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Estes exoplanetas próximos são pequenos, estranhos e totalmente inabitáveis
21 de julho de 2026
 
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Ilustração dos exoplanetas em torno da Estrela de Barnard.
Crédito: Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/AURA/P. Marenfeld
 
     
 
 
 

Os cientistas traçaram o retrato mais detalhado até à data do sistema planetário que orbita a Estrela de Barnard - a vizinha mais próxima do Sol depois de Alpha Centauri, a pouco menos de seis anos-luz da Terra.

Descobertos em 2025, os quatro planetas que orbitam a Estrela de Barnard são todos mais pequenos do que a Terra e Vénus, mas maiores do que Marte - um tipo de planeta que não se encontra no nosso próprio Sistema Solar.

Ao analisar a composição química da estrela, os investigadores da Universidade de Cambridge descobriram que os seus planetas são ricos num mineral raro chamado períclase, que na Terra só se encontra centenas de quilómetros abaixo da superfície.

"A Estrela de Barnard possui uma quantidade enorme do elemento magnésio em comparação com outras estrelas, pelo que é provável que os seus planetas também sejam ricos em magnésio", afirmou o autor principal, Xander Byrne, do Instituto de Astronomia de Cambridge. "Na Terra, esse magnésio entra na composição de minerais chamados olivinas, que são realmente importantes para armazenar água no interior do planeta".

No entanto, nos planetas da Estrela de Barnard, os investigadores descobriram que a abundância de magnésio cria enormes quantidades de períclase, que não armazena água tão bem. Para piorar a situação, concluíram que é improvável que os planetas da Estrela de Barnard tenham atmosferas.

"Estes planetas estavam destinados a ser hostis, porque estão muito próximos da sua estrela", afirmou Byrne, "Até o planeta mais exterior orbita dez vezes mais perto do que Mercúrio orbita o Sol. Quando se está tão perto da estrela e se tem tão pouca gravidade, a atmosfera acaba simplesmente por ser expulsa".

Os investigadores afirmam que os planetas poderiam ter mantido as suas atmosferas durante, no máximo, dois mil milhões de anos - um período muito mais curto do que a idade de 10 mil milhões de anos do sistema. Os seus resultados foram publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Estar tão perto da estrela tem outra consequência para os planetas: os investigadores descobriram que todos os planetas sofrem acoplamento de maré. Da mesma forma que a Lua mostra apenas uma face à Terra, cada um dos planetas da Estrela de Barnard mostra apenas um lado à sua estrela. Como resultado, cada planeta tem um hemisfério onde é dia eterno e no outro, noite eterna.

Sistemas planetários tão compactos como o que orbita a Estrela de Barnard são frequentemente instáveis, com interações gravitacionais entre os planetas que, por vezes, levam à sua colisão, à queda na estrela ou à ejeção do sistema.

No entanto, os investigadores descobriram que um fenómeno denominado ressonância orbital poderá estar a ajudar a estabilizar o sistema da Estrela de Barnard. A duração dos "anos" dos três planetas interiores apresenta uma proporção de 9:12:16: em termos musicais, isto equivale a duas quartas perfeitas consecutivas. Estas harmonias orbitais são responsáveis pela estabilização das órbitas das luas de Júpiter e poderão estar a proteger o sistema da Estrela de Barnard da desorganização gravitacional.

Missões futuras, como a missão Plato da ESO, poderão descobrir muitos mais planetas pequenos como os que orbitam a Estrela de Barnard.

"Os planetas maiores são muito mais fáceis de detetar do que os pequenos, por isso conhecemos muito poucos planetas mais pequenos que a Terra, como os deste sistema", afirmou Byrne. "Mas a sensibilidade destas novas missões ajudará a reduzir este viés, permitindo-nos descobrir cada vez mais planetas pequenos e rochosos, como a Terra".

Embora os planetas da Estrela de Barnard sejam extremamente inabitáveis, a equipa afirma que a sua análise, que estabelece uma ligação entre as composições da estrela e dos planetas, poderá ser um fator importante para determinar se outros planetas poderão suportar vida.

// Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

 


Quer saber mais?

Estrela de Barnard:
Wikipedia 
ipac
Barnard b (NASA)
Barnard b (Wikipedia)
Barnard b (Exoplanet.eu)
Barnard c (NASA)
Barnard c (Exoplanet.eu)
Barnard d (NASA)
Barnard d (Exoplanet.eu)
Barnard e (NASA)
Barnard e (Exoplanet.eu)

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

PLATO (PLAnetary Transits and Oscillations of stars):
ESA
Wikipedia

 
   
 
 
 
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