto, as velocidades obtidas ainda n\u00e3o refletiam bem as velocidades dos planetas e muito menos as retrograda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto P era apenas um ponto imagin\u00e1rio no deferente em torno do qual se definia o epiciclo. O epiciclo era uma circunfer\u00eancia centrada no ponto P e sobre a qual o planeta descrevia a sua trajet\u00f3ria num movimento circular uniforme. Para tornar o movimento do planeta id\u00eantico \u00e0 observa\u00e7\u00e3o era apenas necess\u00e1rio adaptar os tamanhos do deferente e dos epiciclos at\u00e9 se obter a curva ajustada \u00e0s observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"253\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/areas_orbita.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1607\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Figura 22 &#8211; A partir do equanto o planeta varre \u00e2ngulos iguais a intervalos de tempo iguais. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Terra n\u00e3o necessita estar no centro do deferente mas pode ocupar uma posi\u00e7\u00e3o exc\u00eantrica. Quando a velocidade n\u00e3o conseguia ser ajustada com apenas estes artif\u00edcios, existia ainda um ponto, chamado o equanto, que era exc\u00eantrico e n\u00e3o centrado na Terra que poderia ser a origem de um movimento uniforme que varria \u00e1reas iguais a intervalos de tempo iguais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 evidente que Ptolomeu n\u00e3o se preocupou na quest\u00e3o de saber se h\u00e1 epiciclos, deferentes ou equantos &#8220;reais&#8221; nos c\u00e9us. Na verdade, preocupou-se em construir um modelo, mais que representar a realidade, o que quer que isso seja.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atitude de elaborar um modelo que tenha equa\u00e7\u00f5es que se ajustem \u00e0s observa\u00e7\u00f5es e que permita fazer previs\u00f5es, mesmo que o modelo pare\u00e7a ser demasiado complicado matematicamente, n\u00e3o \u00e9 totalmente diferente daquilo que muitas vezes ocorre com os f\u00edsicos dos nossos dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De facto, ainda hoje, na aus\u00eancia da possibilidade de arranjar uma solu\u00e7\u00e3o f\u00edsica satisfat\u00f3ria, procura-se uma equa\u00e7\u00e3o que se ajuste aos fen\u00f3menos observ\u00e1veis e que permita fazer previs\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Astronomia do M\u00e9dio Oriente Desde a Antiguidade at\u00e9 ao s\u00e9culo XVII, a Astronomia teve dois objetivos relacionados um com o outro. Por um lado, mostrar que os movimentos dos planetas n\u00e3o eram aleat\u00f3rios mas sim regulares e previs\u00edveis e, por outro, ser capaz de prever esses mesmos movimentos com grande acuidade. O primeiro dos &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-941","page","type-page","status-publish",""],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/941","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=941"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/941\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7613,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/941\/revisions\/7613"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=941"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}